sábado, 27 de agosto de 2011

Lawrence Auster - Minhas Opiniões Sobre Raça e Inteligência

por Lawrence Auster


ÍNDICE

I. Introdução: Minhas Opiniões sobre Raça e Inteligência

II. A evolução das opiniões de um indivíduo sobre as diferenças raciais na inteligência

III. QI e Inteligência

IV. Diferenças no Estilo de Pensamento

V. A “Ilusão de Ótica”

VI. Resumindo

VII. Apêndice: Carta de Lawrence Auster a Charles Murray, co-autor de The Bell Curve.

I. Introdução: Minhas opiniões sobre raça e inteligência

A questão da raça e inteligência tem surgido de tempos em tempos na VFR, então achei que nossos leitores poderiam se interessar por este rascunho até aqui inédito, escrito em 1995, no qual eu recapitulo o desenvolvimento, até aquela época, de minhas próprias idéias sobre este assunto de vital importância. Espero que o documento seja lido com o mesmo espírito experimental com que eu o escrevi. A pior coisa da atual situação racial é o silenciamento de uma discussão necessária e, mesmo se minhas idéias estiverem erradas ou exageradas em alguns pontos, deve-se começar por algum lugar.

II. A evolução das opiniões de um indivíduo sobre as diferenças raciais na inteligência - Lawrence Auster Fevereiro de 1995

Com a publicação de The Bell Curve [A Curva do Sino], vemos o fenômeno fascinante de jornalistas da imprensa mainstream e intelectuais lutando, a maioria deles pela primeira vez, com os fatos desagradáveis sobre as diferenças racias na inteligência. Embora este seja um evento histórico, também pode parecer bastante desanimador. Exceto pelos autores que demonizam os co-autores do livro, Charles Murray e Richard Herrnstein, o que era de se esperar, mesmo aqueles esquerdistas e conservadores mais ponderados que admitem (de má-vontade) o assunto da raça e inteligência no debate o cercam com tantas ressalvas que o tornam quase que insignificante. Assim, William Buckley reconheceu a realidade da diferença racial de QI, mas então citou Murray e Herrnstein dizendo que ela não era importante. Scott McConnell, do New York Post, disse que o QI pode ser mudado. Jacob Weisberg, da revista New York, um esquerdista realmente osso-duro de roer, colocou ainda mais cercas, evasivas e saídas de emergência em torno do assunto. Infelizmente, Murray e Herrnstein já haviam preparado o palco para este tratamento intelectualmente não-sério de seu trabalho, ao minimizarem a idéia de diferenças raciais ao mesmo tempo em que a promoviam. Murray, em suas várias aparições na televisão, tem sido estarrecedoramente evasivo a respeito do verdadeiro conteúdo e significado de suas idéias. (Eis aqui uma carta que escrevi a Murray sobre isto [anexo]).

Por mais desanimador que isto seja, precisamos reconhecer que esta é uma etapa natural e previsível no desenrolar das reflexões, que vai levar algum tempo para chegar à clareza. Isto não acontece de uma vez, mas atravessa necessariamente vários estágios. Isto porque a questão da raça e inteligência não consiste, como muitas pessoas parecem imaginar, em uma só idéia, ela consiste em uma constelação de idéias, que devem ser apreendidas uma de cada vez, até que o panorama mais amplo surja à vista. Para ilustrar isto, eu gostaria de contar a história do envolvimento de um não-especialista – a saber, eu mesmo – com estas idéias. A experiência por que passei pode ser comparada a olhar o mundo através de lentes levemente desfocadas, e aí ir ajustando lentamente o foco, até que o que estava embaçado ficasse claro. Ou é como algo no fundo do campo visual de alguém lentamente se movendo para o primeiro plano.

Neste processo, as racionalizações e evasivas se esvaem, às vezes gradualmente, às vezes através de insights surpreendentes que revolucionam todo o modo de pensar do indivíduo. Ao falar de minhas próprias experiências com estas idéias, à medida em que elas me vieram uma a uma, eu posso talvez oferecer ao leitor uma abordagem mais abrangente, mesmo que não-sistemática, para a compreensão deste assunto.

III. QI e Inteligência

Em meados dos anos 80, a revista New York exibiu uma matéria de capa sobre as tensões crescentes entre os negros e os judeus. O artigo apresentava números sobre as notas dos negros no SAT que eram absolutamente chocantes, por exemplo, que nos Estados Unidos inteiros, só cerca de 100 negros em qualquer ano escolar dado faziam mais de 700 pontos nos testes verbais do SAT. O que isto significava para mim era que o número de negros no topo das capacidades acadêmicas era praticamente inexistente. Então, não era mais de se surpreender que houvesse tão poucos negros nas profissões intelectuais.

Entretanto, neste momento, não tirei quaisquer conclusões mais profundas disto com relação à inteligência negra. Os dados para mim não sugeriam que as notas no SAT se relacionassem com algo que eu chamasse de "inteligência" ou que tais diferenças fossem permanentes, mas só que, como os negros estavam naquele nível, era irrealista esperar igualdade proporcional em todas as profissões, e em particular havia esta ausência chocante de negros nos níveis mais altos da capacidade lógica e verbal.

