quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Psicologia Transversal

por Davide Moiso


O líder do MSI, Almirante, uma vez descreveu memoravelmente Evola como "nosso Marcuse, só que melhor." Mas "anti-Marcuse" teria sido mais adequado, posto que enquanto Evola, como Marcuse, diagnostica o homem moderno como "Unidimensional", ele não busca substituí-lo com novas ilusões: ao invés de Utopia, ele oferece Tradição.


Temas Centrais no Pensamento de Evola (adaptado de um artigo por Guido Stucco)

Na produção literária de Evola é possível identificar três temas principais. O primeiro tema é xeniteia, uma palavra que faz referência a condição de viver no exterior, ou de estar ausente da própria terra natal. Nas obras de Evola pode-se facilmente identificar um senso de alienação, ou de não pertencer ao que ele chama de "mundo moderno."

Ao longo de sua vida, Evola jamais se "encaixou". Quer durante sua fase artística, filosófica ou esotérica, ele sempre sentiu-se como um retardatário, tentando se reunir com o "resto do 'exército'". O mundo moderno que ele denunciou em sua obra-prima, Revolta Contra o Mundo moderno, teve sua vingança sobre ele: ao fim da guerra ele estava cercado por um mundo em ruínas, isolado, evitado, e detestado. Porém, ele conseguiu reter uma atitude composta e digna e continuar em sua tarefa auto-imposta de 'vigia noturno'.

O segundo tema é apoliteia, ou abstenção de participação ativa na construção da pólis humana. Apoliteia, segundo Evola, se refere essencialmente a uma atitude interior de indiferença e distância, mas isso não implica necessariamente em uma abstenção prática da política, desde que se engaje nela com uma atitude completamente distante: "Apoliteia é a distância interior, irrevogável em relação a essa sociedade e seus 'valores': ela consiste em não aceitar estar ligado à sociedade por qualquer laço moral ou espiritual." Essa atitude deve ser recomendada porquê, segundo Evola, nesses dias e nessa era não há idéias, causas e objetivos dignos de nosso comprometimento.

Finalmente, o terceiro tema é autarkeia, ou auto-suficiência. A busca por independência espiritual levou Evola para bem longe das ocupadas encruzilhadas da interação humana, de modo a explorar e expor caminhos de perfeição e ascetismo.

Esse último ponto representa a verdadeira diferença entre os egoísmos de Evola e Stirner, mesmo que eu pessoalmente prefira considerar as duas perspectivas como um continuum.

Enquanto Stirner torna o Indivíduo único, Evola acrescenta o atributo do Absoluto, criando um movimento na direção de uma ataraxia que, longe da confusa passividade pyrronistica, é - ao contrário - pró-ativa e autopoiética, como em certas perspectivas do Budismo. Nós vamos ver o quão importantes estes temas são dentro da perspectiva da Psicologia Tranversal.


Psicologia Transversal: Uma Introdução

Essa não! Outra especificação no campo! Realmente precisamos disso? Já não é o campo da psicologia suficientemente multi-facetado?

Sim, de fato, e é extremamente dividido também. As inumeráveis perspectivas na psicologia estão, na maioria dos casos, efetivamente se opondo umas às outras ao invés de trabalharem estrategicamente juntas, e, conforme se exploram suas estruturas teóricas, é aparente o porquê que isso não pode ser impedido. A maioria das perspectivas existentes assumem um marco para suas estruturas teóricas epistemológicas e este fator sozinho aparece para criar o demônio da incompatibilidade.

Porém, sem mesmo abrirmos a porta das orientações específicas de nível micro, que irão requerer uma exploração interminável de suas filosofias e crenças básicas, a um nível macro nós podemos separar o Mar Vermelho da Psicologia (o qual está principalmente contido na estrutura da filosofia determinista e mecanicista influenciada por Descartes) com o cajado da atitude de pesquisa e metodologia, definindo as duas partes principais do campo: abordagem qualitativa e quantitativa.

Vamos usar o cajado de novo, para que as águas possam voltar à normalidade, já que a Psicologia Transversal utiliza ambas, e o faz sinergicamente.


