domingo, 22 de janeiro de 2012

O Cérebro do Mundo: Os Verdadeiros Objetivos da Globalização - Uma Opinião da Argentina

por Adrian Salbuchi




"Aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la" - George Santayana

Mais e mais pessoas estão assumindo uma opinião cada vez mais crítica do fenômeno mundial chamado globalização. Não que elas sejam contra a cooperação construtiva entre nações soberanas do mundo em objetivos comuns, mas sim que elas rejeitam este atual modelo de globalização.

Como agora a temos, a globalização pode ser definida como uma ideologia que identifica o Estado-Nação soberano como seu principal inimigo. Ela busca, então, enfraquecê-lo, dissolvê-lo e eventualmente destrui-lo como instituição social de modo a substitui-lo com novas estruturas administrativas supranacionais globais.  Essas estruturas ligam-se com os objetivos políticos e interesses econômicos de um pequeno número de grupos altamente concentrados e muito poderosos que hoje movem e manobram o processo de globalização em uma direção bastante específica.

Esses grupos consistem em interesses privados que hoje alcançaram algo sem precedentes na história humana e que pode ser descrito como a privatização do poder em escala global. A globalização é uma descrição incompleta daquilo que os ex-presidentes americanos Woodrow Wilson, Franklind D. Roosevelt, Harry Truman e George Bush, cada um em diferentes tempos históricos descreveu como uma "nova ordem mundial".

Uma Nova Ordem Mundial! Claramente, quando o ex-presidente Bush indiscretamente usou este termo há uma década, o Sistema rapidamente o silenciou e substituiu o termo pelo termo mais neutro e indefeso "globalização" que, não obstante hoje possui apenas um significado: Neoimperialismo anglo-americano a nível planetário e absoluto.

Quem são eles? O que eles querem?

O processo que nós descrevemos não é de maneira alguma anônimo ou secreto, porque os grupos de influência promovendo e dirigindo a globalização estão em plena vista da opinião pública: corporações multinacionais especialmente as Fortune 500 que correspondem a 80% da economia americana; a estrutura financeira global que inclui bancos, fundos de investimento, bolsas de valores e mercados de commodities, monopólios midiáticos, principais universidades da Ivy League, organizações multilaterais internacionais e, mais importante, postos governamentais chave nos EUA e outras nações industrializadas.

O que não é imediatamente óbvio é o fato de que todos os jogadores nessa roda de poder global possuem uma coisa em comum: seus principais gerentes, investidores, estrategistas, banqueiros, funcionários governamentais, acadêmicos, e cotistas pertencem à mesma rede de think-tanks. Essa rede forma um centro comum dirigindo a roda do poder global em seu curso.

Entre esses importantes think-tanks - que são realmente centros de planejamento geopolítico - o papel do Conselho de Relações Exteriores, a Comissão Trilateral, o Instituto Real de Assuntos Internacionais, a Instituição Brookings, a Corporação RAND, e o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, entre outros, são de vital importância.

Um pouco de história

Para entender corretamente o mundo atual precisa-se olhar para ontem, de modo a  ver como as coisas ficarão como são. Foi em 1919 quando um pequeno grupo de banqueiros influentes, advogados, políticos e acadêmicos todos os quais estavam fazendo parte das negociações de paz em Paris entre os Aliados vitoriosos e as Potências Centrais conquistadas da Europa se encontraram no Hotel Majestic e chegaram a um acordo transcendental: eles decidiram criar um "think tank"; um tipo de "clube de cavalheiros" ou loja a partir da qual eles pudessem desenhar o tipo de "nova ordem mundial" que acomodaria apropriadamente os interesses coloniais da aliança anglo-americana.

