terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Antissemitismo de Evola

por Michael O'Meara



Quand Julius Evola, um dos principais críticos da civilização judaico-liberal do século XX, desenvolveu sua teoria racial durante a década de 30, a principal inspiração para seu pensamento antissemita foram Os Protocolos dos Sabios de Sião.

Supostamente roubados de uma Loja secreta, os Protocolos eram um relatório de vinte e quatro encontros secretos realizados pelos líderes da judiaria internacional, conforme eles tentavam desenvolver um plano para a dominação mundial.

Organizações judaicas muito naturalmente fizeram o possível para desacreditar os Protocolos. Sua iniciativa mais famosa resultou em uma ação judicial por uma corte de Berna em 1933 contra um nacionalista suíço que havia distribuído o documento.

A decisão da corte de que os Protocolos eram uma fraude, Evola pensou, era irrelevante. Pois aos seus olhos a questão da autenticidade dos Protocolos era "secundária em relação ao problema muito mais sério e essencial de sua veracidade" - pois mesmo se não foram realmente escritos pelos "Sábios" ou baseados em um plano existente, o documento em sua opinião era de importância sem paralelos em chamar a atenção, em primeiro lugar, para a Questão Judaica, e, mais importantemente, às forças subversivas atuando na história recente.

Nesse espírito, ele afirmou que os Protocolos lançavam uma nova luz sobre a campanha dos judeus contra as tradições, aristocracias, símbolos, e valores transcendentes, da Europa, especialmente na medida em que essa campanha promovia ideologias que subvertiam o senso de ordem do homem branco - ideologias como capitalismo, cosmopolitanismo, igualitarismo, materialismo, feminismo, etc.

Inspirados pela importação subversiva dessas ideologias, os judeus supostamente "acentuam os aspectos negativos, abusos, e injustiças" da Europa tradicional. Para esse fim, eles "espalham os germes de uma mentalidade crítica e racionalista cujo objetivo é corromper o cimento ético interno" das hierarquias organicamente estabelecidas; eles objetivam dominar os principais centros de ensino oficial, controlar a opinião pública através de seu monopólio da mídia, minar a vida familiar, provocar derrotismo social e moral "despertando desconfiança e rumos em relação ao clero" e outros representantes da sociedade branca. E, enfim, eles reduzem todos os interesses a interesses econômico-financeiros substituindo autoridades antigas por cálculos matemáticos e imperativos materialistas.

O curso da história europeia moderna, Evola afirmou, parecia "alcançar os objetivos dispostos nos Protocolos". Pois uma vez que a campanha dos "Sábios" conseguiu reduzir a raça branca a uma "massa de seres sem tradição e força interior", "a antiga promessa do regnum do Povo Eleito" tornou-se realizável.

Mas se os judeus para Evola eram uma das principais forças de subversão no mundo moderno, ele separava-se da companhia dos "antissemitas vulgares" que viam judeus em todo lugar, um tipo de deus ex machina, responsável por todos os males do mundo. Esse tipo de reducionismo, ele pensava, era auto-desmerecedor. É possível reconhecer "o papel pernicioso que o judeu desempenhou na história da civilização", ele escreve, mas isso "não deve prejudicar uma investigação mais profunda que pode fazer com que tenhamos consciência de forças para as quais o judaísmo possa ter sido...apenas o instrumento".

Assim, enquanto o encontro europeu com Judá tem maias de dois mil anos de história, foi, ele afirmou, apenas em tempos recentes, com o advento das sociedades liberal-capitalistas e particularmente com a ascensão da América a potência mundial, que os judeus efetivamente passaram a dominar os territórios brancos.

Apesar de Evola afirmar tanto a legitimidade como a necessidade do antissemitismo, ao mesmo tempo ele rejeitava seu "paroquialismo", seus princípios muitas vezes arbitrários, e sua carência de "um ponto de partida realmente geral".
O antissemitismo vulgar que faz dos judeus responsáveis por cada forma de subversão era, em sua opinião, uma admissão humilhante de inferioridade. Os judeus eram mais fortes e mais capazes, ele afirmava, apenas quando o homem branco degenerava. Isso é, apenas quando ele não era mais ele mesmo e enfraquecido desse modo ele tornava-se vulnerável a eles, pois seu poder veio da exploração das forças degeneradas que já atacavam a existência europeia.

Por essa razão, Evola considerou que as forças subversivas alimentadas pelo capitalismo liberal e exploradas pelos judeus eram "apenas os últimos elos em uma corrente de causas que são impensáveis sem antecedentes tais como, por exemplo, o humanismo renascentista, a reforma protestante, e a revolução francesa, todas as quais são fenômenos que ninguém seriamente atribuiria a uma conspiração judaica".

O poder judaico, em uma palavra, seguiu um processo histórico maior de "decomposição e involução", que desarianizou o homem branco e preparou o caminho para o regnum dos judeus.

O antissemitismo, consequentemente, não apenas tende a fazer dos judeus um bode expiatório para as falhas da civilização moderna, como também oculta uma luta mais geral contra forças desarianizantes - contra seu "racionalismo mecanicista, contra o iluminismo secular, e uma visão-de-mundo baseado em números e quantidade".

