domingo, 8 de janeiro de 2012

A Balcanização do Sistema: Ernst Jünger e o Fim dos Tempos

por Tomislav Sunic

Parece que as prognoses sobre a morte iminente do Ocidente não foram apenas um tópico favorito do filósofo da história alemão Oswald Spengler, o autor do muito aclamado A Decadência do Ocidente. Em tempos de grandes perturbações geopolíticas e polarizações sociais, tais como aquelas varrendo agora Europa e EUA, previsões sobre uma catástrofe iminente parecem ser um tema apreciado entre incontáveis intelectuais, especialmente aqueles que se identificam como tradicionalistas ou nacionalistas, ou ainda pior, aqueles que são retratados por seus detratores como "racistas brancos" ou "extremistas de direita". Em uma proliferação de prosa filosófica lidando com a suposta balcanização do Ocidente, e anunciando o apocalíptico fim dos tempos, poder-se-ia destacar o nome de Ernst Jünger, um ensaísta e romancista alemão, cujo nome esteve outrora associado com a assim chamada revolução intelectual conservadora na Alemanha de Weimar, e que é hoje celebrado por todos os tipos de nacionalistas brancos e tradicionalistas como uma figura importante na compreensão do fim do Ocidente.

Algo que também necessita de esclarecimento é a palavra "balcanização", uma palavra cujas conotações léxicas e conceituais ao longo das últimas décadas veio a estar associada não apenas com fragmentação estatal, mas também com tumultos étnicos e raciais. Como poderia Ernst Jünger e alguns de seus tipos de "indivíduos soberanos dissidentes" ser relevante para compreender e combater as mudanças raciais sem paralelo que tem ocorrido na Europa e América ao longo das últimas três décadas? Como um homem de considerável capacidade de previsão, mas também de insight, Jünger contemplou diferentes tipos de indivíduos não-conformistas - pessoas que resistiram ao Sistema em diferentes tempos históricos e em diferentes ambientes políticos. Porém, em nenhum lugar em sua volumosa obra Jünger contemplou os tumultos raciais que em breve colocarão Europa e América em um verdadeiro ciclo de caos.

Felizmente, algumas das obras de Jünger e alguns de seus tipos - o "Gestalt" dos "indivíduos soberanos" - podem ser úteis para compreender tempos pós-modernos e que papel o indivíduo deve desempenhar no Sistema. A atual balcanização multirracial do experimento liberal na Europa Ocidental e América podem gerar resultados bem mais catastróficos do que o apocalipse comunista na Europa Oriental no pós-Segunda Guerra.

A noção de fim dos tempos não é nova. Ela é reminiscente das profecias bíblicas do Apocalipse e da descida do novo Céu sobre a Terra. Assim, no Livro das Revelações há alertas, mas também sinais positivos:

"Então eu vi um 'novo céu e uma nova terra', pois o primeiro céu e a primeira terra haviam passado, e não havia mais qualquer mar. Eu vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, descendo do céu de Deus, preparada como uma noiva graciosamente vestida para seu noivo".

Em sua versão secular, porém, essa noção bíblica de fim dos tempos pode ser observada entre muitos intelectuais modernos que demonstram uma fortem entaldiade monoteísta e judaico-cristã. Essa mentalidade escatológica e divinatória emerge com certa frequência entre escribas seculares do Sistema moderno particularmente em sua defesa do comunismo, liberalismo, multiculturalismo, e seu último avatar, a ideologia dos direitos humanos. Esses sistemas de crença utópicos e otimistas oferecem, via de regra, a fórmula para o desdobramento glorioso do futuro.