Em Londres, esse think tank teria o nome de Instituto Real de Assuntos Internacionais (RIIA), enquanto nos EUA ele seria conhecido como o Conselho de Relações Exteriores (CFR), baseado na cidade de Nova Iorque. Ambas organizações tinham o selo inequívoco da estratégia social de gradualmente impôr uma ordem socialista como meio de controle das massas que então estava sendo promovida pela Sociedade Fabiana, financiada pelo Grupo Távola Redonda que por sua vez foi criado, controlado e financiado pelo magnata sul-africano Cecil Rhodes, pela dinastia financeira internacional dos Rothschilds, e pela Coroa Britânica.

O CFR conseguiu seu apoio inicial das famílias mais ricas, poderosas e influentes nos EUA que incluíam os Rockfeller, os Mellon, os Harriman, os Morgan, os Schiff, os Kahn, os Warburg, os Loeb, e os Carnegie (este último em particular através de sua própria organização de fachada, o Fundo Carnegie para a Paz Internacional).

De modo a expressar e assim propagar sua influência entre círcuos de elite, uma das primeiras medidas do CFR consistiu em fundar seu próprio jornal que até hoje continua sendo a principal publicação sobre geopolítica e ciência política: Foreign Affairs. Entre os primeiros diretores do CFR, nós encontramos Allan Welsh Dulles, uma figura chave na comunidade de inteligência americana que posteriormente consolidaria a estrutura de espionagem da CIA; o jornalista Walter Lippmann, diretor e fundador do Nova República; J.P. Morgan, advogado corporativo; os banqueiros Otto H. Kahn, e Paul Moritz Warburg, este último um imigrante alemão que veio aos EUA e em 1913 projetou e promoveu a legislação que levou à criação do Banco da Reserva Federal que até hoje controla a estrutura financeira dos EUA. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, o Banco da Reserva Federal foi suplementado pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, ambos os quais foram projetados pelo CFR na Conferência Bretton Woods em 1944.

Outro membro do CFR e um dos seus primeiros diretores foi o geógrafo e presidente da Sociedade Geográfica Americana, Isaiah Bowman, que redesenharia o mapa da Europa Central após a Primeira Guerra Mundial impulsionando assim tempos de grande turbulência que levariam à Segunda Guerra Mundial. Foram os advogados do CFR como Owen D. Young (presidente da General Electric) e Charles Dawes (J.P. Morgan Bank), que na década de 20 projetaram os planos de "refinanciamento" para as dívidas de reparação de guerra da Alemanha impostas pelo Tratado de Versalhes. Foram os diretores do Banco da Reserva Federal e membros do CFR que gerariam as distorções monetárias que levaram à crise financeira de 29 e à Depressão subsequente. Foram os diretores da CFR que através de poderosos meios midiáticos como as redes de radiodifusão NBC e CBS e jornais como o The Washington Post e o The New York Times pressionariam a opinião pública a romper a neutralidade isolacionista dos EUA e colocariam a nação e outra guerra europeia em 1939, a qual eles próprios vinham promovendo desde o início da década de 30.

A Segunda Guerra Mundial

Logo no início da guerra europeia na qual os EUA só tomariam parte formalmente em 1941, membros do CFR estabelecer o Grupo de Estudos Guerra e Paz que literalmente tornou-se parte do Departamento de Estado, e projetou suas principais políticas externas em relação à Alemanha, Itália, Japão e seus aliados. Depois, eles começaram a preparar para ainda outra "nova ordem mundial" após a então previsível vitória aliada. Dessa maneira, o CFR projetou e promoveu a criação das Nações Unidas para gerir a política global e algumas de suas agências econômicas principais como o FMI e o Banco Mundial, através de seus membros Alger Hiss, John J. McCloy, W. Averell Harriman, Harry Dexter White e muitos outros.

