terça-feira, 10 de maio de 2011

Destino e Morte

"Perdidos na vastidão da paisagem, e separados de mim por uma grande distância, os acontecimentos que lá embaixo se desenrolavam tinham um aspecto inofensivo e diminuto; me estranhou que aquele bosque me tivesse impressionado tanto no dia anterior. Se existisse um grande ser ao qual não lhe custasse nenhum esforço abarcar com um só olhar o espaço que desde os Alpes se estende até o mar, veria toda aquela andança como uma engraçada batalha de formiga, como uma suave martelada em uma mesma obra. Porém nós vemos unicamente uma percela minúscula, e por isso nosso pequeno Detino nos esmaga e a Morte nos aparece com uma figura terrível. Tão somente podemos conjecturar que essas coisas que aqui ocorrem formam parte de uma grande ordem, e que em algum lugar se atam, para formar um sentido cuja unidade nos escapa, esses fios dos quais pendemos e em cujo extremo realizamos contorções aparentemente absurdas e incoerentes."
(Ernst Jünger, Tempestade de Aço)

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