O quê é a Psicologia Transversal?

Em realidade nós a poderíamos ter chamado tanto 'Idealista' ou 'Tradicional', mas isso teria causado uma limitação, um rótulo desde o início.

A psicologia transversal é focada no Ego como um sujeito que escolhe o modo como decide perceber o mundo, e nisso o Idealismo pode ser visto como mais do que presente, como a maior parte dos temas de filosofias orientais como o Yoga, e particularmente na interpretação tântrica do Hinduísmo e Budismo. Também pode ser visto como um aspecto particular do Existencialismo, já que o conceito de Ego da Psicologia Transversal é análogo ao conceito de Ser-no-Mundo de Heidegger ou Binswanger.

Um processo de classificação e rotulação, porém, deve ser considerado como o mesmo erro, se rigidamente aplicado à Psicologia Transversal. É claro, o fato de que uma linguagem é utilizada aqui em seu formato escrito significa que esse processo não pode ser completamente evitado, mas, relembrando o conceito Foucauldiano do discurso, nós podemos dizer que a Psicologia Transversal é um discurso sobre discursos, um meta-discurso, em outras palavras. Isso, em si mesmo, é um rótulo. O processo de classificação, porém, perde sua credibilidade como realidade exterior, já que na Psicologia Transversal a única realidade reconhecida é o Ego. É o Ego que classifica, que cria aqueles discursos que jamais teriam existido de outra maneira. Em verdade, porquê o Ego pode rotular cada coisa existente de um modo que é determinado por si mesmo, a realidade objetiva não faz mais sentido, nem um rótulo.

A Psicologia Transversal remete fortemente, de fato, às filosofias de Max Stirner (particularmente nos conceitos contidos em O Ego e sua Propriedade) e de Julius Evola, com sua Teoria e Fenomenologia do Indivíduo Absoluto, sem esquecer a contribuição das filosofias Tradicionais (das quais Evola é um exemplo ilustre).

Nessas filosofias o Ego não pode ser expresso, demonstrado como é, mas também como não é, em seu aspecto dual do transcendente e do imanente, que co-existem de modo a experimentar o mundo e re-absorver a experiência em um nível onde as coisas não podem ser comunicadas. O Indivíduo se torna absoluto porquê ele é dono de si mesmo: todas as percepções são suas possibilidades de experimentar o mundo, e a escolha em relação a essas experiências e sua disponibilidade é feita através de um ato de vontade do Ego, que "molda" a realidade exterior que portanto não existe objetivamente, se não na forma do "percebido".

Esses dois aspectos do único e solipsístico Ego são espelhados pela estrutura da linguagem pensada por Noam Chomsky, e bastante explorada por Gregory Bateson, Paul Watzlawick, Richard Bandler e John Grinder, entre outros. Cada linguagem é a expressão superficial (ou estrutura) de uma estrutura mais profunda, e qualquer variação em cada uma dessas estruturas resulta em variações mútuas e, consequentemente, no modo como percebemos o mundo e interagimos com ele.

Não é suficiente operar uma análise da linguagem e estrategicamente fazer mudanças, como alguma forma de psicologia faz, já que o indivíduo apenas se tornará capaz de aumentar sua consciência a respeito de mudanças técnicas que ele/ela possa operar (o quê é, de qualquer maneira, um excelente ponto de partida).

O próximo e mais decisivo passo, porém, será alcançar a consciência do ato de Vontade que decide a operação: é a "propriedade" do Ego. Em outras palavras, aqui nós estamos dizendo que, se uma elevação de poder realmente existe, ela não é dada, como promove as filosofias esquerdistas e marxistas oficiais; nem alcançada, como afirmado nas psicologias clínica ou medicinalmente moldadas, já que ela já está ali. O ato da elevação de poder é concebido, em outras palavras, como sendo muito similar, em seu desenvolvimento, ao conceito oriental de iluminação.

É o reconhecimento do Ego através de si mesmo, distanciado de todos os fatores ambientais que tem limitado a percepção do 'Eu' a umas poucas soluções possíveis, os mesmos fatores que criam o senso de ansiedade bem explorado pelo Existencialismo (o "condenado a ser livre" sartreano é uma boa expressão dessa liberdade limitada).

