quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Entrevista com Richard Lynn

por Alex Kurtagic


O Professor Emérito de Psicologia Richard Lynn é uma referência-chave na literatura sobre bio-diversidade humana. Filho de um renomado botânico, o professor Lynn tornou-se conhecido nos últimos vinte anos por suas pesquisas envolvendo diferenças raciais na inteligência, algo que ele combinou com seu interesse pela personalidade e o desempenho econômico. Meu primeiro contato com seu trabalho foi em 2004, através de seu livro de 2011, Eugenics: A Reassessment [Eugenia: Uma Reavaliação]. Eu me correspondi com ele pela primeira vez em meados dos anos 2000, quando me esforçava para descobrir se havia algum plano para re-imprimir o aguardado acompanhante do volume acima mencionado, Dysgenics [Disgenia] (uma edição nova e atualizada -- algo que eu lhe sugeri posteriormente -- foi publicada há poucos meses atrás). Nesta longa entrevista, descobrimos mais sobre este estudioso de espírito independente, inclusive suas recordações da Grã-Bretanha de sua juventude, o início de sua carreira e seu desenvolvimento profissional. Também temos alguns raros vislumbres de sua vida diária e de sua personalidade.

O sr. nasceu em 1930, como cidadão do Império Britânico. Como o sr. se lembra da Grã-Bretanha de sua infância e o que mais o impressiona, num nível pessoal, quando o sr. a compara com a Grã-Bretanha que o sr. conhece hoje? Quais são alguns dos aspectos da vida diária que eram tidos como obviedades nos anos 30, mas seriam inconcebíveis hoje?

Três coisas me impressionam. Primeiro, houve um imenso incremento no padrão de vida. Até por volta de 1950, telefones, refrigeradores, automóveis e até rádios eram itens de luxo com os quais apenas os muito ricos podiam arcar. Hoje, quase todo mundo possui todas estas coisas, bem como ítens novos, como televisores, telefones celulares e computadores.


Segundo: também até por volta de 1950, a Grã-Bretanha era um lugar onde a lei era levada muito a sério. As taxas de criminalidade eram cerca de 10 por cento do que são hoje. Muitos carros não tinham fechadura porque tinha-se como óbvio que ninguém tentaria roubá-los. Um tio meu ganhava a vida como comerciante de selos. Ele enviava mostruários de selos, cada um dos quais com preço, para compradores em potencial, os quais ficavam com os que queriam e mandavam os mostruários de volta, junto com um cheque por aqueles com que tinham ficado. Não há dúvida de que seria surpreendente para a geração mais jovem de hoje que fosse possível gerir um negócio deste modo.

Terceiro: também até por volta de 1950, a Grã-Bretanha era uma sociedade totalmente branca. Não me lembro de alguma vez ter visto um não-europeu antes desta época. Isto começou a mudar como resultado de dois acontecimentos.

O primeiro foi o British Nationality Act [Lei Britânica de Nacionalidade] de 1948, que conferiu cidadania e o direito de viver na Grã-Bretanha a todos os membros da Comunidade Britânica e do Império. A Comunidade Britânica incluía a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e a África do Sul, enquanto o Império consistia do sub-continente indiano, cerca de um terço da África sub-saariana, Honk Kong, Malásia, a maior parte das ilhas do Caribe e vários territórios menores. Esta lei significava que quantidades imensas de não-europeus -- cerca de 800 milhões -- tinham o direito de viver e trabalhar na Grã-Bretanha. Curiosamente, as consequências desta lei não foram lá muito debatidas na Câmara dos Comuns. Enoch Powell, na época o novo Primeiro-Ministro, levantou a questão sobre se esta era uma medida sensata e Celement Atlee, o Primeiro-Ministro do governo trabalhista, garantiu que muito poucos súditos britânicos tirariam proveito desta oportunidade. Isto estava errado, claro. Umas poucas semanas depois de esta lei ser aprovada, o primeiro barco — o Windrush— com indianos ocidentais chegou à Grã-Bretanha. A ele se seguiram muitos mais.


