quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Tragédia da "Guarda de Ferro" Romena

por Julius Evola



O carro está levando-nos para fora dos subúrbios da cidade, por uma rua comprida, provinciana, miserável, sob um céu cinzento e chuvoso. Subitamente ele vira à esquerda, entre em um caminho campestre, para de frente para uma pequena villa com contornos nítidos, a "Casa Verde", o centro da "Guarda de Ferro". "Nós a construímos com nossas próprias mãos", o líder dos legionários que está acompanhando-nos conta-nos, não sem certo orgulho. Nós entramos, caminhamos por um tipo de sala de guarda, alcançamos o primeiro andar. Através de um grupo de legionários que afastam-se vem em nossa direção um homem jovem, alto, e magro, com uma expressão incomum de nobreza, franqueza, e energia impressas em sua face: olhos azul-celeste, testa aberta, tipo ário-romano genuíno: e, misturado com traços viris, algo contemplativo, místico em sua expressão. Esse é Corneliu Codreanu, o líder e fundador da "Guarda de Ferro" romena, aquele que é chamado "assassino", "lacaio de Hitler", "conspirador anarquista", pela imprensa mundial, porque, desde 1919, ele vem desafiando Israel, e as forças que estão mais ou menos em conluio com ela, em operação na vida nacional romena.

Entre todos os líderes dos movimentos nacionais que nós encontramos durante nossas jornadas pela Europa, poucos, ou nenhum, causaram-nos uma impressão tão favorável quanto Codreanu. Nós descobrimos conversando com ele uma tão perfeita concordância de idéias como com poucos outros, e nós encontramos em uns poucos a capacidade de ascender tão resolutamente do plano do contingente e relacionar-se às premissas de natureza genuinamente espiritual uma vontade de renovação nacional-política. O próprio Codreanu não ocultou sua satisfação em encontrar alguém com quem algo mais do que a fórmula estereotipada de "nacionalismo construtivo" pode finalmente ser expressada, uma fórmula incapaz de alcançar a essência do movimento legionário romeno.

Nosso encontro deu-se à época da queda do gabinete Goga, da intervenção direta do rei, da promulgação de uma nova constituição, do plebiscito. Nós havíamos ouvido em detalhe sobre o lado oculto dessa reviravolta. Codreanu, em uma lúcida síntese, acrescentou à nossa visão acerca dessa matéria. Ele tinha muita fé no futuro, e mesmo na vitória iminente de seu movimento. Se não havia reagido e demonstrado qualquer oposição, isso foi por razões táticas precisas: "Se tivessem havido eleições regulares, como Goga havia pensado, nós teríamos vencido com uma maioria esmagadora", Codreanu disse-nos literalmente, "mas confrontados com a alternativa de dizer sim ou não a um fait accompli tal como a constituição, ela própria inspirada pelo rei, nós nos recusamos a aceitar a luta". Ele até mesmo acrescentou: "Nós conquistamos a primeira linha de trincheiras, então a segunda, a terceira, e o adversário, que havia trancado-se em um cubículo, na segurança que este oferece, dispara contra nós, sem saber que nós não gostaríamos de fazer outra coisa que vir em seu auxílio contra seu verdadeiro inimigo". Nós devemos recordar essa outra sentença de Codreanu, em relação a nossa questão sobre seu ponto de vista acerca do rei: "Mas nós somos todos monarquistas; a questão é que nós não podemos renunciar a nossa missão e fazer compromissos com um mundo corrupto e ultrapassado".

E, quando ele queria nos levar de volta para nossa estalagem em seu própri carro, não considerando a sensação que isso poderia causar e nós menos ainda o alerta de nossa embaixada que contou-nos que qualquer um que se encontrasse com Codreanu seria expulso do reino nas próximas 24 horas, despedindo-se de nós e sabendo que então iríamos a Berlim e Roma, ele disse-nos: "Todos aqueles que lutam por nossa causa, eu os saúdo digo-lhes que o legionarismo romeno está e estará incondicionalmente ao seu lado na luta anti-judaica, anti-democrática, anti-bolchevique".

