sexta-feira, 22 de abril de 2011

Hitler e as Artes - Entrevista com Arno Breker

(In "Política", nº 28, págs. 6/7, 01/03/1971)

Arno Breker é um dos maiores escultores do nosso tempo. Atacado, minimizado, silenciado por toda a côrte de invejosos e epígonos, pelos detractores do Fascismo e do Nacional-Socialismo, pela coligação dos vencedores democráticos e dos vários esquerdismos, Arno Breker, o amigo e companheiro de Maillol, Despiau, Rudier, Cocteau, Derain, Vlaminck, Pascin, Cortot, Guitry, etc., o autor de obras imortais, permanece uma das grandes figuras das Artes Plásticas contemporâneas e um homem corajoso, verdadeiro, leal. Recentemente, deu uma entrevista à revista «Découvertes», da qual extraímos hoje alguns trechos onde se desmascaram calúnias, dentre as muitas que buscam soterrar os vencidos. Arno Breker defende a sua independência artística, ao mesmo tempo que sublinha o respeito hitleriano pela Arte e pelos artistas:

— «Dizem-me sempre: “Você trabalhou para o partido nazi, sob consignas, proibições…” É estúpido! Hitler tinha um enorme respeito por mim e não queria nunca atrever-se a dar-me qualquer directiva para o meu trabalho. Ele nunca punha a questão de saber se a arte deste ou daquele correspondia ou não às suas próprias concepções; a qualidade, a qualidade apenas, é que contava. De resto, era um homem perfeitamente dotado, um temperamento artista, um excelente desenhista. Em tempo normal, haveria feito provavelmente carreira como artista e não, como se chegou a dizer, como pintor… de construção!

— Certos críticos do pós-guerra pretendem que a arte de Arno Breker era uma arte de encomenda, e o seu trabalho um trabalho de funcionário…

— É absolutamente ridículo! Hitler era menos ditador, a meu respeito, do que um pároco que pede a um artista para executar uma Nossa Senhora para a sua igreja.


— Dizem frequentemente que a época nacional-socialista foi para a Alemanha um período de obscuridade total sob o ponto de vista artístico e literário, o reino da barbárie. Que pensa disto?

— Ridículo e insensato. Temos de fazer algumas precisões. A seguir à primeira guerra mundial, a situação era dura para toda a gente. Estávamos em plena inflação e as consequências do Tratado de Versalhes eram para nós extremamente penosas. Em 1930, tínhamos perto de oito milhões de desempregados. A Alemanha estava por terra, oferecida ao comunismo. A Alemanha balanceava sobre um fio. Nessa época, eu vivia em Paris. Lembro-me de ter recebido a visita do Chefe de Gabinete de Brunnning: «Não há nada a fazer, disse-me ele, o governo francês não quer compreender a nossa situação… Vamos direitos ao comunismo ou ao nacional-socialismo!» Tinha razão, Hitler chegou ao poder e, coisa esquecida muitas vezes, por meios democráticos.

Durante estes anos, os artistas, a maioria enorme dos artistas estavam numa situação penosa. No domínio da Pintura, era o reinado absoluto do expressionismo; todo o resto era desprezado, ignorado. A maior parte destes artistas abandonados tornaram-se então fervorosos nacionais-socialistas, para protestar contra esta situação insustentável contra a ditadura dos ‘marchands’ de quadros. Deste modo, a ascensão do Nacional-Socialismo provocou declínio da corrente expressionista. Outros artistas puderam então, revelar-se (1).

Pelos fins de 1943, Hitler tinha decidido confiar-me a direcção das Artes na Alemanha. Disse-me abertamente que a campanha contra «a arte degenerada» era um erro fundamental; eu era, para ele, o único homem capaz de repor as coisas no lugar certo.

— Houve, portanto, uma produção artística e literária notável nessa época?

— Sem dúvida alguma! Repare, no domínio do Cinema, por exemplo, produziu-se toda uma série de filmes excelentes, alguns dos quais ficarão (ou deveriam ficar!) como autênticas obras-primas na História da Sétima Arte.


Se um realizador como Lang abandonou a Alemanha, aliás com desgosto de Hitler, bastantes outros o substituíram, e com igual talento.

Entre tantas obras marcantes, podemos citar: «Vitória a Oeste» de Walter Rutmannm, que era um realizador de vanguarda. O seu «Deutsche Panzer» é também notável. Rutmann morreu, em consequência das feridas que recebeu na Frente Leste.

Veit Harlan é um dos nomes representativos desta época. Entre os seus melhores filmes «O Judeu Süss», «O Grande Rei», «A Cidade Dourada».

Pabst, realizador de Quatro de Infantaria, voltou à Alemanha, nas vésperas da guerra, e realizou vários filmes, entre os quais «Paracelsus».

