quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mito e Comunidade

por Giorgio Locchi

Com um bom século de avanço, Friedrich Nietzsche havia previsto todos, ou quase todos, os fenómenos que caracterizam a nossa época, como a ascensão do niilismo anarquista, a epidemia das neuroses, o extraordinário desenvolvimento de uma arte do espectáculo rebaixada ao nível do “circense” quotidiano, o comércio da luxúria. A verificação das profecias nietzschianas deveria afectar os espíritos, convidá-los à reflexão. Não é assim. Mas isso é fatal. Nietzsche havia estabelecido para as sociedades ocidentais um diagnóstico de decadência e não fazia mais do que prever o decurso normal da doença. Ora, o que é próprio desta doença das sociedades que é a decadência é a cegueira que afecta o doente sobre o seu estado. Quanto mais está doente, mais acredita estar de boa saúde. Uma sociedade decadente é tanto mais progressista quanto mais se aproxima da conclusão fatal da sua doença.

Olhemos em torno a nós. Todos, do liberal mais ou menos avançado ao comunista mais ou menos atrasado, acreditam visceralmente no progresso, estão intimamente convencidos de viver uma era de progresso e mesmo de progresso último. Vêem toda a espécie de fenómenos sociais que na longa história dos povos sempre caracterizaram as agonias dos povos e das culturas. Do feminismo à ascensão social fulgurante dos histriões e das gentes do espectáculo, da desagregação das células sociais tradicionais (para nós a família) às tentativas efémeras e sempre renovadas de as substituir por não se sabe que “comunas”, do universalismo masoquista ao abatimento de toda a norma social restritiva para o indivíduo. Mas tornaram-se perfeitamente incapazes de tirar lições da história, o que os leva por vezes a dizer que a história não tem sentido.

Um outro traço é característico da decadência avançada: a mediocridade dos sentimentos. Discutimos agressivamente, mas toleramo-nos. Ainda fazemos a guerra, fria se possível, mas fazemo-la em nome do amor, para libertar o outro.

Aquilo que nos obrigamos a odiar é uma abstracção do Outro, nunca o Outro na sua realidade. Odiamos consoante o campo em que nos encontramos, o detestável capitalismo ocidental ou o horrível regime comunista, mas amamos o povo russo, amamos o grande povo americano. As sociedades decadentes já não sabem amar ou odiar, já estão tépidas, pois a vida está em vias de as abandonar, a sua força vital está já quase toda dissipada. Essa força vital que dá vida às sociedades, as organiza e as lança sobre os perigosos caminhos da história, essa força pode receber diversos nomes. Dostoievski chamava-lhe Deus e dizia que quando um povo deixa de ter o seu Deus não pode mais que agonizar e morrer. Friedrich Nietzsche, por sua vez, anunciou às sociedades ocidentais que o seu Deus estava morto e que elas também iriam, portanto, morrer. Paul Valéry, à sua maneira, sentiu a mesma verdade. Para mim, “Deus” é uma definição demasiado estreita, demasiado “ocidental”, daquilo que é a força vital de uma sociedade. O Divino não é mais que um elemento, que um aspecto dessa força vital que eu chamaria antes, em toda a sua complexidade, MITO.

O que é próprio do Mito, tal como o entendo, é entrar na história criando-se a si mesmo, isto é, criando e organizando os seus próprios elementos. O Mito é essa força histórica que dá vida a uma comunidade, organiza-a, lança-a rumo ao seu destino. O Mito é, antes de tudo, um sentimento do mundo, mas um sentimento do mundo partilhado e, enquanto tal, é e cria objectivamente o laço social e, ao mesmo tempo, a norma comunitária. Estrutura a comunidade, dá-lhe o seu estilo de vida, e estrutura também as personalidades individuais. Este sentimento do mundo está, por outro lado, na origem de uma visão do mundo, portanto de expressões coerentes de pensamento. A história ensina-nos que cada povo, cada civilização, teve o seu Mito. Na perspectiva que se abre a partir do nosso presente social, temos a impressão que os Mitos estão sempre ligados a uma fase primordial, já superada, do devir humano.

Que o Mito seja, por assim dizer, a manifestação própria da infância da humanidade, é um lugar-comum da reflexão histórica moderna. É o ponto de vista, inevitável, de um pensamento que é o reflexo da velhice de uma civilização. Quando um Mito morre, quando o olhamos de fora, um Mito surge-nos como um conjunto de crenças mais ou menos fantasiosas, como uma colecção de narrativas imaginárias, estranhamente confusas, sempre contraditórias. Se tentamos, pela imaginação posterior, transportá-lo para a vida e a história, o Mito parece mover-se contra o sentido do tempo, o que leva Mircea Eliade a dizer que o Mito é nostalgia das origens. Mas sucede que não podemos estudar a vida num cadáver. Um Mito vivo reconhece-se pelo facto de ser harmonia, fusão e unidade dos contrários. Isso significa, muito simplesmente, que os homens que vivem no campo do Mito e que são organizados por ele, não sentem como contraditório tudo que parecerá contraditória aos que estão de fora. O Mito é força criativa viva e demonstra-o justamente por essa criação que infatigavelmente reduz e harmoniza os contrários. Tivemos um nome para esta virtude redutora das contradições, chamámos-lhe a fé. Racionalmente estamos aqui num círculo vicioso, outra forma de contradição: o Mito apenas é verdadeiro pela fé, mas a fé apenas vive pelo Mito – a fé não é criada senão pelo Mito.