A tradução italiana do livro de Codreanu, "A Guarda de Ferro", que já havia sido apresentada em Bucareste, acabou de ser publicada na coleção Europa Giovane. É a primeira parte de um trabalho que é simultaneamente a autobiografia de Codreanu e a história de sua luta e seu movimento, entrelaçadas de maneira natural com a exposição de sua doutrina e de seu programa nacionalista. Esse livro pode ser comparado à primeira parte de "Minha Luta", sem medo de que ele possa ser diminuído por essa comparação. De fato, é a própria força, e mesmo a própria tragédia, das coisas, que garante que a narrativa de Codreanu tenha um poder sugestivo particular, e nós pensamos que qualquer fascista deveria ficar cônscio, através dele, das vicissitudes trágicas e dolorosas de uma luta que, em solo romeno, repetiu a luta de nossa própria revolução anti-democrática e anti-judaica. Desse modo a verdade, previamente oculta ou distorcida por uma imprensa preconceituosa, finalmente torna-se conhecida, e torna-se claro que aqueles que ignoram o fator do movimento legionário, atualmente reprimido porém certamente não morto, não pode formar uma idéia adequada dos possíveis desenvolvimentos lá.



Por sua própria natureza, o livro de Codreanu não pode ser resumido. Aqui, nós seremos apenas capazes de atrair a atenção dos leitores para alguns pontos doutrinários e gerais, que caracterizarão a natureza do movimento de Codreanu. Há tanto tempo quanto 1919 ou 1920, quando ele era um jovem de aproximadamente 20 anos de idade, ele ergueu-se contra o perigo comunista em nome da nação romena, não tanto com palavras como com ação coletiva similar à dos nossos próprios "squadristi", combatendo os proletários revoltosos, substituindo as bandeiras vermelhas que eles haviam erguido sobre suas fábricas pelas nacionais. Um seguidor de A.C. Cuza, o pai da idéia nacional romena e precursor da luta antissemita, Codreanu já havia conseguido ver à época o que a vitória do comunismo realmente teria significado: não uma Romênia liderada por um regime proletário romeno, mas ao invés sua escravidão, no dia seguinte, pela "tirania mais imunda, a tirania israelita, talmúdica". Mas Israel não perdoa aqueles que a desmascaram. Desde então Codreanu tornar-se-ia a bête noire da imprensa financiada por Israel, o objeto de uma ferrenha campanha de difamação e ódio, lançada não apenas contra ele, mas contra a fé nacional de todo um povo. Codreanu escreve sobre aquela época: "Em 1 ano eu aprendi tanto sobre antissemitismo como seria o bastante para três vidas humanas. Pois não pode-se ferir as convicções sagradas de um povo, o que seu coração ama e respeita, sem causar profundas dores e derramar o sangue do coração. Foi há 17 anos atrás, e meu coração ainda sangra". Codreanu lutou àquela época contra aqueles que glorificavam a Internacional vermelha, e seus seguidores quebravam as gráficas dos jornais judaicos, nos quais o rei, o exército, e a igreja eram insultados. Mas, depois, precisamente em nome do rei, do exército, e da ordem, uma imprensa romena que possuíam maestria no que concernia ao camaleonismo continuaria a mesma campanha contra Codreanu, cobrindo seu movimento com ódio e desprezo...

Codreanu escreve: "Eu não poderia definir como eu entrei na luta. Provavelmente como um homem que, caminhando pela rua, com suas preocupações, suas necessidades e seus próprios pensamentos, surpreendido pelo fogo que consome uma casa, tira seu casaco e corre para prestar auxílio àqueles que são vitímas das chamas. Com o senso comum de um jovem de mais ou menos vinte anos, essa era a única coisa que eu entendi em tudo que eu estava vendo: que nós estávamos perdendo a Pátria, que nós não mais teríamos a Pátria, que, com o apoio ignóbil dos trabalhadores romenos miseráveis, empobrecidos, e explorados, a horda judaica varreria todos nós. Eu comecei a partir de um impulso do coração, com aquele instinto de defesa que até o menor dos vermes tem, não com o instinto de auto-preservação pessoal, mas de defesa da raça à qual pertenço. É por isso que eu sempre tive a sensação de que a totalidade da raça descansa sobre nossos ombros, os vivos, e aqueles que morreram pela Pátria, e todo nosso futuro, e que a raça luta e fala através de nós, que a horda hostil, não importa quão grande, em relação a essa entidade histórica, não passa de um punhado de detrito humano que nós dispersaremos e derrotaremos... O indivíduo na estrutura e a serviço de sua raça, a raça na estrutura e a serviço de Deus e das leis da divindade: aqueles que compreenderem essas coisas vencerão, mesmo que estejam sozinhos. Aqueles que não compreenderem serão derrotados".

