quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A Causa dos Povos?

por Guillaume Faye


A “cause des peuples” é um slogan ambíguo. Foi inicialmente concebido em um espírito politeísta para defender a heterogeneidade etno-cultural. Mas, desde então, foi reclamado por ideologias igualitárias e dos direitos humanos que, enquanto exaltando uma utopia, uma ordem mundial da cor do arco-íris, visa culpar aos Europeus por terem “vitimizado” o Terceiro Mundo.

A Falha de uma Estratégia

Quando identitários [do tipo GRECE] tomaram a “cause des peuples”, no inicio dos anos 1980, foi em nome do etno-pluralismo. Esta “causa”, contudo, não era mais que uma estratégia retórica para justificar o direito dos povos Europeus a reter sua própria identidade face a um sistema mundial que buscava tornar todos Americanos. Por resistir às forças de desculturação, era esperado que os Europeus, da mesma forma que os povos do Terceiro Mundo, preservariam o direito à suas diferenças – e fazendo isso sem ter de sofrer a acusação de racismo. Assim, o slogan assumia que todos os povos, até o Branco, possuíam tal direito. Mas tão logo este argumento foi feito, o cosmopolita P.A. Taguieff [comentarista acadêmico da extrema Direita] começou a referir-se a ele como um “racismo diferencialista”.

Em retrospecto, a estratégia da Nova Direita parece completamente artificial, pois “la cause des peuples”, “la droit à la différence” e o “etno-pluralismo” foram, desde então, voltados contra os identitários. Além disso, é irrelevante à presente condição da Europa, da forma ameaçada como se encontra, por uma massiva invasão não-Européia e por um Islã conquistador e cúmplice de nossas elites etno-masoquistas.

Recuperado pela ideologia dominante e voltado contra os identitários e tangencial em relação às atuais preocupações, a estratégia etno-pluralista do GRECE é um desastre metapolítico. Ela também retem algo do antigo preconceito Marxista e Cristão-Esquerdista sobre a “exploração” Européia do Terceiro Mundo. Como Bernard Lugan [Africanista Francês] mostra a respeito da África Negra, este preconceito é baseado em pouco mais do que uma ignorância econômica. A “cause des peuples” é, todavia, associada a um tipo de altruísmo Cristão, que demoniza nossa civilização, acusando-a de ter destruído todas as outras, e faz isso ao mesmo tempo em que estas outras estão se preparando ativamente para a destruição de nossa própria civilização.

O “direito à diferença”... Que direito? Já não tivemos choradeira Kantiana o suficiente? Existe somente a capacidade de ser diferente. No processo seletivo da História e da Vida, todos têm de fazê-lo por si próprios. Não há protetores benevolentes. Este direito, além disso, é reservado a todos, exceto aos Europeus, que estão convocados a descartar sua própria identidade biológica e cultural.

Este slogan representa outro perigo: ameaça degenerar-se em uma doutrina – um comunitarismo étnico –, sancionando a existência de enclaves não-Europeus em nossas próprias terras. Pois, na Europa isto prevê comunidades de estrangeiros, particularmente de Muçulmanos, que irão, por óbvias razões demográficas, desempenhar um papel cada vez maior em nossas vidas. Esta afronta a nossa identidade é acompanhada por argumentos sofísticos que ridicularizam a “fantasia” de uma reconquista. Neste espírito, nos é dito precisamos contentar-nos [com uma Europa multirracial]. Mas eu, por mim, recuso em contentar-me. Não estou preparado para a retirada ante um alegado determinismo histórico.

A Vida é uma Luta Perpétua

A “cause des peuples” tornou-se agora parte da vulgata dos “direitos humanos”. Por contraste, a tese neo-Darwinista de conflito e competição, que assume o fato de que somente o mais apto sobrevive, parece aos corações sangrantes de nossos comunitaristas como um vestígio de barbarismo – mesmo que este vestígio corresponda com as leis orgânicas da vida. Esta tese, contudo, por reconhecer as forças de seleção e competição, é a única capaz de garantir a diversidade das diversas formas da vida.

