sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Escola de Frankfurt e a Revolução Sexual

… as noções freudianas de felicidade e liberdade são eminentemente críticas, enquanto que são materialistas e protestam contra a espiritualização do desejo.” (Herbert Marcuse)

Compreender a genealogia da revolução moral e sexual que vem gestando-se no mundo ocidental, desde a segunda metade do século XX, implica reconhecer a gigantesca conspiração da qual é vítima nossa civilização a partir da vitória dos poderes plutocráticos em 1945. A partir desta data, não é difícil observar uma progressiva incursão ideológica nas esferas mais privadas do indivíduo por parte de toda uma série de “agitadores pseudo-intelectuais”, que foram convenientemente financiados por grandes magnatas do dinheiro, demonstrando, uma vez mais, que detrás das palavras “liberalismo” e “democracia” escondem-se os poderes fáticos que se encarregam de criar, promover e consumar os conflitos sociais necessários para desestabilizar os princípios do organismo que pretendem destruir.

A chamada “revolução sexual” e os diversos movimentos contra-culturais (que compreendem desde o feminismo e o niilismo hippie até o misticismo da new age) revelam um panorama desolador no qual a intensiva propaganda sobre disparatadas tendências filosóficas ou políticas, quase sempre termina gerando um clima de convulsão social, que pode chegar a paralisar uma nação ou inclusive um continente inteiro. Tal foi o caso da “revolução de maio de 68”, onde a França viu-se envolta num turbilhão de contínuas revoltas estudantis sob o prisma de uma situação laboral na qual mais de 50% dos trabalhadores não-campesinos encontravam-se em greve.nMas é necessário indagar-se sobre as origens desta espécie de “suicídio cultural” para obter uma imagem clara e precisa da grave crise que atravessa o Ocidente nesses delicados momentos.

Fundada em 1929, o Instituto para Pesquisa Social, posteriormente rebatizado com o célebre nome Escola de Frankfurt, foi, sem dúvida, a escola filosófica que mais influiu no pensamento pós-moderno de onde são originárias as correntes revolucionárias dos anos 60. Seu fundador, o neo-marxista Georg Lukacs [1], não ocultou que o objetivo principal desta escola era provocar mudanças sociais em escala massiva.

Em meados dos anos 30, a Escola de Frankfurt encontrou nos Estados Unidos um cenário idôneo para desenvolver sua particular agenda ideológica; após um breve período de participação em diversos meios de comunicação logo seus integrantes compreenderam a necessidade de promover suas doutrinas infiltrando-se no sistema educativo norte-americano. Na década de 60 a presença da Escola de Frankfurt nas principais universidades do país era quase hegemônica, e em pouco tempo seus postulados antropológicos e sociológicos converteram-se em dogmas de fé para a nova geração de estudantes que não tardariam em respaldar o projeto político de Kennedy e a ampliação dos direitos civis das mãos de Martin L King.

Em geral, o objetivo da escola de Frankfurt era oferecer um novo redimensionamento das teorias de Marx e Freud à luz da crítica às modernas sociedades industrializadas do século XX, incindindo complexidade no “sistema de dominação” organizado pelo “capitalismo”, assim como em sua capacidade de “reprimir” a dimensão instintiva do homem até transformá-lo num mero “instrumento de trabalho”, através da “racionalidade tecnológica” e a constante “alienação” de sua personalidade. Entre os autores que representaram um papel relevante nas revoltas do ano de 68 descola a figura do arqui-conhecido Herbert Marcuse, filósofo que escreveu até a década de 50 uma das obras mais laureadas da Escola de Frankfurt: “Eros e Civilização”. Neste livro Marcuse especula com a possibilidade de criar uma “civilização não repressiva”, corrigindo a pessimista opinião de Freud, para quem a restrição dos instintos sexuais era um fato constitutivo de toda civilização. Marcuse expõe neste ensaio que a sociedade contemporânea pode liberar-se do “sistema repressivo capitalista” mediante a criação de uma “razão libidinal”, que impeça o “desvio da libido até atividades culturalmente úteis”. Mas ainda mais inquietante é a circunstância em que o próprio autor reconhece sem rodeios que:

Esta mudança no valor e no panorama das relações libidinais levaria a uma desintegração das instituições nas quais as relações privadas interpessoais têm sido organizadas , particularmente a família monogâmica patriarcal”.

O ataque à instituição familiar salta à vista, toda vez que o próprio Marcuse simpatizou com as idéias do psiquiatra vienense Wilhelm Reich, o qual asseverou, em sua obra “A Revolução Sexual”, que a família não era mais do que um dispositivo repressivo imposto pelo capitalismo para dominar e doutrinar aos filhos desde suas mais tenras infâncias. Sem embargo, esta postura anti-família não deveria nos estranhar partindo-se do marxismo-freudismo, a ideologia que continua desenvolvendo a monumental falácia que considera os instintos sexuais degenerados como “a libido do homem” (já que para os seguidores da psicanálise as pulsões sexuais estão orientadas pelo hedonista princípio do prazer corporal), enquanto que os instintos sãos, que reclamam uma maior disciplina no trabalho e na vida, são considerados por eles como “transtornos neuróticos”.

É inegável que os precursores dos movimentos contra-culturais encontraram seus patrocinadores nos grandes magnatas plutocráticos (boa parte das obras da Escola de Frankfurt foram financiadas pela Fundação Rockefeller) e nesses centros neurálgicos do atual sistema que são as universidades de todo o Ocidente, que são as encarregadas de preparar os exércitos de funcionários que administram e controlam nosso mais imediato futuro. Não é reconhecível a sinistra mão do falseador da cultura em todas estas tendências encaminhadas à desintegração dos valores que outrora forjaram a civilização mais poderosa do planeta?   

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