Essa foi a profissão de fé de Codreanu em 1922, ao fim de seus estudos universitários. Como presidente da associação nacional de estudantes de Direito, ele definiu ao mesmo tempo os pontos principais da campanha antissemita nos seguintes termos: "a) identificação do espírito e mentalidade judaicas que imperceptivelmente infiltraram os modos de sentir e pensar de uma parte considerável dos romenos; b) nossa desintoxicação, a eliminação do judaísmo que foi introduzido em nosso pensamento através de livros didáticos, professores, teatro, cinema; c) a compreensão e desmascaramento dos planos israelitas, ocultos sob diversas formas. Porque nós temos partidos políticos liderados por romenos, através dos quais o judaísmo fala; jornais romenos, escritos por romenos, através dos quals o Judeu e seus interesses falam; palestrantes romenos, pensando, escrevendo, e falando hebraicamente, mas em língua romena". Ao mesmo tempo, o problema prático político, nacional, social: o problema de vastas terras romenas literalmente colonizadas por populações exclusivamente judaicas; o problema do controle judaico de centros vitais nas maiores cidades; o problema do percentual alarmante de judeus nas escolas, onde eles às vezes formam uma clara maioria, um percentual consistente em uma preparação para uma conquista e uma invasão do mundo profissional dentro da próxima geração. Finalmente, uma simples ação de desmascaramento: Codreanu aponta que, assim como no período comunista, os líderes do assim chamado movimento proletário romeno eram exclusivamente judeus, assim como, depois, como um membro do parlamento, ele não hesitou em documentar como a maioria dos membros do governo recebiam "empréstimos financeiros" dos bancos judaicos.



Com o advento de Mussolini, Codreanu reconheceu nele um "portador da luz, que inspira-nos esperança. Ele será para nós a prova de que a Hidra pode ser derrotada. Uma prova de que podemos vencer". Ele acrescentou: "Mas Mussolini não é antissemita. Vocês alegram-se em vão, a imprensa judaica estava murmurando em nossos ouvidos. Eu digo: a questão não é o motivo de nossa alegria, mas o motivo pelo qual, se ele não é antissemita, vocês estão preocupados com sua vitória e porquê a imprensa judaica por todo o mundo o ataca". Codreanu corretamente viu que o judaísmo havia conseguido conquistar o mundo através da maçonaria e a Rússia através do comunismo: "Mussolini destruiu o comunismo e a maçonaria", Codreanu disse, "ele implicitamente declarou guerra ao judaísmo também". A nova mudança antissemita de política do fascismo provou que Codreanu estava completamente correto. De modo a trazer a perspectiva antissemita de Codreanu totalmente à luz, nós devemos citar a seguinte passagem de seu livro, que demonstra que sua visão era particularmente perspicaz: "Aqueles que pensam que os judeus são pobres coitados, que chegaram aqui por acaso, trazidos pelo vento, trazidos pelo azar, e daí em diante, estão equivocados. Todos os judeus que existem sobre a face da terra formam uma grande comunidade, ligada pelo sangue e pela religião talmúdica. Eles são partes de um Estado verdadeiramente implacável, que possui leis, planos, e líderes que formulam esses planos e os executam. Toda a coisa é organizada sob a forma de uma assim chamada "kehillah". É por isso que somos confrontados, não por judeus isolados, mas por uma força constituída, a comunidade judaica. Em qualquer de nossas cidades ou países em que um dado número de judeus estejam reunidos, uma kehillah é imediatamente montada, isso quer dizer, a comunidade judaica. Essa kehillah tem seus líderes, seu próprio poder judiciário, e daí em diante. E é nessa pequena kehillah, seja na cidade ou a nível nacional, que todos os planos são feitos: como conquistar os políticos e autoridades locais; como penetrar nos círculos em que seria útil ser admitido, por exemplo, entre os magistrados, os funcionários públicos, os oficiais; esses planos devem ser efetivados para tomar um certo setor econômico de mãos romenas; como um representante honesto de uma autoridade oposta aos interesses judaicos pode ser removido; que planos aplicar, quando, oprimidos, a população rebelar-se e eclodir em movimentos antissemitas". Ademais, planos gerais em larga escala: "1) eles buscaram romper os laços entre a terra e o céu, fazendo o que for possível para espalhar, em grande escala, teorias atéias e materialistas, degradando o povo romeno, ou mesmo apenas seus líderes, a um povo separado de Deus e de seus mortos, eles os matarão, não com a lança, mas cortando as raízes de sua vida espiritual; 2) eles então romperão os elos da raça com o solo, fonte material de sua riqueza, atacando o nacionalismo e qualquer idéia de Pátria e terra natal; determinados a vencer, eles buscarão dominar a imprensa; 4) eles usarão de qualquer pretexto, já que no povo romeno há dissensos, conflitos, e brigas, para dividi-los no maior número possível de partidos antagonistas; 5) eles buscarão monopolizar mais e mais os meios de existência dos romenos; 6) eles sistematicamente os levarão ao hedonismo, aniquilando a família e a força moral sem esquecer de degrada-los e aturdi-los através de bebidas alcoólicas e outros venenos. E, na verdade, qualquer um queira matar e conquistar uma raça poderá fazê-lo adotando esse sistema". Por todos os meios, imediatamente a partir da guerra mundial até o presente, o movimento de Codreanu buscou lutar em cada setor dessa ofensiva judaica lançada na Romênia pelos dois milhões e meio de israelitas ali e pelas forças afiliadas ou financiadas por Israel.