Nesse cenário, é bem compreensível o porquê nossa psicologia deve ser "transversal". O indivíduo é convocado a explorar toda a amplitude de escolhar sob uma meta-perspectiva que convidará a pessoa a observar como todas as perspectivas são a mesma, sem conter qualquer significado dentro de si mesmas além da significância que o indivíduo quer pôr nelas. Consequentemente, o indivíduo pode se tornar cada uma das experiências que ele/ela está experimentando se ele/ela quiser, e esse transversalismo operacional através da existência não pode deixar de ser absoluto, próprio, assim como o Ego é. É um transversalismo que causa um distanciamento da realidade externa, apenas para dominá-la de uma maneira melhor através da consciência do Ego.

O estado real de consciência, como afirma a psicologia quântica, torna-se um estado em que nós não estamos mais sob a influência de qualquer ilusão. Porém, onde a piscologia quântica colocar o nada como o todo, nós colocamos o Ego em primeiro lugar, como o agente consciente, perceptico e criativo desse todo.

O processo de transformar-se em si mesmo passa a ser um ato de Vontade do Ego.


O Indivíduo Absoluto

Assim dito, o Indivíduo Absoluto não existe. Nesse aparente paradoxo está, em resumo, toda a filosofia por trás da Psicologia Transversal. O quê isso significa?

Se nós considerarmos a existência como um status, nós devemos supor a criação do statos, que, por sua vez, garanta a existência do Ego, nossa existência. Mas, de modo a fazer isso, nós temos que explicar um processo (como o status foi criado) que inclui um ponto de partida (quando aquilo aconteceu), um agente (quem ou o quê o criou) e, se tudo isso não for suficientemente difícil, nós podemos acrescentar uma causa ainda mais inexplicável (por quê foi criado).

Quase o mesmo ocorre se nós vermos a existência como um ato que está além de nós, já que deveríamos entender e explicar de onde esse ato emanou e, no caso, de quem.

Isso é matéria para todo um conjunto de fenômenos que eu chamarei de religião, que também inclui arquiteturas pragmáticas do pensamento com Marxismo e psiquiatria clínica. A existência não pode nem ao menos ser considerada como meramente "ser", ou, como declara a filosofia existencial, um Ser-no-Mundo, porquê nós cairemos nos mesmos erros: nós temos que supor e garantir realidade a um fator externo (nesse caso o mundo, que é uma condição necessária para ser, no existencialismo) de modo a afirmar nossa própria realidade como indivíduo.

Para movimentos do pensamento baseados na teoria social, mesmo esse último conceito inexiste, já que a individualidade é vista, não sem razão, como sendo uma construção-criação de uma cultura particular (e isso é particularmente verdade para a Ocidental).

De fato é verdade que em certas culturas, o indivíduo não é concebido como uma unidade singular, mas existe apenas como uma parte de um grupo social, a tribo, a igreja, ou a sociedade, e não é concebido fora dessas entidades. Esse aspecto peculiar é refletido na linguagem de certas culturas. O quê é, então, o Indivíduo Absoluto? Como Evola disse: "O Indivíduo é nada: ele pode tudo".

Nesse motto está encapsulado o conceito de um contínuo tornar-se, um status dinâmico que decisivamente se opõe à natureza estática de um simples ser, mesmo de um Ser-no-Mundo.

O tornar-se do Indivíduo Absoluto é contínuo, amoral, apragmático, e determina a não-determinabilidade do agente: o Indivíduo, que é Absoluto no sentido de ele pode escolher se tornar tudo que ele quiser além dele.

Então eu sou em princípio nada (= não determinado), e tendo desse modo garantido minha não-determinabilidade eu me livro da prisão de uma categoria de um único papel (ou de vários, mas limitados papéis, que eu desempenho dentro de uma dade sociedade e tempo) de modo a tornar-me, contínuamente.

