segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não há Raças Humanas. Há Espécies Humanas

por Richard D. Fuerle

Taxonomia é uma palavra obscura, mas tem um simples significado – a classificação das coisas vivas. Cientistas classificam plantas e animais usando o sistema de classificação de Linnaeus, onde cada espécie é identificada por um nome e um gênero latinos, tal como Homo sapiens. Ocasionalmente, um nome latim para as sub-espécies também é adicionado, tal como Homo sapiens sapiens. Aqui está a classificação para o homem:

Reino: Animal – outras coisas além de bactérias e plantas.

Filo: Cordato – protegido por acordes espinhais.

Sub-filo: Vertebrados – espinhas ósseas e crânio.

Classe: Mamífero – sangue quente com cabelo e coração com quatro cavidades; fêmeas alimentam suas crias com glândulas mamárias.

Ordem: Primata – mamíferos com polegar opositor.

Família: Hominídeos – primatas bípedes.

Genêro: Homo – usam ferramentas.

Espécie: Sapiens – homem moderno.

Subespécie: Sapiens – homem moderno. 

A natureza não classifica bichos; somente homens classificam coisas que estão ou estiveram vivas. A decisão sobre como algo deveria ser classificado é feito por taxonomistas de acordo com o quão diferente uma população é de populações relacionadas, o que é obrigado a ser arbitrário.

Como a evolução faz a sua “mágica”, espécies antigas, ordens e mesmo filos desaparecem e novas surgem. Não há, entretanto, linhas divisórias entre espécies precedentes e espécies que evoluem. Mesmo que uma espécie divida-se em duas populações tão diferentes como espécies separadas, geralmente não está claro a qual espécie pertenciam os três indivíduos que viveram próximos da época de cisão. Quando uma espécie evolui, ela gradualmente muda, embora algumas das alterações possam ser “súbitas” no tempo geológico, isto é, elas podem ocorrer em um indivíduo, então se espalham por toda a população em dezenas de milhares de anos, em vez de milhões.

Mudanças de uma geração para a próxima são quase sempre tão pequenas que nenhum indivíduo pode justificadamente ser colocado em uma espécie diferente de seus parentes. Mesmo que nós conhecêssemos o genoma de cada indivíduo em nossa linhagem, seria difícil apontar as mães em particular e dizer: “ela e seu filho são de diferentes espécies”. Paleoantropólogos gastaram uma parte significativa de seu tempo discutindo sobre se um fóssil é um membro de uma espécie existente ou uma nova espécie. Frequentemente a linha que divide espécies é elaborada quando há fósseis que ainda não foram encontrados. Mas, ainda que os ossos de cada indivíduo do primeiro ao último estivessem disponíveis e na sequência correta, a colocação de linhas que dividiu a sequência em espécies ainda seria arbitrária. 

Muitas pessoas acreditam que se dois animais não possam se cruzar em sendo eles de diferentes espécies e, reciprocamente, se eles podem cruzar, eles são da mesma espécie. Porém, se dois animais podem se miscigenar, eles podem ou não ser classificados como diferentes espécies. Há muitos exemplos nos quais taxonomistas classificaram dois animais como de diferentes espécies, muito embora eles pudessem se miscigenar, ainda que a maioria dos dicionários não defina “espécies” como populações que são incapazes de cruzar. Além disso, um dicionário especificamente afirma, “... organismos relacionados ou populações potencialmente capazes de miscigenarem-se...” Muitas espécies podem se miscigenar, mas normalmente/naturalmente não o fazem. Por exemplo, muitas espécies de pássaros, tal como o arrábio (Anas acuta) e o pato-real (Anas platyrhynchos), podem se cruzar. O lobo (Canis lupus) e o cachorro (Canis lupus familiaris), o coiote (Canis latrans) e o comum chacal (Canis aureus) têm nomes de diferentes espécies (lupus, latrans e aureus), entretanto eles todos podem se cruzar entre si e produzir descendentes férteis. Mesmo que duas espécies de orangotango (Pongo abellii de Sumatra e Pongo pygmaeus da Ilha de Bornéu) possam cruzar-se, a despeito de terem números de cromossomos diferentes e assim também o podem as duas espécies de chimpanzé, o comum e o chipanzé bonobo (Pan paniscus). Então, o fato de todas as raças humanas poderem cruzar entre si produzindo descendentes férteis, não significa que elas deveriam ser classificadas como uma única espécie.

