quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Enrique Ravello - A Identidade Europeia

por Enrique Ravello


A identidade europeia não nasce na Grécia. A identidade europeia não deve entender-se como o resultado final de vários e heterogêneos elementos que lhe vão dando forma ao longo do processo histórico. A identidade europeia não é a soma do passado greco-latino por um lado, céltico-germânico por outro, e o cristianismo que na Europa medieval poderíamos chamar euro-catolicismo... A identidade europeia é anterior e pré-existente a todas estas realidades, sendo a sua vez a que dá forma ao mundo greco-latino, ao passado céltico-germânico-eslavo, - meras adaptações históricas em um espaço geográfico concreto e sob certas condições determinadas do Espírito da Europa -, e a que converte o judaico-cristianismo em uma elevada forma religiosa a qual foi a Cristandade Medieval, mescla de elementos cristãos e pagãos que durante muitos séculos foi referências espiritual dos europeus, e que agora pode deixar de sê-lo haja vista que as instituições das diferentes confessões cristãs estão claramente decididas a eliminar os elementos propriamente europeus, e a converter o cristianismo em uma religião igualitária e universalista fiel somente à mentalidade dos povos do deserto nos quais teve sua origem.

A identidade europeia não se "forma". A identidade europeia "nasce" na alvorada da pré-história, quase ao mesmo tempo em que o homem, tal e como hoje o conhecemos, aparece na superfície de nosso planeta. Os europeus somos já reconhecíveis como algo diferenciado desde milênios. As culturas nórdico-europeias de Ertebølle e Ellerberck assinalam o nascimento do que os historiadores chamam mundo indo-europeu, mundo indo-europeu que se reconhece por uma linguagem comum, um tipo humano comum, a existência de um lugar primigênio concreto, e sobretudo, e desde um primeiro momento, um determinado sistema de valores e uma visão precisa do mundo: língua, Povo e Cosmovisão que se expandem por toda Europa conformando e dando origem a tudo o que hoje englobamos no conceito de Europa. "Ademais da importância da emigração indo-europeia se reforça pelo fato de constituir a nova raça um povo com grandes dotes físicos e espirituais, bem contrastada nos impérios e culturas que alcançaram na Antiguidade e que lograram seu ápice nas civilizações grega, romana e medo-persa".

A Cosmovisão de nossos antepassados indo-europeus compreendia todos os aspectos da realidade: desde o social ao metafísico, da política à filosofia, determinando toda a atuação do "homem europeu" ao longo da aventura da História. Também nosso atual sistema de pensamento, em grande parte regido pelo que C.G. Jung definiu como arquétipos coletivos.

Para os indo-europeus, passados e presentes, a célula básica da sociedade é a família patrilineal, tanto em sentido descendente como ascendente; estando antigamente acima dela uma gentilidade mais ampla que indicava um antepassado comum (as gens latinas ou os clãs celtas). Seu sistema de governo é o de uma assembleia de guerreiros com poder de decisão, muito distante de sistemas tirânicos e despóticos de raiz oriental, exemplos claros os temos no Senado romano ou nas Cortes medievais. No terreno religioso se está nas antípodas de qualquer concepção universalista e igualitária, e se consideram as diferenças entre os homens algo mais que um acidente conjuntural, um reflexo da Ordem do Cosmos, dividindo a sociedade em três categorias a que cada indivíduo pertence segundo sua natureza interna; repetindo-se esse esquema religioso e social em toda a época pagã e também na Idade Média católica que mantém todavia a mesma divisão social entre: oratores, pugnatores e laboratores.

A mulher, ainda dentro de uma sociedade patriarcal, era tido em muito alta consideração. Em oposição ao conceito da condição feminina que tinham e tem as civilizações do deserto, nas que é assimilada à concepção de objeto sexual e pecado, obrigada a prostituir-se ao menos uma vez na vida, ou que tem seu rosto coberto com um véu, desde a Antiguidade indo-europeia é considerada e honrada, e se al pai correspondem as funções cívicas e militares; à mulher corresponde a administração do lar. Consequência disso é a diferente realidade que ainda hoje vivem as mulheres europeias em relação às do resto do mundo.

No terreno pessoal o reconhecimento do valor e espírito heroicos estavam acima de qualquer outra consideração, assim como a fidelidade aos que estavam acima de si e aos quais a mesma havia sido livremente prometida, no mundo latino e medieval dá lugar ao conceito de FIDES. Em geral um gosto pelo sóbrio, o direto e o cumprimento do dever como forma de autorrealização caracterizou a todo o mundo indo-europeu. "Nada em excesso", "Conhece-te a ti mesmo", "Converte-te no que és", eram as frases que apareciam na entrada de alguns templos gregos, e que, em seu completo significado, encerram uma elevadíssima concepção de mundo. Nossa concepção de mundo.

Essa origem comum e sua consequente identidade e Cosmovisão compartilhadas não devem se converter simplesmente em objeto de buscas intelectuais sobre o passado, nem em matéria de uma erudição e de um conhecimento a metade do caminho entre o acadêmico e o romântico. Ao contrário, haverá de ser o pilar básico e o mito mobilizador para construir a grande Europa do futuro imediato. O século XXI é o do combate identitário, superada a fase do Estado-Nação e dos blocos nascidos do pós-Segunda Guerra, contemplamos como o planeta se organiza em torno a grandes espaços determinados por uma identidade comum. O destino põe os europeus frente uma disjuntiva: ou sabemos interpretar nosso momento histórico e somos capazes de criar uma Europa que por um lado desenvolva as capacidades prometeicas de nossa civilização, e por outro seja capaz de ler em sua mais larga memória para edificar-se sobre sua herança milenária; ou a próxima será a última geração de europeus antes de serem faagocitados pelos dois inimigos que ameaçam a liberdade de nosso continente-nação: o mundialismo uniformizador e igualitarista com capital em Nova York e o islamismo que, assim como faz com suas mulheres, tapará nosso passado com um véu de intolerância e escuridão profundamente alheio à alma europeia. Em nós está a decisão.

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