quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Doutrina Legionária

por Christopher Thorpe



A Doutrina Legionária (também chamada Legionarismo) se refere à filosofia e crenças apresentadas pela Legião de São Miguel Arcanjo (também comumente conhecida como a Guarda de Ferro), a organização nacionalista romena cristã fundada por Corneliu Zelea Codreanu, que é a figura-chave na criação de sua doutrina. É necessário esclarecer o que os membros do Movimento Legionário ensinavam e acreditavam devido a muitos equívocos surgidos da ignorância ou de distorções diretas, bem como pela suposição errônea de que o Movimento Legionário era basicamente uma imitação do Fascismo ou do Nacional-Socialismo.

Precursores

Em 1878 e 1879, após a Romênia ter conquistado sua independência do Império Otomano, a nova nação queria ser reconhecida por outras potências europeias. Os romenos não conseguiram isso sem assinar o Tratado de Berlim, que os forçou a dar cidadania aos judeus, uma população hostil e alienígena em terra romena. Ainda que o tratado tenha sido assinado, certas figuras políticas e culturas relevantes na história romena se pronunciaram contra os judeus de modo a alertar a nação para o fato de que os judeus eram culturalmente e economicamente nocivos. As obras desses homens de 1879 foram fontes intelectuais significativas do nacionalismo cristão e da consciência acerca da Questão Judaica do Movimento Legionário. Os mais influentes deles eram os seguintes:

* Vasile Conta (1845-1882) - filósofo e político
* Vasile Alecsandri (1821-1890) - diplomata e político
* Mihail Kogălniceanu (1817-1890) - estadista e historiador
* Mihail Eminescu (1850-1889) - poeta e jornalista
* Bogdan Petriceicu Hasdeu (1838-1907) - historiador e filólogo
* Costache Negri (1812-1876) - político
*A.D. Xenopol (1847-1920) - historiador e economista

Outros intelectuais, que viveram no início do século XX e viram o nascimento e crescimento do Movimento Legionário, também educaram Codreanu e outros legionários acerca da Questão Judaica, do misticismo nacional, do misticismo ortodoxo, e de práticas econômicas. Estes homens eram:

* A.C. Cuza (1857-1947) - político e professor de direito e economista político
* Nicolae Iorga (1871-1940) - historiador, professor de história, e político
* Nicolae Paulescu (1869-1931) - fisiologista, professor de medicina, e filósofo
* Ion Gavanescul (1859-1949) - professor de pedagogia
* Nichifor Crainic (1889-1972) - professor de teologia, teólogo e filósofo

Para evitar equívocos, deve ser notado que não está implicado aqui que os precursores do Movimento Legionário concordavam com a Doutrina Legionária em todos os pontos. Por exemplo, alguns deles tinham atitudes políticas diferentes; a Legião rejeitava o republicanismo enquanto precursores como Eminescu apoiavam o sistema democrático.

Anti-Semitismo e a Questão Judaica

Algumas pessoas hoje que seguem a Doutrina Legionária ou admiram os legionários afirmam que a Legião não era anti-semita, mas apenas parecia assim por causa de um problema judaico na Romênia. Uma das principais razões pelas quais eles fazem objeção ao termo "anti-semita" é por causa de uma certa maneira pela qual este termo é definido por judeus e filo-semitas. Tais grupos o definem como um ódio irracional por todos os judeus, e neste caso os legionários realmente não eram anti-semitas, já que sua hostilidade aos judeus não era irracional, nem eram eles inimigos de todos os judeus (já foi apontado que a Legião tinha alguns apoiadores judeus, ainda que se deva lembrar que a maioria dos judeus eram inimigos da Legião).

Porém, no final do século XIX e início do século XX o termo anti-semita era simplesmente definido como alguém que tinha hostilidade pelos judeus e se opunha a sua presença em sua nação. É assim que Cuza e outros precursores, Corneliu Codreanu, e seu sucessor Horia Sima o definiam, e todos eles não viam problema algum em se dizer anti-semitas. Codreanu afirmou abertamente em seu principal livro Por Meus Legionários acerca de sua visita à Alemanha que "eu tive muitas discussões com os estudantes de Berlim em 1922, que são certamente hitleristas hoje, e eu tenho orgulho de ter sido seu professor no anti-semitismo, exportando para eles as verdades que eu aprendi em Iasi".

