sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Israel e Palestina

"As posturas unidimensionais em relação ao conflito de Gaza evidenciam que uns e outros caem nesse reducionismo. A facilidade com a qual os meios 'vendem' uma postura ou outra, a frivolidade com a qual opinam, desde os tertulianos ao último blog escrito pelo último imbecil, é significativa de nosso tempo. Não é este um tempo de 'complicações', se complicação é pensar, é ser coerente, é não misturar os termos nem dar um passo mais adiante para aumentar a confusão, não realizar raciocínios gratuitos arrastados pelas filias ou fobias, as lendas urbanas ou os conceitos mal aprendidos, pior digeridos e apenas parciais. Não é este, em definitivo, o tempo em que valha a pena opinar sem conhecer até o fundo dos problemas.

Pode ocorrer que, em determinando momento, seja difícil explicar razões e argumentos, pode ser, inclusive que as coisas não estejam suficientemente claras para tomar partido por um ou outro. Pode ser que assaltem as dúvidas sobre quem tem a razão ou o que é mais importante nesse momento: o quê pode fazer-se desde a Europa? Nestes casos nos quais não há resposta possível, o melhor é o silêncio. A virtude do silêncio é, em ocasiões, eloqüente."

"O certo é que não sei o que diz a Europa, seus governos, seus políticos, seus atores e seus manifestantes e por isso sigo com as perguntas: não tem Israel direito de se defender? o que é a proporcionalidade na defesa de Israel? mandar mísseis rudimentares durante meses contra populações palestinas? enviar crianças e adolescentes judias enrolados em explosivos para explodir em Gaza e na Cisjordânia? praticar o terrorismo do Hamás? praticar a corrupção de Al Fatah?

Todas estas perguntas ficarão permanentemente sem resposta enquanto a esquerda européia e a ultradireita antissemita arremetem contra Israel, somente contra Israel. Enquanto os islamistas se manifestam em Londres junto aos judeus ortodoxos e fariseus, enquanto se apedreja, pela paz, a embaixada israelense em Madri, enquanto um islamista encapuzado passeia vociferante, com uma pistola na mão, por Barcelona - como mostrou o 'El Semana Digital' - como se aqui fosse Islamabad, enquanto a quinta-coluna da Jihad islâmica dá as mãos pelas ruas da Espanha com a ultra-esquerda antissistema e filo-terrorista."

"Esta situação e este terror são silenciados pelos equívocos, a covardia e a cumplicidade de uns e outros: 'as esquerdas', historicamente especialistas em genocídios e deportações, atacam Israel por considerá-la títere dos Estados Unidos, e em virtude de sua tradicional histeria anti-americana, vozeiam suas consignas ocultando o seqüestro que o lobby likudnik de Washington mantém sobre a política externa americana. Na "direita" ou "centro-direita", os informativos de Telemadri e os jornais dentro da órbita dessa opção política sustentam uma propaganda aberta de signo tão contrário, tão unilateral a favor de Israel que às vezes nos perguntamos se eles realmente acreditam nisso ou se é só uma brincadeira. Uns e outros exercem um verdadeiros terrorismo informativo, cheio de confusões e meias verdades, que impede de pensar a situação e do qual a primeira vítima é o principal povo-mártir da última pós-guerra mundial: os palestinos."

"Nesses dias em que Israel massacra com mais gana que de costume ao povo palestino e os posicionamentos anti-israelenses na 'área' se fortalecem, não é demais recordar que, se bem que é verdade que o Estado judeu assassina há mais de 60 anos com total impunidade, começando com seus próprios grupos terroristas e continuando com seus 'todo-poderosos' serviços secretos e seu exército criminosos, coisa denunciável, nem os palestinos em particular são anjinhos sem nenhuma responsabilidade na situação atual na zona, nem o Islã em geral é um aliado potencial nosso contra o sistema. Cair na análise maniqueísta de israelenses maus, palestinos bons, é um erro simplista que normalmente fede a um anti-judaísmo barato e inútil. O conflito é muito mais complexo e, por isso, de difícil solução: e os judeus anti-sionistas? e os cristãos que, por um lado, formam parte de algumas milícias palestinas, porém por outro devem lutar contra os radicais do Hamas e do Hezbollah? por quê se lamentam tão humanitariamente as vítimas palestinas dos ataques do Tzahal e se esquece que as guerrilhas islâmicas se refugiam e se organizam conscientemente em assentamentos, hospitais...e também assassinam indiscriminadamente civis israelenses? São só alguns exemplos."
(Marcos Ghio)

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