sexta-feira, 8 de junho de 2012

Troy Southgate - O Caso do Entrismo Nacional-Anarquista

por Troy Southgate


Nós não temos feito segredo de nossa insatisfação com as táticas da maior parte das organizações separatistas raciais nesse país, e na verdade está claro para nós que a maneira cômica pela qual elas abordam a ação política está apenas nos levando mais perto do dia em que seremos completamente derrotados. Até agora, grupos dessa natureza se satisfizeram com eleições e ativismo de rua, como vendas de jornais, colagem de cartazes, colagem de stickers e distribuição de panfletos. Nossas opiniões sobre eleições já são bem conhecidas, mas há ainda lugar para o ativismo de rua. De fato, a propaganda de rua inteligente pode levar a resultados bastante eficazes. Os problemas começam sempre que nós começamos a confiar nesses métodos como nossos únicos meios de agitação política. Há duas razões para isso. Primeiro, é inacreditável que algumas pessoas sejam tão completamente ingênuas a ponto de acreditar que a revolução virá de emboçar as ruas com stickers e cartazes e que por algum milagre a população se mobilizará em favor de nossa causa. Qualquer um que tenha estado ativo por qualquer período significativo de tempo saberá o quanto isso é ridículo. Segundo, é precisamente porque o Estado cortou (ou melhor, pensa que cortou) todas as outras maneiras através das quais nós poderíamos transmitir nossa mensagem a uma audiência mais ampla, que praticamente todos os ativistas foram forçados a depender da prática inútil de disseminar cartazes e stickers. O Estado está perfeitamente feliz em permitir que nós nos demos ao luxo dessa atividade, porque ele sabe o quão pouco nós podemos ganhar de tal estratégia. De fato, se esse tipo de atividade alguma vez tivesse sido considerado uma ameaça real ao Estado, então ele teria sido banido imediatamente.

Nacionais-anarquistas não estão dispostos a permitir que o Estado dite que atividades nós podemos ou não realizar. Nós percebemos que potencialmente, ao menos, nós poderíamos nos tornar objeto de repressão estatal generalizada e que é cada vez mais difícil operar, mas ao invés de nos tornarmos pessimistas ou derrotistas tudo que é necessário é um pouco mais de pensamento inteligente. Dar um passo para trás e avaliar a situação pode muitas vezes ajudar a superar algumas das dificuldades aparentemente mais impráticas. E uma das soluções mais úteis que temos a nossa disposição é o entrismo.

Entrismo é o nome dado ao processo de penetrar ou infiltrar organizações de boa fé, instituições e partidos políticos como objetivo de ou ganhar controle deles para nossos próprios fins, desviar ou perturbá-los para nossos propósitos ou converter seções de seus quadros para nossa causa.

Essa tática já foi usada com sucesso pela Tendência Militante em Liverpool, que conseguiu adquirir o controle do Partido Trabalhista naquela cidade e acabou efetivamente governando a própria Liverpool. Décadas de colagem de cartazes e vendas de jornais não nos levarão a essa posição e, se continuarmos seguindo o caminho apenas do ativismo de rua, na melhor das hipóteses recrutamos um ativista decente de tempos em tempos de modo a substituir aqueles que se aposentam ou pulam fora. Em efeito, nós mantemos nossa força atual. Também é possível que diminuamos até uma posição na qual não é mais viável continuar a luta. O entrismo, portanto, é vital para a continuação e lengevidade de nossa causa e dele vem a única chance possível de vitória. Vejamos dessa maneira: muito do que passa por extrema-esquerda não possui ideologia viável, não tem nada a dizer e suas idéias são completamente desfuncionais. E ainda assim ela tem influência. Essa influência se deve parcialmente a estratégia organizacional. Por outro lado, nós temos boas idéias e muito pouca influência. Isso só pode ser resultado de organização tática pobre e estratégia fraca. Portanto, o que é necessário é a adoção do tipo de estratégia que, até agora, tem sido usada pela esquerda.

Então como realizamos o entrismo? Primeiro, é necessário o tipo certo de pessoa ou grupo para realizar esse tipo de trabalho. O que precisamos é de indivíduos inteligentes que estejam familiarizados com as idéias e pareçam adequados para isso. Normalmente, essas pessoas estariam sob a direção de um quadro mais experiente, mas isso não é essencial desde que eles saibam o que estão fazendo. Nem todos servem para esse tipo de trabalho, porém, porque indivíduos conhecidos ou com um histórico passado de ativismo de rua devem estar excluídas. Pessoas que estragaram o disfarce, por assim dizer, realmente não servem para nós nisso. Segundo, a organização alvo deve ser escolhida com cuidado. O jeito de fazer isso é escolher qualquer número de organizações ativas em uma certa localidade e visitar todas elas ao longo de um período, se possível com diferentes ativistas. Muitas vezes ocorre que indivíduos já ativos em uma organização também serão membros de um certo número de outros grupos na área, e nós não queremos chamar atenção para nós nessa fase inicial. Uma vez que a informação tenha sido reunida, você saberá que organização possui o maior potencial.