Deveria ser notado, porém, que enquanto Codreanu não tinha problemas em se associar com o movimento Nacional-Socialista alemão (ainda que ele corretamente insistisse que sua Legião era inteiramente independente do Nacional-Socialismo), Horia Sima fazia objeção a qualquer conexão entre os dois após a Segunda Guerra Mundial. Em seu livro de 1967 Istoria Miscarii Legionare (História do Movimento Legionário) Sima escreveu:

"O Movimento Legionário, desde sua primeira manifestação, foi o objeto de todos os tipos de difamações. Uma das alegações mais comuns por seus incontáveis inimigos internos e externos era que a Legião era um 'braço do Nazismo'. Tais afirmações podem ser vistas como resultado de ignorância ou má-fé. O anti-semitismo do Movimento Legionário não tinha nada em comum com o anti-semitismo alemão. Ao montar uma resistência contra a ameaça judaica, um perigo extremamente ativo e ameaçador na Romênia, Corneliu Codreanu estava simplesmente continuando uma tradição romena de quase um século".

Deveria ser enfatizado também que a hostilidade legionária pelos judeus como grupo étnico era efetivamente racional, baseada não apenas nos estudos científicos da Questão Judaica por intelectuais como Cuza, Paulescu, Iorga, Xenopol, et al. mas também em experiências e observações reais feitas por muitos romenos comuns. O problema judaico era uma realidade viva. Tanto observação intelectual como observação comum mostrava às pessoas para além de qualquer dúvida que a maioria dos judeus não apenas vivia parasitariamente sobre o trabalho dos trabalhadores romenos através de sua propriedade de muitas companhias ou pela atividade financeira, mas que também representavam uma ameaça à cultura e tradição romenas, que eles estavam afetando através de sua influência sobre a mídia de massa e certas políticas governamentais.

Também vale a pena notar que enquanto Codreanu estava primariamente preocupado com a condição romena, ele acreditava que uma aliança entre nações era necessária para resolver o problema judaico internacionalmente. Isso é tornado claro por uma afirmação em Por Meus Legionários:

"Lá, eu compartilhei com meus camaradas um velho pensamento meu, o que ir à Alemanha continuar meus estudos em economia política enquanto ao mesmo tempo tentava realizar minha intenção de levar nossas idéias e crenças ao exterior. Nós percebemos bem, com base em nossos estudos, que o problema judaico tinha um caráter internacional e a reação, portanto, devia ter um escopo internacional; que uma solução total desse problema não poderia ser alcançado a não ser pela ação de todas as nações cristãs despertas para a consciência da ameaça judaica".

A solução para o problema judaico não era matar os judeus, como muitas pessoas desonestas acusam Codreanu de querer, mas expulsar os judeus da Romênia. Esse plano de deportação é claramente afirmado no Manual do Líder de Ninho, em que ele escreveu "Romênia para os romenos e Palestina para os judeus".



Economia e Trabalho: Anti-Comunismo e Anti-Capitalismo

Quando Codreanu primeiro foi à Universidade de Iasi em 1919, anos antes dele criar a Legião, ele descobriu que a maior parte da cidade e da unviersidade eram fortemente influenciados por campanhas políticas comunistas. Os trabalhadores romenos estavam sujeitos a terríveis condições de trabalho e tinham salários baixíssimos, então eles forem levados ao comunismo por propagandistas marxistas. Professores e estudantes na Universidade também haviam em sua maior parte se convertido ao comunismo, e encontros de estudantes comunistas atacavam o exército romeno, a Igreja Ortodoxa, a monarquia e outros aspectos da vida tradicional romena. Foi essa situação que levou Codreanu a uma luta heróica contra o comunismo, finalmente levando um grupo conservador a esmagar completamente o movimento comunista. Codreanu, sendo um tradicionalista, insistia em defender a fé em Deus, o nacionalismo, a Coroa e a propriedade privada.

