quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Inexorável Crise Econômica Global: Uma Visão Apocalíptica de 2012

por James Petras


Introdução

A perspectiva econômica, política e social para 2012 é profundamente negativa. O consenso quase universal, mesmo entre economistas ortofoxos é pessimista em relação a economia mundial. Apesar de, mesmo aqui, suas previsões subestimarem o escopo e profundidade da crise, há razões poderosas para crer que começando em 2012, nós estamos caminhando em direção a um declínio mais íngreme do que foi experimentado durante a Grande Recessão de 2008-2009. Com menos recursos, dívidas maiores e uma resistência popular cada vez maior a carregar o fardo de salvar o sistema capitalista, os governos não podem pagar a fiança do sistema.

Muitas das principais instituições e relações econômicas que foram causa e consequência da expansão mundial e regional capitalista ao longo das últimas três décadas estão em processo de desintegração e desorganização. Os motores prévios de expansão global, EUA e União Europeia, já exauriram seus potenciais e estão em declínio aberto. Os novos centros de crescimento, China, Índia, Brasil, Rússia, que por uma "pequena década" garantiram novo ímpeto para o crescimento global já terminaram seu curso e estão desacelerando rapidamente e continuarão a fazê-lo ao longo do próximo ano.

O Colapso da União Europeia

Especificamente, a União Europeia devastada pela crise vai se desintegrar e a estrutura de camadas múltiplas vai se transformar em uma série de acordos comerciais e financeiros bilaterais ou multilaterais. Alemanha, França, Países Baixos e os países nórdicos vão tentar evitar a retração. Inglaterra - nomeadamente a Cidade de Londres, em esplêndida isolação, afundará em crescimento negativo, seus financistas tentando encontrar novas oportunidades especulativas entre os estados petrolíferos do Golfo e outros "nichos". A Europa Oriental e Central, particularmente Polônia e República Tcheca, aprofundarão seus laços com a Alemanha, mas sofrerão as consequências do declínio geral dos mercados globais. A Europa Mediterrânea (Grécia, Espanha, Portugal e Itália) entrarão em profunda depressão conforme os pagamentos massivos de dívida alimentados por ataques selvagens aos salários e aos benefícios sociais reduzirão severamente a demanda do consumidor.

Desemprego e subemprego alcançando um terço da força de trabalho detonarão conflitos sociais ao longo de todo o ano, intensificando-se em levantes populares. Eventualmente uma desintegração da União Europeia é quase inevitável. O euro será substituído ou retornar-se-á às moedas nacionais acompanhadas por desvalorização e protecionismo. O nacionalismo estará na ordem do dia. Bancos na Alemanha, França e Suíça sofrerão enormes perdas em seus empréstimos ao Sul. Grandes planos de resgate financeiro serão necessários, polarizando as sociedades alemã e francesa, entre maiorias contribuintes e banqueiros. A militância sindical e a populista de direita (neofascismo) intensificarão as lutas de classe e nacionais.

Uma Europa em depressão, fragmentada e polarizada será menos provável de se unir a qualquer aventura militar sionista contra o Irã (ou mesmo Síria). A Europa afetada pela crise irá se opor à abordagem confrontacionista de Washington em relação a Rússia e China.

EUA: A Recessão Retorna com uma Vingança

A economia americana sofrerá as consequências de seu déficit fiscal inchado e não será capaz de encontrar um caminho para fora da recessão de 2012 por meio de gastos públicos. Nem pode contar com "exportar" seu caminho para fora do crescimento negativa voltando-se para outrora dinâmica Ásia, na medida em que China, Índia e o resto da Ásia estão perdendo vapor econômico. A China crescerá bem abaixo de sua média de 9%. A Índia vai cair de 8% para 5%, ou menos. Ademais, a política militar de "cercamento" do regime Obama, sua política econômica de exclusão e protecionismo, dificultarão qualquer estímulo da China.


O Militarismo Exacerba a Recessão Econômica

Os EUA e Inglaterra serão os maiores perdedores com a reconstrução econômica pós-guerra do Iraque. Dos $186 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, as corporações americanas e britânicas ganharão menos de 5% (Financial Times, 12/16/11). Um resultado similar é provável na Líbia e outros locais. O imperialismo militar americano destrói um adversário, mergulhando em dívidas para fazê-lo, e os não-beligerantes colhem os lucrativos contratos de reconstrução econômica pós-guerra.

A economia americana cairá em recessão em 2012 e "recuperação sem criação de empregos de 2011" será substituída por um grande aumento do desemprego em 2012. Em verdade, toda a força de trabalho encolherá na medida em que pessoas perdendo seus seguros-desemprego deixem de se registrar.

A exploração do trabalho se intensificará conforme os capitalistas forcem os trabalhadores a produzir mais, por salários menores, assim ampliando a diferença entre salários e lucros.