Em 1990, conheci Michael Levin quando ele era anfitrião de um encontro da National Association of Scholars em seu apartamento em Manhattan, por volta da época em que ele estava recebendo os primeiros ataques por suas declarações sobre a inteligência negra. Adquiri uma cópia do polêmico artigo do professor Levin no periódico trimestral australiano Proceedings, que continha a frase “O negro médio é significativamente menos inteligente do que o branco médio”. Após lê-lo e também ouvi-lo sendo entrevistado em um programa de rádio, escrevi uma carta para ele, na qual, talvez contraditoriamente, expressei tanto admiração por sua coragem quanto receio de que ele estivesse sendo seco demais; mais especificamente, sugeri que, ao invés de dizer que “os negros são na média menos inteligentes”, ele poderia dizer que “os negros são, na média, menos capazes nas habilidades intelectuais medidas nos testes de QI” – uma terminologia que, sustentei eu, seria mais precisa e menos rebaixante para os negros.

Ao mesmo tempo, entretanto, admiti a Levin que uma linguagem seca poderia ser o único meio de se chegar a estas idéias proibidas. A experiência em anos posteriores provou que o correto era isto. Comecei a achar que Levin, ao afirmar a verdade proibida num inglês simples, ao invés de em termos técnicos ou eufemismos, fora um pioneiro. A razão para isto é que sem aquela aterrorizante palavra, “inteligência”, como em “os negros são na média menos inteligentes do que os brancos”, a difícil verdade desta matéria não entra em nossas mentes. Nós sempre podemos fugir da verdade, imaginando que o que está em questão é algo secundário, como “a capacidade de se fazer testes”.

Aí havia a questão sobre se os testes de QI medem algo de real. Embora isto seja amplamente demonstrado na literatura e eu não queira entrar muito nisto aqui, uma descoberta fundamental que provou de forma satisfatória para mim a validade do QI é sua previsibilidade – um ponto bem estabelecido por Murray e Herrnstein em A Curva do Sino. Podem-se apresentar todos os tipos de argumentos metafísicos sobre o QI ser apenas a "capacidade de se fazer testes de QI," ou sobre ele "não medir a criatividade" e assim por diante. Mas como Murray e Herrnstein demonstram com detalhes exaustivos, baseados nos dados do National Longitudinal Study of Youth [Estudo Longitudinal Nacional da Juventude], se se aplica um teste de QI, a grande amostragem de jovens de 14 anos, fazendo o controle para o contexto socioeconômico, dez ou vinte anos depois, o que eles alcançaram na vida terá uma forte correlação com os resultados destes testes. Este, eu acho, é o argumento definitivo para a validade do QI. [2]

Em 1991, quando o New York Post condenou Levin como racista, eu escrevi uma carta ao jornal defendendo suas idéias. Esta foi a primeira vez que eu abordava o assunto em forma impressa.

Naquela carta, eu via a diferença do QI, no sentido de que ela significava que não se poderia esperar que os negros fossem capazes das mesmas realizações intelectuais que os brancos e que uma menor representação dos negros nas profissões não se devia ao racismo. Entretanto, eu ainda achava que as realizações inferiores dos negros poderiam se dever a fatores “culturais” e, portanto poderiam, potencialmente, ser elevadas, de modo a igualarem as dos brancos. O ponto mais importante para mim era que, do jeito que os negros estão agora, não se poderia esperar que eles fossem capazes das mesmas realizações que os brancos e que a ação afirmativa estava, portanto baseada em premissas erradas. Eu não estava particularmente interessado no grande debate sobre “ambiente versus genética”, já que o tópico me parecia metafísico. Eu me sentia e ainda me sinto ofendido pelas constantes referências aos “genes” como sendo causais na vida humana, o qual eu penso ser um conceito materialista e reducionista. Eu sentia que deveríamos ficar com as coisas que conhecemos, tais como o fato concreto de que os negros realmente apresentam um desempenho diferente, sem morrermos de nos preocupar com causas últimas e ocultas que não podemos conhecer.

Entretanto, o problema com a opinião acima é que ela deixa aberta uma enorme saída de emergência para os que apóiam a ação afirmativa. Eles admitem que os negros são menos inteligentes agora, mas ainda insistem em que se empurrarmos os negros artificialmente para níveis socioeconômicos mais altos através de uma imensa ação afirmativa, então a inteligência negra será igualada à dos brancos. Ou, se for tarde demais para esta geração de negros melhorarem, então seus filhos crescerão em um ambiente melhor (criado através da ação afirmativa) e serão mais inteligentes. Os esquerdistas estão constantemente tentando manter vivos seus projetos de engenharia social igualitária; e enquanto este projeto continuar vivo, qualquer fracasso da sociedade em alcançar a completa igualdade racial de resultados continuará a ser falsamente atribuído ao "racismo branco", com todos os efeitos divisores, desmoralizantes e destrutivos que esta acusação tem sobre a sociedade. Por estas razões, não basta que se saiba sobre a existência de diferenças raciais na inteligência sem também se apreender o fato de que estas diferenças não são passíveis de eliminação por quaisquer meios conhecidos. É claro que a performance intelectual negra poderia ser melhorada, talvez significativamente, em alguns casos, se a sociedade trouxesse de volta alguns padrões reais de disciplina e se a ilegitimidade negra fosse reduzida. Mas isto não é o mesmo que eliminar a disparidade racial, que é a meta e a exigência de nossa ideologia dominante.