Por outro lado, Codreanu também acreditava em lutar contra o sistema capitalista, o qual ele percebeu ser um sistema inerentemente explorador, que permitia que corporações explorassem milhões de trabalhadores. Em 1919, enquanto formava o programa do "socialismo nacional cristão", ele afirmou que "não é o bastante derrotar o comunismo. Nós devemos lutar também pelos direitos dos trabalhadores. Eles tem um direito ao pão e uma luta a honrar. Nós devemos lutar contra os partidos oligárquicos, criando organizações nacionais de trabalhadores que possam conquistar seus direitos dentro da estrutura do Estado e não contra o Estado".

Depois, em 1935 ele anunciou a criação de um novo sistema que ele esperava ser adotado pela nação como um todo uma vez que o Movimento Legionário tomasse o poder: "O comércio legionário significa uma nova fase na história do comércio, o qual foi manchado pelo espírito judaico. É chamado: comércio cristão - baseado no amor pelo povo e não em seu roubo; comércio baseado na honra". Essencialmente, Codreanu era um socialista de terceira via, apoiando a propriedade privada mas ao mesmo tempo se opondo ao sistema materialista e monetarista do capitalismo. Outro ponto importante das idéias de Codreanu para a Romênia é que o trabalho é algo em que todos devem estar envolvidos. A preguiça era um traço que devia ser tratado como um vício extremamente negativo. Todos os legionários faziam alguma forma de trabalho físico, muitas vezes para ajudar romenos pobres em seu próprio trabalho e problemas. Codreanu escreveu: "A lei do trabalho: Trabalhar! Trabalhar todo dia. Colocar seu coração nisso. Que sua recompensa seja, não o lucro, mas a satisfação de ter colocado outro tijolo na construção da Legião e no florescimento da Romênia".

Uma questão que tem sido muitas vezes levantada contra Codreanu é o fato de que ele associa tanto capitalismo como comunismo com os judeus, na medida em que ambos eram dominados por judeus na Romênia. Ele escreveu, conectando os judeus capitalistas e os judeus comunistas, "mas os trabalhadores industriais estavam se inclinando vertiginosamente em direção ao comunismo, sendo sistematicamente alimentados com o culto por essas idéias pela imprensa judaica, e geralmente por toda a judiaria das cidades. Cada judeu, comerciante, intelectual, ou banqueiro, em seu âmbito de atividade, era um agente dessas idéias revolucionárias anti-romenas". Alguns de seus inimigos fizeram objeção em relação a essa conexão dizendo que era ridículo dizer que empresários e banqueiros judeus apoiariam comunistas, que supostamente os destruiriam após uma revolução, já que eles iam querer eliminar os capitalistas. Mas deve ser lembrado que nem toda a burguesia era exterminada nas revoluções comunistas na Europa. Algumas vezes, membros da burguesia que apoiavam o comunismo antes de uma revolução, que muitas vezes eram judeus, receberiam um lugar no sistema comunista uma vez que a revolução fosse alcançada.

Nação e Terra

Os legionários acreditavam que as nações não eram meramente produtos da história e da geografia, mas eram criadas pelo próprio Deus e possuíam um componente espiritual consigo. Codreanu escreveu em Para Meus Legionários, adotando os ensinamentos de Nichifor Crainic:

"Se o misticismo cristão e seu objetivo, o êxtase, é o contato do homem com deus através de um 'salto da natureza humana à natureza divina', o misticismo nacional não é nada senão o contato do homem e das multidões com a alma do povo através de um salto que essas forças realizam do mundo dos interesses pessoais e materiais ao mundo externo da nação. Não através da mente, já que isso qualquer historiador pode fazer, mas vivendo pela alma".

Uma nação também era inseparável da terra na qual ela se desenvolvia, com a qual o povo desenvolveu uma conexão espiritual ao longo do tempo. Codreanu escreveu sobre o povo romeno:

"Nós nascemos nas névoas do tempo nessa terra junto aos carvalhos e às figueiras. Nós estamos presos a ela não apenas pelo pão e pela existência que ela nos fornece conforme trabalhamos nela, mas também pelos ossos de nossos ancestrais que dormem sob seu chão. Todos os nossos pais estão aqui. Todas as nossas memórias, toda a nossa glória bélica, toda nossa história aqui, nessa terra esta enterrada. Aqui dormem os romenos caídos em batalhas, nobres e camponeses, tão numerosos quanto as folhas e como a grama... em todo lugar o sangue romeno correu como rio. No meio da noite, em tempos difíceis para nosso povo, nós ouvimos o chamado da alma romena nos convocando para a batalha. Nós estamos ligados a essa terra por milhões de tumbas e milhões de fios invisíveis que só nossa alma sente".