A recessão econômica e o crescimento do desemprego serão acompanhados por grandes cortes em programas sociais para subsidiar bancos e indústrias com problemas financeiros. Os debates entre os partidos serão sobre quão grandes os cortes para trabalhadores e aposentados serão para garantir a "confiança" de investidores. Encarados por escolhas políticas igualmente limitadas, o eleitorado reagirá votando contra os políticos eleitos, abstendo-se de votar, e por meio de movimentos de massa organizados ou espontâneos, tais como o "occupy Wall Street". A insatisfação, a hostilidade e a frustração impregnarão a cultura. Demagogos democratas culparão a China; demagogos republicanos culparão os imigrates. Ambos fulminarão contra os "islamo-fascistas" e principalmente contra o Irã.

Novas Guerras em meio a Crises: Sionistas Apertam o Gatilho

Os 52 Presidentes das principais organizações judaico-americanas e seus seguidores "Israel First" no Congresso, Departamento de Estado, Tesouro e no Pentágono, pressionarão por uma guerra com o Irã. Se eles forem bem sucedidos isso resultará em uma conflagração regional e depressão global. Considerando o sucesso do regime extremista de Israel em garantir a obediência cega a suas políticas de guerra por parte do Congresso Americano e da Casa Branca, quaisquer dúvidas sobre a real possibilidade de um resultado catastrófico podem ser deixadas de lado.

China: Mecanismos Compensatórios em 2012

A China irá encarar a recessão global de 2012 com diversas possibilidades de amenizar seu impacto. Pequim pode passar a produzir bens e serviços para os 700 milhões de consumidores domésticos atualmente excluídos dos ciclos econômicos. Aumentando salários, serviços sociais, e segurança ambiental, a China pode compensar pela perda de mercados estrangeiros. O crescimento econômico da China, que é majoritariamente dependente de especulação imobiliária, será afetado negativamente quando a bolha estourar. O resultado será uma recessão, levando a desemprego, falências municipais e conflitos sociais e de classe mais intensos. Isso pode resultar ou em maior repressão ou em gradual redemocratização. O resultado afetará profundamente as relações mercado-estado da China. A crise econômica provavelmente fortalecerá o controle estatal sobre o mercado.

A Rússia Encara a Crise

A eleição do Presidente Putin levará a menos colaboração com revoltas promovidas pelos EUA e sanções contra aliados e parceiros comerciais russos. Putin fortalecerá seus laços com a China e se beneficiará da desintegração da União Europeia e do enfraquecimento da OTAN.

A oposição financiada pela mídia ocidental usará sua influência econômica para erodir a imagem de Putin e para encorajar boicotes de investimentos, apesar de que perderão as eleições presidenciais por uma grande margem. A recessão global enfraquecerá a economia russa e a forçará a escolher entre uma maior propriedade pública ou maior dependência em fundos estatais para resgatar oligarcas proeminentes.

A Transição 2011-2012: De Estagnação e Recessão Regional a Crise Global

O ano de 2011 preparou o terreno para a desintegração da União Europeia. As crises começaram com a derrocada do Euro, com a estagnação nos EUA e o início de protestos em massa contra as desigualdades obscenas em escala global. Os eventos de 2011 foram um ensaio para um novo ano de guerras comerciais totais entre potências, recrudescimento de conflitos interimperialistas e a probabilidade de rebeliões populares se transformarem em revoluções. Ademais, a escalada da febre de guerra sionista contra o Irã em 2011 promete a maior guerra regional desde o conflito indochinês. As campanhas eleitorais e resultados das eleições presidenciais nos EUA, Rússia e França aprofundarão os conflitos globais e crises econômicas.

Durante 2011 o regime Obama anunciou uma política de enfrentamento militar com Rússia e China e políticas designadas para enfraquecer e degradar a ascensão da China como potência econômica global. Diante de uma recessão econômica crescente e com o declínio dos mercados ultramarinos, especialmente na Europa, uma grande guerra comercial se desenvolverá. Washington promoverá agressivamente políticas limitando as exportações e investimentos chineses. A Casa Branca vai intensificar seus esforços em atrapalhar o comércio e investimento da China na Ásia, África e outras regiões.  Nós podemos esperar maiores esforços americanos para explorar conflitos populares e étnicos internos na China e a aumentar sua presença nos arredores da costa chinesa. Uma grande provocação ou incidente fabricado nesse contexto não pode ser excluído. O resultado em 2012 pode levar a chamados chauvinistas furiosos por uma custosa nova "Guerra Fria". Obama preparou o terreno e justificativa para um confronto em larga escala a longo prazo com a China. Isso será visto como um esforço desesperado para fortalecer a influência e posições estratégicas americanas na Ásia. O "quadrângulo do poder" militar americano - EUA-Japão-Austrália-Coréia do Sul - com apoio satélite nas Filipinas, colocará os laços mercantis chineses contra o fortalecimento militar de Washington.