Porém, no processo da viagem até o destino final do abraço multirracial, criaturas reais, porém mais normalmente surrealmente malignas precisam ser alteradas para fazer sua entrada na cena mundial - senão por nenhuma outra razão do que para dar mais legitimidade aos mitos vigentes do Sistema. Assim, o Sistema precisa esmagar aquelas figuras vis, normalmente vistas como símbolos do mal absoluto. Portanto, por um lado, esses "melhoradores do mundo" devem incessantemente dispensar fórmulas floridas sobre o nascimento do paraído sobre a terra; porém, por outro lado, eles nunca devem deixar de erguer o espectro do mal absoluto se esgueirando sob a forma de um "neonazista", um "islamofascista", um "antissemita", um "fundamentalista religioso", um "negador do holocausto", um "extremista de direita", ou um "supremacista branco" - todos os quais pairam no horizonte invisível, todos os quais estão preparados para causar um Apocalipse antidemocrático. Caso um desses espíritos livres amantes da liberdade eventualmente questionem tais cenários do Sistema, ele é condenado ao silêncio; ou pior, ele será rastreado pela Polícia de Pensamento. No combate ao mal absoluto, fatos e dados empíricos são completamente irrelevantes.

Encontra-se a noção de fim dos tempos nas velhas sagas e mitos europeus também, ainda que os antigos europeus tivessem uma visão cíclica do fluxo do tempo. Bem, afinal, após cada tempestade, o tempo bom deve aparecer no horizonte. Ernst Jünger deve receber o crédito por fazer uma distinção radical entre os tempos de destino europeus tradicionais, ou seja, os tempos cíclicos e os tempos liberais, lineares e mensuráveis atuais do Sistema.

"O Destino pode ser antecipado, pode ser sentido, pode ser temido, mas não deve nunca ser conhecido. Caso isso ocorresse, o homem levaria uma vida de prisioneiro que sabe a hora de sua execução".

Pode-se tentativamente resumir isso de modo a estabelecer um futuro sólido, o Sistema deve demandar que seus constituintes se comportem como prisioneiros dóceis no corredor da morte.
Em seu desejo por paralisar o fluco do tempo e lançar sobre a humanidade fórmulas pré-fabricadas de salvação, o Sistema não pode permitir qualquer crítica de seus mitos fundadores. O cenário de um possível apocalipse antidemocrático torna o Sistema nervoso e assim irracional; isso leva seus serviçais a estarem constantemente em alerta e a considerar seu dever sagrado de recorrer à criminalização daqueles vistos como ícones do mal absoluto. Assim, um homem inconformista designado como um homem maligno não é mais considerado humano, mas como um animal perigoso. Daí, como um animal perigoso, ele não tem direito a receber a proteção da lei. Ele deve ser morto e removido de uma vez por todas.

O Inconformista no Fim dos Tempos Balcanizado

Outrora para muitas pessoas na Europa, especialmente para aquelas na Europa Oriental, o comunismo era um símbolo do fim dos tempos. O curso da era comunista que se seguiu à Segunda Guerra Mundial parecia ter sido registrada na pedra. De fato, após o desastres de 1945, houve muitos inteligentes europeus, que seriamente pensaram que o comunismo não era apenas o fim de seu mundo, mas sim o fim do mundo como um todo. Hoje, para brancos europeus e americanos, a mesma questão está ressurgindo. Estaria o Ocidente balcanizado, ou o que seja que a palavra Ocidente signifique hoje, se movendo para tempos ainda mais temíveis? Ou seriam os tempos atuais do Sistema apenas um bocejo cósmico que logo passará? Talvez, os futuros historiadores darão o nome apropriado para o atual Sistema apenas quando, como é tão intensamente desejado por seus muitos inimigos, não haja mais qualquer nação majoritariamente branca ou, melhor ainda, quando a raça branca fisicamente desaparecer.
O problema para muitos europeus e americanos é como vir a termos com o fluxo de tempo do Sistema. Poderiam os tempos atuais nos quais eles agora vivem ser piores do que já são? Onde está o fim do fim dos tempos? Em uma perspectiva histórica maior, o fluxo de tempo do Sistema representa apenas uma fração de um segundo e deveria, portanto, ser de pouca importância para a sobrevivência do homem branco. Porém, para um único tempo de vida de um dissidente e inconformista racialmente e culturalmente consciente, o Sistema parece se arrastar sem um fim em vistas.

