sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Julius Evola - Raça como Construtora de Líderes

por Julius Evola



No nosso último artigo no Diorama, nós questionamos se, além das aplicações gerais de higiene nacional e racial, e naturalmente, da defesa de nossa herança genética contra a mestiçagem e  a hibridização, a doutrina da Raça deveria ser limitada a ser uma questão de “ensinamento” ou, no nosso país, deveria mais cedo ou mais tarde se tornar a base de uma verdadeira “educação”, com tarefas especiais de uma natureza política e espiritual com respeito a uma certa elite racial. Em outras palavras, deve ser pensado se, em casa, dadas necessidades similares, nós devemos dar início a projetos similares aos do Nacional Socialismo Alemão, que, apesar de ser de desenvolvimento mais recente que o Fascismo Italiano, já tomaram forma concreta, como a criação das Adolf Hitler Schule, dos cadetes da Ordem Ordensburger, da S.S. e sua escola para líderes e com a Politische Hermehunganstante. Em verdade todas essas instituições alemães mostram uma intenção definida de proceder à uma seleção política, na qual considerações raciais devem ter um papel fundamental e o valor de uma real força formativa. 

A Futura Classe de Líderes

Em geral, deve ser reconhecido que o problema da futura classe governante é um dos mais essenciais para os movimentos de natureza restauradora: ele pode ser adiado nas primeiras fases da luta pela conquista de poder e de consolidação contra inimigos externos, mas, em uma segunda fase, deve ser abordado de modo a perpetuar e estabilizar aquele organismo que a manifestação de “homens do destino” criou. Longe de serem confinados à esfera da academia ou de exaurirem a si mesmos em formas culturais e propagandísticas, a doutrina da Raça deve pois contribuir para a conquista de tal tarefa. É claro, o pré-requisito, aqui, é que tal doutrina seja compreendida em um modo global, e não seja portanto limitada às esferas biológicas e antropológicas (“racialismo de primeiro grau”), mas seja levada também a considerar Raça como uma realidade da alma, do caráter e do modo de vida, e, finalmente, Raça como “visão-de-mundo” (Weltanschauung) e Raça do Espírito (“racialismo de segundo e terceiro graus”).

Cada tipo de adulteração étnica indiscriminada, por um lado, é a conseqüência de uma sensibilidade interna degenerada e da tirania de considerações materialistas, individualistas e sentimentais, e, por outro lado, é a causa de mais degenerações de povos e civilizações; isso deve ser mantido em mente. Considerações precisas do “racialismo de primeiro grau” não devem portanto ser negligenciadas na criação de uma nova classe governante, e, certamente, como estão as coisas presentemente, na Itália acima de tudo, não é impossível que aparências físicas peculiares a uma dada raça possam estar acompanhadas pelos traços psíquicos de uma raça diferente.  (Obs.: Aqui Evola se refere a sub-raças, como nórdico ou mediterrâneo, e não a raças no sentido hodierno do termo.)

Não pode ser discutido, porém, que, exceto em casos excepcionais, quando a pesquisa e subseqüente seleção são restritas a uma esfera definida pela correspondência a esse tipo físico racial que nós consideramos mais elevado, nomeadamente, o Ariano Nórdico, nós mais provavelmente encontramos qualidades espirituais correspondentes do que se fôssemos por uma pesquisa caótica, que ignorasse essa tipologia racial física e esse sinal de uma hereditariedade e de uma origem, talvez enterrada, mas improvável de estar completamente extinta, que uma pureza racial relativa em um sentido físico e antropológico constitui. E as vantagens dos efeitos da ação de prestígio e de exemplares visíveis não podem ser ignoradas, onde quer que cabeças, líderes, têm, fisicamente, uma presença viril particular, são no sentido comum da expressão, “bem formados” ao de invés homens pequenos, mal constituídos, bastardizados.

Seleções Adicionais

Uma vez que, por meio do racialismo de primeiro grau, uma dada esfera e uma primeira seleção sejam identificadas, nós devemos proceder, através do racialismo de segundo e terceiro graus, a testes adicionais, em uma exploração de qualidades mais profundas e essenciais do que aquelas da aparência exterior. Uma característica definidora dos movimentos renovadores atuais é seu antiintelectualismo ou, se vocês preferirem, seu anti-racionalismo.Tais movimentos estão imbuídos de forças heróicas e ativas, irredutíveis à razão abstrata. 

Uma das tarefas decisivas para nosso futuro será aquela de conectar os mitos de tais movimentos com um instinto sangüíneo: certas idéias e expressões, que são uma “força motora” apenas na medida em que possuem um poder sugestivo sobre as massas nacionais, devem achar um modo de expressão que, pelo menos em uma elite, se relacione organicamente à raça e tradição em um sentido mais profundo, de modo a diferenciar as idéias de nosso movimento das expressões coletivistas e mitos que podem às vezes exercer o mesmo poder sobre as massas, mas que estão em negação completa de tudo que representa estirpe, tradição, pátria.

