domingo, 23 de outubro de 2011

Declínio e Queda de Muammar el-Qaddafi

por Greg Johnson

O Coronel Muammar el-Qaddafi governou a Líbia por 42 anos. Ele chegou ao poder em um golpe militar contra o rei líbio Idris, que era basicamente o sátrapa do capital internacional, garantindo que a exploração dos recursos petrolíferos do país beneficiasse companhias estrangeiras e a si mesmo, mas não o povo líbio.

Qaddafi obrigou as companhias de petróleo a partilhar sua riqueza com o povo líbio. Ele financiou escolas, clínicas e infraestrutura. Alfabetização, saúde e expectativa de vida dispararam. Mas ele não queria que os líbios tornassem-se preguiçosos e corruptos como os cidadãos dos ricos Estados do Golfo Persa. Ele constantemente lembrou os líbios de que o petróleo acabaria um dia e que eles teriam que trabalhar para tornarem-se autosuficientes.



Qaddafi parece doido para a maioria dos ocidentais, mas sua filosofia e prática políticas foram, na verdade, bastante consistentes: ele rejeitava a modernidade homogeneizadora. Ele via tanto o capitalismo e o comunismo como essencialmente a mesma coisa em seu materialismo, globalismo, e nivelamento. Ele advocava uma terceira via na qual formas tradicionais de vida, que são inerradicavelmente plurais e particulares, poderiam seletivamente abraçar a modernidade. Ele financiou grupos de liberação nacional tais como o PLO e o IRA. Ele apoiava movimentos antiglobalização e líderes como Hugo Chavez. Ele gostava de botar o dedo na cara dos Estados Unidos. Após a queda da URSS, ele fez tudo que podia para frustrar a emergência de uma pax Americana completamente unipolar. Ele era tão nacionalista quanto qualquer líder poderia ser quando amarrado a uma religião universalista.

Qaddafi cometeu muitos crimes. Ele permitiu-se muitas tolices. Ele tinha péssimo gosto.

Mas talvez a Líbia estivesse em paz e não em ruínas, e talvez Qaddafi estivesse vivo e liderando hoje, se ele não tivesse cometido um único erro fatal: ele decidiu brincar de adoletá com os EUA. Após 11 de Setembro, ele partilhou informações sobre a Al Qaeda com os Estados Unidos. Ele concordou em abandonar as pesquisas de armas nucleares, apesar de uma dissuasão nuclear ser o único modo de um país manter sua independência no mundo de hoje. Ele torturou muçulmanos no lugar dos Estados Unidos e do Reino Unido para que eles pudessem, com típica hipocrisia anglo-talmúdica, manter suas pretensões de legalidade.



Ele referia-se a Condoleeza Rice como "Leeza, Leeza, Leeza", e jurou que "amava-a" como se ele fosse um cabelereiro deslumbrado, e não um Chefe de Estado sério. Talvez ele estivesse ensaiando para o Inside Edition. Até onde eu sei, ele nunca foi apresentador do Saturday Night Live ou apareceu na Oprah.

Ao longo da maior parte de seu governo, Qaddafi foi tanto amado quanto temido. Ele foi amado porque ele melhorou o bem-estar de seu povo e por causa de seu carisma cada vez mais excêntrico. Ele foi temido porque ele era duro com seus inimigos. Mas pode-se continuar no poder enquanto temido. Na verdade, isso ajuda. Não pode-se, porém, governar quando é-se desprezado. E ao curvar-se à América, Qaddafi fez de si mesmo desprezível aos olhos do povo.

Tornar-se uma prostituta dos EUA poderia ter compensando Qaddafi pela perda da estima de seu povo se tivesse garantido-lhe um amigo fiel e estável aliado. Mas a América é incapaz desse tipo de amizade. Todas as alianças são, obviamente, condicionais em servir ao interesse de todas as partes. Mas a América é dada a crises infantis de entusiasmo moralista que ignoram considerações dos interesses nacionais. Os líderes americanos realmente acreditam nas próprias baboseiras.



Então quando o mundo árabe estava todo em polvorosa a respeito de "democracia" e "mudança" e derrubar "ditadores", todos os cálculos de interesse nacional, todo realismo sobre perspectivas de democracia nos países árabes, até mesmo o supremo bem (ou seja, os interesses de Israel) foram arremessados pela janela. Qaddafi tinha que ir, sob uma barragem de pietismos liberais e bombas.

Eu não sei se Qaddafi chegou a arrepender-se de sua abertura ao "Ocidente", mas seu desafio até o fim quase redimiu-o aos meus olhos.

As lições devem ser claras para os outros governantes árabes que estão sendo alvejados pelas mesmas forças: pode-se ser temido e odiado, mas não pode-se nunca arriscar a tornar-se desprezível aos olhos do próprio povo buscando a amizado dos Estados Unidos. Os Estados Unidos, ademais, são um amigo volúvel e inútil, indigno de trair o próprio povo para ser cortejado. O único caminho para a segurança no mundo é o da Coréia do Norte e do Irã. Uma dissuasão nuclear é a única garantia de soberania que resta nesse planeta.

Fonte: http://www.counter-currents.com/2011/10/the-decline-and-fall-of-muammar-el-qaddafi/

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