Para quem está no Mito, sabemo-lo bem, esse círculo vicioso, essa contradição, não o é, porque o Mito está em todos os que dele são tributários e não cessa de se criar entre eles e por eles. Porque o Mito, com efeito, é criação incessante se si mesmo, ele é – sob todos os aspectos – auto-criação. Isso é verdade, desde logo, ao nível da linguagem, que é o nível no qual o humano se constitui enquanto ser social. Ilustres estruturalistas dizem-nos hoje que nós não falamos, que “somos falados”. Falam evidentemente deles mesmos e para eles mesmos, enquanto representantes privilegiados das sociedades actuais.

Têm razão; pois toda a língua, desligada do Mito – isto é, do sentimento do mundo – que a criou, apenas pode ser falada, no sentido em que aqueles que a utilizam já não falam verdadeiramente, antes são falados. Enquanto a língua está ainda vivamente ligada à sua raiz mítica está também ainda a criar-se e aqueles que a utilizam ainda falam e se falam, longe de toda a Torre de Babel.

A língua do Mito estrutura símbolos, ainda cria as coisas com as palavras. A partir do momento em que o Mito deixa de falar, e passa a ser, no máximo, falado, à harmonia do símbolo sucede a discórdia de duas ideias opostas, inconciliáveis. Isso significa também, tautologicamente, que à época do Mito sucede a época das ideologias, de ideologias saídas de uma mesma fonte e contudo sempre opostas, que se esforçam em vão para atingir a sua síntese impossível através de uma “ciência última” e de reencontrar dessa forma esse paraíso perdido que era assegurado pela harmonia do Mito.

Por ser harmonia dos contrários, o Mito é também o laço social por excelência e, desse ponto de vista, é legítimo falar, a seu respeito, de religião. Enquanto laço social, o Mito organiza a sociedade, assegura-lhe a coerência no espaço e através do tempo. O Mito é bem mais que uma Weltanschauung, é um sentimento do mundo e também, ao mesmo tempo – melhor: por isso mesmo – um sentimento de valor, uma métrica operante. Ele é a chave que explica, que sugere a acção e a norma da acção. Queria relembrar-vos aqui como um Mito pode organizar uma sociedade, ditar a conduta dos homens, no caso os helenos, confrontados frequentemente com um problema que lhes era desconhecido. Os helenos eram indo-europeus, o seu Mito era o Mito indo-europeu, que constituía a base sobre a qual estavam organizados em descendência patrilinear fundada sobre o que podemos chamar o valor heróico. Quando imigraram para a península grega viram-se confrontados com uma sociedade de descendência matrilinear. Por razões que foram talvez contingentes, não destruíram esta sociedade estrangeira.

Houve mistura de povos, de civilizações. Isto colocava um grave problema: o da oposição inconciliável entre duas concepções da sociedade e do direito. Na sociedade matriarcal, não são as mulheres que fazem a guerra e detêm o poder, são também os homens. Mas a legitimidade do poder vem da mulher, apenas se é rei porque se desposa a mulher que por direito de descendência matrilinear é herdeira do poder. Nestas sociedades o poder é assim sempre detido por homens que são escolhidos pelas mulheres. Ora, se podemos legitimamente pensar que os helenos, no início da mistura, adquiriram frequentemente o poder graças ao casamento, deviam ainda assim legitimá-lo do ponto de vista do seu Mito, do ponto de vista do direito patrilinear. Existe toda uma miríade de narrativas míticas que nos contam estes conflitos e as mil vias pelas quais os helenos sempre fizeram triunfar o seu sistema de valores. A aventura de Édipo, a Oresteia, os mitos de Teseu, de Jasão, de Belerofonte, mesmo o mito do rapto da Europa são penas exemplos entre tantos outros. E a supremacia do direito paternal é simbolizada, num Panteão que é tributário, é certo, de duas religiões míticas, pela presença de Atena, a deusa virgem, deusa guerreira mas também deusa do pensamento reflectido. Atena não tem mãe, ela proclama “apenas ser de seu pai”, Zeus, e é ela que está lá para absolver todos os Orestes, que para vingar o seu pai, foram constrangidos a assinar a sua mãe.