Os artigos de Richard Lynn e Michael Levin a respeito do estudo de Scarr-Weinberg sobre a adoção racialmente mista na American Renaissance de março de 1994 assentou estas questões para mim. O estudo sobre adoções, que acompanhou até a idade adulta crianças negras adotadas quando bebês por brancos com educação universitária, mostrou que mesmo com um ambiente totalmente de classe média alta e "branco", a grande disparidade entre os QIs branco e negro se mantinha; no máximo, era levemente reduzida. Como apontou Levin, esta era uma demonstração definitiva de uma hereditariedade racial do QI.

Aí havia a alegação de enviesamento cultural em testes mentais, significando que os negros se saiam pior em testes de QI porque os testes enfatizavam o conhecimento cultural "branco". A entrevista de Arthur Jensen a Jared Taylor, publicada na American Renaissance de agosto e setembro de 1992 (e mais ainda a transcrição não-resumida desta entrevista, com 36 páginas), cortou as asas a esta idéia. Jensen demonstrou que em perguntas de testes que não envolviam nenhum contexto cultural, tais como a capacidade de se ver semelhanças em forma geométricas, os negros na verdade se saíam pior do que em questões que usavam referências culturais "brancas".

IV. Diferenças no estilo de pensamento


Até agora tenho falado de inteligência como algo que possa ser mensurado cientificamente por um número. Mas em anos recentes, também passei a acreditar que há diferenças nos estilos de raciocínio de negros e brancos. As diferenças raciais não se limitam a diferenças numéricas em uma escala única de QI (que é, ela mesma, um agregado de várias habilidades diferentes). As diferenças raciais também envolvem diferentes tipos de mentalidade, que podem ser mais prontamente vistas pela observação do senso comum do que por testes científicos.


A observação pessoal é, claro, subjetiva e pode ser errônea e injusta. Entretanto, ela é uma parte necessária da compreensão do mundo em que vivemos. Além do mais, estou tentando descrever a jornada inteira de minha mudança de atitude em relação à raça, uma jornada que incluiu generalizações (possivelmente injustas) a partir de minha experiência pessoal, bem como a cognição de fatos mais objetivos. Nos próximos parágrafos, portanto, exporei minhas conclusões e impressões subjetivas como tais, sem reivindicar uma validade objetiva para elas e sem tentar documentá-las ou prová-las além de contar as experiências que levaram a elas.

Acompanhar as discussões e ações dos líderes negros, ouvir as chamadas dos ouvintes negros no talk radio me levou, ao longo de vários anos, a uma opinião cada vez mais sombria a respeito dos estilos de raciocínio negros. Em primeiro lugar, me pareceu que muitos negros têm uma acentuada tendência a pegar algum slogan e então usá-lo sem muita conexão lógica com o assunto em questão. Eu também me tornei cada vez mais consciente do “conto-do-vigário”, o modo como muitos negros, em todos os níveis – de gente da rua e políticos a "intelectuais" celebrados como Cornel West – não usavam idéias como idéias, mas como um conto-do-vigário, como um modo de manipular os sentimentos das pessoas. A sugestionabilidade e a substituição da razão pela retórica são fraquezas gerais humanas, mas me pareceu que estes defeitos eram visivelmente mais pronunciados entre os negros. É claro que há muitos negros que são lógicos, racionais e intelectualmente competentes. Mas a predominância da irracionalidade entre a população negra é difícil de ser ignorarada.

Eu fiquei impressionado com o manuscrito fascinante de Gedalia Braun, Racismo, Culpa e Auto-Engano, baseado nos muitos anos de sua observação pessoal bem de perto dos negros na África, sobre o qual apareceu uma excelente resenha na American Renaissance em 1993.

De acordo com Braun, os negros africanos têm um tipo de mentalidade completamente diferente dos brancos. Ele aponta para a incapacidade dos africanos em compreender as relações de causa e efeito, como se vê no modo mágico de raciocínio dos ilhéus do pacífico e é conhecido como a síndrome do “culto às cargas” e que Braun também viu como evidente nos negros africanos. Por exemplo: como Braun descreveu, eles vêem o desenvolvimento ocidental como um processo mágico que vai fazer aparecer todos os diferentes componentes de uma sociedade moderna. Este modo de pensar leva os negros africanos a verem os brancos como seres mágicos que poderiam, se quisessem, fazer tudo pelos negros. Na proporção em que este modo de raciocinar também se estenda aos negros fora da África, isto explicaria sua crença no governo (branco) como a resposta para todas as suas necessidades e sua raiva dos brancos por não darem aos negros a vasta gama de benesses que eles acreditam que está no poder (mágico) dos brancos lhes dar.

Uma outra das provocantes observações de Braun é que os negros africanos (pelo menos aqueles que não sofreram a influência do esquerdismo ocidental) não se sentem obcecados pela idéia de que os brancos são mais inteligentes. Na verdade, eles vêem isto como uma obviedade e, aponta ele, se sentiam ávidos por falarem com ele sobre o assunto, porque era muito raro eles encontrarem um branco que falasse honestamente sobre raça. Eles preferiam tal honestidade à culpa racial, às mentiras piedosas sobre a igualdade e à hipocrisia que normalmente recebem dos brancos. Estas observações sugerem que as atitudes esquerdistas brancas fizeram mais mal para as relações raciais do que qualquer outro fator.