Essa aparente transformação do meu Eu não mudará, não obstante, o fato de que eu sou (de modo a tornar-me). Nada a não ser eu mesmo está determinado, e eu, consequentemente, sou indeterminado também para o-quê-não-sou-eu que existe quando eu quero me tornar isso através de meu ato de Vontade. A existência, então, pode ser vista como um ato, mas é um ato de Vontade que é decidido por mim e por ninguém mais. Mas qual é o propósito desse ato de Vontade?

Como nós veremos, é um modo de ganhar experiência daquilo-quê-não-sou-eu a um nível prosaico e imanente. É o quê eu estou fazendo com essa experiência que dá forma ao meu Eu de um certo jeito, quando eu re-absorvo a experiência imanente em um nível diferente, que não cai sob os sentidos: o nível transcendente.

A consciência desse movimento quase-circular (já que o ponto de retorno não é exatamente o mesmo que o de partida, como é dito na cibernética) joga ainda mais luz sobre a posição ilusória de quem atribui para si mesmo algo além de si mesmo.

Quando nós afirmamos: "Eu sou..." [alguma coisa; um substantivo ou um adjetivo] nós instantaneamente paramos a dinamicidade do processo, e começamos uma cadeia de crenças de modo a sustentar a vericidade de nossa afirmação: nós criamos um rótulo, nós começamos a acreditar nele e agimos segundo ele.

Quanto mais nós nos comportamos de um modo que parece congruente com nosso sistema de crença, mais nós somos aprisionados naquela categoria. Se um músculo não é usado por um longo tempo ele começa a atrofiar e recuperar sua força e elasticidade pode ser extremamente doloroso. Assim é com a chamada "personalidade": os rótulos que escolhemos para criar e utilizar tornam-se um hábito, nenhum processo dinâmico real está em curso (a repetição diária dos mesmos padrões de modo a reproduzir a mesma personalidade é vista como um hábito, portanto, não-dinâmica) e nós podemos passar a estar completamente inconscientes daquilo-quê-não-sou-eu, ao ponto em que, quando ele (ou parte dele) aparece diante de nós, há uma reação de recusa e negação. É o quê a psiquiatria chama de "anormal".


Conceito de Inconsciente

Milton Erickson ligou o inconsciente a um contâiner de material que está desorganizado a maior parte do tempo. As associações que nós construímos estão construindo a realidade como nós queremos ou como estamos acostumados.

Isso significa que nós todos vivemos em um estado dissociativo a maior parte do tempo, e o estado associativo é a exceção e não a norma. Nessa afirmação aparentemente simples, porém poderosa, se encontra a observação de que nós não podemos considerar qualquer assim chamada desordem como errada ou patológica per se, dado que ela não passa de uma associação particular realizada por um indivíduo particular.

A ação, por sinal, é similar ao movimento quase-circular do conhecimento descrito por Evola. O material que nós incorporamos da realidade externa, imanente, constitui os vários elementos ainda não associados: a associação em si é um processo de transcendência, e não pode, portanto, ser expresso em palavras.

Isso também explica a luta da Psicologia para explicar como ocorrem os processos mentais, mas, apesar de todas as tentativas, obviamente a única coisa clara é o estudo das reações neurobiológicas que ocorrem conforme um processo cognitivo tem lugar: todo o resto é pensamento especulativo.

Porém, os processos mentais podem ser vistos aqui como consequências das associações, das ações desejadas pelo indivíduo de modo a dar sentido à experiência do mundo (que é criado, como nós vimos em "Egoísta e Existência", por si mesmo), e não, ultimamente, como as causas das associações. É melhor dizer que eles podem ser experimentados como causas apenas a nível imanente, quando o indivíduo enfraquecido (que é a pessoa que não está consciente da dualidade da experiência) confia em fatores externos ao invés de focar em si mesmo; e a perspectiva biológica oferece poucos espaços para a natureza complexa do indivíduo para além de sua fisiologia. E essa fisiologia é um fator externo, já que é generalizada e estruturada como verdade. E isso ocorre a um nível imanente ("inautêntico", poderíamos dizer).