A “cause des peuples” é coletivista, homogeneizadora e igualitária, enquanto o “combate dos povos” é subjetivista e heterogêneo, conformando-se com as propriedades entrópicas da vida. Neste sentido, somente o nacionalismo e as vontades de potência conflituosas são capazes de sustentar a vida, afirmando o principio da subjetividade. Dada sua suposição igualitária de que todo povo tem o “direito de viver”, a “cause des peuples” prefere ignorar as realidades históricas óbvias, em troca de um objetivismo que procura transformar os povos do mundo em objetos adequados para a exibição em um museu. Assim, implica na equivalência de todos os povos e civilizações.

Este tipo de igualitarismo toma para si duas formas básicas: uma é expressa no conceito homogeneizador, porém metissé, do que significa ser humano (a “raça humana”), enquanto a outra esforça-se para preservar os povos e culturas da mesma forma que faria um curador. Ambas recusam a aceitar que os povos e civilizações são qualitativamente diferentes. Por isto existe a idéia absurda de que alguém têm de salvar os povos e civilizações ameaçados (ao menos se estas forem do Terceiro Mundo) da mesma forma que faria para salvar uma foca ameaçada. O processo turbulento de seleção histórica não possui, contudo, lugar para a preservação – somente para subjetividades competidoras. Em seu tribunal, doutrinas salvacionistas são simplesmente inadmissíveis.

A “cause des peuples” também assume uma subjacente solidariedade entre os povos Europeus com os do Terceiro Mundo. Novamente, isto não é nada além de uma construção ideológica dúbia, que os Grecistas inventaram no começo dos anos Oitenta para evitar a acusação de racismo. Não tenho espaço aqui para refutar o mito da “exploração” do Terceiro Mundo. Contudo, para explicar os infortúnios de forma crua, em termos neo-Marxistas, como se fossem devidos às maquinações do FMI, da Trilateral, do grupo Bilderberg, ou de algum outro Belzebu, é algo dificilmente digno de uma resposta.

De acordo com a mídia ou os especiaistas acadêmicos, a "cultura do outro" está agora sob cerco na França – embora a "Afromania" esteja raivosa. Por outro lado, penso que não é exagero dizer que as influências desculturalizantes da América não mais ameaçam a Europa, pois seus perigos foram ultrapassados por outros.

A Europa Primeiro!

Respeito que algumas vezes o destino afligiu os Innuits, Tibetanos, Amazonianos, Pigmeus, Kanaks, Aborigenes, Bérberes, Saarianos, Indianos, Núbios, os inevitáveis Palestinos e os pequenos homens verdes do espaço exterior. Mas não espere de mim lágrimas de crocodilo. Quando a enchente ameaça minha própria casa, posso apenas pensar em meus próprios problemas e não tenho tempo de ajudar ou chorar pelos outros. Além disso, quando é que estes outros sequer se importaram com nós? De qualquer forma, os perigos que os ameaçam são grandemente exagerados, especialmente tendo em vista seu vigor demografico que, incidentalmente, deve-se à medicina e à ajuda material Ocidental – pois as mesmas forças Ocidentais que alegadamente as exploraram, aparentemente também as fizeram prosperas (ou, ao menos, para repruduzirem-se em números sem precedentes).

Se nossos comunitaristas querem realmente defender a "cause des peuples", eles poderiam começar com os Europeus que , no momento, sob assalto pelas forças demográficas, migratórias e culturais de um Terceiro Mundo superpovoado. Em face a estas ameaças você não nos encontrará choramingando (como um padre) ou fugindo (como um intelectual) para a causa do "outro". "Nós mesmos, sozinhos" seremos o suficiente.

Terre et Peuple, no. 18, Solsticio de Inverno de 2003.
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Nota: A idéia da "causa dos povos" é associada primariamente com Alain de Benoist. É uma tentativa de fundir o etno-nacionalismo Europeu com um tipo de universalismo liberal, afirmando que os etno-nacionalistas não estão meramente lutando por sua própria causa, mas pela causa de todos os povos, que tem o direito de preservarem sua distinção - que eles não estão meramente defendendo seus próprios direitos de auto-preservação étnica, mas também pelos direitos iguais de todas as outras nações fazerem o mesmo.

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