Finalmente, deve ser notado que Codreanu também acreditava que cada nação possui uma missão a realizar no mundo e que, portanto, apenas as nações que traem essa missão, dada a elas por Deus, desaparecerão da terra. "Para nós romenos, para nosso povo, como para qualquer outro povo no mundo, Deus deu uma missão, um destino histórico", escreveu Codreanu. "A primeira lei que uma pessoa deve seguir é a de seguir o caminho desse destino, cumprindo a missão que lhe foi confiada. Nosso povo jamais abandonou as armas ou desertou de sua missão, independentemente do quão difícil ou longo foi nosso Golgota". O objetivo de uma nação, ou seu destino no mundo do espírito, é que ela não meramente exista no mundo mas que ela busque pela ressurreição através dos ensinamentos de Cristo. "Virá um tempo em que todos os povos da terra serão ressuscitados, com todos os seus mortos e todos os seus reis e imperadores, cada povo tendo seu lugar diante do trono de Deus. Esse momento final...é o mais nobre e mais sublime ao qual um povo pode ascender". Foi por esse ideal que a Legião lutou incansavelmente contra todos os obstáculos, políticos corruptos, e povos alienígenas como os judeus que insistiam em parasitar o povo romeno e sua terra.


Religião e Cultura
Um objetivo do Movimento Legionário era a preservação e regeneração da cultura e costumes romenos. Eles sabiam que a cultura era a expressão do gênio nacional, seus produtos as criações únicas dos membros de uma nação específica. A cultura podia ter influência internacional, mas ela sempre foi nacional em origem. Portanto, a posição capitalista liberal de que diferentes grupos étnicos deviam ter permissão de se mover livremente à nação de um outro grupo, interferindo com a cultura e desenvolvimento dessa nação por sua presença e influência, estava incrivelmente errada. Cada grupo étnico possui sua própria alma e produz e cristaliza sua própria forma e estilo de cultura. Por exempo, uma imagem cultural romena não poderia ser criada a partir de uma essência alemã mais do que uma imagem cultural alemã poderia ser criada a partir de uma essência romena.

Ademais, a religião era um aspecto importante na cultura de um povo, muitas vezes a origem de muitos costumes e tradições. Os legionários acreditavam que o cristianismo não era apenas uma parte significativa de sua cultura, mas também a religião que representava a verdade divina. É por isso que para se unir à Legião de São Miguel Arcanjo era necessário ser cristão e não pertencer a qualquer outra religião ou ser ateu. Com esses princípios claros, a Legião portanto objetivava uma nação romena formada apenas por romenos étnicos e cristãos.

Com isso emmente, fica claro o motivo pelo qual Codreanu e muitos outros romenos sentiram que a presença judaica em sua nação era tão ameaçadora. Os judeus se tornaram influentes na economia, nas finanças, nos jornais, no cinema, e até na política. Por meio disso eles se tornaram poderosos no campo cultural, lentamente modificando os costumes e o pensamento romenos, tornando-os mais próximos aos dos judeus. Codreanu, tão preocupado com esse problema quanto homens como Cuza e Gavanescul, comentou:

"Não é assustador, que nós, o povo romeno, não mais produzimos frutos? Que nós não temos uma cultura romena só nossa, de nosso povo, de nosso sangue, para brilhar no mundo lado a lado com a de outros povos? Que nós sejamos condenados hoje a nos apresentarmos perante o mundo com produtos de essência judaica?" e "Não apenas os judeus são incapazes de criar cultura romena, como eles também falsificarão aquela que nós temos para que eles nos sirvam ela envenenada".