Eu também comecei a pensar sobre as diferenças de visão de mundo e atitude em relação a ele entre negros e brancos, particularmente em relação à capacidade para a objetividade. Através de numerosas experiências e observações, comecei a ter a sensação de que os negros são mais “não-objetivos”; eles compreendem as coisas de um modo muito mais pessoal, subjetivo, do que os brancos. Eles parecem ter muito menos interesse no conhecimento ou na beleza como fins em si mesmos. Por exemplo: eu repetidas vezes tive a seguinte experiência. Toda vez que eu sintonizava na C-SPAN e a conferência sendo transmitida se constituía de negros, literalmente cinco segundos não se passavam sem que o palestrante dissesse a palavra “negro”. Em outras palavras, a negritude em si era o assunto da conferência. Quando os brancos se reúnem em um encontro acadêmico ou de outro tipo, é para falar sobre alguma área objetiva de interesse comum, seja ciência, literatura ou política. Mas ao menos pelo que se pode julgar pela C-SPAN, quando os negros se reúnem para falar em um encontro formal público é quase sempre para falarem sobre si mesmos.

Muitos negros acreditam que há tal diferença de orientação intelectual entre negros e brancos. Os multiculturalistas negros dizem que os brancos estão mais interessados em “coisas” (ou, como os multiculturalistas colocam encantadoramente o assunto, os brancos estão mais interessados em “manipular” as coisas), enquanto os negros estão mais interessados em “relacionamentos”. É claro que os multiculturalistas colocam o assunto deste modo a fim de fazerem os brancos parecerem frios e mesquinhos e os negros calorosos e simpáticos. De todo modo, os multiculturalistas parecem não perceber que na medida em que tal diferença de orientação em relação à realidade externa realmente existe, ela significa que os negros são de fato menos dotados das qualidades que tornam possível a civilização, e particularmente a civilização ocidental. O que distingue o Ocidente das culturas não-ocidentais é a capacidade para a objetividade, a capacidade de reconhecer uma verdade para além dos próprios impulsos imediato ou de lealdades familiares e tribais.

O corolário desta falta de orientação em relação a fatos e idéias objetivas é a relativa passividade intelectual e moral dos negros. Embora haja muitos negros decentes e corretos, há um notável fracasso, da parte dos negros, em resistir de fato aos maus em suas comunidades. O resultado é que os maus – os oradores, os vigaristas, os corruptos, os déspotas – sempre parecem ascender ao topo. É por isto que os países negros e as cidades administradas por negros nos Estados Unidos são o que são. Há boas pessoas vivendo nestes lugares, mas em sua maior parte elas só são boas em sua esfera privada, familiar. Elas não são ativamente boas no sentido social e político e assim raramente assumem a liderança política ou têm sucesso em criar uma ordem política civilizada. O número de negros moralmente corajosos e com princípios que resistem ativamente à corrupção e ao conformismo racialista ao seu redor é muito limitado; na verdade, tais negros corretos e inteligentes muitas vezes se separam da comunidade negra quando reconhecem o quanto eles não são bem-vindos nela.

A única época em que houve uma liderança negra de qualidade relativamente alta foi quando os Estados Unidos estavam sob a influência de uma elite burguesa branca e cristã, que estabelecia padrões decentes para a toda a sociedade, incluindo brancos e negros. As comunidades e igrejas negras (assim como as comunidades étnicas brancas minoritárias) tendiam a reproduzir os padrões da autoridade moral da sociedade mais ampla. Assim, os líderes negros decentes de meados do século XX eram eles mesmos produtos de uma cultura branca e virtuosa majoritária. Mas como os negros foram atirados fora da influência e dos padrões culturais brancos (e como os brancos atiraram fora seus próprios padrões), a sociedade pública negra, como todos estão dolorosamente cientes, se tornou radicalmente mais bruta e menos ética.

Entretanto, o que realmente me convenceu de uma perigosa e intrínseca fraqueza no modo de pensamento negro foi sua crença generalizada no afro-centrismo e a idéia de que os brancos estavam cometendo um “genocídio” contra os negros. Em setembro de 1989, a ABC News apresentou um programa sobre a situação dos negros nos Estados Unidos, seguido de uma edição especial do “Nightline”, com um painel consistindo de vários correspondentes negros da ABC e outros negros bem-conhecidos. Com exceção do professor Shelby Steele, todos estes negros bem-sucedidos endossaram a idéia de uma conspiração branca para cometer um “genocídio” contra os negros. A descoberta de que não era só a gente ignorante da rua mas que profissionais negros articulados e bem-sucedidos acreditavam nestas teorias conspiratórias insanas e perversas causou em mim uma impressão devastadora. Na verdade, com exceção dos distúrbios de 1992 em Los Angeles, eu fiquei mais traumatizado com este programa do que com qualquer outro acontecimento na história recente. Ele abalou minha crença anterior de que negros e brancos pudessem se dar mais ou menos bem na mesma sociedade. (Eu escrevi um artigo sobre este programa, dizendo as mesmas coisas que disse no presente parágrafo, que o New York Newsday rejeitou porque, como explicou o editor, ele mostrava uma “incomum falta de compaixão.”)

