domingo, 31 de outubro de 2010

Vida Reta

por SS-Standartenführer León Degrelle

Os que titubeiam ante o esforço é porque têm adormecida a alma. O grande ideal dá sempre forças para domar o corpo, para suportar o cansaço, a fome, o frio.

Quê importam as noites em vigília, o trabalho abrumador, ou a dor, ou a pobreza? O essencial é conservar no fundo do coração a grande força que alenta e que impulsiona, que aplaca os nervos desatados, que faz bater de novo o sangue cansado, que faz arder nos olhos, adormecidos pelo sono, um fogo ardente e devorador.

Então, nada mais é áspero. A dor se transformou em alegria porque, graças a ela, nos damos mais por inteiro, e o nosso sacrifício se purifica.

A facilidade adormece o ideal. Dá-lhe alento, ao invés, o estímulo da vida dura que nos faz advinhar o profundo do dever cumprido, as responsabilidades que há que afrontar, e a grande missão digna de nós.

O resto não conta.

A saúde nada importa.

Não estamos nesse mundo para comer em horas fixas, para dormir com regularidade, para viver cem ou mais anos.

Tudo isso é vão e néscio.

Só uma coisa conta: ter uma vida útil; perfilar a alma; estar atento a ela, instante por instante; vigiar suas debilidades e exaltar seus impulsos; servir aos outros; derramar a nosso redor a felicidade e a ternura; oferecer o braço ao próximo, para elevar-nos todos, ajudando-nos uns aos outros.

Uma vez cumpridos nossos deveres, que importa morrer aos trinta anos ou aos cem? O que importa é sentir o coração em chamas, quando a fera humana grita extenuada!

Que se levante e que siga, apesar de tudo!

Aí estás para isso, para esgotar-se, até o fim.

Somente a alma conta, e ela tem que dominar todo o resto.

Breve ou longa, a vida só vale algo se no instante de entregá-la não temos que nos envergonhar dela.

Quando a doçura da vida nos convida à felicidade de amar, a beleza de um rosto ou um céu claro, dá um sinal que, de longe, nos chama, quando estamos dispostos a ceder a certos lábios ou à luz e às cores e ao descanso das longas horas, então é quando estreitaremos dentro do coração todos os sonhos coroados de ouro dos instantes de suprema evasão.

A verdadeira evasão é renunciar às prendas amadas, e renunciá-las no instante mesmo em que seu perfume nos fazia desfalecer.

Nessa hora em que há que rechaçar e afundar o mais íntimo de nosso ser e erguer o amor por cima do coreação, e, portanto, quando tudo é cruel dor, então é quando também começa a ser completo e puro o sacrifício.

Ultrapassamos nossos próprios limites; por fim podemos dar algo. Antes, todavia, buscávamos a nós mesmos e a esses vestígios de orgulho e de glória que corrompem tantos frutos generosos da alma.

Não damos nada simplesmente por dar, sem calcular antes, pois tudo está em um dos pratos da balança, ainda mais quando, previamente, matamos o amor em nós mesmos. Isso não é fácil, não, porque a fera humana é reticente em compreender o que a amargura quer nos ensinar.

Que doce é sonhar com o ideal e construí-lo no pensamento! Porém é, em realidade, muito pouca coisa.

O ideal há de ser construído dentro mesmo de nosso viver.

Arrancando pedra a pedra, para construí-lo para nossas comodidades, para nossas alegrias, para nosso descanso, para nosso próprio coração.

Quando, apesar de tudo, o edifício ao cabo dos anos já se ergue, e quando, apesar disso, não se detém na labuta, mas sim que se avança e se avança, ainda que a pedra já não se deixe pulir, então somente é quando o ideal começa a voar.

O ideal viverá na medida em que nós nos entreguemos a ele até morrer.

Que drama, em verdade, o da vida reta!


Tradução por Raphael Machado

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