Raça
A realidade da raça era aceita pela maioria dos legionários, e Codreanu escreveu sobre a importância de manter uma nação racialmente coesa. Em Para Meus Legionários, Codreanu citava os argumentos separatistas raciais de Conta, que formaram a base de sua própria atitude em relação à raça, e até mesmo às comparou à perspectiva nacional-socialista alemã. Ele escreveu: "Considerem a atitude que nosso grande Vasile Conta teve na Câmara em 1879. Cinquenta anos atrás o filósofo romeno demonstrou com argumentos científicos inabaláveis, enquadrados em um sistema de lógica impecável, a razoabilidade das verdades raciais que devem estar na base do Estado nacional; uma teoria adotada cinquenta anos depois pela mesma Berelim que nos impôs a concessão de direitos civis aos judeus em 1879".

Porém, deve ser notado que pelo menos alguns legionários não concordavam que a raça fosse importante. Ion Mota, em 1935 quando ele se encontrou com o NSDAP na Alemanha, criticou os nacional-socialistas dizendo a eles que "o racismo é a forma mais vulgar de materialismo. Os povos não são diferentes pela carne, pelo sangue ou pela cor da pele. Eles são diferentes por seu espírito, ou seja, por suas criações, cultura e religião". Obviamente, a atitude de Mota provavelmente não era dominante entre os legionários, já que Codreanu era o fundador das idéias que a maioria de seus membros compartilhava. Também é notável que Horia Sima, em suas obras sobre as crenças legionárias, concordava com Codreanu que a raça é real e importante. Porém, Sima discordava de conectar as idéias raciais romenas com o racialismo alemão, censurando os seguidores de Hitler com a afirmação de que sua visão-de-mundo fez mal uso do racialismo, tornando-o muito absoluto e materialista.

O Novo Homem

O Movimento Legionário queria criar um Novo Homem, para transformar toda a nação pela educação legionária através da transformação de cada indivíduo em uma pessoa de qualidade. O Novo Homem seria mais honesto e moral, mais inteligente, industrioso, corajoso, apto ao sacrifício, e completamente livre do materialismo. Sua visão do mundo seria centrada na espiritualidade, no serviço a sua nação, e no amor pelo seu compatriota. Essa forma nova e melhorada de ser humano transformaria a história, estabelecendo as fundações de uma nova era jamais antes vista na história romena.

Codreanu escreveu:

"Nós criaremos uma atmosfera, um meio moral no qual o homem heróico possa nascer e crescer. Esse meio deve ser isolado do resto do mundo pelas mais altas fortificações espirituais possíveis. Ele deve ser defendido de todos os ventos perigosos de covardia, corrupção, licenciosidade, e de todas as paixões que enterram as nações e matam os indivíduos. Uma vez que o legionário tenha sido desenvolvido nesse meio...ele será enviado ao mundo... Ele será um exemplo; ele transformará outros em legionários. E as pessoas, em busca de dias melhores, os seguirão...e irão compor uma força que lutará e triunfará".

Portanto, uma revolução espiritual criaria a base para uma revolução política, já que sem o Novo Homem nenhum programa político poderia alcançar qualquer conquista duradoura.


Política

O governo da Romênia era uma monarquia constitucional, e assim o governo nacional era considerado uma democracia. Corneliu Codreanu foi membro do Parlamento romeno por duas vezes, e suas experiências com a política democrática o levaram a concluir firmemente que o sistema democrático, ainda que afirmando representar a vontade popular, raramente chegou a alcançar seu objetivo de representação. Na verdade, ele sentia que ocorria exatamente o contrário. Em Para Meus Legionários, ele listou algumas das principais objeções que ele tinha em relação ao sistema e ao modo como ele funcionava (o seguinte é uma paráfrase de seus pontos):

* A democracia destrói a unidade do povo já que ela gera faccionalismo;
* A democracia torna milhões de judeus (e outros grupos alienígenas) em cidadãos romenos, assim destruindo descuidadamente a antiga estrutura étnica de uma nação;
* A democracia é incapaz de esforço duradouro e responsabilidade porque necessariamente ela leva a mudanças intermináveis na liderança em um curto período de tempo. Um líder ou partido trabalha para melhorar a nação com um plano específico, mas apenas governa por uns poucos anos antes de ser substituído por um novo com um novo plano, que na maior parte, senão completamente, desconsidera o antigo. Assim pouco é alcançado é a nação é ferida;
* A democracia carece de autoridade já que ela não dá a um líder o poder que ele necessita para realizar seus deveres para com a nação e o transforma em um escravo de seus apoiadores políticos egoístas;
* A democracia é manipulada por financistas e banqueiros, já que a maioria dos partidos é dependente de seu financiamento e, assim, é financiada por eles.
* A democracia não garante a eleição de líderes virtuosos, já que a maioria dos políticos é ou demagoga ou corrupta, e as massas de pessoas comuns normalmente não são capazes ou sábias o bastante para eleger bons homens. Codreanu retoricamente disse sobre a idéia das massas ecolherem sua elite, "Por que então os soldados não escolhem o melhor general?"