O incômodo de maquinadores políticos e a necessidade de criar um "novo homem" são outros pontos centrais do pensamento de Codreanu. "O tipo de homem que vive atualmente na cena política romena", Codreanu escreve, "eu já encontrei na história: sob seu governo, Nações morreram e Estados foram destruídos". Para Codreanu, o maior perigo nacional encontra-se no fato de que o tipo puro da raça dácio-romana foi degradado e desfigurado e substituído pelo maquinador político; "Esse germe moral, que não mais possui qualquer traço da nobreza de nossa raça, desonra-nos e mata-nos". Enquanto existirem maquinadores políticos, forças anti-nacionais ocultas sempre encontrarão instrumentos adequados, sempre serão capazes de criar intrigas que servirão a seu jogo. Se a consstituição romena de 1938 pôs fim ao sistema de partidos, foi há muitos anos que Codreanu assumiu uma posição tão radical a ponto de ter dito: "O jovem que unir-se a um partido político é um traidor de sua geração e de sua raça".



Não é uma questão de novos partidos ou fórmulas, mas de um Novo Homem. É essa visão que gerou o legionarismo de Codreanu, que significa, acima de tudo, uma escola de vida, o locus para a formação de um novo tipo, no qual são encontrados "desenvolvidos ao máximo, todas as possibilidades da grandeza humana que são semeadas por Deus no sangue de nossa raça". A primeira organização legionária fundada foi chamada "A Legião do Arcanjo Miguel", uma designação cuja escolha já revela o lado místico, religioso, e ascético de tal nacionalismo. A criação desse novo tipo é, segundo Codreanu, a questão principal, o descanso é de importância secundária, e seguirá como consequência inevitável através de um processo natural e irresistível, é através desse homem regenerado que o problema judaico será resolvido, que uma nova forma política será encontrada, que despertará aquele magnetismo que é capaz de domar as multidões, facilitar cada vitória, e levar a raça ao caminho da glória.

Um aspecto especial e característico do movimento legionário romeno é que, em sua construção atual sob a forma de "ninhos", sua preocupação principal foi criar uma nova forma comum de vida, conectada com critérios éticos e religiosos rígidos. O fato de que Codreanu impôs a disciplina do jejum dois dias por semana pode então ter vindo como surpresa para muitas pessoas, e também é interessante conhecer seus pensamentos sobre o poder da oração, pensamentos que pareceriam ser apropriados mais a uma pessa de uma ordem religiosa que a um líder política: "A oração é um elemento decisivo da vitória. Guerras são vencidas por aqueles que conseguiram atrair de alhures, dos céus, as forças misteriosas do mundo invisível e garantir seu apoio. Essas forças misteriosas são as almas dos mortos, as almas de nossos ancestrais, que outrora foram, como nós, ligados a nossos torrões, a nossos sulcos, que morreram pela defesa dessa terra e ainda estão ligados hoje a ela pela memória de suas vidas e por nós, seus filhos, seus netos, seus bisnetos. Mas acima das almas dos mortos, há Deus. Uma vez que essas forças sejam atraídas, elas possuem um poder considerável, elas defendem-nos, elas dão-nos coragem, fortitude, todos os elementos necessários para a vitória e que fazem-nos vencer. Elas espalham o pânico e o terror entre os inimigos, paralisam sua atividade. Em última análise, vitórias não dependem apenas de preparação material, das forças materiais dos beligerantes, mas de seu poder de garantir o apoio de forças espirituais. A retidão e moralidade das ações e o chamado insistente, fervoroso por elas sob a forma de rito e oração coletiva atraem essas forças".