A ampla aceitação do afrocentrismo teve um efeito semelhante sobre minhas opiniões a respeito dos negros. Eu fiquei estarrecido quando ouvi o analista Tony Brown, um negro razoável e inteligente (que, além do mais tinha acabado de se juntar ao Partido Republicano), dizer em um discurso à Heritage Foundation que dado que a humanidade surgiu na África, “todas as civilizações são Africanas”. Mais do que qualquer outra coisa, o afrocentrismo, com suas alegações de que a civilização européia foi “roubada” da África e que pessoas como Aníbal e Cleópatra eram negras porque viveram no continente africano, confirmaram minha crescente convicção de que os negros eram muitas vezes incapazes de distinguirem seus desejos, sentimentos e ressentimentos da realidade objetiva. Há também um crescente movimento da “Bíblia negra”, que ensina que as principais figuras da Bíblia, inclusive Moisés, Maria, Jesus e Paulo, eram negros – uma verdade que (naturalmente) os brancos trapaceiros esconderam sistematicamente dos negros para manter seu domínio sobre eles. Até onde eu consigo ver, a negritude das pessoas na Bíblia constitui o único ensinamento desta seita. Seu interesse na Bíblia é exclusivamente racialista. (Mais uma vez, o fato de que um grande número de negros não acredita no afrocentrismo não muda o fato de que um grande número deles acredita e estão agindo de acordo com ele e o institucionalizando por toda a sociedade.)

A forma mais extrema de pensamento conspiratório negro é afirmação da Nação do Islam de que os brancos são demônios que foram criados por um cientista louco há 5000 anos atrás e que desde então têm roubado os negros de seus direitos de nascença. Acreditem os negros neste mito ou apenas apresentem uma fixação em um sentimento de condição histórica de vítima, a idéia de sua condição de vítima tende a justificar, em suas mentes, todos os crimes e injustiças que eles possam cometer hoje contra os brancos. Repetidas vezes, pesquisas e declarações revelam que os negros sentem que não devem ser julgados de acordo com padrões morais por seus crimes contra os brancos, porque os negros foram vítimas de um vasto e ainda não-reconhecido mal por parte dos brancos durante milhares de anos. Assim, os negros tendem a ver todos os assuntos em termos puramente racialistas – como podemos ver quando júris negros perdoam negros assassinos de brancos, quando uma grande maioria dos negros diz que O.J. Simpson era inocente ou quando uma alta porcentagem de negros concorda que o assassinato em massa cometido por Colin Ferguson na estrada de ferro de Long Island foi um ato justificado de raiva contra o racismo branco. Todas as atitudes acima sugerem cada vez mais que os negros e os brancos realmente não podem viver como concidadãos iguais na mesma sociedade.

É difícil esquecer as arrepiadoras premonições de Jefferson a este respeito:

Por que não manter e incorporar os negros ao Estado e assim economizar a despesa de preencher, pela importação de colonos brancos, as vagas que eles deixarão? Preconceitos profundos que os brancos possuem; dez mil lembranças, por parte dos negros, das feridas que sofreram; novas provocações; as diferenças reais que a natureza criou; e muitas outras circunstâncias nos dividirão em partidos e provocarão distúrbios, que provavelmente nunca terminarão, exceto no extermínio de uma ou da outra raça”. [Notas sobre a Virgínia, Questão XIV, 1782].

É claro que os negros sofreram crimes históricos reais nas mãos dos brancos. Mas isto não explica a sensação atual e cada vez mais intensa de ressentimento por parte dos negros, que possui sua expressão mais flagrante em fantasias sobre demônios brancos e 5000 anos de conspirações. E o mais importante é que o fato de que o sentimento negro de ressentimento aumentar ao invés de diminuir, à medida em que a escravidão e a discriminação legal se afastam no passado distante, sugere que este ressentimento tem muito pouco a ver com quaisquer crimes históricos reais cometidos pelos negros. Como eu sugeri em minha palestra na American Renaissance, mesmo na completa ausência de qualquer opressão racial, os negros, com suas capacidades inferiores, ainda tenderão a terminar na base de qualquer sociedade bi-racial, uma situação que os negros e os brancos esquerdistas só podem explicar dizendo que os brancos estão segurando os negros embaixo. Em outras palavras, enquanto a verdade das diferenças raciais não for reconhecida, os brancos sempre terminarão sendo culpados – tanto por negros quanto por brancos – pelas capacidades inferiores dos negros [black inferiority], que não é culpa dos brancos.

V. A "Ilusão de Ótica"

Mas, havia em minha mente uma importante objeção à idéia de uma diferença racial intratável na inteligência ou nas capacidades civilizacionais. Era o pensamento que, afinal de contas, a maioria dos negros parece ter uma inteligência normal; então, como poderia haver uma diferença racial tão grande nas capacidades intelectuais como um todo? Isto não fazia sentido. Aí eu percebi que esta confusão surge da suposição equivocada de que a inteligência é uma só capacidade medida ao longo de um só continuum. Na verdade, a inteligência consiste em várias capacidades diferentes em diferentes níveis. Quando eu estava lendo o livro muito útil de Daniel Seligman A Question of Intelligence [Uma Questão de Inteligência], publicado em 1992, ocorreu-me o seguinte, baseado em uma experiência que muitas pessoas provavelmente já tiveram:

Você está lá conversando com um trabalhador habilidoso e inteligente, digamos, um carpinteiro que está fazendo uma reformas em sua casa. Ele consegue falar sobre o trabalho com grande inteligibilidade e inteligência. Mas no momento em que a conversa se desvia para um assunto abstrato ou conceitual, ele é incapaz de compreensão. Em um nível de inteligência, duas pessoas podem ser mais ou menos iguais, mas em um nível mais alto de inteligência pode haver uma diferença significativa entre elas”.