Assim, Codreanu buscava uma nova forma de governo, rejeitando tanto o republicanismo e a ditadura. Nesse novo sistema os líderes não herdariam o poder pela hereditariedade, nem seriam eles eleitos como em uma república, mas ao invés eles seriam selecionados. Assim, seleção e não eleição é o método de escolher uma nova elite. Líderes naturais, demonstrando bravura e perícia, surgiriam a partir das fileiras legionárias, e a velha elite seria responsável pela escolha da nova elite. O conceito de Novo Homem é importante para o sistema de liderança de Codreanu, porque apenas pelo estabelecimento do Novo Homem os líderes corretos emergiriam e se tornariam líderes da nação. A elite seria fundada sobre os princípios que Codreanu determinou: "a) Pureza de alma; b) Capacidade de trabalho e criatividade; c) Bravura; d) Vida dura e luta permanente contra as dificuldades nacionais; e) Pobreza, nomeadamente a renúncia voluntária a acumular uma fortuna; f) Fé em Deus; g) Amor".

Esse novo sistema de governo que Codreanu queria estabelecer seria autoritário, mas não seria totalitário. Ele descreveu dessa maneira: "Ele (o líder) não faz o que quer, ele faz o que deve. E ele é guiado, não pelos interesses individuais, nem pelos coletivos, mas pelos interesses da nação eterna, à consciência alcançada pelo povo. No esquema desses interesses e apenas nele, os interesses pessoais e coletivos encontram o maior grau de satisfação normal".

Um ponto importante no sistema político legionário é que a Legião reconhecia três entidades: "1) O indivíduo; 2) A coletividade nacional presente, isto é, a totalidade dos indivíduos da mesma nação, vivendo em um Estado em um dado momento; 3) A nação, aquela entidade histórica cuja vida se estende por sobre os séculos, suas raízes penetrando fundo nas névoas do tempo, e com um futuro infinito".

Cada uma dessas entidades tinha seus próprios direitos em um sentido hierárquico. O republicanismo reconhecia apenas os direitos do indivíduo, mas o Movimento Legionário reconhecia os direitos de todos os três. A nação era a entidade mais importante, e assim os direitos da coletividade nacional estavam subordinados a ela, e finalmente os direitos do indivíduo estava subordinados aos direitos da coletividade nacional. O individualismo destrutivo da "democracia" infringia os direitos da coletividade nacional e os direitos da nação, já que ignorava os direitos dessas duas entidades e colocava os do indivíduo acima de tudo.

Com esses fatos em mente, fica claro que acusar o Movimento Legionário de querer estabelecer uma ditadura tirânica ou de ser "fascista" não é nada mais do que propaganda acéfala ou mentirosa contra o movimento.

Martírio

"O legionário abraça a morte", escreveu Codreanu, "pois seu sangue serve como molde para cimentar a Romênia Legionária". Através das lutas e perseguições intensas que ele encarou, o Movimento Legionário produziu muitos mártires, dois dos mais citados sendo Ion Mota e Vasile Marin, que morreram em 1937 ajudando Franco na luta contra os marxistas republicanos na Guerra Civil Espanhola. Outros mártires da Legião incluem Sterie Ciumetti, Nicoleta Nicolescu, Lucia Grecu, e Victor Dragomirescu entre centenas de outros. Finalmente, em 1938, o próprio Corneliu Codreanu se tornou um mártir depois que Armand Calinescu, agindo por fora da lei, ordenou seu assassinato. Mártires eram normalmente honrados em canções que todos os legionários cantavam e em rituais legionários, quando seus nomes eram anunciados na chamada, com todos os legionários falando "presente!". Eles acreditavam que as almas dos mortos romenos ainda estariam presentes com eles em suas batalhas.

