domingo, 28 de novembro de 2010

Patriotismo ou Nacionalismo?

por Vijay Prozak

Se tivéssemos que estabelecer uma distinção entre os elementos mais novos do pensamento de direita, e os mais antigos, poderia ser que os elementos mais antigos são patrióticos, enquanto os elementos mais novos se iniciam no Nacionalismo – e continuam adiante. Interessantemente, porém, os mais bem sucedidos dentre os novos movimentos políticos são uma fusão dos melhores ideais tanto da direita como da esquerda, unificados sob um conceito de tradição – supostamente a inspiração da política direitista convencional. Como essa divisão está começando a ganhar a atenção pública, faz sentido contrastar patriotismo e Nacionalismo para acharmos o ponto de divergência.

Patriotismo é a crença no próprio país, uma unidade conhecida como o “Estado-Nação” porque ela unifica Nação (tribo, raça) e estado político, significando que uma população não é mais definida por herança e cultura apenas, mas pelas fronteiras políticas e econômicas de seu estado paterno. Dado que inclusividade é o objetivo, não comunalidade de origem, política patriótica é “qualificadora” no sentido de que procura achar um lugar para todos na infraestrutura sócio-política da Nação; e é inerentemente oposta ao Nacionalismo, ou “patriotismo-racial” como era chamado antigamente. Por essa razão, a política patriótica opera sobre o indivíduo como uma entidade granular, dado que ela requer a participação de indivíduos de modo a criar consenso, e não há mais consenso duradouro, como poderia ser formado por uma entidade cultural.

De modo a apelar ao indivíduo, Estados-Nações usam crenças patrióticas que comandam o indivíduo a considerar seu Estado melhor que outros por seus atributos que apelam ao indivíduo, usualmente implicações amplas como “liberdade” ou “justiça”. 

Inerentemente, o Estado-Nação deve ser uma entidade populista, dado que requer o apoio de pessoas entre as quais um consenso não existe, logo Estados-Nações são quase exclusivamente criações morais, já que eles justificam a si mesmos através de algum “bem absoluto” considerado melhor que o oferecido pelos outros Estados-Nações. Até aqueles sem economias “livres”, ou de uma natureza totalitária, fazem isso, como a União Soviética quando ela ainda era a principal entidade Comunista. Populações são impelidas a apoiar o Estado através dessa crença na retidão moral, e disso emerge o patriotismo.

Assim sendo, o Estado-Nação arranca de si mesmo toda Identidade exceto aquela de (a) sistema política e (b) sistema econômico. Por essa razão, Estados-Nações tendem a incentivar imigração em massa, e não têm restrições à liberdade dos indivíduos de se engajarem em qualquer prática ou na defesa de qualquer crença que eles achem significativa; já que não há consenso exceto pelos sistemas político e econômico, tudo que não afete diretamente um dos dois é permissível. Já que esses sistemas são necessários para agradar ao indivíduo, eles tendem a ser populistas e afirmar “liberdade” acima de todos os outros objetivos, assim é quase impossível fazer qualquer coisa que ameace esses sistemas exceto defende um sistema econômico diferente, ou algum tipo de política baseada na comunalidade e interesse coletivo ao invés do indivíduo granular.

Quando movimentos conservadores apóiam patriotismo ao invés de Nacionalismo, eles são inerentemente contra qualquer determinação de consenso, seja de herança ou direção política geral, já que fazer isso excluiria alguns dentre o povo do sistema, e em conseqüência faria com que indivíduos temessem que seu modo de vida, ou preferências, ou meios de sustento econômico, não seriam aceitáveis àquela Nação. 

Quer isso ocorra na primeira geração ou nas sucessivas não é importante; é inevitável de um jeito ou de outro, porque sistemas políticos têm início por um germe de um pensamento e rapidamente se desenvolvem à sua forma completa pela própria natureza das pessoas desenvolvendo profundidade àquele conceito. Esse é o mesmo mecanismo que preenche movimentos artísticos, línguas e culturas; começa-se com um conceito amplo e com o tempo definem-se todas as suas partes, do mesmo jeito que engenheiros erguem uma estrutura e depois pisos e paredes entre eles.