Então o que buscamos? Qualquer organização com uma liderança fraca, apática ou velha. Uma organização que possua uma seção de juventude ou membros jovens; grupos que contenham indivíduos de meia idade, de classe média ou satisfeitos consigo mesmos não tem qualquer utilidade para nós. O que necessitamos é de uma organização que possua idealistas, pessoas motivadas por ideologia e uma organização que tenha - ou que possa ter - alguma forma de influência, com a liderança correta, na comunidade.

Uma vez que o alvo tenha sido escolhido, coloque uma ou duas pessoas para se filiar pelos meios normais (ou seja, formulários de recrutamento, convites a encontros, etc.). Pareça entusiasmado, mas não em excesso e guarde sua opinião política para si mesmo. Demonstre interesse. Se te pedirem para fazer algo, então o faça diligentemente, trabalhe duro. Seja cortês, agradável, cultive relações e faça amizades. De todo jeito tenha uma opinião, mas guarde sua política para si mesmo. Deixe algum tempo passar, talvez seis meses ou um ano, e então coloque mais dos nossos para se unir. Vocês já eram amigos, então não levantará suspeita quando vocês se associarem. Você receberá crédito por trazer mais pessoas e aumentar o número de membros da organização. Deixe passar mais seis meses, talvez mais, e então comece a esquentar as coisas.

Selecione aqueles indivíduos que possam ser mais simpáticos em relação às idéias nacional-anarquistas e comece a trabalhar neles. Lentamente, silenciosamente, e com certo grau de sutileza. Não levante suspeitas, faça amizade com as pessoas citadas e arranje para se encontrar com ele ou ela fora dos eventos da própria organização. Façam deles parte de nosso grupo sem que eles nem saibam quem somos. Bajule eles, compre bebidas, faça com que se sintam em casa, mas mantenha sua política para si mesmo. Deixe mais tempo passar e então comece a esquentar as coisas ainda mais. Comece a criticar a organização alvo, talvez você possa focar em algo com o que os membros claramente não estão felizes. Faça isso dentro do seu próprio grupo. Pegue alguém do nosso pessoal, talvez até dois, para discutirem contra você para que não se levantem suspeitas. Não deixe que a pessoa ou as pessoas nas quais você está trabalhando ache que vocês estãos associados, mas garanta que seus "oponentes" eventualmente se rendam e passem para o seu lado da discussão.

Essa é a parte mais importante de toda a operação. É difícil e leva tempo, então seja bastante paciente. Não apresse as coisas, fique calmo e leve o tempo que for necessário. Seja perseverante. Lentamente, silenciosamente, tente expandir o grupo. Faça mais amigos e chame ainda mais dos nossos para se unir. Você vai começar a ser notado, há um punhado dos nossos agora e alguns dos outros membros podem começar a imaginar o que está havendo. Apenas relaxe. Não há nada acontecendo e vocês todos são apenas amigos trabalhando pela mesma causa. Ninguém percebe quem você realmente é ou o que você realmente representa. Se possível, tente eleger alguns dos nossos aos comitês de direção. Coloque-os em posições de responsabilidade. Veja se você consegue se tornar o tesoureiro. Mas não vá com sede demais, ou rápido demais. Tudo isso deve parecer um processo natural.

Vá o mais longe que você puder cultivando amizades e relacionamentos. Quantas pessoas nós tivermos nessa fase ditará o quão bem sucedido será o resultado final. Agora é a hora de decidir que rumo você quer tomar com a organização. Você pode querer ficar com o que já tem ou tentar alcançar uma posição de poder a partir da qual você possa reunir informação. Você pode sentir que algumas das pessoas com as quais você tem trabalhado podem ser recrutadas para a própria causa nacional-anarquista. Se este for o caso, tente recrutá-las. Se você tiver sucessos e a organização alvo não tiver nada mais a oferecer, simplesmente vá para outro lugar.