Uma vez que a guerra terminou, o presidente americano Harry Salomon Truman estabeleceria a doutrina de segurança nacional que foi baseada na doutrina de contenção da expansão soviética, por sua vez baseada na proposta de um outro membro do CFR e à época embaixador americano em Moscou, George Kennan, que descreveu suas idéias em um famoso artigo seminal do Foreign Affairs que ele assinou com o pseudônimo "X"; bem como na diretiva de segurança nacional NSC68 emitida pelo Conselho de Segurança Nacional que foi esboçada pelo membro do CFR Paul Nitze. O mesmo pode ser dito do assim chamado Plano Marshall projetado por uma força-tarefa da CFR e posteriormente implementado por W. Averell Harriman.

Estruturas de Poder

Ainda que seja uma organização pouco conhecida entre a opinião pública, o CFR é muito poderoso e tem crescido em influência, prestígio e amplitude de atividades. Tanto que hoje nós podemos dizer sem dúvida que ele conforma o "cérebro mundial" silenciosamente dirigindo o curso dos muitos complexos e altamente voláteis processos sociais, políticos, financeiros, e econômicos através do mundo. Não há um povo, região ou aspecto da vida humana que não seja afetada pela influência do CFR, conscientemente ou inconscientemente e é o fato de que ele não obstante tem sido capaz de permanecer "por trás dos bastidores" que faz do CFR tão excepcionalmente poderoso.

Hoje, o CFR é uma organização discreta possuindo mais de 3.600 membros, as pessoas mais capazes, poderosos e influentes em suas respectivas profissões, instituições, corporações, cargos de governo e ambientes sociais. Desse modo, o CFR reúne os principais funcionários corporativos de instituições financeiras, gigantes industriais, a mídia, organizações de pesquisa, acadêmicos, altos oficiais militares, chefes de governo, reitores de universidades, líderes sindicais e investigadores de centros de estudos. Seus objetivos fundamentais consistem em identificar e avaliar uma ampla gama de fatores políticos, econômicos, financeiros, sociais, culturais e militares abrangendo cada aspecto imaginável da vida pública e privada nos EUA, seus principais aliados e no resto do mundo. Hoje, graças ao enorme poder exercido pelos EUA, a amplitude das atividades do CFR literalmente abrange todo o planeta.

Suas pesquisas e investigações são realizadas por diferentes forças-tarefa e grupos de estudo dentro do CFR que identificam oportunidades e ameaças, avaliam forças e fraquezas, e projetam estratégias a longo prazo para promover seus interesses ao redor do mundo, cada um com seus respectivos planos táticos e operativos. Ainda que tarefas tão intensivas e amplas sejam realizadas dentro do CFR, a questão principal para compreender seu enorme sucesso está no fato de que o CFR per se, jamais faz nada sob seu próprio nome, ao invés são seus membros individuais que o fazem, e isso através de seus cargos formais como presidentes e diretores das principais corporações, instituições financeiras, instituições multilaterais internacionais, mídia, e cargos de governo, universidades, forças armadas, e sindicatos. Eles jamais invocam ou mesmo fazem referência ao CFR como sendo o principal centro de planejamento e coordenação.

Os membros do CFR são efetivamente poderosos já que nós encontramos hoje entre eles (e nós precisamos fazer referência a apenas um punhado dos 3600 membros do CFR), pessoas como David Rockfeller, Henry Kissinger, Bill Clinton, Zbignew Brzezinski, Samuel Huntington, Francis Fukuyama, a ex-secretária de estado Madeleine Albright, o especulador internacional George Soros, o juiz da Suprema Corte Stephen Breyer, o CEO da Lowes/CBS Laurence A. Tisch, o atual secretário de estado General L. Colin Powell, o CEO da General Electric Co. Jack Welsh, o CEO da CNN W. Thomas Johnson, o presidente e CEO do The Washington Post/Newsweek/International Herald Tribune Katherine Graham, o vice-presidente dos EUA, ex-secretário de defesa e ex-CEO da Halliburton Richard Cheney, o presidente George Bush, o ex-conselheiro de segurança nacional do presidente Clinton Samuel "Sandy" Berger, o ex-diretor da CIA John M. Deutch, o governador do Banco da Reserva Federal Alan Greenspan, o presidente do Banco Mundial James D. Wolfensohn, o CEO da CS First Boston Bank e ex-governador do Banco da Reserva Federal Paul Volcker, os repórteres Mike Wallace e Barbara Walters, o ex-CEO do CitiGroup John Reed, os economistas Jeffrey Sachs e Lester Thurow, o ex-secretário do tesouro, ex-CEO da Goldman Sachs e o atual diretor do CitiGroup Robert E. Rubin, o ex-secretário de estado e "mediador" durante a Guerra das Malvinas entre Argentina e Grã-Bretanha General Alexander Haig, o "mediador" no conflito dos Balcãs Richard Holbrooke, o CEO da IBM Louis V. Gerstner, o senador democrata George J. Mitchell, o congressista republicano Newt Gingrich, e a atual conselheira de segurança nacional Condoleeza Rice, entre muitos outros.