Eis outra passagem característica de Codreanu: "Se o misticismo cristão e seu objetivo, o êxtase, é o contato do homem com Deus através de um salto da natureza humana à natureza divina, o misticismo nacional não é nada mais senão o contato do homem e das multidões com a alma de sua raça atravpes do salto que essas forças fazem do mundo dos interesses pessoais e materiais ao mundo externo da raça. Não através da mente, já que isso qualquer um pode fazer, mas vivendo com sua alma". Outro aspecto típico do legionarismo da "Guarda de Ferro" é um tipo de comprometimento ascético da parte de seus líderes: eles devem evitar ir a salões de dança, cinemas ou teatros, evitar qualquer demonstração de riqueza ou mesmo de mera afluência. Uma força especial de assalto de 10.000 homens, que foi batizado pelos nomes de Mota e Marin, dois líderes da Guarda de Ferro caídos na Espanha, tinha, para seus membros, quase como que em alguma antiga ordem de cavalaria, a cláusula do celibato, pelo tempo em que permanecessem nessa força: já que a nenhuma ocupação mudana ou familiar permitia-se diminuir sua capacidade de dedicarem-se a qualquer momento até a morte.

Apesar de ter sido duas vezes um membro do parlamento, Codreanu afirmou-se firmemente desde o início contra a democracia; para citá-lo literalmente, a democracia rompe a unidade da raça porque ela dá causa ao faccionalismo; ela é incapaz de continuidade no esforço e na responsabilidade; ela é incapaz de autoridade, já que carece do poder de sanção e transforma o político em escravo de seus partidários; ela está a serviço da alta finança; ela torna milhões de judeus romenos em cidadãos. Codreanu afirmou ao contrário o princípio da seleção social e das elites. Ele tinha uma intuição precisa da nova política das nações objetivando a reconstrução, cujos princípios não é a democracia, nem a ditadura, mas uma conexão entre nação e líder como há entre poder e atualidade, instinto obscuro e expressão. O líder dessas novas formas políticas não é eleito pela multidão, mas a multidão, a nação, consente e reconhece em suas idéias suas próprias idéias.



A premissa é um tipo de despertar interior, que começa no líder e na elite. Nós devemos citar Codreanu: "É uma nova forma de liderança dos Estados, jamais vista antes. Eu não sei que designação será dada, mas é uma nova forma. Eu creio que ela esteja baseada neste estado mental, esse estado de elevada consciência nacional que, cedo ou tarde, espalha-se até a periferia do organismo nacional. É um estado de iluminação interior. O que previamente jazia dormente nas almas do povo, como instinto racial, está nesses momentos refletida em sua consciência, criando um estado de iluminação unânime, como encontrada apenas em grandes experiências religiosas. Esse estado poderia corretamente ser chamado de um estado de ecumenidade nacional. Um povo como um todo alcança auto-consciência, consciência de seu sentido e seu destino no mundo. Na história, nós encontramos nos povos nada mais que fagulhas, enquanto, desse ponto de vista, nós temos hoje um fenômeno nacional permanente. Nesse caso, o líder não é mais um "chefe" que "faz o que quer", que governa segundo "seu bel prazer": ele é a expressão desse estado mental invisível, o símbolo desse estado de consciência. Ele não faz o que quer, ele faz o que tem que fazer. E ele é guiado, não por interesses individuais, nem coletivos, mas ao invés pelos interesses da nação eterna, a cuja consciência o povo alcançou. Na estrutura desses interesses e apenas em sua estrutura, interesses pessoais e coletivos encontram o mais alto grau de satisfação normal".

Que Codreanu então não excluiu que essas novas formas de nacionalismo poderiam ser compatíveis com as instituições tradicionais está provado por suas idéias a respeito da instituição monárquica, que encontram expressão nas seguintes palavras: "Eu rejeito o republicanismo. Na liderança das raças, acima da elite, está a Monarquia. Nem todos os monarcas foram bons. A Monarquia, porém, sempre foi boa. O monarca individual não deve ser confundido com a instituição da Monarquia, as conclusões tiradas daí seriam falsas. Pode haver maus padres, mas isso não quer dizer que possamos tirar a conclusão de que a Igreja deve ser terminada e Deus apedrejado até a morte. Certamente há monarcas fracos ou maus, mas nós não podemos renunciar à Monarquia. A raça possui uma linha vital. Um monarca é grande e bom, quando ele permanece sobre essa linha; ele é medíocre e ruim, na medida em que move-se para longe dessa linha racial da vida ou opõe-se a ela. Há muitas linhas pelas quais um monarca pode ser tentado. Ele deve colocar todas de lado e seguir a linha da raça. Eis a lei da Monarquia".