O segundo acontecimento responsável pela transformação da Grã-Bretanha em uma sociedade multi-racial foi a adoção da Convenção de Genebra sobre o Status dos Refugiados, de 1951, que permitiu a entrada de um grande número de pessoas em busca de asilo. O resultado destes dois acontecimentos foi que o número de não-europeus (de todas as raças) vivendo na Grã-Bretanha registrados no censo de 1951 era de 138 000. Em 1971, este número tinha aumentado para 751,000 e no censo de 2001 tinha aumentado para 3,450,000. Estes imigrantes não-europeus estão quase que inteiramente nas cidades, em muitas das quais eles hoje constituem aproximadamente metade dos habitantes.

Os tradicionalistas têm uma tendência a romantizar o passado e imaginar que o homem de antigamente era incomparavelmente mais duro, esperto, articulado e independente. Há pesquisas que trazem evidências que apoiam até certo ponto esta visão (por exemplo, o próprio livro do sr., Dysgenics). Mesmo filmes como Scott of the Antarctic (1948) mostram os ingleses em uma classe totalmente diferente daquilo que podemos esperar hoje. Mas será que a visão romântica dos nostálgicos de hoje – muitos dos quais nasceram há apenas umas poucas décadas – realmente está de acordo com as próprias observações do sr. quando jovem? Os ingleses eram realmente assim tão mais durões? A disparidade entre, digamos, um jovem moderno de 25 anos e seus pares de antigamente é realmente tão visível quanto querem que acreditemos?

Os jovens modernos de 25 anos têm um QI mais alto, mas são menos honestos que seus pares de antigamente. Se são mais ou menos durões é difícil dizer.


Quando eu estava crescendo, o ano 2000 estava distante e parecia incrivelmente futurístico. Como o sr. imaginava o futuro durante sua juventude? E, quando ele finalmente chegou, como o ano 2000 diferiu do que o sr. tinha imaginado?

Eu nunca imaginei as mudanças que ocorreram e tampouco muitos outros.

Quais são os textos e autores fundamentais que mais o impactaram durante sua juventude?

Hereditary Genius, de Francis Galton, Cyril Burt and Ray Cattell, sobre o declínio da inteligência genotípica resultante da fertilidade disgênica, e a obra de Hans Eysenck sobre a personalidade.

No fim dos anos 60, o sistema escolar aberto foi introduzido na Grã-Bretanha. Escolas abertas não selecionam em termos de aptidão, o que significou que alunos com habilidades divergentes foram jogados de qualquer jeito nas salas de aula do país e mudaram a atmosfera dentro delas. Como era a atmosfera nas escolas que o sr. frequentou durante os anos 30 e 40? Quais eram seus vícios e virtudes? Que efeito o sr. acha que isto teve na população das escolas escolas abertas, tendo em mente que atualmente elas são frequentadas por 90% dos britânicos?


Eu fui para a grammar school de Bristol, que foi e é uma escola acadêmica de elite, então a atmosfera era acadêmica. As escolas abertas diferem muito, de acordo com onde elas estão e a que população elas servem. No campo, onde as pessoas são praticamente inteiramente indígenas e bastante disciplinadas, eu acho que as esolas abertas são boas. Nas cidades, com suas populações multi-raciais, elas não são tão boas. Há muitas escolas abertas nas quais poucos dos alunos falam o inglês como sua primeira língua, ou sequer o falam, então, isto torna difícil o ensino. As crianças negras, em particular, são um problema, por causa da alta prevalência de um comportamento indisciplinado, em resultado do qual elas são expulsas ou suspensas numa taxa de aproximadamente sete vezes a dos brancos e asiáticos. Há o mesmo problema nos Estados Unidos.

Muitos dos políticos e acadêmicos do establishment que se sentem incomodados por suas pesquisas hoje são um produto direto dos anos 60. Como o senhor via os que se envolveram nas agitações e na subcultura daquela época? O sr. conseguia, como Kevin MacDonald naquele tempo, identificar qual era a daquelas pessoas?