A ídéia do carpinteiro me ajudou a conceitualizar as diferenças grupais entre negros e brancos. Por exemplo: os negros se saem praticamente tão bem quanto os brancos na recitação de memória de uma lista de números, mas se saem muito pior do que os brancos se o teste lhes pede para recitar a lista de trás para frente. Em outras palavras, no nível das capacidades usuais, a diferença racial é pequena, mas em uma ordem mais alta das capacidades, a diferença é grande.

Este insight explicou para mim a “ilusão de ótica” da igualdade racial. Eu percebi que a razão pela qual os brancos não se tornam automaticamente conscientes das grandes diferenças na capacidade intelectual média entre brancos e negros é que os brancos muitas vezes lidam com os negros em um nível superficial, onde apenas os níveis usuais de inteligência são colocados em ação.

No outono de 1993, eu tive uma espécie de epifania, na qual todos estes pensamentos se cristalizaram em um novo paradigma concernente às diferenças raciais. Aconteceu do seguinte modo. Eu me lembrei de um tio meu, um dos irmãos de meu pai, que morreu há cerca de 10 anos atrás. Ele era um homem alto, bonito, vestido com apuro, jogador de golfe, popular socialmente, um cara durão, com um ar autoritário, um pouco irascível por vezes, mas não rude. Nunca me ocorreu, em minha juventude, que houvesse algo de errado com ele. Foi só quando eu fiquei mais velho que percebi que sua conversa inteira se limitava a dizer coisas como “Nada mal” ou “Que tal” ou “Não diga”. Este é um exagero, mas não é grande. Meu tio, um ano mais velho que meu pai, trabalhava com ele no negócio dos dois, no qual eram sócios, mas eu aos poucos fui percebendo que meu tio fazia muito pouco além de atender ao telefone e receber recibos. Era meu pai quem de fato geria o negócio e que basicamente havia sustentado meu tio durante toda sua vida, mantendo durante todo este tempo a fachada amigável de que meu tio era seu sócio de fato, tanto quanto nominalmente. Minha mãe me disse que, antes de ela se casar com meu pai, ele disse a ela que sempre teria de tomar conta de seu irmão. Na verdade, meu tio era de uma inteligência muito limitada, talvez até um retardado limítrofe, mas isto não era algo que se percebesse automaticamente, por causa do modo como ele se portava, de seus modos quase majestáticos e sua aparência leonina.

Quando eu pensei sobre meu tio sob este prisma, comecei a ver com nitidez a “ilusão de ótica” da igualdade racial. Percebi como, nas interações e no comportamento usual, os negros se parecem, de modo geral, conosco, aliás, muitas vezes com mais vitalidade que nós mesmos, com personalidades vívidas e calorosas, então supomos que quaisquer diferenças intelectuais devem ser insignificantes. É só quando vamos além deste contato superficial e chegamos a conhecê-los melhor ou quando os observamos em uma situação que requer inteligência que vemos que, muito mais freqüentemente do que os brancos ou os asiáticos, eles são incapazes de lidar com tarefas mais rigorosas. Em assuntos rotineiros e que exigem pouco, eles são mais ou menos intelectualmente iguais aos brancos. Em cenários mais exigentes, não são.

Foi este novo insight que, ao revelar e remover a “ilusão de ótica”, trouxe todas as minhas idéias a um novo padrão e me deu a convicção de que há uma diferença real e substancial na inteligência entre negros e brancos e que esta diferença não é só quantitativa, mas qualitativa.

A ilusão de ótica se aplica à moralidade política tanto quanto à inteligência. Eu discuti anteriormente a questão da bondade passiva e privada em contraposição à bondade ativa e social. Agora, como temos os negros como boas pessoas, nós naturalmente supomos que eles são iguais aos brancos no sentido mais amplo de serem capazes de manter uma sociedade decente, humana e ordeira. Mas esta é uma ilusão. A decência, bondade e humanidade pessoal dos negros como indivíduos não se traduz na capacidade de resistir ao mal público, à aspiração de fazer valer a ordem social. Estas coisas requerem um grau de vontade moral, de inteligência e de energia organizacional que os negros, coletivamente, não parecem possuir. Em qualquer sociedade gerida por negros em que possamos pensar; de Washington, D.C., passando pelo Haiti, até o Congo, os bons terminam sofrendo sob o governo de déspotas, patifes e incompetentes.

Foram todos os pensamentos acima que me levaram a concluir, em meu discurso à conferência da American Renaissance em 1994, que “as vastas e persistentes diferenças na inteligência média de negros e brancos significa... que” não se pode esperar que “os negros por sua própria conta sejam capazes de manter uma sociedade moderna, civilizada e democrática.” Isto pode parecer desnecessariamente duro, mas eu acho que todas as evidências apontam tragicamente para a sua verdade. Aqui, mais uma vez, surgirá a idéia de que muitos negros nos Estados Unidos se saem bastante bem nas instituições civilizadas modernas, que há muitos negros que individualmente são mais inteligentes, mais competentes e têm melhor caráter do que muitos brancos, e que alguns negros deram contribuições notáveis em um nível muito alto, tudo o que parece refutar o que acabo de dizer sobre uma deficiência negra como um todo. Mas este é mais um exemplo da ilusão de ótica. Tais negros competentes ou mesmo altamente talentosos estão operando dentro de uma sociedade de maioria branca, na qual há expectativas, padrões e um nível geral de habilidades e riqueza criadas e mantidas por brancos. Em uma sociedade sem brancos, o pequeno número de negros inteligentes, combinado com o vastíssimo número de negros inteligentes tornaria impossível um nível elevado ou mesmo mediano de civilização. A questão, mais uma vez, não são os negros individualmente, muitos dos quais são tão capazes quanto os brancos; a questão é o caráter civilizacional da comunidade negra como um todo.