Europa: Maior Austeridade e Luta de Classes Intensificada

Os programas de austeridade impostos sobre a Europa, da Inglaterra à Letônia e à Europa Mediterrânea realmente chegaram para ficar em 2012. Demissões massivas no setor público e salários e oportunidades reduzidas no setor privado levarão a um ano de luta de classes permanente e desafios aos regimes. As "políticas de austeridade" no Sul, serão acompanhadas por inadimplências resultando em falências de bancos na França e na Alemanha. A classe governante financeira da Inglaterra, isolada da Europa, mas dominante na Inglaterra, insistirá que os Conservadores devem "reprimir" os trabalhadores e os levantes populares. Um novo estilo duro neo-Thatcherita de governo emergerá; a oposição sindical-Trabalhista emitirá protestos vazios e apertará as rédeas da população rebelde. Em uma palavra, as políticas sócio-econômicas repressivas postas em lugar em 2011 prepararam o palco para novos regimes de estado de política e para confrontos mais agudos e possivelmente sangrentos com jovens trabalhadores e desempregados sem futuro.

As Guerras Vindouras que Acabarão com a América "como a Conhecemos"

Dentro dos EUA, Obama preparou o terreno para uma nova e maior guerra no Oriente Médio deslocando tropas do Iraque e do Afeganistão e concentrando-as contra o Irã. Para enfraquecer o Irã, Washington está expandindo operações militares e civis clandestinas contra aliados iranianos na Síria, Paquistão, Venezuela, e China. A chave para a estratégia belicosa americana e israelense frente ao Irã é uma série de guerras em Estados vizinhos, sanções econômicas em escala global, ciber-ataques dirigidos contra indústrias vitais e assassinatos terroristas de cientistas e oficiais militares. Todo o impulso, planejamento e execução das políticas americanas que levam a uma guerra com o Irã podem ser empiricamente e sem dúvida atribuídas à configuração de poder sionista ocupando posições estratégias na administração americana, mídia de massa e "sociedade civil".

Uma análise sistemática dos estrategistas políticos americanos desenvolvendo e implementando sanções econômicas no Congresso encontra papéis proeminentes para mega-sionistas como Ileana Ros-Lehtinen e Howard Berman; na Casa Branca, Dennis Ross, Jeffrey Feltman no Departamento de Estado, e Stuart Levy, e seu substituto David Cohen, no Tesouro. A Casa Branca está totalmente a mercê de financiadores sionistas e recebe suas diretrizes dos 52 Presidentes da principal organização judaico-americana. A estratégia sionista é cercar o Irã, enfraquecê-lo economicamente e atacá-lo militarmente. A invasão do Iraque foi a primeira guerra americana por Israel; a guerra líbia foi a segunda; a atual guerra contra a Síria é a terceira. Essas guerras destruíram os adversários de Israel ou estão em processo de fazê-lo.

Durante 2011, sanções econômicas, que foram planejadas para criar insatisfação doméstica no Irã, foram a principal arma de escolha. A campanha de sanções globais mobilizou todas as energias dos principais lobbies judaico-sionistas. Eles não enfrentaram oposição da mídia de massa, do Congresso ou da Casa Branca. A configuração de poder sionista tem estado virtualmente isenta de críticas por qualquer dos jornais, movimentos ou grupos progressistas, esquerdistas e socialistas - com algumas poucas exceções notáveis. O reposicionamento de tropas americanas do Iraque para as fronteiras do Irã no ano passado, as sanções e as crescentes pressões da quinta coluna israelense nos EUA significam mais guerra no Oriente Médio. Isso provavelmente significa um ataque aéreo "surpresa" e ataques com mísseis marítimos por forças americanas. Isso será baseado em um falso pretexto de um "ataque nuclear iminente" inventado pelo Mossad e fielmente transmitido pelos sionistas a seus lacaios no Congresso americano e na Casa Branca para consumo e transmissão ao mundo. Será uma longa, destrutiva, e sangrenta guerra por Israel; os EUA arcarão com o custo militar direto e o resto do mundo pagará o preço econômico. A guerra americana sionista converterá a recessão do início de 2012 em uma grande depressão até o final do ano e provavelmente provocará levantes em massa.

Conclusão

Todas as indicações apontam para 2012 como sendo um ano de crise econômica inexorável se espalhando da Europa e dos EUA para a Ásia e suas dependências na África e na América Latina. A crise será verdadeiramente global. Confrontos intertemporais e guerras coloniais solaparão quaisquer esforços para amenizar essa crise. Em resposta, movimentos de massa emergerão passando ao longo do tempo de protestos e rebeliões, a revoluções e poder político.

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