Se, nos pontos principais, essas são as idéias de Codreanu e de sua "Guarda de Ferro", as vicissitudes de sua luta resultam ser tragicamente quase além da compreensão, e, até há pouco, elas pareciam ser devidas a algum infeliz mal entendido. Até há pouco, nós dissemos, porque na medida em que o regime democrático puro subsistiu na Romênia, com sua conhecida subserviência a todas as formas de influências mascaradas e indiretas e uma instituição monárquica que era meramente simbólica, era compreensível que um movimento como o de Codreanu fosse combatido por quaisquer meios e a qualquer custo, um dia pelos meios de uma fórmula, no outro pela fórmula oposta, por razões de oportunismo, garantido que o efeito fosse o mesmo e o perigoso adversário fosse excluído. Essas amargas observações de Codreanu são fáceis de compreender: "em 1919, 1920, e 1921, toda a imprensa israelita tomou de assalto o Estado romeno despejando caos em todo lugar e exortando à violência contra o regime, a forma de governo, a Igreja, a ordem romena, a idéia nacional, o patriotismo. Agora, como se por mágica (1936), a mesma imprensa, comandada exatamente pelas mesmas pessoas, tornou-se protetora do estado de ordem e suas leis, e declara-se 'contra a violência', e que nós nos tornamos 'inimigos do país', os 'extremistas de direita', 'pagos e a serviço dos inimigos da romenidade', e, antes de muito, nós ouviremos até mesmo isso: que nós somos financiados pelos judeus". E Codreanu continua: "Nós recebemos em nossas faces e em nossas almas romenas sarcasmo após sarcasmo, tapa após tapa, ao ponto de realmente estarmos nessa situação pavorosa: os judeus são retratados como os defensores da romenidade e são protegidos de problemas e aptos a viverem na tranquilidade e afluência, enquanto nós, ao contrário, somos retratados como os inimigos da romenidade, e nossas vidas e liberdades são ameaçadas conforme as autoridades romenas caçam-nos como cães raivosos. Tudo isso eu tenho visto com meus próprios olhos e resistido hora sim, hora não, e tem amargurado a mim e meus camaradas até o fundo de nossas almas. Partir para lutar por seu país, sua alma pura como a lágrima no olho; lutar por anos e anos na pobreza sob uma fome excruciante porém oculta; ver a si mesmo, em um ponto, retratado como inimigo de seu país, perseguido por romenos, difamado como recipiente de verbas estrangeiras; e ver o povo judeu em controle total de seu país, erguido ao status de protetores da romenidade e do Estado romeno, que eu, e a juventude do país, estão supostamente ameaçando; tudo isso é verdadeiramente terrível de resistir". E os leitores podem perceber que essas não são apenas palavras, perscrutando o livro, no qual toda a via crucis da "Guarda de Ferro" é documentada: prisões, perseguições, julgamentos, difamações, violência. O próprio Codreanu passou por vários julgamentos, mas, até agora, as acusações contra ele sempre foram descartadas: em um julgamento por assassinato - ele havia morto com as próprias mãos os assassinos de seus camaradas - é notável que 19.300 advogados de todo o país formalmente ofereceram-se para defendê-lo.