Pensar o tempo como cíclico, especialmente no caso de guerra e caos social, tem sido historicamente bem apreciado por todos os povos brancos. Hoje a noção de recorrência de tumultos é mais fraca, principalmente devido à imposição forçosa da mentalidade multirracial e ecumênica, prometendo que cada amanhã será melhor que hoje. Porém, com as mudanças significativas nos perfis raciais da Europa e da América, seguidas por terríveis reviravoltas financeiras globais, a possibilidade do apocalipse do Ocidente não é mais uma hipótese.

O conceito de balcanização não implica apenas deslocamentos geopolíticos ou perturbações étnicas e raciais - um processo tradicionalmente e normalmente pejorativamente atribuído aos povos da península balcânica. Balcanização também significa um empobrecido senso de valor próprio, uma sensação de identidades fugidias ou passageiras que estão continuamente sendo substituídas por novas identidades contraditórias. Isso é hoje visível nas mudanças no perfil racial do Sistema multirracial por meio das quais uma hoste de identidades raciais divergentes colidem uma com a outra, cada uma tentando retratar a si mesma como a vítima da outra identidade.

Hoje, porém, as crescentemente balcanizadas Europa e América podem demandar da raça branca um tipo diferente de auto-percepção, uma que tenha menos a ver com sua própria identidade étnica, mas mais com sua aderência à origem europeia comum. E é claro, isso também demanda novos tipos de dissidência e novas formas de ação inconformista. Possivelmente, Jünger poderia ser útil em fornecer alguns instrumentos didáticos para a escolha correta de um inconformismo; ou ele pode fornecer arquétipos de espíritos livres, que ele tão bem descreve em seus romances e ensaios: o rebelde, o partisan, o soldado, e o anarquista. Apesar do fato de que a raça branca, especialmente na Europa, ainda continua submersa em suas animosidades e conflitos ultrapassados, eles não podem negar o fato de que estão testemunhando um singular conflito de baixa intensidade com não-europeus - dessa vez não em terras estrangeiras, mas em seu próprio território no coração da Europa e América. À luz das migrações em massa dos países de terceiro mundo, mesmo europeus e americanos com escassa consciência racial e cultura, são forçados a escolher lados. O conflito vindouro não colocará necessariamente brancos contra não-brancos; nem precisa ser um conflito militar por um território histórico. O conflito pode talvez demandar apenas escolher o tipo certo de dissidência no confronto do processo de balcanização multirracial, tais como diferentes formas de "guerras cognitivas" travadas através de diferentes aparelhos eletrônicos. Por exemplo, um inconformista que decida viver no mato entre animais selvagens, como o habitante da floresta de Jünger, o Waldgänger, tem que se comportar como um animal selvagem.


Contrariamente, o indivíduo que decide viver entre bandidos dificilmente poderia ter sucesso em pregar o Evangelho. Mesmo uma hipotética luta de guerrilha modificaria radicalmente sua natureza. Durante sua campanha militar na Espanha, relatou-se que Napoleão disse que combater tropas irregulares demandava que os regulares se tornassem partisans ou guerrilheiros eles próprios. O mesmo vale para a figura moderna do inconformista soberano que necessitará avaliar a situação primeiro e então agir de acordo. Nenhum sistema política alguma vez declarou-se criminoso; é sempre o oponente que faz isso. Como Carl Schmitt notou, "o partisan moderno não espera nem justiça nem misericórdia de seu inimigo. Ele deu as costas ao inimigo convencional da guerra contida e entregou-se a outra inimizade, a real, que emerge através do terror e do contraterror, até a aniquilação".

Infelizmente, muitos autoproclamados racialistas acham que podem enfrentar o Sistema por métodos violentos. O tipo soberano inconformista de Jünger observa sabiamente de sua torre e aguarda o momento certo antes de atacar. Talvez se poderia aprender algumas lições dos rebeldes na província da Vendéia durante a Revolução Francesa, ou dos bandoleiros balcânicos durante a ocupação turca abarcando dos séculos XVI ao XIX. Aqueles "indivíduos soberanos" rebeldes viveram como camponeses um dia, mas estavam prontos, no dia seguinte, a pegar em armas. Em uma veia similar, cem anos atrás, o sociólogo antiliberal italiano, Vilfredo Pareto, obliquamente sugeriu como confrontar os sentimentos de desenraizamento no Sistema liberal: "Quem se torne um cordeiro, encontrará um lobo para comê-lo". Naturalmente, isso não pressupõe que um inconformista deva deixar a vida de lobo a todo tempo de modo a enfrentar o Sistema. Apenas o fluxo de tempo dirá que figura de dissidência melhor se encaixa em um momento histórico particular. A roupa de ovelha pode às vezes ser útil.