Apesar de enfatizar que os judeus não eram a única causa para o ímpeto anti-branco da modernidade, Evola não obstante aceitava que era mais fácil combater forças pessoais (judeus) do que abstrações (modernidade) e que a figura do judeu onipotente era um símbolo efetivo em mobilizar resistência contra as forças anti-arianas.

Como Evola acreditava que havia sido a destruição de "nossa antiga Europa imperial, aristocrática, e espiritual" que tornava a dominação judaica possível, era apenas retornando aos princípios dessa Europa que ele via qualquer perspectiva de resistir efetivamente à ordem demônica nascida de sua dominação.

A luta contra as forças desarianizadoras engloba, então, não uma mera luta racial contra a dominação estrangeira, mas também uma luta espiritual para reclamar a identidade original - uma luta espiritual que não tem qualquer relação com abstrações fantasiosas ou escapismos místicos, mas sim uma luta encarada como ação heróica fiel à essência ariana.

Que essência é essa?

Virtualmente cada fase história no encontro do homem branco com Judá despertou as forças do antissemitismo. Para o judeu isso é um sinal do caráter inerentemente patológico da sociedade gentia; para Evola sugeria que tudo "conectado com o semitismo, e, acima de tudo, com judeus, aparecia como peculiarmente repulsivo aos povos da raça branca". Este é o caso não apenas porque os interesses judaicos se chocam com os interesses brancos, mas porque eles, como um povo definido pela Lei Talmúdica, ofende o espírito daquela "civilização primordial comum" da qual todas as civilizações brancas históricas e mais recentes surgiram.

Era essa oposição espiritual primordial entre Judeu e Ariano, Evola afirmava, que era a raiz do antissemitismo.

Pegando termos tirados de J.J. Bachofen, Evola caracterizava o espírito ariano como solar e viril, o espírito judaico como lunar e feminino.



"Arya", a raíz de "ariano", Evola notou, vem de uma palavra do sânscrito que designa "nobres", pois "a partir da massa de seres comuns e medíocres emergem homens 'de raça' no sentido de seres superiores, 'nobres'".

A expressão mais elevada do espírito racial aristocrático ariano assumiu a forma da "atitude afirmativa frente ao divino" do guerreiro - espírito sendo aquilo que "em tempos melhores era chamado 'raça' pelas pessoas bem nascidas: isto é, franqueza, unidade interior, caráter, dignidade, virilidade, sensibilidade imediata por todos os valores que estão no centro de toda grandeza humana e que, como eles estão situados muito acima da realidade fortuita, governam essa mesma realidade".

Por trás das inúmeras referências mitológicas e simbólicas ao céu encontradas nas várias culturas indo-europeias, todas as quais sustentavam sistemas de valores orientados para os céus transcendentes, ali prevalecia um senso de "virilidade incorpórea da luz".

O solar é de fato a luz em si, diferentemente do lunar que ilumina apenas quando reflete e absorve luz vinda de fora.

De modo relacionado, os antigos cultos pagãos europeus todos acreditavam em uma raça de heróis divinos. Nesse espírito, eles viam a si mesmos como os "eminentes portadores" das forças universais associadas com a "glória solar" desses heróis - como expressado em princípios de liberdade e personalidade, lealdade e honra.

Similarmente, o espírito ariano foi realizado não nas obras de monges e rabinos - mas na ação, proeminentemente nos conflitos que o guerreiro travava contra os inimigos que ele tinha que enfrentar, em si mesmo e em seu mundo.

A partir disso, Evola afirmou que "o ideal ariano característico era mais monárquico do que sacerdotal, mas o ideal de uma afirmação transfiguradora do que a idéia sacerdotal de abandono religioso".

Diferentemente da "servilidade devota e suplicante" característica das religiões abraâmicas, a relação ariana com o diino era ativa e afirmativa.

"Eram os heróis, mais do que os santos" que o ariano via como alcançando "os locais mais elevados e privilegiados da imortalidade". Sua busca por conhecimento e sabedoria, seguia-se, eram encarada como uma conquista viril, heróica - não algo "pecaminoso" como a tentativa do Adão bíblico de comer da árvore divina.

Em contraste à solaridade ariana, Evola afirmava que o espírito lunar dos judeus nega a síntese entre espiritualidade e virilidade, enfatizando tanto aquilo que é grosseiramente materialista e sensual de um lado, e escapista e contemplativo de outro. O mammonismo e o racionalismo, assim, dominam seu relacionamento com o mundo, do mesmo modo que o corpo para eles não é um instrumento do espírito, mas meramente carne e matéria, algo para ser estimulado e agradado.

A concepção dualista de corpo e alma nascida do espírito judaico, cuja contemplatividade abstrata e fatalista é "desprovida de qualquer interesse na afirmação heróica e sobrenatural da personalidade", e não pode, como resultado, deixar de nivelar os valores superiores associados com a espiritualidade olímpica ariana.