Eu me opus ao chamado movimento "progressista" na educação, que incluía a abolição das grammar schools e sua substituição por escolas abertas, a abolição da seleção por habilidades e assim por diante. Em 1969, Brian Cox, que era professor de Inglês na Universidade de Manchester, apresentou o primeiro dos quatro Relatórios Negros sobre a Educação. Eles eram um ataque contra a educação progressista, um corpo de idéias dos anos 50 e 60 destinadas a produzirem uma sociedade mais igualitária. Os objetivos de suas políticas incluíam o uso de métodos de descoberta ao invés do aprendizado da tabuada e das somas simples pela repetição, a substituição do aprendizado da leitura pela fonética pelo método da palavra inteira, a abolição da seleção por habilidades, o fim dos exames, o desprezo pela ortografia correta como sem importância e o fechamento das grammar schools e sua substituição pelas escolas abertas. Acreditava-se que todas estas coisas tinham até então favorecido as crianças de classe média e eram, portanto, injustas. No fim dos anos 60, muitos destes objetivos progressistas tinha sido alcançado em numerosas escolas. As crianças não se sentavam mais em fileiras de carteiras e ouviam o professor. As carteiras foram jogadas fora e substituídas por mesas ao redor das quais as crianças se sentam, fazendo o que querem.

Naturalmente, selecionar as crianças por habilidade, o tracking, como é conhecido nos Estados Unidos, era desaprovado pelos educadores progressistas, porque identificava algumas crianças como mais capazes do que outras. Em muitas escolas, isto foi totalmente abolido e os professores receberam a tarefa de ensinar crianças de todas as habilidades na mesma sala. Muitos diretores reconheceram que isto era na verdade impossível e criaram vários meios de lidar com o problema.

Mais tarde, em 1969, Cox e Dyson apresentaram um segundo Relatório Negro, para o qual Sir Cyril Burt, Hans Eysenck e eu contribuímos com artigos. Eu escrevi um artigo sobre inteligência e sustentei que o sucesso educacional é determinado principalmente pela inteligência e secundariamente pelos valores adquiridos na família, que a inteligência é amplamente determinada pela genética e que há diferenças de inteligência inatas nas classe sociais que garantiriam que as crianças das famílias de classe média sempre tenderiam a se se sair melhor em qualquer sistema. Eu sustentei que a agenda progressista reduziria os padrões educacionais para os mais capazes e citei os padrões muito mais baixos das escolas abertas americanas em comparação com as seletivas escolas secundárias européias como prova disto. Também sustentei que as grammar schools eram um meio valioso pelo qual as crianças da classe trabalhadora poderiam ascender na hierarquia social. Sir Cyril Burt e Hans Eysenck também contribuíram com artigos que sustentavam teses semelhantes.

Em 1970, Cox e Dyson apresentaram um terceiro Relatório Negro, para o qual eu contribuí com um artigo sobre os argumentos contra e a favor da seleção por habilidade e orientação por aptidão para matérias em particular. Eu revisei os estudos sobre seleção e concluí que ela aumenta os padrões educacionais para todas as crianças. O quarto e último Relatório Negro apareceu em 1977. Eu contribuí com um artigo sobre os méritos e problemas da competição. É um dos artigos de fé dos progressistas que a competição é indesejável e deve ser desencorajada. Eu argumentei que, pelo contrário, a competição é natural, é um motivador para as crianças e lhes apresenta a idéia de que o esforço é necessário para o sucesso e de que o sucesso é recompensador.

Olhando agora para estas disputas dos anos 60 e 70, eu acho que todas as teses que expus em minhas contribuições eram válidas. Perdemos a batalha para salvar as grammar schools, quase todas as quais foram fechadas durante os anos 70 por Margaret Thatcher e Shirley Williams e substituídas por escolas abertas. Mas isto não trouxe a igualdade social buscada pelos progressistas. A maioria dos pais de classe média reagiram mudando-se para áreas afluentes onde as escolas abertas têm padrões relativamente altos ou mandando os filhos para escolas particulares independentes. O efeito disto foi dividir a sociedade mais rigidamente do que antes ao longo de linhas de classes sociais. Vencemos a batalha contra os métodos de jogos e descobertas dos progressistas e no que diz respeito ao tracking e seleção e, no começo do século XX, praticamente todas as escolas abertas haviam adotado o tracking e seleção ou a orientação por habilidades para Matemática, Ciência e Línguas Estrangeiras. No começo do século XX, tornou-se consenso universal entre os especialistas que a inteligência é amplamente determinada geneticamente e isto se tornou amplamente aceito pelo público informado.

Seus trabalhos iniciais foram sobre personalidade. O que o interessou sobre a personalidade? O que o fez querer estudá-la em relação com o caráter e o empreendedorismo nacionais? Percebo que um interesse pelo empreendedorismo e desempenho econômico é recorrente mesmo em seus trabalhos mais recentes.