Com o apocalipse se aproximando muitos europeus e americanos estarão compelidos a praticar o talento de sobrevivência independentemente de sua natureza lupina ou não-lupina. Para alguns isso pode significar assumir o tipo jüngeriano do indivíduo soberano vivendo na floresta, ou em algum lugar nas falésias de mármore em Dover ou no Colorado, e contemplar passivamente o horror do apocalipse. Para alguns, isso significaria o afastamente de todos os laços políticos ou tribais, porém permanecendo constantemente alerta contra os intrusos. Jünger permaneceu toda sua vida um homem bastante circunspecto, um solitário nato, sempre em sua torre solitária, sempre observando na capacidade de sismógrafo o apocalipse vindouro, porém nunca ativamente participando em atividades violentas e jamais tentando parar ou fazer retroceder o apocalipse.

É claro que isso pode apresentar um problema moral aos inconformistas brancos que mal conseguem tolerar a mendacidade do Sistema. Pode-se tomar novamente o exemplo de Jünger e examinar seu papel durante o governo nacional-socialista na Alemanha. Muito obliquamente ele explica sua rejeição do nacional-socialismo em seu romance alegórico e autobiográfico Nas Falésias de Mármore.

Posteriormente, Jünger tacitamente apoiou seus colegas no Alto Comando alemão na França da Segunda Guerra, que planejaram o assassinato de Hitler. Uma questão atempora agora emerge. Deve-se pacificamente obedecer à lei do Sistema, mesmo se o Sistema é violento e abominável, ou deve-se tentar remover violentamente a própria natureza do Sistema? Ou colocando de forma diferente; se Jünger havia previsto tão bem os tempos supostamente tirânicos porque ele não tentou matar Hitler ele mesmo? Afinal, Hitler tinha uma elevada opinião de suas primeiras obras, e Jünger poderia, caso ele quisesse, ter agido de acordo. Se o verão de 1944 em Paris era arriscado demais para ele, os tempos anteriores, tal como o final da década de 20 do mesmo século ofereciam uma oportunidade áurea para ensaiar seu próprio golpe biolento contra o que veio a ser descrito após a Segunda Guerra como "tirania nacional-socialista". Afinal, os ensaios marciais mais antigos de Jünger haviam tido alta popularidade entre os líderes e intelectuais nacional-socialistas incipientes na República de Weimar o que permitiu a Jünger conhecer muitos futuros chefões nacional-socialistas. Teria Jünger sido apenas um pequeno covarde ou um grande oportunista?

Poder-se-ia reformar a mesma questão, ainda que em um marco temporal diferente em relação ao tema atemporal de se deve-se tentar remover o sistema supostamente maligno pela força, ou se deve-se respeitar a legalidade do sistema supostamente maligno. Quem demonstrou mais integridade e coragem cívica - ou maldade? Um punhado de voluntários franceses da Waffen SS que defenderam até o último homem a Wilhelmstrasse em Berlim contra as tropas soviéticas em 1 de maio de 1945 - sabendo perfeitamente que o apocalipse havia chegado e que o jogo já havia terminado? Ou Jünger e seus semelhantes que haviam planejado o assassinato de Hitler em 20 de julho de 1944 - quando metade da Alemanha já estava em ruínas? De modo similar, por que o alter ego de Jünger o personagem inconformista Anarca, da cidade-estado de Eumeswil socializa e brinda com Condor o Tirano, que ele odeia tanto, ao invés de dar mais um passo para derrubar o tirano?