Esta ligação íntima entre Mito fundador, sociedade, sistema de valores, norma social, permite-nos falar da sociedade como de um organismo, de falar de sociedade orgânica. De resto, o termo sociedade é impróprio, como o demonstra o facto de sermos obrigados a adjectivá-lo. Falarei então, doravante, de comunidade, para significar sociedade orgânica, e ademais, oporei comunidade a sociedade, a toda a linha, um pouco da maneira como opomos um conceito-limite a outro.

Esta oposição entre comunidade e sociedade não é nova, foi estabelecida por sociólogos alemães e notoriamente por Ferdinand Tönnies. A intuição destes sociólogos era justa, mas sempre conduziu a conclusões erradas ou a teorias assaz confusas, porque a definição de comunidade em relação a sociedade nunca foi dada senão de maneira implícita.

Um Mito é sempre nostalgia das origens, como afirma Mircea Eliade, mas também é sempre visão cosmológica do futuro, anuncia um fim do mundo, que também pode ser por vezes começo de uma repetição do mundo e, num caso que conhecemos bem, regeneração do mundo.

O Mito, também o dizemos, não tem tempo. Não o tem porque ele é o tempo, o tempo da história. Assim, a comunidade que ele organiza é um organismo histórico que ocupa a todo o momento as três dimensões do tempo histórico. Uma comunidade é um organismo vivente, que está à vez no passado, no presente e no futuro. Uma comunidade tem uma consciência comunitária, que é, ao mesmo tempo, memória, acção e projecto. Uma tal comunidade, chamamo-la povo. Quando um povo já não tem a memória das suas origens e, como diz Richard Wagner, quando deixa de ser movida por uma paixão e um sofrimento comum, deixa de ser povo: torna-se massa. E a comunidade torna-se sociedade. Afirmei que comunidade e sociedade são conceitos-limite. Há sempre um pouco de massa nos melhores povos e há sempre uma réstia de povo na massa mais vil e mais rebaixada. Não há dúvida, e de resto enchem-nos com isso os ouvidos, de que vivemos na época das massas, de que vivemos em sociedades massificadas. O indivíduo, não importa qual, é divinizado em nome da igualdade. Todo o individuo social tem o mesmo valor, a personalidade nunca é tomada em consideração – e com causa, pois já não há sistema referencial de valor social. Numa comunidade, pelo contrário, o valor humano, que é sempre personalidade social, é medido pelo seu grau de adequação aos exemplos ideais propostos pelo Mito, e que cada membro da comunidade traz em si como uma espécie de superego.

Quando o mito se esteriliza, quando esses arquétipos ideais não são mais sentidos como tal, deixa de haver laço comunitário, de modo que, no limite, todo o indivíduo é considerado como ideal em si, pelo simples facto de ser um indivíduo. O que resta para manter unido aquilo que se tornou uma sociedade, é o laço sempre precário e contingente criado pela aliança dos interesses egoístas de grupos de indivíduos, de classes, de partidos, de capelas, de seitas. A verdadeira dimensão humana, que é dimensão histórica, está perdida; a sociedade de massa já não se preocupa, verdadeiramente, nem com o passado nem com o futuro, apenas vive no presente e para o presente. Assim, ela já não faz política, apenas faz economia, e economia da pior espécie, condicionando todos os reflexos sociais. Sintomaticamente, a preocupação do futuro, os horizontes do século XXI, não são invocados senão para justificar e avalizar o insucesso económico do presente. Perceberam bem, estamos em vias de falar das nossas sociedades ocidentais. Estas sociedades, no seio das quais nascemos e vivemos, saíram da grande ecúmena cristã, que havia sido formada e conformada pelo Mito judaico-cristão. Este Mito morreu há muito tempo, com o seu Deus. Mesmo a religião, tal como é veiculada pelo que resta das Igrejas, é ideologizada, tornou-se ideologia que se opõe a outras ideologias brotadas da mesma fonte mítica, entretanto exaurida. Ali, onde o Mito havia organizado, harmonizado, unido, e assim dado um significado e um conteúdo espiritual, isto é, humano, à vida dos homens, as ideologias opõem, desunem, desagregam. A ideologia rejeita o Mito como sendo irracional e pretende, ela, ser racional, ser racionalmente fundada. No fundo, de maneira implícita ou explícita, toda a ideologia pretende ser ciência e ciência do homem também. E lançada sobre a sua busca de racionalismo, toda a ideologia acaba por se transformar em anti-ideologia.

Com efeito, uma vez que uma ideologia é sempre acompanhada por uma ideologia contrária, esta constatação leva à procura de uma síntese, numa espécie de neutralidade ideológica aparente, sustentada pela convicção absurda de que em último caso tudo, mesmo o homem, é quantificável, que tudo pode ser calculado, que a vida de uma sociedade reduz-se a um problema de gestão administrativa.