A determinação de quando uma população tornou-se suficientemente diferente de uma outra população para ser classificada como uma “nova” espécie ou sub-espécie é especificamente importante na interface entre o homem arcaico, Homo sapiens, e seu imediato predecessor, Homos erectus, e entre o homem arcaico e o homem moderno (Homo sapiens sapiens). 

Nenhuma das populações assim classificadas de repente saltou para uma diferente classificação. O erectus, por exemplo, esteve assim por cerca de 2 milhões de anos e gradualmente mudou de erectus muito primitivo (ergaster) para um menos primitivo erectus, após o que taxonomistas decidiram chamá-lo arcaico “sapiens”, em vez de “erectus”. Assim, embora o primeiro erectus não possa ter sido capaz de produzir híbridos com Hss (homo sapiens-sapiens), certamente o tardio erectus o poderia. Alguns cientistas estimam que “períodos próximos a 2 milhões de anos são necessários para produzir distância genética suficiente para ter-se uma especiação”.

Novamente, somente o homem é quem decide se uma população é ou não distinta para ser classificada como de espécies diferentes. Contudo, nós podemos pedir aos taxonomistas, pelo menos, para serem consistentes ao tomarem suas decisões. Ou seja, independentemente de o critério deles de rotular uma população de seres vivos como uma “espécie”, eles deveriam aplicar esse mesmo critério ao decidir se uma outra população de seres vivos é ou não uma “espécie”. Isso não é o caso agora, pois há muitas espécies de pássaros que podem se cruzar e diferem tão pouco na coloração que somente um perito pode distingui-los, ao passo que as diferenças entre as raças humanas são tão grandes que mesmo um bebê de três meses pode apontar a diferença, e os adultos podem corretamente determinar a raça de uma pessoa, em 85% das vezes, apenas pela silhueta (Davidenko, 2007). Taxonomistas não deveriam aplicar um critério de especiação aos animais e outro totalmente diferente para o próprio homem.

Amplas evidências são fornecidas neste livro e as citações para apoiar a conclusão de que raça é algo real, e não uma ilusão inventada por racistas miseráveis. Mas essa mesma evidência levanta outra questão: a evidência é adequada para classificar africanos não como uma diferente raça, mas como uma espécie, Homo africanus? 

Um outro modo para se pensar a respeito da re-classificação de africanos (e primitivos aborígenes asiáticos) é imaginar que eles foram extintos e somente as únicas evidências que nós tínhamos deles eram seus ossos e DNA. Então, comparando as diferenças entre eles e os modernos eurasianos, poder-se-ia classificá-los como de espécies diferentes?
Para os igualitaristas, tal pergunta em si seria escandalosamente ofensiva e eles se jusificariam condenando alguém mesmo por levantar a questão. Mas, muito antes de o igualitarismo vir a dominar a antropologia, a questão já tinha sido considerada por antropologistas. Embora o consenso fosse de que africanos não eram uma espécie separada, poucos lhe punham algum crédito.

Até recentemente, as espécies eram classificadas baseando-se em sua morfologia, isto é, sua forma e aparência. Isso nem sempre foi preciso, uma vez que as populações não estejam intimamente relacionadas – podem sofrer evolução paralela –, ou seja, elas podem ser independentes no mesmo nível do filo, mas ainda são muito semelhantes, como, por exemplo, um pássaro, um morcego e um inseto ou um tubarão e um golfinho. Em classificações humanas usando-se da morfologia, os taxonomistas foram objetivos e imparciais; e eles aplicaram as mesmas normas aos humanos assim como eles o haviam feito quando classificaram os animais? Bem, não exatamente.

“As diferenças em morfologia (características cranianas e faciais) entre as raças humanas são normalmente cerca de dez vezes a diferença correspondente entre os sexos dentro de uma determinada raça, maior até do que as diferenças comparáveis que os taxonomistas usam para distinguir duas espécies de chimpanzés. 