Pode-se abordar o mesmo dilema referente a obrigações éticas vs. comportamento legal e responsabilidade cívica - ou, para colocar poeticamente, de "auto-distanciamento" ou "indiferença estética", quando se observa o comportamente de muitos intelectuais nacionalistas europeus ou americanos, que, por trás de suas telas anônimas do computador, exultam com autoproclamada coragem cívica, mas que diligentemente voltam atrás quando precisam confrontar o Sistema em público. O medo da perda de posições ou a ansiedade por cortes nos planos de pensão podem ter um efeito bem mais significativo do que o medo de enfrentar o cadafalso.

O Apocalipse do Micronacionalismo

A beleza da prosa de Jünger é sua rejeição do micronacionalismo. Historicamente, os tipos europeus de indivíduos soberanos, cada um defendendo seu próprio tipo de nacionalismo, jamais tiveram um efeito convergente sobre povos europeus. Todos eles foram mutuamente exclusivos e danosos aos europeus em geral. Na Europa balcanizada multirracial de hoje o micronacionalismo não tem futuro. Figuras da dissidência nacionalista, sob o disfarce do terrorista, do soldado, ou do anarquista, incluindo todos os tipos de fervor nacionalista, tais como a adesão à própria tribo, ou o desejo por um estado independente às custas de um estado europeu vizinho, tal como visto entre poloneses vs. alemães, sérvios vs. croatas, irlandeses vs. ingleses, etc., provaram ser suicidas para a Europa. Tais figuras sectárias de rebelião ou figuras dissidentes nacionalistas estão ultrapassadas. Atos de autroprocalmado anarquismo ou terrorismo patriótico apenas legitimam o atual experimento do Sistema com o multirracialismo antinacional.

Ninguém sabe bem qual será a forma da nova balcanização na Europa e na América e que tipo de dissidência um indivíduo branco precisará pegar do arsenal jüngeriano. Dever-se-ia novamente lembrar um tipo polimórfico do Anarca do romance jüngeriano autobiográfico Eumeswil. O protagonista, Martin Venator (codinome o Anarca, codinome Ernst Jünger) vive sua vida dupla de Gelassenheit - indiferença e distância - acadêmica na vizinhança da Kasbah multicultural. O Anarca não é nem um rebelde, nem um partisan, nem um anarquista. Porém, em um dado momento, ele poderia praticar todos esses três tipos de conduta. No atual momento, o Anarca jüngeriano é apenas uma pessoa respeitável que se mistura bem com o Sistema que ele despreza.

Os romances de Jünger podem ser considerados como a Bildungsroman para os europeus e americanos de hoje vivendo em um mundo multirracial e balcanizado, porém com uma séria exceção: nos tempos apocalípticos atuais o inimigo adquiriu diferentes características, que demandam aprender códigos de conduta inteiramente novos e a travar um tipo completamente diferente de guerra.

O Anarca vs. o Genocídio Multirracial

As consequências de uma Europa e América balcanizadas podem ser realmente temíveis. O tempo não para, como Jünger notou. Deve-se continuar a cruzar a Muralha do Tempo tanto adiante como atrás de modo a se projetar para além do fluxo do tempo e possivelmente prever quando a rebelião aberta deve começar. Isso pode ajudar a evitar novos cataclismas. Nesse sentido poder-se-ia traçar um paralelo entre os tempos atuais de genocídio multirracial planejado pelo Sistema liberal e os extermínios em massa planejados pelos comunistas no pós Segunda Guerra. Em retrospectiva, o primeiro exemplo parece ser mais eficaz que o segundo, simplesmente porque ele impede o observador de fazer uma distinção clara entre amigo e inimigo.



Deve-se ter em mente que genocídios comunistas no pós Segunda Guerra tiveram um impacto sério no declínio da herança cultural e genética de europeus e americanos. Por exemplo, a classe média croata e etnicamente alemã, no que se tornou a Iugoslávia comunista, incluindo uma grande parcela de acadêmicos, foram simplesmente varridos pela nova classe comunista no verão de 1945. Assim eles não puderam passar sua herança, sua inteligência, e sua criatividade para seus filhos.