É conhecido o «Aventuras fantásticas do Barão Münchausen», de Joseph Von Baky. Trata-se de uma espantosa grande realização colorida.

E Leni Riefensthal, essa maravilhosa mulher, com a imortal obra: «Os Deuses do Estádio!»

E os excelentes documentários «Hitler-Junge», «Quex», «Krüger» e o extraordinário «Rembrandt», de Hans Steinhof!

E as comédias musicais de Willy Forst.

E os sensacionais documentários científicos da UFA, que apaixonavam os espectadores do mundo inteiro.

Nessa altura, tínhamos uma plêiade de grandes actores: Emil Jannings (o protagonista de «Der Herrscher — O Dominador»); Heimich George, o actor de «Chefe de Posto» (um dos maiores êxitos do Cinema Alemão, em plena guerra, não só na Alemanha, mas nos outros países), que morreu prisioneiro das tropas soviéticas; Zarah Leander; Hans Alberts; o herói de «Münchausen»; Kristina Söderbaum, a heroína de «Cidade Dourada». E Marika Rök, a grande artista do filme musical «A Mulher dos Meus Sonhos» que foi, igualmente, um dos maiores êxitos cinematográficos, no tempo da guerra, não só na Alemanha mas nos outros países.


— E quanto às Belas Artes?

— Excepto Belling, todos os escultores continuaram na Alemanha. O único pintor que abandonou o seu país foi Beckmann, que era um homem com uma boa fortuna. O pintor Hofer, um dos primeiros a ser atacado pelo Nacional-Socialismo, fez sempre os possíveis para obter encomendas do Estado… Não conseguiu; continuou tranquilamente a pintar os seus quadros, mesmo durante a guerra, com tintas a óleo francesas (que já não se obtinham na Alemanha) e sobre telas francesas…

— Mas é decerto, no campo musical onde encontramos o mais belo exemplo da «barbárie nazi»?

— Realmente…! Posso citar, a tal respeito, o testemunho de um autor insuspeito de complacências para a Alemanha desta época, numa volumosa obra sobre o Nacional-Socialismo: «Contrariamente aos escritores, a maior parte das grandes figuras do mundo musical alemão preferiram ficar na Alemanha nazi, e deram mesmo o seu nome e o seu talento à Ordem Nova. Wilhem Furtwaengler, um dos maiores chefes de orquestra deste século, ficou… Richard Strauss também ficou e tornou-se mesmo Presidente da Câmara de Música do Reich. Walter Giescking… Wilhelm Kempff… Herbert von Karajan… A Orquestra Filarmónica de Berlim era aplaudida no mundo inteiro, e a Ópera de Berlim estava na primeira fila das grandes formações sinfónicas (2).

Poucos escritores emigraram, contrariamente ao que diz aquele autor. Se Thomas Mann, Zweig, Zuckmayer deixaram a Alemanha, Ernst Jünger, Ernst Wieche, Gehrart Hauptmann e inumeros outros continuaram ali a trabalhar. O mundo da Edição era próspero. Conheci, aliás, muito bem, o editor Fischer que prossegue actualmente uma bela carreira...» (3).

— A propósito dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, da cerimónia de abertura e do encontro de Hitler com Loues Spiridou, o capitão da equipa grega, Arno Breker responde:

— Ah sim! Loues Spiridou tinha então 70 anos. Fora um grande campeão de Maratona e ainda era muito vigoroso. Pastor, mas muito culto e a par dos acontecimentos políticos. Quando avançou para entregar a Hitler o ramo de oliveira simbólico, estava imensamente comovido, mas recompôs-se rapidamente. Não acabava de falar! O tradutor sentia-se aflito, porque o que Spiridou dizia não se reduzia ao papel preparado. Hitler estava, aliás, seduzido pela franqueza deste homem.

As Olimpíadas foram, para todos quantos a elas assistiram, uma lembrança inesquecível! Infelizmente, também a esse respeito espalharam bom número de mentiras. Por exemplo, ainda há pouco ouvi dizer que Hitler se recusara a apertar a mão ao grande atleta americano Jesse Owens, quatro vezes campeão olímpico. É ridículo e completamente falso! Hitler felicitou pessoalmente todos os campeões. Eu estava ao pé dele, um pouco acima, e pude ver tudo o que ele fazia, inteiramente! É uma lenda que fabricaram. Reinava a maior camaradagem entre as equipas e, especialmente, entre alemães e americanos.



— A propósito da aproximação artística franco-alemã, Arno Breker responde:

Como sabe, trabalhei para a aproximação entre a França e a Alemanha desde o fim da 1.ª Guerra Mundial. Como o meu amigo Bénoit-Méchin, em França. Com espanto, verifiquei, na altura da visita a Paris, que Hitler era um grande admirador da cultura francesa, do que ninguém tinha suspeitado. Percebi todo o partido que podia tirar desta verificação. Perguntei-lhe se era possível artistas franceses participarem nos grandes trabalhos de Berlim. Então, Hitler encomendou uma fonte a Maillol e um grande mosaico a Derain. Ele não tinha preconceitos. Queria, antes de tudo, preservar um clima de entendimento mútuo, apesar dos acontecimentos.