No mundo dos negócios, as principais corporações do ranking da Fortune 500 possuem todas elas um diretor sênior que é um membro do CFR. Essas corporações juntas possuem um valor de mercado combinado quase duas vezes maior que o PIB dos EUA, concentram a maior parte da riqueza e poder do país, e controlam recursos chave e tecnologias ao redor do mundo. Juntos elas empregam mais de 25 milhões de pessoas só nos EUA e são responsáveis por 75% de seu PIB. Em resumo, elas manejam um poder e influência gigantescos nos EUA e em nosso planeta.

Nós assim encontramos aqui a chave para a enorme efetividade do CFR em que suas decisões e planos são esboçados e acordados em seus encontros, conferências e forças-tarefa por trás de portas fechadas, e então colocados em prática por seus diferentes membros cada um a partir de seus postos formais em diferentes organizações. E que postos poderosos são esses!

Se, por exemplo, houve uma série de planos relativos, digamos, à globalização da economia e do sistema financeira, ou quais países terão paz e prosperidade e quais terão guerra e fome, então nós podemos supor que a ação coordenada de personalidades como o presidente dos EUA, seus secretários do estado, defesa, comércio e tesouro, o diretor da CIA, os principais banqueiros e investidores, capitães da indústria, meios de mídia, repórteres e escritores, oficiais militares e acadêmicos, diretores do FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, será capaz de coordenar ações concretas, eficazes e sem dúvida quase irresistíveis. Isso tem sido assim pelos últimos oitenta anos.

Poder real e poder formal

De modo a realmente entender como o mundo realmente funciona, nós devemos primeiro entender a diferença entre poder formal e poder real. O que a mídia propaga com um diariamente em seus veículos de notícia na televisão, rádio e na imprensa não é nada senão os resultados concretos e vísiveis das ações das estruturas de poder formal, particularmente aquelas dos governos nacionais e das estruturas financeiras e corporativas tecnocráticas e supranacionais. Porém, as influências de poder real são muito menos visíveis e eles são aqueles que planejam o que ocorrerá no mundo, quando e onde ocorrerá e quem fará.

O poder formal é de curto prazo e possui alta visibilidade; o poder real é de longo prazo e praticamente não possui visibilidade. O poder formal é "público", o poder real é "privado". Como os EUA são a única superpotência planetária hoje, é razoável concluir que essa estrutura de poder global como aquilo que realmente administra provisoriamente esse governo mundial a partir de seu território e de suas estruturas políticas e econômicas. Isso de modo algum implica que a maioria das pessoas dos EUA necessariamente formam parte desse esquema de coisas, mas sim que suas elites e classes governantes sim. Nós estamos então falando de um grupo de influência que opera dentro dos EUA (como também por dentro da Grã-Bretanha, Alemanha, e Japão, e através de seus agentes na Espanha, Argentina, Brasil, Coréia, e muitos outros países), mas que não está necessariamente identificado com a população dos EUA (nem de qualquer outros países com cujos povos, necessidades e interesses eles não precisam concordar).