Hoje, porém, em vistas do extermínio em massa subreptício da raça branca induzido pelo Sistema, os antigos extermínios comunistas podem soar triviais. O que os comissários comunistas falharam em alcançar com o terror físico, a "super classe" liberal do Sistema está alcançando com sua própria ideologia substituta de "multiculturalismo". O influxo constante de não-europeus já causou o empobrecimento da carga genética europeia e pode ser comparável a um genocídio silencioso da raça branca.

Deve-se ter em mente que o terror causado pelos comunistas após a Segunda Guerra Mundial não teve simplesmente razões ideológicas sob o disfarce de uma suposta "luta de classes". Os extermínios comunistas foram alimentados pela inveja bem como pela consciência entre seus perpretadores de sua própria inferioridade física e espiritual. Atitudes similares de inveja e ressentimento racial podem ser observados hoje entre imigrantes não-europeus, ainda que eles devam escondê-los por razões óbvias. Nesse momento, porém, nem fisicamente nem logisticamente os imigrantes terceiromundistas estão em uma posição de converter seus ressentimentos contra a raça branca em um conflito em larga escala. Para isso, até mesmo a palavra "multiculturalismo" pode fazer maravilhas para eles já que é um bom eufemismo usado pelo Sistema. É um código útil para sua ideologia ersatz de comunismo desacreditado. Ambos sistemas são populares entre imigrantes do Terceiro Mundo, pela simples razão de que ambos Sistemas oferecem estilos de vida que não são concebíveis, e muito menos aceitáveis em seus países de origem. Ademais, a balcanização multirracial lisonjeia o ego de intelectuais esquerdistas, que estão conscientes de que a denominação "comunismo", após ter sido severamente desacreditada, deve agora ser substituída pelas palavras-código "antifascismo" e "multiculturalismo". O comunismo se desintegrou no Oriente porque já havia alcançado completamente seus objetivos no Ocidente.

O Soberano Racial e o Sistema

O capitalismo deve partilhar de uma grande porção da culpa pela balcanização da Europa e da América. Está nos interesses dos capitalistas ocidentais importar o exército de trabalho barato para a Europa e América. Eles não demonstram remorso em cortar salários de seus próprios trabalhadores brancos e em transferir a riqueza nacional para o exterior. Ademais, trabalhadoresi migrantes, possuindo QIs menores e pouca consciência de classe, podem ser manipulados melhor do que trabalhadores brancos por seus novos mestres. Eles podem servir melhor os interesses da superclasse capitalista e dos formadores de opinião esquerdistas que posam como defensores morais. Um acionista alemão ou um ex-comunista leste europeu, que recentemente se reciclou em especulador bancário, não dão a mínima para onde é sua casa - desde que eles façam dinheiro. Deveríamos estar surpresos? O pai fundador do capitalismo, o infame, porém muito elogiado Adam Smith escreveu há muito tempo: "O comerciante não é necessariamente o cidadão de qualquer país".

O alter ego de Jünger, o Anarca, não deveria se surpreender pela visão de uma nova Santa Aliança entre o Comerciante e o Comissário, entre o Grande Negócio e a Esquerda. A Esquerda favorece a imigração em massa porque os imigrantes, em seus olhos, representam o símbolo substituto do novo proletariado. Para o capitalista também é vantajoso trazer pessoas de países do Terceiro Mundo para a Europa e América. Como Alain de Benoist nota, "o grande empresariado estendeu sua mão para a extrema-esquerda, a primeira objetivando desmontar o Estado de Bem-Estar Social, considerando caro demais, a segunda objetivando aniquilar o Estado-Nação, considerando arcaico demais".

Por essa razão apenas nem os médio-orientais, nem os africanos, são culpados pela balcanização da Europa e da América; ao invés o Sistema e seus políticos, a assim chamada "super classe" capitalista deve ser responsabilizada pelo processo de balcanização e pelo futuro apocalipse do Ocidente. O grande capital, comandado pela oligarquia branca na Europa e na América, secundado pelos pós-cristãos envoltos em sentimentos de culpa por um lado, e seguidos pelo apoio à promiscuidade racial pela Esquerda do outro, apenas dão mais legitimidade para a chegada de milhões sobre milhões de novos imigrantes não-europeus.