Eu achei as teorias de Hans Eysenck sobre a personalidade eletrizantes. Elas eram tentativas muito ambiciosas de integrar a teoria da personalidade com o condicionamento pavloviano, o Behaviourismo americano e a Neuropsicologia. Por volta de 1970, eu cheguei à conclusão de que as teorias da personalidade de Hans Eysenck eram excessivamente ambiciosas e ele chegou à mesma conclusão por volta da mesma época.

Eu comecei a tratar da relação entre personalidade e caráter nacional porque em 1967 assumi um cargo no Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais de Dublin. A tarefa era trabalhar com problemas econômicos e sociais na Irlanda, então eu dei uma olhada nas características demográficas e epidemiológicas da Irlanda para ver se eu poderia encontrar problemas com que pudesse lidar. A primeira coisa que percebi foi que os irlandeses têm uma taxa excepcionalmente alta de psicoses. Eu sabia, por meu trabalho anterior sobre a ansiedade, que a ansiedade é baixa em psicóticos crônicos hospitalizados, consistindo sobretudo naqueles com esquizofrenia simples e depressão retardada. Eu me perguntei se um baixo nível de ansiedade na população poderia explicar a elevada taxa de piscose e olhei os outros dados que puderiam corroborar a teoria. Descobri que os irlandeses tinham uma taxa excepcionalmente alta de consumo calórico per capita entre todas os países, o que também é uma função de um baixo nível de ansiedade. O próximo passo foi verificar se havia uma associação entre a taxa de psicose e o consumo de calorias entre os países, então eu chequei isto examinando-os nos 18 países economicamente desenvolvidos para os quais há estatísticas confiáveis. Descobri que a correlação era de 0.58. Achei que este era um começo promissor, então comecei a procurar por outros fenômenos que pudessem dar maior substância à teoria. Olhei as taxas de suicídio. Estes são funções da elevada ansiedade, então, se os irlandeses tivessem um baixo nível de ansiedade, eles deveriam ter uma baixa taxa de suicídios. Descobri que a taxa de suicídio na Irlanda era extremamente baixa, e de novo chequei se o suicídio estava associado, entre os países, com minhas outras duas variáveis. De novo, descobri que estava. A taxa de correlação da psicose era de -0.50 e, com o consumo de calorias, era de -0.26.

Até aí, tudo parecia se encaixar na teoria, mas então esbarrei num problema. Uma variável óbvia para se olhar era o consumo de álcool e o alcoolismo. O álcool é um reconhecido redutor da ansiedade, então, em um país de ansiedade supostamente baixa como a Irlanda, as pessoas não deveriam beber muito álcool e não deveria haver muitos alcoólatras. E no entanto, afirmava-se em geral que os irlandeses tinham sérios problemas de alcoolismo. Eu chequei os fatos sobre o consumo de álcool e o alcoolismo na Irlanda. Descobri que o consumo per capita de álcool era baixo na Irlanda e que o alcoolismo medido por taxas de mortalidade devido a cirrose hepática (o índice usual para o alcoolismo) também era baixo. Então, acrescentei estes dados às variáveis para a medida de ansiedade nacional e descobri que se encaixavam bem. Por exemplo, a correlação entre as taxas nacionais de mortalidade devido à cirrose hepática e a taxa de psicose era de -0.49.

Em seguida, descobri quatro variáveis que se encaixavam na teoria. Eram elas as taxas de mortalidade por acidentes de trânsito como um índice de alta ansiedade, as taxas de mortalidade por doenças das coronárias e consumo de cafeína e cigarros como índices de baixa ansiedade. Todas elas se encaixavam na teoria. Analisei em temos fatoriais as inter-correlações e descobri um fator geral que explicava cerca de 50% da variação. Eu identifiquei este fator geral como ansiedade.

O passo final foi tratar as nações como se fossem indivíduos e usar os dados para dar a elas notas, de acordo com o fator de ansiedade. O resultado foi que a Irlanda apareceu como um país com o menor nível de ansiedade. Aí eu olhei os outros países para ver se havia um padrão geral. Era evidente que os países do norte da Europa tinham baixos padrões de ansiedade, enquanto que os países do sul da Europa e o Japão se destacavam como os países de alta ansiedade. Era impossível evitar a conclusão de que há diferenças genéticas na ansiedade entre as sub-raças do norte e do sul da Europa e entre o Japão e os europeus. Esta foi minha primeira incursão no campo espinhoso das diferenças raciais.