De modo a melhor compreender a verdadeira natureza dos EUA, nós devemos ter em mente que especialmente no que se refere a sua política externa a "Administração" americana como eles tão aptamente chamam seu governo, é baseado em Washington DC., que é o assento do poder formal dos EUA, enquanto suas estruturas de poder real estão localizadas na cidade de Nova Iorque. Ou seja, os EUA são administrados a partir de Washington DC, mas governados a partir de Nova Iorque. Uma vez que entendamos isso, então muitas outras coisas se encaixam automaticamente. Adicionalmente, o verdadeiro centro de poder planetário situa-se não em Nova Iorque, mas em Londres...

Que isso deva ser assim é compreensível quando lembramos que o exercício do poder real demanda conformidade com um conjunto de regras e condições cuja continuidade abarca anos e décadas de modo a alcançar objetivos de longo prazo e estratégicas complexas que, por sua vez, abarcarão todo o planeta, suas nações e recursos. Isso demanda planejamento de longo prazo: 20, 30, 50 anos a frente. Essas elites sabem bem que não há ameaça maior à continuidade e consistência política no planejamento e execução dessas estratégias globais, do que tê-las subjugadas ao processo democrático que impõe uma alta visibilidade sobre seus líderes que devem ouvir a voz do público a cada passo que dão, e as constantes interrupções de poder que os processos eleitorais democráticos representam.

O quão melhor é operar discretamente, a partir do que se poderia formalmente chamar de um mero clube de cavalheiros como o CFR, nos quais homens e mulheres poderosos e influentes podem ser funcionários, diretores e presidentes por décadas sem ter que prestar explicações a quem seja exceto seus próprios pares. Dessa maneira, 3.600 pessoas poderosas podem exercer enorme influência política, econômica, financeira e midiática sobre incontáveis milhões através do planeta. É desnecessário dizer que a mídia impõe o "politicamente correto" que pode ser expresso simplesmente por dois partidos políticos principais, democratas e republicanos nos EUA, trabalhistas e conservadores no Reino Unido, CDU e SPD na Alemanha, radicais e justicialistas na Argentina, que são meras variações dos mesmos elementos fundamentais. Na prática, democracias ocidentais estáveis todas conformaram ao que é na prática um sistema unipartidária com facções internas levemente diferentes.

O que nós estamos descrevendo é na verdade o foco central de uma verdadeira rede de homens e mulheres poderosos, considerando que o CFR é por sua vez suplementado por uma miríade de instituições similares tanto dentro como fora dos EUA. Entre essas podemos mencionar um punhado: O Instituto Hudson, a Corporação RAND, o Instituto Brookings, a Comissão Trilateral, o Fórum Econômico Mundial, o Instituto Aspen, o Instituto Americano de Iniciativas, a Sociedade Alemã para Política Externa, e o Fundo Carnegie para a Paz Internacional.

Todos esses think tanks reúnem os homens e mulheres mais inteligentes, preparados, criativos, e ambiciosos de uma grande gama de campos e disciplinas. Eles são pagos e recompensados muito bem economicamente e socialmente, enquanto eles se alinhem claramente e completamente com as crenças básicas dos objetivos políticos do CFR. Estes são nada menos que a criação de um governo mundial privado, a erosão sistemática das estruturas de todas os Estados-Nação soberanos (ainda que, naturalmente, nem todos do mesmo jeito, na mesma velocidade ou ao mesmo tempo), a padronização dos valores culturais e normas sociais, a difusão do sistema financeiro globalizado de base usurário-especulativa, e o gerenciamento de um sistema de guerra global de modo a manter a coesão social necessária de suas próprias massas através da intimidação e alinhamento permanentes contra inimigos reais ou imaginários da "democracia", dos "direitos humanos", da "liberdade" e da "paz".