Nós portanto pensamos em uma seleção de segundo grau, a ser efetivada por um exame atento, preciso e repetido da sensibilidade política dentro de um grupo que já teria alcançado as exigências da seleção racial física. Envolveria examinar, aqui, em que extensão as idéias-raízes da Revolução Fascista poderiam realmente falar ao Sangue, de modo a serem traduzidas à uma realidade mais profunda do que procede tanto do senso comum como de um entusiasmo confuso. Aqueles que forem bem sucedidos em provar, através dos testes apropriados, uma capacidade adequada em relação a isso, a ser desenvolvida e fortalecida com disciplinas apropriadas, devem ser confiados com posições de elevada importância política, com o que seria chamado na Alemanha “die Überwachung der national-sozialistischen Weltanschauung” (supervisão da visão-de-mundo Nacional-Socialista ).

Assim como a Igreja organizou, em seu próprio campo, um Santo Ofício com a missão de supervisionar tudo que está relacionado à ortodoxia, a elite em questão, tendo como base seu instinto Fascista e sua consciência racial, deveria controlar tudo que, na cultura Italiana, está relacionado, direta ou indiretamente, aos princípios que condicionam a renovação Fascista e estão na raiz de seu desenvolvimento. Uma de suas tarefas seria realizar a purificação e melhoramento cultural. 

Deve ser garantido que, no lar, tarefas de uma importância vital não afundem no pântano burocrático e em meras medidas entendidas e realizadas ao pé da letra, mas não segundo seu espírito, que, em um campo tão sensível e diferenciado, é a coisa essencial.

Por uma Nova “Ordem”

Na Alemanha a tentativa mais séria e concreta de criar uma elite é constituída pela já mencionada S.S. (abreviação de Schutzstaffel ). É interessante que Heinrich Himmler, líder dessa organização, que poderia ser chamada de “Guarda e Ordem da Revolução Nazista”, é ao mesmo tempo líder da Polícia Secreta do Estado (Gestapo) e que outros líderes sob seu comando ocupam posições similares. Notavelmente, Himmler junto com toda sua organização respondem direta e exclusivamente à Hitler. O que aprendemos com isso é a necessidade de que o conceito de “polícia” vá além do escopo estreito que era próprio no velho Estado democrático e positivista, no qual ela tinha que lidar apenas com delinqüentes e, no máximo, com subversivos no sentido mais direto e estreito da palavra. O novo Estado totalitário representa um organismo que deve defender a si mesmo contra não apenas lesões verdadeiras, mas também contra infiltrações sutis, tudo que possa enfraquecê-lo e facilitar a ação de germes e toxinas. O que é necessário, nesse sentido, é uma ação que não só seja defensiva, mas também preventiva e contra-ofensiva. Nesse sentido, as tarefas que se tornam aparentes não tem muito a ver com um parágrafo do Código Penal ou outro. Elas requerem ao invés uma ação sutil de vigília e proteção, que considere o moral e espiritual como muito importantes e que tenham a natureza de um Santo Ofício no melhor sentido, mais do que a natureza de uma “polícia”, por causa da consciência de que o verdadeiro poder da revolução está na visão-de-mundo e em suas grandes idéias fundamentais e que sua distorção ou seu enfraquecimento também representariam um declínio fatal do organismo político-partidário no sentido estreito do termo. 

Nesse campo também, é evidente que nada seria mais letal e ineficaz do que burocratismo, nada mais essencial que uma sensibilidade sutil, uma sensibilidade racial, um instinto capaz de desenvolver mesmo em áreas beirando o oculto.

Dado que nossa atenção foi justamente chamada ao documento conhecido como “Protocolos dos Sábios de Sião”, nós devemos perguntar se as dificuldades da tarefa de formar elementos que possam pelo menos ser iguais em suas capacidades aos líderes secretos da subversão mundial e que conheceriam todos os seus instrumentos, pode ser em qualquer sentido subestimada. Considerando isso, nós podemos ver que importância essa idéia de uma elite racial-espiritual a qual nós devotamos as considerações anteriores deve ter. Enquanto se desenvolve, ela poderia mesmo se permitir crescer para além do mero campo nacional e mesmo para além de uma organização como um serviço de inteligência, realizando tarefas que, por estarem atualmente limitados a sua própria área nacional, permanecem apenas potenciais mesmo na própria S.S. Nacional Socialista. Isso quer dizer que, dessa maneira, é possível ascender a uma idéia de uma Ordem Militar, no sentido antigo, medieval, que também é espiritual, construída para defender a Tradição e para atacar o inimigo em todas as suas formas, visíveis e invisíveis, onde quer que esteja e qual seja o disfarce, social, político, cultural ou mesmo científico, que assuma: em resumo, a contraparte positiva da solidariedade da conspiração mundial e do fronte internacional de subversão. 

Naturalmente, antes de chegarmos a essa fase, um longo período de treinamento, de seleção interna e externa, de organização social e política da elite em questão será necessário. Nessa fase, porém, a questão principal é se tornar cônscio dos requisitos e impor o princípio: ir além da fase genérica, política, propagandística e popular da consciência racial, para chegar a fase construtiva, séria, diferenciadora e educativa pelo estabelecimento de instituições apropriadas e confiando com responsabilidades precisas aqueles que possuem por boa sorte histórica as qualificações adequadas para liderarem, com mais do que meras palavras ou teorias, o que poderia realmente ser chamado um seminário para futuros líderes.

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