Essas são as fronteiras da definição de patriotismo. “Nações” Patrióticas são aquelas que produzem afirmações como “eles odeiam nossa liberdade” ou exaltar as virtudes de ser livre e ser capaz de acumular riqueza como meio de calar a boca da “ameaça comunista”. Elas apelam a indivíduos que respondem apenas ao seu egoísmo, e buscam acumular poder e riqueza, e por isso elas pareceram uma opção viável por muitos anos. Porém, movimentos conservadores estão fundamentalmente em contrariedade com esses: como se afirma valores tradicionais em uma cultura baseada no consenso de não ter consenso? Por essa razão, políticos conservadores hoje apelam às bases eleitorais mais polarizadas e iludidas, geralmente aqueles iludidos por fundamentalismo e paranóia, e abordam questões simbólicas sem fazer qualquer grande mudança no sistema.

Uma área em que a disfunção dos Estados-Nações patrióticos é vista é no setor ambiental. Pode parecer óbvio que qualquer Nação orgulhosa de si mesma faria o melhor possível para preservar sua Beleza Natural, mas esse não parece ser o caso, já que Estados-Nações mais patrióticos e “livres” têm feito o melhor possível para convidar o maior número possível de pessoas, especialmente do proletariado não-especializado, e em conseqüência, têm expandido desastradamente – em adição aos danos causados pela indústria ilimitada. 

Afinal, se você está justificando seu patriotismo por possuir “liberdade”, isso inclui a liberdade de construir um McDonald’s onde você quiser. Inclui a habilidade de tirar quanto lucro você quiser dos recursos naturais. Em lugar nenhum há qualquer tipo de “check” ou balança no sistema para medir os impactos sobre o todo, já que isso necessitaria de um consenso.

Não surpreendentemente, os conservadores patrióticos de hoje se polarizam contra a questão ambiental como um todo. Essa não é uma afirmativa sobre o “movimento” ambiental, que é tão disfuncional quanto a maioria das identidades políticas, mas uma medida da resposta conservadora aos interesses ambientais. Não tem havido nenhuma, à exceção de dedicações simbólicas de parques e legislações vagas e periódicas que encorajam a obediência à “letra da lei”. Dado que nós como cidadãos vivemos em nosso mundo, e nos beneficiamos de sua saúde natural assim como de beleza natural dos arredores, seria racional para aqueles interessados em tradição preservar e cultivar o meio-ambiente. Eles não o fazem, porque fazer isso excluiria alguém que quer “ganhar uma grana” derrubando árvores ou construindo um McDonald’s em um ecossistema insubstituível.

Outra área de falência dos conservadores é nas finanças, especificamente, uma vontade de participar nas finanças internacionais que exportam dinheiro do país e o deixa nas mãos de investidores estrangeiros ou, pior, investidores apátridas, que portanto não têm fidelidade à nada e responsabilidade zero com qualquer governo. Corporações multinacionais, cartéis bancários internacionais, e lobbies de investidores estrangeiros não só são donos de uma boa porção da América, por exemplo, mas seus interesses são representados mais fortemente por grupos conservadores. Se você não pode dizer “não” à ninguém, você diz “sim” à todos, e assim o que prevalece é o caos, colocado em cheque apenas por “imagem pública” e uma força policial cada vez mais autoritária. Esse não é um bom futuro para Indo-Europeus. 

Dispensando com o patriotismo, vamos dar uma olhada no Nacionalismo. Em contraste às crenças patrióticas, a crença nacionalista está centrada em tribo e cultura, e portanto é inerentemente baseada em comunalidade e interesse coletivo. Isso não toma o extremo coletivista do Estalinismo, nem o extremo laissez faire da América, mas um caminho entre os dois onde o indivíduo é representado no contexto dos interesses do todo. Na medida em que o indivíduo não deseja algo destrutivo para o todo, “liberdade” existe; porém, porque o sistema é baseado no consenso e na idéia de que um único grupo étnico e cultural compreende a Nação e sempre o fará, o sistema tem a habilidade de ter consenso e proibir coisas que sejam destrutivas. Enquanto sistemas patrióticos limitam liberdades pela destruição de coisas não reconhecidas como sendo de valor pelas massas, sistemas nacionalistas impõem restrições sobre liberdades destrutivas de modo a que as massas não dominem com seus interesses egoístas.