"Segundo nossos estudos, diferenças raciais humanas excedem os de quaisquer outras espécies não domesticadas. É preciso olhar para as raças de cães para descobrir um grau comparável dentro das diferentes espécies em morfologia.”

Não temos mais necessidade de recorrer à Morfologia, a não ser para distinguir diferenças entre as espécies. Análises de DNA podem ser usadas para determinar a diferença entre as populações, um modo melhor de classificar espécies. Embora isso ainda não tenha sido feito, um sistema de classificação menos subjetiva poderia dizer que a distância genética de menos que “x” é uma subespécie (raça), de menos que “y”, mas mais que “x” é uma espécie, de menos que “z”, mas mais que “y” é um gênero, e assim por diante.

Aplicando-se um pouco de igualitarismo, comecemos com a proposição de que o mesmo padrão de classificação deveria ser aplicado para todos os seres vivos. Ou seja, uma população de pássaros, por exemplo, não deveria ser dividida em muitas espécies por causa de suas pequenas diferenças genéticas, enquanto populações dentro do gênero Homo – o nosso – são classificadas como uma única espécie, mesmo que as diferenças genéticas entre elas sejam maiores do que as diferenças genéticas entre espécies de pássaros.

Aplicando um pouco de igualitarismo a seres humanos e gorilas, e usando a distância genética como padrão para classificar populações, desde que a distância genética entre as duas espécies de gorila, Gorilla gorilla and G. beringei, 0,04%, é quase seis vezes menos do que a distância genética entre (sub-Saharan) africanos (bantos) e eurasianos (ingleses); 0,23% (tabela 7-1) de modo idêntico africanos e eurasianos deveriam ser classificados como duas espécies diferentes ou gorilas deveriam ser classificados como uma única espécie. 

A distância genética entre o comum chimpanzé e o bonobo é de 0,103% (Curnoe, 2003, Table 2), menor do que a metade da distância entre um banto e um inglês (de 0,23%), e, portanto, da mesma forma (pelo menos alguns) negros subsaarianos e eurasianos deveriam ser classificados como espécies diferentes ou o chimpanzé comum e o bonobo (e as duas espécies de orangotango) deveriam ser classificadas dentro de uma mesma espécie. Embora lobos (Canis lupus) e cachorros (Canis lúpus familiaris) sejam de espécies diferentes (lupus) das de coiotes (Canis latrans), “... há uma diferença menor entre cachorros, lobos e coiotes do que há entre os vários grupos étnicos de seres humanos...” (Coppinger, 1995). Parece que os taxonomistas desviaram-se um pouco de seus objetivos.

Agora vamos ver como taxonomistas têm classificado os neardentais. Até 1960, os neardentais eram classificados como Homo neanderthalensis, uma espécie diferente da nossa, Homo sapiens. Porém, a distância genética entre Homo sapiens e Homo neanderthalensis (menor que 0,08%) é menor do que a distância genética entre duas espécies diferentes de chimpanzés (0,103%). Hoje, neardentais são classificados como Homo sapiens neanderthalensis, uma sub-espécie da nossa, enquanto nós somos uma outra sub-espécie, Homo sapiens-sapiens. A distância genética entre (subsaarianos) africanos e eurasianos (0,2%) é duas vezes maior que a distância genética entre seres humanos e neardentais (0,08%), então, pelo menos, os africanos deveriam ser classificados como uma sub-espécie, Homo sapiens africanus e eurasianos como uma outra sub-espécie, Homo sapiens eurasianensis. 

Finalmente, a distância genética entre Homo sapiens e Homo erectus é estimada em 0,170% (fornecida como 0,19%), bem como a diferença genética entre o africano banto e os esquimós, mas a distância genética entre africanos e eurasianos é de 0,23% (Tabela 7-1, p. 45). Assim, o Homo sapiens está mais próximo do Homo erectus do que os eurasianos estão para os africanos subsaarianos. Da mesma forma, o Homo erectus deveria ser classificado como Homo sapiens erectus ou os africanos subsaarianos deveriam ser reclassificados como Homo africanus.
Capítulo 28 do livro "Erectus Walks Amongst Us".
Tradução de Alexandre Söldann

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