No âmbito cultural isso leva os judeus "a falsificar, tornar ridículo, representar como ilusório e injusto" aquilo que é distinto aos povos de origem ariana e que resiste ao "aspecto animal, mundano ou sujo das coisas". "Degradar, poluir, e corromper tudo que é grande e nobre, e despertar ao mesmo tempo tendências obscuras, instintivas, sexuais, pré-pessoais" que solapam seus valores são, em verdade, como uma segunda natureza para eles.

A investida crítica dos judeus contra os valores brancos também é a chave para seu domínio, pois através das infiltrações oportunistas que lhes permitem controlar as instituições governamentais, eles buscam (geralmente em nome da democracia, da humanidade, e da ciência) derrubar todos os princípios e ordens historicamente estabelecidas que obstruem seus desígnios.

Onde quer que, então, a "perspectiva viril, heróica, triunfante do Divino desaparece, para dar lugar à exaltação do pathos de uma atitude servil, despersonalizante, turva e messiânica frente ao espírito", aí a judiaria inevitavelmente triunfa sobre a arianidade.

Para enfrentar as forças que desnaturalizam o homem branco, não é o bastante, portanto, tomar meias medidas infundidas com o espírito semítico alienígena do mundo moderno.

A maioria dos antissemitas, porém, faz exatamente isso, vendo a arianidade como um semitismo invertido, e não como um autêntico antissemitismo. Para ser completamente antissemita, Evoli disse, não é possível estabelecer compromissos com as idéias e princípios contra os quais a raça branca luta. É preciso lutar como ariano:

"É preciso ser radical. Valores devem ser evocados novamente que possam seriamente ser chamados de arianos, e não meramente com base em conceitos vagos e unilaterais imbuídos de materialismo biológico. Valores de uma espiritualidade solar olímpica, de um classicismo de clareza e força controlada, de um novo amor pela diferente e pela personalidade livre, e, ao mesmo tempo, por hierarquia e universalidade que uma estirpe recém possuída de uma habilidade viril de ascender da 'vida' para o 'mais-que-a-vida' possa criar contra um mundo despedaçado, sem paz e princípios verdadeiros".

O antissemitismo de Evola era fundamentalmente um derivado de sua oposição "tradicionalista" à modernidade liberal e seu assanto ao espírito ariano, tanto quanto seu apoio ao nacionalismo racial nas décadas de 30 e 40 era baseado menos em sua crença em suas várias manifestações ideológicas do que em sua resistência aos impulsos materialistas e judaizantes do Terceiro Estado.
Porém não muito após 1945, uma vez que as forças do Terceiro Estado haviam esmagado os últimos resquícios da Europa Tradicional, os judeus deixaram de ser um alvo da crítica tradicionalista de Evola. Naquele mesmo ponto, então, em que as forças lunares tornaram-se triunfantes, Evola pareceu abandonar seu antissemitismo.

Por que?

Parte da razão tem relação com a impossibilidade de organizar uma resistência efetiva à ordem judaico-liberal no período pós-guerra. Uma vez que a Europa caiu sob o jugo das potências extra-europeias e cada vestígio de seu passado heróico caiu em ruínas, tudo que se poderia fazer nessa nova idade de trevas era garantir que aqueles poucos homens ainda de pé seriam capazes de impedir que as chamas fraquejantes do espírito ariano fossem inteiramente extintas.

Como ele escreveu em 1948, "eu não vejo nada a não ser um mundo em ruínas, onde um tipo de trincheira é possível apenas nas catacumbas". Para sustentar essa resistência subterrânea, era então necessário adotar uma atitude estóica, indiferente, frente as bizarrices frenéticas do que havia se tornado um mundo totalmente judaizado.

Mas havia outra razão para a diminuição de seu interesse na Questão Judaica.

Em sua "autobiografia espiritual", O Caminho do Cinabro (1972), Evola escreve que após a Segunda Guerra Mundial ele considerou "absurdo" continuar a enfatizar a superioridade do homem branco sobre o judeu "porque o comportamento negativo tradicionalmente atribuído aoas judeus havia agora se tornado o da maioria dos 'arianos'". Isto é, em uma era em que o espírito judaico da modernidade liberal havia prevalecido e a maioria dos brancos havia sucumbido a ele, era futil exaltar valores arianos, pois os brancos, supostos herdeiros dos arianos, agora não se comportavam diferente de judeus.

Por essa razão, eu creio que sua postura pós-guerra foi menos um abandono de sua crítica antissemita prévia do que um reconhecimento de que as forças subversivas (das quais os judeus eram a corporificação mais conspícua) haviam se tornado hegemônicas e que aqueles poucos homens brancos que não haviam sucumbido não tinham escolha a não ser "cavalgar o tigre" até que ele caísse de exaustão - o tigre sendo as potências pervertidas que haviam passado a governar o mundo. 

Na medida em que o século XXI anuncia uma nova ordem de batalha, o estoicismo apolítico de Evola não pode mais ser nossa posição hoje.

Mas não obstante este é um estoicismo que aponta para o que está em jogo nas guerras que teremos que travar se for para que a raça branca tenha um futuro - pois o seu sangue não sobreviverá se ele profanar o espírito que faz dele quem ele é.

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