O que foi dito acima também significa que à medida que os negros ganham poder em uma instituição ou comunidade, esta instituição começa a sofrer um declínio, e alguns casos um declínio catastrófico. Este é o argumento tácito contra a ação afirmativa. O argumento explícito contra a ação afirmativa é o de que é ela é injusta, o que, obviamente, é verdade. A preocupação tácita – e de longe mais grave – é a de que, ao trazer, em uma base racialmente proporcional, os negros para ocupações para as quais muitos deles não estão qualificados, estamos rebaixando todas as instituições e profissões com professores incompetentes, médicos e enfermeiras incompetentes, pilotos aéreos incompetentes, policiais incompetentes e corruptos, políticos incompetentes e tudo mais.

E ainda mais alarmante é que quanto mais os negros progridem, maise não menos – eles se ressentem dos brancos. Quanto mais os Estados Unidos fazem para superar seu “racismo”, mais racista os Estados Unidos parecem. A razão para isto se encontra na dinâmica da natureza humana. Muito simplesmente, quanto mais iguais os negros se tornam aos brancos, mais insuportáveis e injustas parecem as diferenças restantes. Assim, o que começou como uma exigência por direitos civis básicos se metamorfoseou em uma exigência para que se vire de ponta-cabeça toda a sociedade, juntamente com suas tradições e normas, seus padrões e leis, sua história e heróis, já que em todas estas coisas os negros ainda não são “iguais”.

Um exemplo do que acontece quando os negros ganham poder pode ser visto na atual confusão na Universidade de Rutgers, onde o presidente Francis Lawrence, por meio de suas próprias políticas de ação afirmativa, criou o mesmo órgão estudantil que agora está tentando destruí-lo. Quando os negros crescem em número e poder, eles inevitavelmente sujeitam os brancos à intimidação e tirania, exatamente como fazem com seu próprio povo.

VI. Resumindo

Os insights que me vieram nesta jornada pessoal de descobertas se acumularam através de vários estágios distintos.

Primeiro, eu soube que os negros, na média, tiram notas muito menores em testes de capacidades, o que explicava por que havia tão poucos negros nas profissões intelectuais, mas eu não associei estes fatos com um déficit negro em "inteligência" como tal.

Então, apareceu aquele pioneiro do Michael Levin e usou sem nenhuma cerimônia a palavra “inteligência” para descrever a qualidade na qual os negros diferem dos brancos. Eu fiquei perturbado com isto, desejando que ele falasse de “capacidades em realizar testes” ao invés de uma diferença em inteligência. No entanto, ao mesmo tempo, eu parecia perceber que a inteligência era, de fato, o assunto em questão.

Então, eu vim a entender que a qualidade medida pelos testes de inteligência é algo de real, como se prova pelo fato de que os resultados dos testes de QI realizados na infância têm forte correlação com o que se consegue realizar na vida mais tarde.

A esta altura, entretanto, eu ainda aceitava a opinião convencional de que os déficits grupais na inteligência, mesmo que reais, eram em grande medida determinados por circunstâncias culturais inferiores e, portanto poderiam ser eliminados por melhorias nos padrões comportamentais, no status sócio-econômico, ambiente familiar e assim por diante. Minha crença rudimentar no ambientalismo foi decisivamente refutada pelo estudo de Scarr-Weinberg, mostrando que crianças negras criadas desde a primeira infância por pais brancos de classe média ainda estavam cerca de 15 pontos de QI atrás dos brancos. Isto provava que o QI era determinado pela hereditariedade, não pela cultura.

Mas mesmo que o QI em si não fosse cultural, mas genético, havia a objeção de que os próprios testes de QI eram culturalmente enviesados. Isto foi atirado fora pela descoberta de que os negros se saiam pior em questões envolvendo a pura capacidade cognitiva do que em questões usando referências culturais brancas.

Então, houve a crescente consciência dos estilos marcadamente diferentes de pensamento entre as raças, incluindo uma muito maior sugestibilidade e utilização por parte dos negros da retórica e da manipulação emocional; sua relativa falta de capacidade em pensar em termos objetivos de causa e efeito, sua inclinação notavelmente menor por coisas objetivas e idéias fora do ego; e sua inclinação demonstravelmente menor ao bem político comum e a uma ordem social moral e estável. Havia, por fim, a pronunciada inclinação de muitos negros a teorias conspiratórias, sua tendência a ver todas as questões em termos de raça e a culpar os brancos por todos os seus problemas.

E finalmente, reunindo todas estas idéias em um novo paradigma, houve a descoberta da “ilusão de ótica” da igualdade racial. Esta experiência me convenceu de que as diferenças entre os negros e os brancos eram tanto substantivas quanto qualitativas – em resumo, de que há diferenças raciais intrínsecas nas capacidades civilizacionais.