Assim, de modo a melhor compreender o mundo, precisamos ler e avaliar o que o CFR ou melhor, seus membros individuais - diz e propaga, já que muitas de suas atividades não são secretas, mas ao invés meramente discretas. Qualquer pessoa visitando sua sede na Park Avenue e na 68th Street em Nova Iroque como este que subscreve já fez várias vezes em anos recentes, será capaz de obter uma cópia grátis de seu mais recente Relatório Anual que descreve suas principais atividades e a lista completa dos 3.600 membros. Então a informação está abertamente disponível para todos os que querem procurar.

Cabe, porém, a nós ter o trabalho de cruzar todas as informações relativas aos membros do CFR com o que cada um realmente faz em suas atividades profissionais, corporativas, acadêmicas e governamentais. Nós também precisamos olhar para a história moderna e avaliar a influência excepcional que o CFR tem tido ao longo do século XX tanto por conta própria como em conjunção com suas organizações associadas, assim promovendo e influenciando ideologias, eventos públicos, guerras, formação de alianças, crimes políticos, atividades secretas, guerra psicológica, crises econômicas e financeiras, a promoção e destruição de personalidades políticas e empresariais, e outros eventos de grande impacto muitos dos quais claramente difíceis de admitir ou confessar, todas as quais porém marcaram o curso da humanidade em nossos tempestuosos tempos modernos.

Pareceria que nós todos somos mantidos ocupados demais e fascinados como espectadores passivos do turbilhão de eventos que tem lugar a cada dia no mundo de modo a garantir que nenhum de nós pense em olhar para qualquer outro lugar em busca de explicações adequadas para as crises graves de hoje, o que nos permitira identificar não tanto os efeitos e resultados chocantes de muitas dessas decisões políticas e ações secretas que são tomadas, mas sim suas causas e fontes reais e concretas.

De modo a essa gigantesca guerra psicológica, pois é disso que se trata - vencer, a mídia de massa desempenha um papel essencial e vital que não pode ser suficientemente enfatizado. Pois eles são os instrumentos cujo objetivo é minar e neutralizar a capacidade de pensamento independente entre a população mundial. Este é o papel de mídias de massa como a CNN, CBS, NBC, The New York Times, The Daily Telegraph, Le Figaró, The Economist, The Wall Street Journal, o Corrieri della Sera, Le Monde, Washington Post, a Time, o Newsweek, US News & World Report, Business Week, RTVE, todas as quais são dirigidas por membros do CFR ou de suas organizações associadas nos EUA e outros lugares.

Implicações para a Argentina

Nesse contexto, nós podemos dizer que a mídia local na Argentina, e nossos políticos estão todos alinhados ao processo de globalização, e estão engajados em alcançar três objetivos fundamentais:

1. Ocultar da opinião pública como o mundo realmente funciona, sabendo que se nós não pudermos compreender e diagnosticar a origem de nossos problemas e fraquezas, nós dificilmente poderíamos encontrar as soluções adequadas para eles. Assim nós somos ludibriados em acreditar que nós estamos em "paz", quando na verdade uma verdadeira e violenta guerra total está sendo travada contra a Argentina há mais de meio século nos âmbitos político, econômico, financeiro, midiático, educacional, tecnológico e ambiental. É primariamente uma guerra psicológica.

2. Nos fazer acreditar que nós estamos em uma situação difícil, mas que "as coisas vão melhorar" desde que nós alcancemos um novo acordo com o FMI, privatizemos ainda mais nossos interesses públicos, reformemos nossos governos federais e provinciais ao agrado do Banco Mundial, reformemos nossa legislação trabalhista e social de modo que os "investidores internacionais" sorriam para nós, e façamos nosso dever de casa implementando as "receitas" do FMI e do Banco Mundial. A verdade é que dizer que estamos em uma "situação difícil" é uma subestimação absurda. A Argentina está em situação terminal e se não acordarmos para essa realidade em alguns anos, no máximo em uma década, nós deixaremos de existir como país.