— Falando da visita de Hitler, a Paris, na qual o acompanhou, Arno Breker conta:

— Hitler estava fascinado. - E, depois de se referir à demorada ronda dos lugares, monumentos, recantos, da Ópera («Hitler conhecia a fundo a obra de Garnier»), Breker continua: «Eu estava espantadíssimo de ver que Hitler estava melhor preparado do que eu para esta visita, e, no entanto, como ‘velho Parigot’ (Breker vivera muitos anos em Paris), eu conhecia bastantes coisas. Mas ele sabia tudo: as datas históricas, as medidas, o sítio dos monumentos… Hitler estava muito comovido, quase completamente perturbado. Lembro-me de que, no cimo da colina de Montmartre, me disse: «Precisávamos, indispensavelmente, de preservar esta maravilha da cultura ocidental, estendida perante nós. Precisávamos de guardá-la intacta para a posteridade. E conseguimos».

Depois da visita a Paris, não esqueço o instante em que, mesmo em frente de mim, Hitler perdeu a contenção, de tal modo estava perturbado pelas lembranças do dia. Este orador excepcional buscava as palavras, balbuciava… Finalmente, ouvi-o murmurar: «Foi uma pesada responsabilidade». Estava visivelmente comovido, ao evocar o desencadear das hostilidades entre a França e a Alemanha.

Quando se escutaram tais frases, quando se assistiu a tais cenas, quando se visitou Paris com Hitler, como se pode acreditar no famoso: «Queima-se Paris?» Um homem que dera ordem às tropas para contornar Paris e evitar todo o combate na sua periferia, podia quatro anos depois, ordenar a destruição da mesma cidade?


— Os russos tentaram atrair Arno Breker. Isto sabe-se e o entrevistador interroga-o a tal respeito. Breker conta como Staline mandava ir, por correio diplomático fotografias de todos os seus trabalhos e como o mandou convidar por Molotov.

— Ainda estou a ouvir Molotov: «Temos baixos relevos que nos esperam, cem metros de comprimento por quatro de altura. As pedras estão prontas, mas não temos escultores na URSS…». A segunda vez foi em 1945, por intermédio de dois oficiais americanos.

— No entanto, à recusa de Arno Breker só corresponde a perseguição dos ocidentais. Nessa mesma época, o seu atelier e o conjunto da sua obra artística foram postos em ruínas.

— Totalmente destruídos! Os americanos destruíram o meu atelier. Completamente!

A guerra terminara! O meu atelier era muito grande, era a perfeição, mesmo. Não sofrera absolutamente nada com a guerra. Os americanos chegaram, procuraram um depósito, escolheram o meu atelier! Esvaziaram-no por completo! Quebraram tudo! Tudo!

— E, noutra ocasião, relata:

— Ao fim da guerra, era o inferno. Eu tinha deixado Berlim, os meus ateliers… Perdera tudo, tudo quanto possuía, a minha biblioteca, a minha colecção de quadros (muitos dos quais me tinham sido oferecidos pelos meus amigos, pintores franceses). Então, achei-me sem nada, sofrendo completamente os acontecimentos. Caí doente e tive de ficar numa clínica vários meses. Recomecei a trabalhar progressivamente por 1948, mas nunca pude receber verdadeiras encomendas. Nada tinha a fazer. Um dos meus amigos, que tem um negócio de seguros na Roménia, pediu-me que o ajudasse, como arquitecto, trabalhei assim durante quinze anos. Só abandonei a arquitectura há quatro anos. Depois disso, faço retratos e pequenas estatuetas, mas hoje, ainda, sou para a Alemanha uma existência incómoda, uma espécie de fantasma que se afasta. Felizmente, alguns amigos ajudaram-me, mas o futuro não é róseo… Tenho grandes dificuldades, para alimentar a minha família.


— Referindo-se à incriminação da Alemanha e dos nazis e de si mesmo, Arno Breker explica:

Há uma certa analogia entre a minha situação pessoal e a do meu país. Da mesma maneira, que sou sempre culpado, o meu país é sempre culpado! No entanto, certos valores são indestrutíveis. E não se pode ser eternamente culpado! Assim, não consigo expor, porque sou culpado! Não consigo trabalhar como queria, porque sou culpado! E, se alguém me suja, me injuria, na imprensa e noutro lado, não posso defender-me, porque não encontraria juiz bastante corajoso para me prestar justiça. Sou inexistente! Como o vencido! Sou vencido, e é tudo!»

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