Com relação ao empreendedorismo, eu tenho um interesse de longa data em fatores psicológicos que contribuem para o crescimento econômico e um importante fator para isto é uma forte cultura empresarial.

Qual seu livro favorito daquela fase e por quê?


The Dynamics of Anxiety and Hysteria, de Hans Eysenck (1957), seu mais ambiciosos livro, o qual, como eu notei, tentava integrar a teoria da personalidade com o condicionamento pavloviano, o Behaviourismo americano e a Neurofisiologia. Hans Eysenck gostava de formular teorias grandiosas e eu tenho o mesmo gosto.

Como o advento do micro-computador e então da Internet mudaram o modo como o sr. escreve e pesquisa? Como era, em comparação, conduzir pesquisas científicas e escrever monografias com a extensão de livros nos anos 60 e 70? Tenha em mente que o britânico médio mal se lembra de como era o Windows 3.1, então, algumas cores pitorescas seriam desejáveis.

O micro-computador e a internet tornaram a pesquisa e a escrita muito mais fáceis. Antes deles, escrevíamos artigos e livros à mão e uma secretária os digitava. Inevitavelmente, ela cometia erros, então era preciso ler com cuidado todo o texto digitado para detectá-los e mandar a página ser re-digitada. Às vezes, novos erros apareciam na segunda digitação e a página tinha que ser novamente digitada. Tudo isto era muito incômodo e consumia muito tempo.

O sr. descobriu o QI sul-asiático oriental médio mais alto em 1977 [N. do T: deve haver um erro do entrevistador neste trecho: ele deve estar se referindo ao QI NORTE-asiático] – r sultados provisórios que foram posteriormente confirmados e que parecem ter definido sua carreira posteriormente. Como seu livro de 1988 sobre o Japão foi recebido na época?

Trata-se de Educational Achievement in Japan [Sucesso Acadêmico no Japão] e era sobre o sistema educacional japonês e como explicar os padrões muito altos, em comparação com os da Europa e Estados Unidos. Ele concluía que os principais fatores eram o QI mais alto dos japoneses, a forte motivação resultante de exames competitivos, a escolha do currículo pelo governo e o ano escolar mais longo. Ele foi quase sempre bastante bem avaliado, embora alguns resenhistas tenham ficado insatisfeitos com minha conclusão de que exames competitivos geram uma forte motivação para que se trabalhe duro pelo sucesso acadêmico.


Desde então, e especificamente dos anos 90 em diante, suas pesquisas se tornaram cada vez mais destemidas em lidar com temas que são inconvenientes para nossa atual safra de acadêmicos, midiocratas e políticos. Desde os anos 90, parece que de poucos em poucos anos a imprensa explode em indignação com alguma descoberta do professor Richard Lynn. O que acontece nestes dias em que a imprensa faz um zum-zum-zum sobre suas pesquisas?

Inevitavelmente, fiz muitos inimigos, mas não posso dizer que isto me incomode. William Hamilton, em sua resenha sobre meu Dysgenics, disse que eu devo ter o queixo bem duro e eu suponho que ele está correto em relação a isto.


Escrevendo para o Daily Telegraph, Steve Jones referiu-se ao sr. e a J. Philippe Rushton como 'ultrapassados', sugerindo que perspectiva do sr. pertence aos velhos dias ruins e a dele à moderna Grã-Bretanha progressista. No entanto, Jones tem 67 anos, tendo nascido durante a Segunda Guerra, e Rushton, que parece muito mais jovem, é só quatro meses mais velho. E mais, me parece que, dadas as crescentes evidências da genética, a perspectiva do sr. e de Rushton representa o futuro e a de Jones o passado. Pior: um outro proponente da igualdade, Richard Nisbett, que também apareceu no programa sobre Raça e QI do Channel 4 em que o sr. e Rushton apareceram em 2009, confia, segundo ele mesmo admite, em dados coletados nos anos 30(!) Quando eu trouxe à sua atenção a última pesquisa do sr. sobre raça, QI e cor da pele, Nisbett disse que não precisava lê-la. Quais suas impressões sobre o comportamento extraordinário exibido por estes cavalheiros?