Apêndice: Carta de 21 de fevereiro de 1995 de Lawrence Auster a Charles Murray, co-autor de The Bell Curve

Caro Sr. Murray:

Primeiramente, gostaria de dizer que The Bell Curve, o qual eu finalmente tive a oportunidade de ler inteiramente no mês passado vale muito mais a pena do que a quase centena de artigos que lí sobre o assunto. É um livro que nos absorve, é iluminador e historicamente importante. Há muito mais nele do que eu fui levado a crer. Achei a II Parte particularmente fascinante e surpreendente. Foi um golpe de gênio ter aquela longa parte sobre a correlação entre QI e comportamentos sociais antes mesmo de chegar àquela sobre a raça. Qualquer um que dê opiniões sobre o livro sem ter cuidadosamente lido-o (o que é verdadeiro para a maior parte da crítica) deveria estar envergonhado de si mesmo.

Em segundo lugar, gostaria de expressar minha tristeza pelo falecimento de Richard Herrnstein. Eu conheci o Prof. Herrnstein em um a pequena conferência organizada por Jared Taylor em Hempstead, New York, em 1993, e ele pareceu-me um fino cavalheiro. É especialmente triste que ele morreu pouco antes da publicação do livro que o faria famoso, e que ele não pode estar por perto para ajudá-lo a defender sua tese.

Em terceiro lugar (e esta é a causa imediata da escrita desta carta), tenho de dizer-lhe que me sinto perturbado pela contínua aparência de ingenuidade que o apreende tanto na escrita quanto em suas aparições públicas. De um lado, você está falando verdades que desafiam inteiramente o edifício do liberalismo moderno; e, por outro, você continua se afastando daquelas verdades e dizendo à audiência que sua mensagem realmente “não é grande coisa”, absolutamente.

É isso que você fez, pela décima vez, no último Domingo de manhã, no “Meet the Press”. Primeiro, você recuou de seu ponto de vista sobre os limites do aperfeiçoamento. “Nós não sabemos como elevar a inteligência”, você disse, “Mas isto não significa que deveríamos parar de tentar”. Dizendo isso, você mina o seu próprio argumento básico sobre a imutabilidade do QI e reabre as portas para variações sem fim, cada vez mais ambiciosas, sobre a Vantagem.

Mas piorou. Charles Rangel disse a você (e foi a única coisa sensível e não-viciosa que ele disse no programa inteiro): “Tudo bem, Sr. Murray, você continua dizendo que não nos interessar sobre a raça. Então, diga-nos no que acredita sobre as diferenças raciais”. E, tendo recebido esta abertura de Rangel (que parecia pronto para escutar uma resposta honesta), o que você disse? Primeiramente, que há uma diferença de um desvio padrão, um termo ao qual você disse que “as pessoas não entendem”, e nem mesmo se preocupou em explicá-lo. Em segundo lugar, que a diferença não é na realidade grande coisa, já que “há muita sobreposição”. Em terceiro lugar, que a diferença não é tão maior quanto aquela entre irmãos. E, finalmente, que essas diferenças não são “assustadoras”.

Assim, recebendo a chance ante uma audiência nacional, você não disse absolutamente – de forma que seu público pudesse entender –, o que são as diferenças raciais e o que elas significam. Por exemplo, você não mencionou que a porcentagem de negros que fazem parte da gama com mais de 115 pontos é uma pequena fração daquela dos brancos, o que mostra que a ausência de igualdade entre os grupos na América não é devida à discriminação, ou à falta de oportunidade, ou de “incentivos”, mas a estas profundas diferenças entre os grupos. De acordo com todos os outros participantes no programa, incluindo o inefável Jeck Kemp, estas diferenças estão para ser superadas através de uma engenharia social sem fim, que produzirá a “oportunidade”. Assim, você falhou em refutar tanto a ficção igualitária e a filosofia de engenharia social do grande estado, que se baseia nisso.

A verdade é que suas idéias são assustadoras para qualquer um comprometido com o liberalismo moderno e a ficção igualitária. Então, porque fingir que elas não o são?

Você está sempre dizendo à sua crítica “Oh, não, Dick Herrnstein e eu não queríamos dizer isso, nós não queríamos dizer aquilo...”. Mas você nunca saiu e expos claramente o que queria dizer, mantendo sua audiência em um estado de confusão, tensão e desconfiança. Tendo mexido com o assunto mais inflamatório e dolorido que há e, então tentando agir como se não tivesse mexido em nada, você termina com o pior de dois mundos: acaba parecendo mal e dissimulado.

Desculpe-me parecer tão descontente. Sou um admirador e agradecido leitor seu. Mas, simplesmente não consigo entender como um homem poderia escrever um livro tão ousado, inteligente e efetivo como The Bell Curve, e então retratar-se de suas idéias a cada oportunidade.

Direi novamente: Não consigo entender.

Poderia me explicar?

Sinceramente,

Lawrance Auster
________

[1] www.overdextra.blogspot.com

[2] Poucos anos depois disto ser escrito, Murray demonstrou que irmãos com diferentes QIs – que, é claro, compartilham do mesmo status socioeconômico e ambiente domestico - diferem marcadamente em seu sucesso e renda posteriores. Esta era uma prova absoluta da realidade e importância do QI.

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