Após o experimento Goga, parecia que o regime democrático havia alcançado seu fim na Romênia, e que uma nova forma autoritária de governo erguer-se-ia. No exterior, nós não sabemos muito sobre o que ocorre por trás dessas perturbações. Ainda que a "Guarda de Ferro" já tivesse sido dissolvida, o fato é que nessa nova fase da política romena estava oculta a continuidade da luta entre Codreanu e forças opostas a sua concepção da nação e do Estado. O governo Goga foi supostamente formado sobre uma base experimental e, ao mesmo tempo, por uma razão tática precisa. Por meio do nacionalismo e antissemitismo moderados de Goga, eles buscavam tangenciar as forças que o movimento de Codreanu estavam atraindo e conquistando mais e mais, oferecendo um substituto fácil de domar. Eles perceberam, porém, que, para usar a expressão de Mussolini referente ao plebiscito proclamado por Schussnigg, que o experimento era perigoso e que o mecanismo poderia escapar das mãos dos que o haviam preparado. O regime Goga não foi aceito como substituto pelo povo, um substituto com os quais ele estaria contente, mas o povo o viu como um sinal de uma mudança preliminar na direção de uma corrente nacionalista total: o fato de que Goga opunha-se resolutamente a Codreanu (e foi essa uma das razões para sua escolha) não os perturbava tanto quanto seu programa, que opunha-se ao nacionalismo, ao antissemitismo, e na verdade a toda a necessária revisão da posição política internacional da Romênia. De modo que, se as eleições anunciadas por Goga tivessem ocorrido, ele provavelmente teria sido varrido por uma corrente mais forte do que ele, ainda que fosse na mesma direção. Reconhecendo esse perigo, o rei decidiu intervir pessoalmente. Ele pôs fim ao sistema partidário democrático e promulgou uma constituição, na qual a questão principal era a centralização do poder, diretamente ou indiretamente, nas mãos do monarca. Uma revolução autoritária a partir de cima, baseada, como dissemos, na corte ao invés de na arena pública. Confrontado com isso, a "Guarda de Ferro", apesar de ter alertado o regime para as consequências dessa atitude, voluntariamente dissolveu o partido que havia montado, "Tudo pela Pátria", e silenciosamente retirou-se, propondo focar suas ações essencialmente no plano espiritual, para agir principalmente em um sentido de formação espiritual e de uma seleção do grande número de membros que, durante o último período e aparentemente em busca das idéias do governo Goga, havia entrado nas fileiras do Codreanu. Nós estivemos na Romênia na época, e a solução que os elementos romenos mais sérios considerava desejável e provável era uma superação da antiga oposição e uma colaboração, a nível nacional, entre o regime e o legionarismo. Essa não apenas era a opinião expressa pelo principal teórico de Estado romeno, Manoilescu, our por aqueles que haviam facilitado o retorno do rei à Pátria, tal como Nae Ionescu, mas também do ministro Argetoianu, principal inspirador da nova constituição, em uma conversa que tivemos então com ele, não descartou essa colaboração, desde que - essas eram suas palavras - a Guarda de Ferro renunciasse a seus antigos métodos.



Obviamente, nós não negaríamos que, em condições normais, quando seu poder e importância estão intactos, a Monarquia não precisa de qualquer duplicata ditatorial de modo a realizar apropriadamente sua função. Porém, não é assim que parecem ser as coisas em um Estado em que a fidelidade tradicional foi substituída pela intriga política, na qual a hidra judaica deitou seus tentáculos ao redor dos principais núcleos vitais da nação e a democracia eleitoral multipartidária minou a integridade ética e o sentimento patriótico de vastas camadas políticas. Em tais condições, deve haver um movimento totalitário renovador, algo que, como parte de um movimento coletivo, varrerá, criará, transformará, e erguerá novamente toda a nação, essencialmente sobre a base de um novo estado de consciência e de forças de um ideal e uma fé. E a instituição monárquica, se está presente, não é derrubada por um movimento totalitário nacional, mas, ao contrário, desenvolvida e completada, como demonstrado pelo exemplo da Itália. Nesses termos a colaboração entre o novo regime e o movimento legionário nacional de Codreanu teria sido algo ao mesmo tempo desejável e possível, especialmente desde que, como nós vimos, Codreanu expressamente defendeu a idéia monárquica e jamais pensou em oferecer-se como o novo rei da Romênia - nem mesmo seus oponentes jamais afirmaram isso.

Os eventos mais recentes mostraram que essas esperanças eram ilusórias e aceleraram a tragédia. Logo após a aprovação da nova constituição, Codreanu foi preso novamente. Por que? Porque foi relembrado após muitos meses que ele havia uma vez ofendido gravemente um ministro de gabinete - algo que ao longo de sua carreira, sob a pressão das circunstâncias, ele jamais havia conseguido evitar. Depois, ele foi acusado de conspirar contra a segurança do reino. Mas a verdade é que a prisão de Codreanu ocorreu praticamente um dia depois da Anschluss. Assim é extremamente provável que ela foi ditada pelo medo de que, como repercussão do triunfo do nacional-socialismo austríaco, as formas do nacionalismo romeno, não importa quão acuadas, voltassem à ação. Eles queriam tirar de jogo, de um jeito ou de outro, seu líder. O julgamento terminou com uma sentença de 10 anos de prisão para Codreanu, junto com a prisão de um grupo de sublíderes e um grande número de pessoas suspeitas de pertencer à "Guarda" ou de apoiá-la. Estava claro para todos que a situação política nacional na Romênia estava extremamente exacerbada e longe de qualquer tipo de estabilização. Eles não podiam deixar de ver que, ainda que os julgamentos prévios contra Codreanu, que haviam ocorrido em uma época em que as forças que estavam em oposição fizeram o maior uso possível das possibilidades de corrupção inerentes ao sistema democrático, tinham que terminar invariavelmente em rejeições, sob a nova constitução "nacional" e antidemocrática uma sentença foi pronunciada, algo que chegava a uma provocação em relação a todas as forças do legionarismo nacional romeno, tão presentes e numerosas, ainda que, agora, latentes e não fáceis de identificar. E ainda que nada muito preciso tenha sido sabido do novo julgamento, é claro que essa sentença foi ou severa demais, ou não severa o bastante, já que, se Codreanu tivesse sido condenado por realmente conspirar contra o Estado, considerando o ânimo que levou ao julgamente, essa teria sido a melhor oportunidade para elimina-lo definitivamente, já que esse crime era punido, pela nova constituição, com a pena de morte. Ao contrário, eles tiveram que limitar-se a 10 anos.