Se europeus e americanos eventualmente quiserem restabelecer sua própria soberania racial, eles devem desmistificar seu primeiro inimigo: o capitalismo. A imigração estrangeira cessará assim que os imigrantes descobrirem que acabou a gasolina da economia do Sistema. Na última análise, toda a legitimidade do Sistema estava situado no dogma do progresso econômico permanente.

O único tipo funcional de dissidência contra o Sistema é o indivíduo racial soberano, ou o inconformista com forte consciência racial e cultural, independentemente de ele morar na Califórnia, Croácia, Chile, ou Bavária. Dado o influxo massivo de imigrantes não-europeus apenas um homem com a mais longa memória racial e cultural tem uma chance de sobreviver. Porém, o perigo da total alienação biocultural está agora oferecendo uma chance a todos os europeus e euroamericanos de verem a situação em uma perspectiva maior e de descartarem seus imperativos territoriais e tribais locais. Realmente, o que significa hoje ser alemão, francês, americano, ou inglês, em vistas do fato de que mais de 10% dos cidadãos da Alemanha e mais de 30% dos cidadãos americanos são de origem não-europeia? Toda a verborragia do Sistema sobre liberdade, justiça, e tolerância, obteve agora um significado oposto:

"Temos permissão para concluir com uma citação, sobre o significado de todas estas reviravoltas de que o mundo da liberdade desapareceu? Certamente este não é o caso. A liberdade é eterna no mundo, ainda que ela sempre seja concebida de um modo novo. Além da linha, além da Muralha do Tempo a liberdade pode ser sentida como algo que hoje é sentido como coerção e viceversa. Também há lugares e superfícies nos quais a percepção de nova liberdade emergirá, e estas superfícies também devem ser tomadas em consideração, assim como aquelas em que o medo declina conforme a superfície se expande... Com isso devemos ter em mente que a soberania espiritual tem sido em todos os tempos uma preciosa exceção. Independentemente dos fluxos políticos e sociais, de sua independência dos deuses e sacerdócios, de sua independência da ética e da ciência de uma dada era - sempre foi raro, e hoje talvez ainda mais do que jamais foi. (Ernst Jünger, An der Zeitmauer, p.171)".

Uma nova identidade do indivíduo racial soberano deve estar integrada na consciência racial e cultural. A idéia de raça não pode ser negada, mesmo se essa palavra for criminalizada pela mídia do Sistema e sua classe governante. O inconformista que desafia o Sistema pode mudar de religião, seus hábitos, sua opinião política, seu território, sua nacionalidade, e mesmo seu passaporte, mas ele não pode escapar de sua hereditariedade. Indubitavelmente, o estudo da raça e da hereditariedade é encarado pela mídia hoje com ridicularização e com o espantalho do código penal, ainda que quando um apocalipse está próximo cada ser humano, independentemente de sua raça, independentemente de suas crenças, sabiamente corre para a proteção de sua tribo em primeiro lugar. Caso ele esqueça ou descarte seu tipo racial ou sua "Gestalt" racial, ele será rapidamente lembrado dela por algum outro grupo racialmente hostil. A recente guerra na ex-Iugoslávia foi um caso de estudo de nacionalismo e racialismo reativos. Cidadãos da antiga Iugoslávia, com pouca ou nenhuma consciência nacional, descobriram sua "nova identidade" racial e nacional apenas quando o apocalipse já havia começado, fazendo com que muitos se transmutassem em grotescos hipernacionalistas sérvios ou croatas respectivamente.

Porém, a consciência racial apenas não é suficiente para o inconformista putativo. Raça possui um significado mais amplo, e deve ser internalizada de um modo espiritual. Raça não é apenas um dado biológico - raça é também uma necessidade espiritual. Há muitos, muitos brancos na Europa e na América que são desajustados mentais - apesar de sua constituição física. Um corpo bem proporcionado não é de modo algum uma garantia de bom caráter racial como observado pelo racialista alemão Ludwig Clauss: "Investigar a psicologia das raças significa em primeiro lugar discernir o sentido de sua forma física (Gestalt). Esse sentido, porém, só pode ser entendido a partir de sua forma psicológica".

