sexta-feira, 4 de março de 2011

Paganismo - A Voz do Sangue

Autor Desconhecido

Há muitas maneiras de adquirir interesse por aquilo a que chamamos de forma genérica Paganismo. Há aqueles que chegam ao paganismo através da sua estética, dos seus mitos e força. Outros por um desejo de se unirem à tradição dos nossos povos, outros por uma recusa do cristianismo e do mundo neo-cristão (o cristianismo laico do marxismo e do progressismo), outros ainda, por motivações políticas e também aqueles que vêm pelo esoterismo. 

Porém, para mim, como para outros camaradas nos inícios dos anos 70 do século passado, o paganismo chegou de uma forma indirecta: abraçamos o paganismo pela compreensão dos seus princípios cosmológicos, não pelas suas formas ou a sua magia, mas pela sua essência.

O paganismo não é uma religião, não pretende ser uma nova religião, pelo menos para muitos pagãos, é antes um conjunto de crenças espirituais, religiosas e pessoais, sociais e filosóficas, que reflectem uma Concepção do Mundo.

Foi essa Concepção do Mundo que nos atraiu, e que nos levou a ser pagãos. Apercebemo-nos de imediato que toda essa estética maravilhosa do paganismo, os seus símbolos, a sua magia e o seu esoterismo, tudo era reflexo desses princípios, era uma “forma de falar implícita” dos princípios gerais.

O paganismo moderno, posterior à Guerra, nasce nos anos 60 do século XX, quando um bom número de jovens nacional-revolucionários retiram o protagonismo aos velhos militantes do nacionalismo anterior. Esses jovens procuravam uma forma nova de expressar a cosmovisão “fascista”, uma forma geral de expor na modernidade os princípios básicos de Alternativa ao Sistema, mas sem se basearem nos modelos anteriores a 1939.

Esta alternativa essencial encontra-se numa série de princípios muito gerais:

- Respeito pela Natureza e pelas suas leis globais;

- Sentido da diferença e respeito por essa diferença, isto é, à identidade e às raízes;

- Repulsa ante o materialismo e o individualismo, sentido de Comunidade;

- Adopção de um Estilo e uma Ética, mas recusa das Igrejas e dos dogmas, da falsa moral, da concepção teocrática e monoteísta de Deus;

- Espiritualidade natural frente ao materialismo e ao egoísmo do prazer, mas também frente à tristeza de considerar o mundo como um vale de lágrimas;

- Admiração pela força, pela beleza, pela alegria, pelos animais e tudo o que implica luta e esforço;

- Redescobrimento da Grécia e de Roma como ideal de Império e de Comunidade, de Arte e de Nobreza, frente ao mundialismo, ao Bezerro de Ouro e a Jerusalém.

Estas ideias básicas e muitas outras mais levavam-nos a um confronto com as concepções cristãs que até então haviam sido a base “espiritual” do nacionalismo em quase todos os casos, com raras excepções.

Este debate intelectual e sentimental levou-nos a redescobrir o facto pagão, que já tinha sido tratado por alguns círculos do arianismo e do NS nos anos 20 e 30.

Contudo, a via foi bastante diferente. Se nos anos 20 foi o arianismo, os grupos do racismo radical, que conduziram ao paganismo como forma de entroncar com a raiz racial, com as tradições antigas dos povos e encontrar nestas tradições a identidade entretanto perdida com o mundialismo demoliberal, nos anos 70 não foi o racismo a via de encontro com o paganismo, mas a sua concepção do mundo e o seu sentido artístico da beleza e da Honra.

Podemos dizer que foi a Grécia a alternativa ao Sistema. Como disse Bernard Levy, a decisão sempre se colocou entre Atenas ou Jerusalém. O Sistema impõe Jerusalém, a Alternativa estará sempre em Atenas. E Atenas é a essência do Paganismo, a sua máxima expressão cosmológica.

Daí que o primeiro grande centro cultural paganista tenha sido o GRECE, Grécia em francês, como acrónimo de Groupe de Recherche et d'Études sur la Civilisation Européenne.

O paganismo enquanto Cosmologia é antes de mais alegre, anti-proselitista, diverso, artístico e heróico.

Frente ao pensamento totalitário demoliberal e ao Mundialismo, apresenta a ideia de Comunidades autónomas e autocentradas, em convivência não agressiva nem absorvente. Opõe-se ao Mundialismo das ideias e à actual Ocidentalização (Judaização na verdade) de todo o Mundo. Frente à igualdade democrática, a diversidade segundo os méritos. Frente ao mercado do sexo e da inquisição repressiva conservadora, a alegria do corpo, a força como reflexo do espírito são e culto. Frente à ideia de “coisa” e de “utilidade” em relação aos animais e à natureza, a concepção do homem como parte unitária com os animais e a natureza. Frente à caridade indiscriminada, a justiça para com aquele que merece, assim como castigar o culpado. Frente ao mercado como norma e à usura como realidade, o desprezo pelo monetário e a sua subordinação a mera ferramenta para as necessidades reais.

Poderíamos continuar indefinidamente. Mas julgamos que já basta para afirmar que o paganismo é a única alternativa.

Após esta constatação, uma grande parte dos nacionalistas, a partir dos anos 70 do século passado, foram abraçando o mundo do paganismo. Em 1980 foi editada a “bíblia” pagã, nomeadamente o livro “Como se pode ser Pagão” de Alain de Benoist, onde estão expostas as bases essenciais do paganismo moderno.

Infelizmente deram-se alguns desvios inevitáveis, especialmente seitas esotéricas, que não poucas vezes dão um aspecto sectário e neurótico às ideias pagãs.

O grande objectivo do paganismo é unificar a cosmologia pagã e a aceitação de que NÃO acreditamos em Deuses. Não somos Odinistas num sentido religioso-pessoal, como acontece no Cristianismo. Não existe Odin enquanto Deus-pessoa, mas antes como representação dos valores da nossa concepção global. Somos espiritualistas mas não sectários, nem adivinhos, nem magos, nem adoradores de Deuses pessoais. Somos pagãos porque acreditamos nos valores do Paganismo, da Grécia clássica, num Mundo desinfectado de Jerusalém.

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