O que eles não ousaram fazer àquele momento, porém, eles fizeram depois, e o que podia ser previsto inevitavelmente aconteceu. Após o primeiro momento de estupefação, as forças fiéis a Codreanu recorreram a métodos terroristas de retaliação, o "batalhão da morte" entrou em ação, e um "tribunal nacional" secreto foi organizado para julgar e eliminar aqueles que, pela perspectiva legionária, eram os principais culpados perante a nação. Essa reviravolta tornou-se cada vez mais intensa após a capitulação de Praga e a conferência de Munique, mas, infelizmente, levou apenas a uma situação mais difícil: houve mais e mais prisões, um ato de injustiça levando a outros, recentemente o reitor da universidade de Cluj, particularmente hostil à Guarda, foi assassinado, dois governadores de província foram sentenciados à morte, a ser executada até janeiro, pelo misterioso "tribunal nacional" legionário, nós temos a impressão de uma área extremamente sensível, em tal medida que personalidades de alto nível, incluindo um príncipe real e o General Antonescu, ministro da guerra no governo Goga e atualmente comandante do Segundo Corpo do Exército, foram removidos, banidos, ou presos. Os eventos tornaram-se cada vez mais rápidos e, conforme ambos lados tornam-se mais e mais amargos, chegamos à última fase da tragédia. Em 30 de novembro, um lacônico comunicado oficial anunciou que Codreanu, junto com mais trinta legionários, elementos de liderança do movimento, também presos, foram assassinados pela polícia enquanto tentavam escapar. Seus corpos aparentemente foram enterrados dentro de três horas, ou seja, quase imediatamente, para impedir qualquer investigação ulterior sobre as circunstâncias de suas mortes.

O ponto limítrofe de tensão foi então alcançado, a impressão despertada pelo evento por toda Romênia, na qual os apoiadores de Codreanu chegavam aos milhões, é imensa, e o estado de sítio, que já estava em força por várias razões, foi ampliado para todo o reino, de modo que a situação romena aparece turva como o foi poucas vezes em sua história nacional. Nós afirmamos e enfatizamos que, a não ser que imaginemos que Codreanu tenha sido completamente desonesto - algo que qualquer um que já teve algum contato com ele mesmo que por questão de minutos, ou sentiu a fé, o entusiasmo e a profunda sinceridade com a qual todos os seus escritos estavam impresos, imediatamente descartará - é impossível acreditar que seu movimento era de qualquer maneira de natureza subversiva, ou que tinha objetivos de qualquer modo diferentes daquelas da reconstrução nacional e antissemita de tipo fascista ou nacional-socialista, respeitosa do princípio monárquico. E então? Nós podemos legitimamente imaginar sobre as forças que causaram, ou ao menos contribuíram para a tragédia da Guarda de Ferro. Quando Codreanu foi preso pela última vez, nós estávamos em Paris, e ouvimos os arroubos de alegria que acompanharam a publicação dessa notícia nos jornais antifascistas e judaico-socialistas. Nós não estamos indo longe demais se dissermos que, depois da Tchecoslováquia, em toda a Europa Oriental Central, a Romênia é a última área, rica em numerosos recursos, preciosa tanto do ponto de vista econômico e estratégico, que ainda está livre do jogo de "forças" obscuras operante nas "grandes democracias", na alta finança, no judaico-socialismo; e, para tais forças, buscar os interesses míopes de alguns indivíduos caminhando sobre corpos, mesmo dos corpos de jovens nobres e generosos, é apenas uma bagatela...

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