Propósito da Psicologia Transversal

Resumindo, a Psicologia Transversal é, em termos psicológicos pseudo-quantitativos, a correlação entre a posição imanente e transcendental, que no Indivíduo Absoluto possui coeficiente 1 (correlação perfeita) e portanto chega a 0 (o nada com potencialidade ad infinitum, mas explorada ad libitum através do ato de Vontade do indivíduo).

O propósito da Psicologia Transversal é operar uma desconstrução do indivíduo de modo a reconstruir sua individualidade como um Nada.

O ato de desconstrução significa que o indivíduo se tornará consciente dos modelos e do filtro que ele utiliza para preencher o papel ou papéis que ele desempenha a um nível imanente e que são os limites impostos por seus sentidos físicos, pela sociedade e por sua própria personalidade construída.

Eles representam limites apenas se eles não auxiliarem o indivíduo a se mover livremente para todas as possíveis opções que ele pode escolher em vida.

Quando aqueles papéis são percebidos como fixos, eles controlam o indivíduo, conforme eles se tornam o quê Stirner chama de "idéias fixas". Por exemplo, se eu acredito que eu sou um psicólogo, um marido e um católico, comumente eu agirei no mundo como se estes papéis fossem verdadeiros para mim, e eu não explorarei muita coisa fora daquelas fronteiras de experiência.

Se eu realmente controlo aqueles aspectos, eu posso "deixá-los ir" e escolher tornar-me outra coisa, como eu quiser.

Eu sou nada; eu posso tudo.

Porém, seguindo o pensamento de Stirner, dominar a tudo significa que eu devo respeitar e não arruinar, já que é meu e posso usar para meu próprio benefício. Essa é a razão pela qual o meio-ambiente, os animais e a natureza devem ser respeitados, já que sua destruição priva o indivíduo de seu domínio.

Em outras palavras, uma desconstrução sem a possibilidade de reconstrução previne a utilização. Individualidade é um contínuo tornar-se o-quê-não-sou-eu através de um ato de Vontade. Se pensarmos nestes termos, destruir o quê nós podemos decidir nos tornar (de modo a experimentar) significa simplesmente destruir a nós mesmos.


Implicações Políticas

O Indivíduo Absoluto escapa de um processo de enquadramento em categorias rígidas. O Individuo é, (diz Stirner) único. Falar sobre classes, papéis, categorias, não faz nenhum sentido se nós objetificarmos esses conceitos.

A implicação política mais evidente disso é, então, que o Indivíduo Absoluto é não-identificável, e portanto potencialmente extremamente perigoso dentro de uma perspectiva determinista e de um sistema democrático. O Indivíduo é emancipado, e essa noção de emancipação é construída a partir da concepção dual de liberdade de Fromm (1965); liberdade das fontes psicológicas e sociais de opressão (exploração classista, dominação de gênero, e discriminação étnica, etc, como fontes de opressão social e problemas psicológicos como medos, fobias, etc...no que concerne opressão psicológica) e liberdade para desempenhar nossas tarefas na vida.

Mas o Indivíduo Absoluto faz muito mais do quê isso: ele torna a si mesmo emancipado e livre da categoria do indivíduo também, e do conceito de emancipação como algo a ser alcançado. Ele é emancipado se ele o decide ser.

O indivíduo pode ser um trabalhador de uma fábrica, mas ele não pertence ao proletariado; ele é um homem (ou mulher) mas não se vê como um ser humano; ele pode ser um católico, um muçulmano, um judeu, um budista, mas apenas pelo tempo que ele decidir desempenhar estes papéis. O Indivíduo Absoluto simplesmente é, superando todas as categorias.

Por essas razões o Indivíduo se decide a (e pode) sobreviver em um mundo de ruínas criado pelo materialismo, liberalismo, racionalismo e cosmopolitanismo: ele sabe, de fato, que estas ruínas são as raízes de aço das flores da fúria Berserkr, do ethos Espartano, do espírito marcial das Legiões Romanas, adormecidos sob o gigante com pés de barro da modernidade.

Ele sabe que ele pode trazer equilíbrio a um mundo que tornou-se desequilibrado com a inversão da Natureza. Ele sabe que aquelas flores florescerão de novo.


Tradução por Raphael Machado

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