Imigrantes não-europeus sabem bem que eles podem prosperar apenas no atual Sistema pós-cristão mergulhado em culpa, profundamente embasado nas crenças do imperativo moral da diversidade multirracial e do auto-ódio por parte de seus hóspedes. Ironicamente, sentimentos de auto-ódio são desconhecidos entre imigrantes não-europeus, bem como eles são totalmente descartados, senão ridicularizados, pelos governantes dos países dos quais os imigrantes vem. Europeus que vivem em países do Terceiro Mundo conhecem bem a severidade das exclusões raciais e das discriminações contra cidadãos do Terceiro Mundo por suas próprias elites. Um cholo mexicano do sul de Los Angeles, ou um turco de feições asiáticas vivendo em Berlim, sabem bem a que subgrupo racial e cultural eles pertencem em seu país de origem. Ele jamais seria considerado igual a um "turco branco" da classe superior, ou com um mexicano branco de origem espanhola. Incidentalmente, a classe governante da Turquia gosta de se gabar de seu fenótipo albanês ou bósnio, orgulhosamente propagandeando suas raízes "brancas" em público por todas as capitais ocidentais. Mas eles não são europeus, nem jamais farão parte do Ocidente.

As coisas devem ficar piores antes de melhorarem? A questão que deve ser levantada pelos indivíduos dissidentes tais como o Anarca pós-moderno no Ocidente balcanizado, é a seguinte: o que fazer com os imigrantes? Integrá-los? Assimilá-los? Expulsá-los? Seria ético deportá-los? Se os escribas e papagaios do Sistema não querem falar oficialmente sobre este tema, isso não quer dizer que o tema irá desaparecer. A história está repleta de destruição e violência. Em 1945 mais de 12 milhões de civis alemães sofreram "limpeza étnica" na Europa Oriental - não em um período de anos, mas em um período de semanas e meses. Ninguém jamais pensou que tamanha expulsão humana em massa poderia ocorrer em tal escala, e menos ainda que isso poderia ser previsto. Mas ocorreu, assim como isso foi previsivelmente seguido pelo proverbial dar de ombros da história e pelo silêncio dos historiadores da corte.

Expulsões similares de milhões de pessoas da Europa e da América provavelmente ocorrerão amanhã, ainda que efetivadas por atores políticos diferentes e sob o signo de outro sistema política de crenças. A questão que precisa ser feita pelo inconformista ou por qualquer outro novo Anarca, ou qualquer outro indivíduo branco soberano, é a seguinte: quem será o arquiteto dessa nova "limpeza étnica" e quem será sua vítima?

Visto a partir da perspectiva história o Sistema está morto. Seu experimento com os dogmas abstratos do multiculturalismo, progresso econômico e uma população etnicamente e racialmente indefinida falhou. A Europa e América balcanizadas mostram-nos diariamente que a história do Sistema já virou história. Há dados empíricos suficientes atestando a isso. Uma característica típica de uma classe política moribunda é começar a palestrar em termos solenes sobre sua "infalibilidade", sua "eternidade" e sobre a "veracidade" de seu Sistema - em um momento em que o Sistema está desabando. Até mesmo o palavreado da super classe governante sobre o "fim da história" é similar à retórica da antiga classe política na Europa ex-comunista e na antiga URSS - logo antes do colapso. No verão de 1989, paradas militares foram realizadas na Alemanha Oriental, nas quais políticos comunistas locais gabavam-se da "indestrutibilidade" do sistema comunista. Poucos meses depois o Muro de Berlim desabou - e com ele morreu seu sistema.

A classe governante de hoje no Sistema, seja na Europa, ou nos EUA, não sabem para onde vão e o que fazer. E apenas por essa razão ela tem que recorrer ao dilúvio de verborragia sobre melhorar o mundo. O Sistema é muito mais fraco do que quer mostrar, e não se deve superestimar sua força autodeclarada, nem esquecer de sua fragilidade inata. O inconformista Anarca vive novamente no perigoso vácuo do tempo. Depende de seus poderes de observação e de sua força de vontade que ação ele tomará durante o apocalipse vindouro. O arado e a caneta podem precisar se transformar na espada de novo.

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