Pode haver outro cenário. Pode ser o caso que a organização a que você se filiou não possua potencial imediato e você pode não ser capaz de ter qualquer influência nela ou ganhar qualquer coisa dela. Mesmo assim, ela pode ser uma organização na qual precisemos ter uma influência, já que ela pode desempenhar um papel vital em uma situação revolucionária. Se este for o caso então você deve permanecer e perseverar, apenas se tornando ativo para nossa causa quando for a hora certa. Nós estamos nos preparando para o futuro. O objetivo é de longo prazo e nós precisamos colocar pessoas nas instituições sociais agora.

Outra opção pode ser uma defecção pública. Se você conseguiu abrir caminho até a hierarquia de uma organização e possui um punhado de pessoas ao seu redor com alguma influência, pode ser o caso que uma defecção bem pública por você ou seu grupo para o nacional-anarquismo seja bastante benéfica. Nós conseguimos isso em 1997, quando os dois principais organizados do ramo Burnly do Partido Nacional Britânico vieram para o Movimento Nacionalista Inglês e trouxeram diversos ativistas de West Yorkshire consigo. Imagine o tumulto midiático que ocorreria se um conselheiro ou político local abandonassem seus partidos para se unir às fileiras do nacional-anarquismo. Quanto mais respeitado o indivíduo, mais dano isso causará ao Sistema. E é usualmente o caso de que se um indivíduo proeminente deserta, ele ou ela leva muitos outros consigo.

A última opção é a mais interessante e possui um grande potencial. É a de tentar assumir o controle, desde dentro, da organização que você selecionou e então colocá-la a serviço de nossa própria agenda. Se tal organização possui influência na comunidade ou mesmo poder nela, nós nos encontraremos em uma posição de grande força.

O primeiro passo é formar uma facção, um grupo de propaganda combativa dentro da organização alvo. Escolha uma linha ideológica que esteja em sintonia com nossa própria posição e que ataque a atual posição da organização e, mais importante, seja uma idéia ou conjunto de idéias vistas como justas e sob as quais as pessoas possam se mobilizar. Os métodos a usar são panfletos, boletins, reuniões, debates abertos, palestras e reuniões sociais. Uma vez que a facção tenha sido formada, o momentum deve ser mantido e você deve agir rápido. A liderança da organização alvo ficará alarmada e, mais cedo ou mais tarde, eles terão que agir para te deter. Lute de volta. Coloque os jovens do seu lado, ataque abertamente a liderança atual, atrapalhe suas reuniões, provoque-os, ofusque-os. Quando você tiver conquistado pessoas suficientes, conclame os membros a derrubar a liderança e substitui-la com seu próprio pessoal. Essas serão nossas primeiras vitórias. Isso é entrismo. Isso é ação revolucionária. A organização está agora em nossas mãos e nós podemos fazer com ela o que quisermos.

Deve ser compreendido que se nós quisermos melhorar a situação do nacional-anarquismo nesse país e em outros lugares, a estratégia delineada neste artigo é uma que devemos efetivar e começar imediatamente. Não há barreiras para nós. Não há organizações ou instituições nas quais não possamos entrar. Alguns podem dizer que nós devemos evitar o inimigo e ficar longe daqueles sobre os quais ele tem influência. Não. Todos são alvos. O inimigo sempre fez isso e jamais hesitou em nos destruir ou sabotar. Nós agora devemos começar a destruir e sabotar eles. É o caso de que muitas organizações atualmente dominadas pela esquerda ou pela direita simplesmente precisam ser empurradas de sua ideologia atual para serem colocadas no caminho nacional-anarquista. Esse é um trabalho que nós mesmos devemos realizar. Mesmo que não possamos conquistá-los para nossa causa, nós ainda podemos estar entre eles, e confundi-los. Até agora, nós temos tentado enfrentar o inimigo abertamente, mas não mais. Nós devemos destrui-los de dentro.

O que o Estado mais teme é uma corrente organizada de insurgência que possa usar a cabeça. Atualmente, grupos como o PNB e o FN estão usando meios políticas que foram prescritos para eles pelo próprio Estado. De fato, quer seja a farsa ridícula das eleições ou hobbyistas das horas vagas aprisionados em um ciclo sem saída de ativismo de rua, o Estado pode lidar facilmente com eles e sempre o fará. O Sistema britânica teve trinta anos de experiência em Ulster para testar os métodos que usará contra subversivos aqui. Nós sabemos que a urna eleitoral não tem nada a nos oferecer. Nós sabemos que não podemos usar atualmente a força para liberar nossa terra, então nós devemos forjar um novo caminho.

Esse novo caminho é o entrismo, trabalhar dentro das instituições e organizações da sociedade com revolucionários comprometidos. Nessa fase de nosso desenvolvimento, é o único curso lógico de ação. A longo prazo, é a única estrada possível para a vitória.

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