As sociedades ocidentais, por exemplo, têm a ilusão de reencontrar a harmonia perdida, a fusão íntima dos contrários, graças às virtudes da tolerância: mas tornam-se assim esquizofrénicas e tornam esquizofrénicos os indivíduos mais sensíveis ao clima social. O indivíduo ocidental acaba sempre por ter uma má consciência, sobretudo ao nível do poder, porque é atormentado por duas exigências opostas, que não saberia satisfazer conjuntamente, que dizemos ser, para simplificar: a exigência de liberdade individual e a exigência de justiça social. A cisão que está no seio das sociedades está também sempre no coração dos indivíduos e isso leva por vezes a consequências cómicas, como no caso dos liberais avançados que queriam também ser ao mesmo tempo socialistas e no dos comunistas e socialistas que queriam também ser liberais. E note-se que se desconsideramos o Mito, rejeitado como sendo irracional, instintivamente pretendemos recuperar os seus benefícios sociais, propondo Anti-Mitos, com um ideal correspondente que seria o do anti-herói, ideal tão bem representado ao nível da consumação quotidiana de pseudo-valores sociais, pelo artista desleixado, cabeludo e se possível um pouco sujo.

As sociedades comunistas, também elas saídas do Mito judaico-cristão, tentaram uma outra solução. Escolheram a intolerância, em benefício de uma só ideologia, convocada a tomar a lugar do Mito. Mas porque a ideologia não é um Mito, e portanto não pode ser operante na alma dos indivíduos, estes nunca se conformam à norma ideológica. A consequência bem conhecida é que a sociedade comunista é uma sociedade restritiva.

Para ser exacto: há na sociedade comunista, a todos os níveis, uma obrigação de restrição, de forma que o depurador acaba sempre, ele próprio, depurado, enquanto na sociedade liberal-democrática chegamos a uma obrigação de tolerância, da qual mesmo os delinquentes acabam por beneficiar. Além do mais, também as sociedades comunistas, apesar de certas aparências “anti-económicas”, apenas vivem no presente. A demonstração é-nos oferecida, de maneira periódica mas marcante, pela condenação de todo o “presente encerrado”, assumindo o aspecto de uma celebração ritual. O presente é sempre divinizado – de Lenine a Estaline, até Mao – para ser infalivelmente condenado e desprezado a partir do momento em que cede lugar a outro presente. Assim, tudo somado, podemos dizer que a equação social da sociedade comunista tem como resultado o mesmo valor da equação democrático-liberal. Microscopicamente, ao nível dos indivíduos, a sociedade liberal é mais atraente, daí os fenómenos de dissidência no seio dos regimes comunistas, as fugas, e por reacção o muro de Berlim. Mas note-se também que ao nível macroscópico, da massa enquanto tal, a fuga produz-se sobretudo em sentido inverso e que portanto, no pós-guerra, as sociedades socialistas multiplicaram-se.

O que fazer então? O que esperar? Permitam-me regressar uma vez mais a Nietzsche. Nietzsche foi dos primeiros a dizer-nos que a civilização ocidental tinha entrado em agonia, uma agonia de duração imprevisível, e que iria morrer. As nações europeias estão condenadas ou a sair da história à maneira dos Bororos, tão caros ao senhor Levy-Strauss, ou a morrerem historicamente e verem dissolvida a sua substância biológica em nações e povos que estão para vir. No fundo, todos na Europa estão mais ou menos conscientes e é por causa disso que há, desde há algum tempo, um discurso sobre a Europa.

Mas essa Europa é concebida como um prolongamento das actuais realidades sociais, como o último meio para salvar o que está em agonia, o que está condenado à morte, ou seja, a civilização judaico-cristã. Mas se uma Europa vir a luz do dia num futuro mais ou menos distante, ela não terá sentido, historicamente, se não for tal como Friedrich Nietzsche a auspiciava, conduzida e organizada por um Mito novo, fundamentalmente estranho a tudo o que existe hoje. Acreditamos que este novo Mito já existe, que já apareceu. Disso há sinais e sinais por detrás dos sinais. Nos seus inícios um Mito é sempre extremamente frágil, a sua vida depende sempre de alguns punhados de homens que já o falam. Num estudo sobre aquilo que chamo a música europeia, de Johann Sebastian Bach a Richard Wagner, tentei mostrar como este Novo Mito e a nova consciência histórica que o transporta nasceram, e mostrar também por que via este Novo Mito se dirigiu ao nosso presente. Se ele vive ainda, não pode sobreviver senão em virtude da total fidelidade ao seu jovem passado daqueles que o transportam. É certo, ele ainda não disse tudo, talvez não tenha feito mais que balbuciar. O mito, quando vivente, está sempre em vias de se expressar.

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