Eu hesitaria em dizer que Steve Jones e Richard Nisbett são desonestos. Para lhes dar o benefício da dúvida, acho que eles têm fortes compromissos ideológicos que lhes impedem de ver a verdade.


Durante os últimos 15 anos, o sr. escreveu numerosos aritgos de pesquisa, nada menos do que 7 livros científicos e ainda encontrou tempo para dar entrevistas à televisão e à imprensa e falar em conferências no exterior. Isto demonstra um nível prodigioso de energia, mesmo para um homem da sua idade. Em face de tamanha produção, há dez anos eu imagino que o sr. passe cada minuto de vigília na frente do computador, um tornado humano de dados sendo analisados. Dê-nos um vislumbre de um dia típico para o professor Richard Lynn.

Eu normalmente começo a trabalhar por volta das 9 da manhã e trabalho até 1 da tarde. Então, faço um leve almoço, durante o qual eu ouço as notícias. Faço uma sesta entre cerca de 2:15 até 3:30. Então, tomo uma xícara de chá e trabalho de cerca de 4:15 até cerca de 7:30. Então, eu me junto a minha mulher, leio o jornal, às vezes assisto um pouco de TV ou leio um pouco. Dois dias por semana eu e minha mulher jogamos bridge no Bristol Bridge Club. O bridge requer uma boa memória e também a capacidade de inferência lógica e percebo que elas não se deterioraram, então o temível Alzheimer parece não ter atacado – ainda.


Do que o sr. mais gosta na vida diária no começo do século XX e o que o sr. acha mais frustrante?

Sou profundamente pessimista em relação ao futuro dos povos europeus, porque a imigração em massa do Terceiro Mundo levará estes recém-chegados a se tornarem maiorias nos Estados Unidos e na Europa Ocidental no presente século. Eu acho que isto significará a destrição da civilização européia nestes países. Acho que os cenários são apenas levemente melhores para o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia. A civilização européia pode sobreviver na Europa Oridental, incluindo a Rússia. Entretanto, a Europa Oriental não será páreo para a China. Com a introdução de uma economia de mercado, ela tem se desenvolvido rapidamente durante as últimas décadas e estima-se que ultrapasse os Estados Unidos para se tornar a maior economia do mundo em aproximadamente 10 anos e já em 20 anos o PIB chinês estará a caminho de ser o dobro dos Estados Unidos. Com seu QI médio de 105, sua poderosa economia e sua grande população de cerca de 1.3 bilhões, parece intevitável que a China se tornará a super-potência mundial em algum ponto deste século e provavelmente mais cedo do que mais tarde. Sou profundamente grato à existência dos japoneses, chineses e coreanos. A tocha da civilização passará para eles.

Seu estilo literário resume minha concepção de prosa científica: fria o bastante para congelar o hélio. E no entanto, Eugenics: A Reassessment, destaca-se de todos os outros livros no sentido de que foi escrito no estilo mais frio que se possa imaginar; se Spock tivesse sido um andróide, ele teria escrito desse jeito. Esta foi uma decisão consciente? Eu sei que os autores de The Bell Curve, por exemplo, se preocupavam com uma reação hostil a um tema controverso.

Sim, eu tento manter minha escrita tão fria e desapaixonada quanto possível. Eu acho que o falecido Stephen Jay Gould é um bom exemplo do oposto que é melhor evitar.

Muitos se sentem perturbados com a disparidade entre os padrões de vida entre os países desenvolvidos e a África sub-saariana e programas de desenvolvimento visam reduzir esta disparidade. Os esquerdistas põe parte da culpa pela performance econômica ruim da África em uma onda temporária de imperialismo europeu que terminou há meio século atrás. No entanto, eu sustentaria que os programas de desenvolvimento são uma forma de imperialismo europeu, já que uma sociedade é considerada desenvolvida na medida em que ela converge para o modelo europeu. Além disto, eu sustentaria que os povos da Áfria sub-saariana não deveriam ser de modo algum forçados a se 'desenvolverem'. Quais suas opiniões sobre o assunto? A África sub-saariana deveria ser desenvolvida ou deveríamos nos limitar a administrar um processo de desindustrialização? Ou há razões, dados os imensos depósitos minerais da África, para alguma forma de colonialismo?