Ademais, sistemas nacionalistas têm estado historicamente preocupados com questões ambientais pelas razões delineadas pelo NSDAP na Alemanha com seu slogan de “Sangue e Solo”: Uma Nação é seu Povo, mas esse povo está ligado à terra pela Tradição e desejo pela continuação de seu povo. Passado e futuro são igualmente importantes quando se consideram questões ambientais. Enquanto governos patrióticos têm suas mãos amarradas por medo de limitar a “liberdade” de alguém em derrubar uma antiga floresta, governos nacionalistas reconhecem a importância de manter aquela floresta para todos, inclusive os ainda não nascidos. Já que governos nacionalistas por definição excluem aqueles que não nasceram no grupo etnocultural que habita a Nação, não há investidores que, vivendo em outro lugar e vendo apenas números em uma planilha, não dariam a mínima caso uma antiga floresta fosse derrubada. 

O mesmo conceito é aplicado às finanças. Governos Nacionalistas criam um valor superior ao lucro,e esse valor é a preservação de um povo unido por sua comunalidade. Por essa razão, eles tendem a se retirar da algazarra bancária e financeira internacional, e tentam se tornam o mais auto-suficientes quanto seja possível, com uma ênfase e, fontes renováveis de riquezas, em oposição à fontes não-renováveis que, uma vez usadas, jamais voltarão a existir. Isso limita a flexibilidade financeira do cidadão, e sua habilidade de acumular quantias ilimitadas de riqueza, mas em troca oferece segurança econômica ao cidadão pela eliminação de um fluxo constante de interesses contrários. Isso permite ao povo a continuar nas profissões de seus ancestrais, e a trabalhar menos horas por um salário decente. Ele não está submetido ao tipo de competição insana que causa dispensas em massa ou “outsourcing”. Isso é benéfico para a cultura, apesar de que investidores patrióticos podem achar que isso limita suas “liberdades”.

Essa diferença, essa entre sistemas políticos baseados na comunalidade contra sistemas políticos individualistas, é essencial para se compreender a política futura tanto da esquerda como da direita. Há muitos anos já, muitos dos dois lados da barreira política têm reconhecido que as divisões entre esquerda e direita estão sendo usadas para manter uma farsa de mudança política, enquanto os erros básicos de nossa civilização – e o curso de sua marcha de morte na direção da superpopulação, escassez de recursos, poluição e diluição etnocultural – permanecem sem mudanças. Enquanto a direita e a esquerda brigam, e os eleitores vibram quando o “melhor” vence, o mecanismo que opera por trás das cenas permanece em atividade. 

Por essa razão, há uma convergência em uma terceira via, dado que aqueles que se importam com o futuro mais do que com uma “carreira” política estão interessados em resolver o problema, e eles percebem que a democracia partidária distrai ao invés da focar na questão – e até pior, cria a ilusão de que alguma mudança está ocorrendo.

Sistemas políticos futuros, reconhecendo a falha do conservadorismo convencional assim como a sabotagem do liberalismo por grupos de interesses especiais, irão hibridizar esquerda e direita, tomando de cada um os elementos que têm como objetivo um alvo: uma sociedade baseada no consenso que está disposta a dizer a seu povo que eles não têm certas “liberdades” que resultam em atos destrutivos. Atualmente, tal idéia é politicamente impensável, já que a plebe patriótica da direita a iria calar a base de gritos, enquanto a esquerda iria uivar pelos “direitos individuais”. Porém, assim como a diferença entre uma direita patriótica e uma direita nacionalista, esse vão será fechado conforme as pessoas perceberem que nosso futuro se torna crescentemente mais nublado enquanto nós permitimos que o mecanismo político se coloque à frente de nossos objetivos coletivos. 


Tradução por Raphael Machado

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