Violência

Junto com o martírio, no qual a morte era recebida, havia a violência ocasional cometida pelos legionários contra seus inimigos. Codreanu originalmente intencionava que o Movimento Legionário fosse não violento, mas a maneira cruel e incomumente impiedosa na qual seus inimigos os tratavam gerou condições nas quais a violência se tornou inevitável. Quando seus oponentes políticos os atacavam fisicamente, os legionários normalmente reagiam. Em certos casos específicos, certos inimigos importantes da Legião foram assassinados. Há três exemplos mais importantes:

* Em 1933, o governo de I.G. Duca proibiu a Legião de participar nas eleições, prendeu 18.000 legionários e torturou e matou vários outros. Em 29-30 de dezembro daquele ano, os legionários Nicolae Constantinescu, Doro Belimace, e Ion Caranica (que são normalmente chamados de os Nicadori) assassinaram Duca como vingança;
* Em 1934, Mihail Stelescu, um membro da Legião, foi investigado pelos líderes legionários e se descobriu que ele planejava trair a Legião e criar seu próprio grupo e foi então expulso. Stelescu então criou o grupo em 1935, chamando-o Cruciada Romanismuliu ("A Cruzada do Romanismo"), e difamou Codreanu em seu jornal. Há também evidência de que Stelescu estava planejando assassinar Codreanu e que, após contatar figuras políticas importantes, ele recebeu apoio do governo para esse plano. Nessa situação, dez legionários posteriormente chamados os Decemviri ("Os Dez Homens") o mataram.
* Em novembro de 1938, Armand Calinescu ordenou que a polícia militar assassinasse ilegalmente Codreanu (que antes havia sido preso por dez anos por acusações não comprovadas em julgamentos injustos), os Nicadori e os Decemviri. Em 21 de setembro de 1939, nove legionários conhecidos como os Rasbunatorii ("Os Vingadores") mataram Calinescu. Depois eles se entregaram, foram torturados e executados sem julgamento. Esses nove homens eram Miti Dumitrescu, Cezar Popescu, Traian Popescu, Nelu Moldoveanu, Ion Ionescu, Ion Vasiliu, Marin Stanciulescu, Isaia Ovidiu, e Gheorghe Paraschivescu.

Pode-se fazer objeção a essas ações por parte dos legionários, afirmando que eles estavam assim participando de atitudes não-cristãs. Porém, para compreender corretamente isso, deve-se lembrar que ao longo da história do cristianismo houve muitas pessoas que cometeram atos de violência ou mataram em nome de sua religião. Certos cavaleiros cruzados que mataram grandes números de pessoas foram até mesmo canonizados. Claramente não é nada novo para zelotes cristãos travarem combate contra seus inimigos. Alguns poderiam até dizer que porque Cristo ensinou a "amar o inimigo" que, portanto, Codreanu estava violando abertamente os ensinamentos cristãos. Mas isso não é muito claro.

Deve ser lembrado que nos originais em grego e latim a frase "amai teu inimigo" (Mateus 5:44; Lucas 6:27) fazia referência especificamente ao inimigo privado, não ao inimigo público ou nacional (que podia, assim, ser odiado). É por isso que Codreanu disse aos legionários:

"Perdoai aqueles que os atacam por razões pessoais. Aqueles que os torturaram por sua fé no povo romeno, esses vós não perdoareis. Não confundamos o direito e dever cristão de perdoar aqueles que nos fizeram o mal, com o direito e dever de nosso povo de punir aqueles que o traíram e assumiram para si a responsabilidade de se opor a seu destino. Não esquecei que as espadas que levais pertence à nação. Vós a carregais em seu nome. Em seu nome vós as utilizareis para unir - sem perdão e sem misericórdia. Assim, e apenas assim, estareis preparando um futuro sadio para essa nação".

Esses são os fatos que precisam ser lembrados de modo a compreender adequadamente o motivo pelo qual Codreanu e os legionários fizeram o que fizeram. De outro modo, um estudo histórico adequado não poderá ser feito.

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