Tatu Vanhanen e eu discutimos o problema da África sub-saariana em nossos livros IQ and the Wealth of the Nations [QI e a Riqueza das Nações] (2002) e IQ and Global Inequality [QI e Desigualdade Global] (2006). Somos pessimistas em relação a seu futuro e duvidamos que algum dia se desenvolverá econômica e culturalmente, porque acreditamos que seu baixo QI é amplamente determinado geneticamente e inalterável.

O seu último livro foi recentemente publicado e aborda a inteligência judaica. Fale-nos sobre este novo livro.

É o The Chosen People: A Study of Jewish Intelligence and Achievement [O Povo Eleito: Um Estudo da Inteligência Judaica e suas Realizações]. Ele resume as evidências de que os judeus ashkenazi (europeus) tem elevada renda média, sucesso educacional, saúde, status sócio-econômico e realizações intelectuais em todos os países onde estão ou estiveram presentes em números significativos e sustenta que uma grande parte da explicação para isto é que os judeus têm um elevado QI médio, que eu estimo em 110, com base em estudos na Grã-Bretanha, Canadá, Israel, Polônia, e Estados Unidos. Eu atribuo parte da explicação para o elevado QI judaico como sendo devido a práticas eugênicas, mas outros fatores estão envolvidos, e mais visivelmente a perseguição aos judeus, que extirpou os menos inteligentes.

Há mais livros em curso, ou ao menos sendo considerados?

Uma Segunda Edição Revista de Disgenia foi publicada em 1 de junho de 2011. Ela atualiza as evidências de fertilidade disgênica em países economicamente desenvolvidos e contem dois capítulos novos. O primeiro deles documenta o declínio do QI mundial resultante da elevada fertilidade das populações com um baixo QI em todo o mundo, em comparação com a baixa taxa de fertilidade em populações com um elevado QI. O segundo se ocupa dos efeitos da imigração sobre a inteligência das populações dos Estados Unidios e da Europa Ocidental, no qual eu sustento que a maioria destes imigrantes tem QIs inferiores ao das populações anfitriãs e que, portanto, à medida que suas porcentagens nas populações anfitriãs aumentarem, o QI das populações inevitavelmente declinará.

Por fim, como o sr. gostaria de ser lembrado daqui a 100 anos?

Mais ou menos do mesmo modo que Thomas Malthus, que foi enterrado na Abadia de Bath, em 1834, há cerca de 15 milhas de onde escrevo isto. Malthus ficou famoso com sua teoria de que os padrões de vida nunca poderiam subir, porque, quando isto começasse a acontecer, as populações cresceriam e consumiriam o excesso de produção, reduzindo a população a seu nível anterior de pobreza. É claro que ele estava errado sobre tudo isto. Ainda assim, foi uma boa teoria. Seu epitáfio na Abadia de Bath diz o seguinte:

Thomas Malthus foi um dos melhores homens e mais honestos filósofos de qualquer época ou país, criado pela dignidade espiritual nativa acima dos equívocos dos ignorantes e da negligência dos grandes. Ele viveu uma vida serena e feliz, devotada à busca e comunicação da verdade, amparado por uma calma porém firme convicção da utilidade de seus trabalhos, satisfeito com a aprovação dos sábios e bons. Seus escritos serão um monumento duradouro à extensão e exatidão de seu entendimento. A integridade imaculada de seus princípios, a equidade e candura de sua natureza, sua doçura de temperamento, urbanidade de maneiras, ternura de coração e sua benevolência são as recordações de sua família e amigos.
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Tradução: DEXTRA

Fonte: Wermod & Wermod
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[Fim da entrevista]

O primeiro dos comentários à entrevista de Lynn me chamou a atenção:

rickj2

Sim, os asiáticos orientais têm um QI médio mais alto que os de ascendência européia (105 vs. 100). Já escrevi que isto não é importante para o progresso de uma civilização. O que é fundamental e determinante é o número de indivíduos na categoria de "gênio". E o Ocidente tem uma variabilidade muito maior de QI contida em seu pool populacional do que qualquer outro grupo. A Curva do Sino leste-asiático exibe um gráfico mais compacto, porém mais estreito, enquanto que a dos ocidentais é mais amplo. Isto siginfica que, embora tenhamos muito mais idiotas, também temos muito mais gênios, tanto em termos absolutos quanto relativos. Para o progresso da espécie, a humanidade PRECISA do Ocidente.

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