domingo, 29 de janeiro de 2012

O Antiglobalismo de Direita

por Marcello Veneziani
 


Se olhares para eles, os anti-G8 são a esquerda em movimento: anarquistas, marxistas, radicais, católicos rebeldes ou progressistas, pacifistas, verdes, revolucionários. Centros sociais, monos blancos, bandeiras vermelhas. Com o complemento iconográfico de Marcos e Che Guevara. Logo se percebe que nenhum deles coloca em discussão o Dogma Global, a interdependência dos povos e das culturas, o melting pot* e a sociedade multirracial, o fim das pátrias. São internacionalistas, humanitários, ecumenistas, globalistas. Além disso: quanto mais extremistas e violentos são, mais internacionalistas e antitradicionais se tornam.

Ou seja, quanto mais se opõe à globalização, mais compartilham seu objetivo final. Além disso, o Manifesto de Marx e Engels é um elogio total da globalização, a cargo da burguesia e do capital, que rompe os vínculos territoriais e religiosos, étnicos e familiares, livre da tradição. E nas cúpulas anteriores, os presidentes dos países mais industrializados eram quase todos de tendência progressista e provinham de 68, desde Clinton a nossos próprios líderes, que sonhavam em transformar o G8 em uma coalizão de esquerda planetária. Todos otimistas a respeito do G8.

Então onde estão os verdadeiros inimigos da globalização? Estão na direita, queridos amigos. Ali, não só desde agora, se combate o mundialismo e o internacionalismo, a morte das identidades locais e nacionais. Se for verdade, tal como sustentam muitos pensadores, que a próxima alternativa será entre o universalismo e o particularismo, entre globalidade e diferenças, entre “cosmópolis” e comunidade, então o antagonista da globalização está na direita. Com os conservadores e os nacionalistas, com os tradicionalistas e os antimodernos, mas também no âmbito da nova direita de Alain de Benoist e de Guillaume Faye, e dos movimentos localistas e populistas.

Existe uma rica literatura de direita que há temposcritica radicalmente a globalização e suas conseqüências: o domínio da técnica e da economia financeira em detrimento da política e da religião. É na direita que se reúne a resposta populista às oligarquias transnacionais. É na direita onde se teme a imposição de um pensamento único e de uma sociedade uniforme, e se denuncia que a globalização não estende seus benefícios econômicos à humanidade, mas somente a alguns poucos. Ou seja, que não se denuncia seu efeito de “desenraizamento” sobre as culturas tradicionais e sobre as identidades, mas somente que não irá unida a globalização dos direitos humanos.

Em Gênova, pois, ocorre um paradoxo: alguns poucos homens de direita, entre agricultores, artesãos e tradicionalistas, se opõe ao G8 de maneira débil e marginal, mas com propósitos fortes e radicais. E muita gente de esquerda se opõe de modo vistoso e radical a uma globalização de cujas idéias, no fundo, compartilham. Em Gênova a maldição de Colombo ocorre ao inverso: ele partiu para as Índias e descobriu a América, estes sonham com um mundo novo mas descobrem as velhas Índias.

*Significa “caldeirão”. É uma metáfora utilizada quando uma sociedade heterogênea vai se tornando homogênea, na qual as diferenças étnicas, biológicas e culturais vão “derretendo” e se transformando em um grande “caldo”.

Um comentário:

  1. Correto.
    No entanto seria desejável ter esclarecido que essa Direita em questão é a Cultural, dos valores e da tradição, nada tendo a ver com o Liberalismo Econômico que é sempre também associado a direita no senso comum. Com isso, muitos potenciais apoiadores que tem um viés de esquerda trabalhista podem ser repelidos por um texto que poderia lhes direcionar para uma melhor compreensão do assunto e ao rompimento com o neosquerdismo cultural.
    Infelizmente muitas pessoas que são espiritualmente nacionalistas e tradicionalistas apoiando apenas os aspectos econômicos básicos que encontram na esquerda por serem sua única defesa contra o assédio liberal, acabam se vendo compelidas a, se não apoiar, ao menos a se calar diante do liberalismo cultural neoesquerdista.
    Pessoas assim merecem ter a chance de conhecer a terceira via e saber que não tem que se comprometer com as sandices da Ideologia de Gênero, Abortismo ou Narcotismo para defender uma pauta trabalhista.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.