3. Nos fazer acreditar que, queiramos ou não, não há nada que possamos fazer para parar a "globalização". A verdade é, porém, que há uma miríade de coisas que podem ser feitas para neutralizar os efeitos adversos da globalização. Estas basicamente implicam recuperar o Estado-Nação de modo que ele se conforme com suas funções básicas e fundamentais de:

- integrar forças sociais internas em conflito;

- prever todas as possíveis ameaças e oportunidades internas e externas, e

- liderar a Nação em um curso político defendendo seu interesse nacional.

Essas funções implicam a existência de um Estado-Nação soberano que a Argentina não é mais hoje. Nós nos tornamos uma colônia e nós devemos, como um primeiro passo, promover uma verdadeira Segunda Declaração de Independência de modo a então fundar uma Segunda República. As implicações e aspirações para nossa região e mais além no mundo seriam realmente momentosas. Adicionalmente, devemos ter em mente e está além do escopo desse breve artigo entrar em detalhes, que a infraestrutura financeira global está à beira de um colapso controlado que é algo que o CFR vem cuidadosamente planejando ao longo de seus programas Projeto de Vulnerabilidades Financeiras, e Nova Arquitetura Finnaceira Internacional. Conforme nos tornamos conscientes dessas realidades, a estrada que devemos trilhar se torna cada vez mais clara também e, na verdade, as coisas então não parecem ser tão complexas quanto havíamos pensado. É tudo basicamente uma questão de pensarmos com nossa própria cbeça e não com a de nossos inimigos; de começar a avaliar e defender nossos interesses nacionais, o que implica ter nossa própria perspectiva dos eventos, interesses e forças globais, e então defendê-los segundo nossas necessidades, verdadeiras possibilidades e idiossincrasia. Em verdade, nós precisamos "reinventar a roda" porque o próprio CFR nos dá um modelo para um planejamento e administração política, econômica, financeira e social para o poder nacional. Por que não aprender com eles? Por que não formar nossa própria rede de think tanks reunindo uma grande gama de interesses, jogadores e pensadores locais e regionais de diferentes campos, colocando todos para trabalhar na promoção dos interesses nacionaias da Argentina e seus vizinhos, de modo a recuperar nossa soberania e a autodeterminação para nossos povos de maneira consistente e coerente, independentemente do que as potências mundiais queiram nos impor? Isso implicaria compreender o que a globalização realmente é: uma gama de ameaças e oportunidades enormes que nós precisamos evitar e tirar vantagem, conforme seja o caso. Em cada questão que tenha um impacto potencial sobre nós, nós precisamos começar a compreender quais são nossas forças e fraquezas de modo a sermos capazes de enfrentá-los, se não hoje, então certamente no futuro. Isso requer planejamento adequado. Planejamento de médio e longo prazo. Isso demanda tentar estar sempre um passo adiante do Inimigo, de alcançar e manter uma vantagem sobre eventos futuros.

Sem dúvida isso poderia nos levar a projetar políticas consistentes com nossos interesses nacionais, as quais em muitas instâncias não coincidirão com os interesses dos poderosos atuais, para cujo fim nós precisamos buscar e trabalhar em proximidade com nações e organizações na América Central e do Sul, África, Ásia, e Europa, com um objetivo comum de neutralizar os efeitos negativos do domínio global. Em verdade issi implicaria criar uma Nova Argentina. Nós temos muitos dos instrumentos necessários à disposição; nós temos milhões de compatriotas preparados para aceitar o desafio, faltando apenas explicar a eles claramente o que está em jogo; e milhões mais além de nossas fronteiras com quem podemos trabalhar por uma Causa comum.

Então é uma questão de entender que na política há dois tipos de pessoas: aqueles que são atores na arena política e aqueles que apenas observam. O Conselho de Relações Exteriores é um ator central na arena política global onde eles fazem sua força ser sentida. Não seria a hora de fazermos o mesmo em nosso país?

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