terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Uma nova era

"A Humanidade entrou numa nova Idade. Possui já o equipamento dessa nova Idade. Mas ainda não tem o direito, nem as instituições. Aquilo a que se chama crise não é nada mais que a manifestação da contradição entre esse novo equipamento e as velhas instituições, que tornam impossível a repartição dos produtos da maquinaria universal.
A esta «crise», o velho direito e as velhas instituições não podem trazer qualquer solução. Porque, literalmente, «o mundo alterou os seus princípios».
A nova Idade, é a Idade caracterizada pelo facto da humanidade ter encontrado os meios de captar energia da natureza inanimada.
É a maior revolução científica e técnica de toda a História. Altera todos os meios de acção do Homem. Obriga-o a alterar a estrutura de todas as sociedades.
Aristóteles disse: «se a tesoura e a lançadeira pudessem andar sozinhas, a escravatura não seria mais necessária». A previsão de Aristóteles realizou-se. Não é apenas a escravatura que deixa de ser necessária. Mas a servidão e o salário deverão desaparecer. O homem, inevitavelmente, deixará de ser um produtor, um trabalhador. Tornar-se-á um inventor, engenheiro, gestor, distribuidor - mas não trabalhador.
O problema que se coloca à humanidade, doravante, não é como forçar o homem a trabalhar, mas como, pela máquina e pela energia gerada pela natureza, libertar o homem do trabalho, e gerar pela máquina uma quantidade crescente de produtos?
O problema é simples. É insolúvel no regime económico e jurídico existente. As máquinas e a energia são propriedades privadas nas mãos das minorias que quererão aumentar os seus lucros explorando-as. Mas a exploração racional das máquinas e da energia têm gerado ao mesmo tempo o desemprego dos trabalhadores e a adundância dos produtos destinados aos trabalhadores cujo poder de compra total foi reduzido pelo desemprego.
Daí o acontecimento universal que se apelida de crise. Acontecimento conhecido e que se reproduz periodicamente desde a industrialização. Até agora, as «crises» eram anuladas por novos empregos para os trabalhadores eliminados desta ou aquela indústria. Desta vez, a anulação é impossível, a cadência do progresso é demasiado rápida, o poder da produção é demasiado grande. A humanidade chegou ao momento em que é obrigada a destribuir o lazer."
(George Valois)

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