segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Doutrina Ariana de Luta e Vitória

por Julius Evola

A “decadência do ocidente”, segundo a concepção de uma critica reputada da civilização do ocidente, é claramente reconhecível em duas características principais: em primeiro lugar, o desenvolvimento patológico de tudo aquilo que é Ativismo; em segundo lugar, o desprezo pelos valores do Conhecimento interior e da Contemplação.

Essa critica, não entende por Conhecimento, racionalismo, intelectualismo ou outros vazios jogos de palavras; não entende por Contemplação um distanciamento do mundo, uma renuncia, ou um distanciamento monacal mal compreendido. Ao contrário, Conhecimento interior e Contemplação representam as formas de participação normais e mais apropriadas do homem à Realidade sobrenatural, supra-humana e supra-racional. Apesar dessa explicação, em base da concepção indicada existe uma premissa inaceitável para nós. Já que, tacitamente e de feito, é admitido que toda ação no domínio material é limitativa e que o mais alto domínio espiritual só é acessível por outras vias que não sejam as da ação.

Nessa idéia se reconhece claramente a influência de uma concepção da vida basicamente exterior ao espírito da raça ária; mas que, entretanto, já está tão profundamente unida ao pensamento do Ocidente cristão, que a encontra igualmente na concepção imperial apocalíptica. A oposição entre Ação e Contemplação era, ao contrário, desconhecida pelos antigos ários. Ação e Contemplação não estavam enfrentadas como os dois términos de uma oposição. Designavam unicamente apenas palavras distintas para a mesma realização espiritual. Dito de outro modo se estimava entre os antigos ários que o homem podia superar o condicionamento individual não somente pela Contemplação, mas também pela Ação.

Se não nos distanciarmos dessa primeira idéia, então o caráter de decadência progressiva da civilização ocidental deve ser interpretado de diferente forma. A tradição da ação é típica das raças ário-ocidentais. Mas esta tradição se desvia progressivamente. Assim é no ocidente atual, aonde só se chegou a conhecer e honrar somente a efeitos condicionados pelo tempo. A uma ação assim degenerada não respondem, no mundo moderno, valores ascéticos e autenticamente contemplativos senão unicamente uma cultura brumosa e uma fé pálida e convencional. Tal é nosso ponto de vista sobre a situação.

Se a “volta às origens” é um conceito base de todo movimento atual de renovação, então deve valer como tarefa indispensável, de volta consciente, o compreender a concepção ária primordial da Ação. Essa concepção ária deve ter um efeito transformador e evocar no Homem Novo, de Boa Raça, forças vitais adormecidas.

Hoje e aqui, queremos nos atrever a fazer um breve “excursus” precisamente justo no universo do pensamento do mundo ário primordial, com o objetivo de sacar, de novo, à luz alguns elementos fundamentais de nossa tradição comum, pondo uma atenção especial nos significados ários de guerra, de luta, e de vitória.

Naturalmente, para o antigo guerreiro ário na guerra, como tal, respondia a uma luta eterna entre forças metafísicas. De um lado está o principio olímpico da luz, a realidade solar e “uraniana”; de outro, a violência brutal do elemento “titânico – telúrico” bárbaro no sentido clássico, “feminino-demoníaco”. Esse tema daquela luta metafísica apareceria de mil formas, em todas as tradições de origem ária. Assim, toda luta a nível material era tomada com uma consciência mais ou menos elevada, como um episodio dessa antíteses. Já que a arianidade se considerava como milícia do principio olímpico, é necessário hoje, portanto, devolver essa via dos antigos ários; e, igualmente, conceder a legitimidade ou a consagração suprema do direito ao poder e da mesma concepção imperial, aí onde, no fundo, parece bem evidente seu caráter anti-secular.

Na imaginação desse mundo tradicional toda realidade se transformava em símbolo... Isso também vale para a guerra desde o ponto de vista subjetivo e interior. Assim, poderiam ser fundidas em uma só entidade: guerra e caminho em direção ao divino (eterno).

Os significativos testemunhos que nos oferecem as várias tradições nórdico-germânicas são, para todos, bem conhecidos. De todos os modos, devemos dizer que essas tradições e tal como nos tem chegado, se vem fragmentadas e mescladas; pequenamente já representam à materialização das mais altas tradições árias primordiais, caídas em nível de superstições populares. Isto não nos impede de fixar alguns pontos.

Antes de tudo, como sabemos, o “Walhalla” é a capital da imortalidade celeste, e principalmente reservado a heróis caídos no campo de batalha. O senhor desses lugares, Odín-Wotan, é representado na saga “Ynglinga” como aquele que pelo seu sacrifício simbólico a arvore cósmica “Ygdrasil” tem indicado o caminho aos guerreiros, caminho que conduz a uma residência divina, onde sempre floresce a vida imortal. Conforme a essa tradição, efetivamente nenhum sacrifício ou culto é mais agradável ao deus supremo, nenhum outro esforço obtém mais ricos frutos extraterrestres, que aquele que tem oferecido aos que morreram no campo de batalha. Mas há muito mais; depois da obscura representação do “Wildes Heer” se esconde também, o seguinte fundamental significado: através dos guerreiros que, caindo, oferecem um sacrifício à Odin, se formam aquelas tropas que o deus necessitará para a ultima definitiva batalha do “Ragna-rökk”; quer dizer, contra esse fatal “obscurecimento do divino” que já desde os tempos antigos planeja, anunciadamente sobre o mundo.

Até aqui, por conseguinte, o genuíno motivo ário da forte luta metafísica é claramente exposto à luz. Nos “Edda” estava igualmente dito: “ Por maior que possa ser o número dos heróis reunidos no “Walhalla” nunca será o suficientemente grande, quando o lobo invada”. O lobo é aqui, a imagem dessas forças obscuras e selvagens que o mundo dos “Ases” tem conseguido submeter. A concepção ário-iraniana de Mithra, “o guerreiro sem sonho” é definitivamente análoga. O que à cabeça dos “Fravashi” e de seus fiéis, lança batalha contra os inimigos do deus ário da luz. Falaremos, imediatamente depois, dos “Fravashi” e examinaremos sua estreita correlação com as “Walkyrias” da tradição nórdica. Por outra parte tentaremos classificar também o significado da “Guerra santa” através de outros testemunhos concordantes. Não há que surpreender-se se fazemos, neste contexto, ante tudo, referencia à tradição islâmica. A tradição islâmica tem aqui o lugar da tradição ário-iraniana. A idéia da “guerra santa” – e ao menos, no que concerne aos elementos aqui examinados – chegará às tribos árabes pelo universo do pensamento iraniano: tem, portanto, ao mesmo tempo, o sentido de um tardio renascimento de uma herança ária primordial e desde este ponto de vista pode ser utilizada sem nenhuma dúvida.

Está admitido que se distingue nessa tradição em questão, duas “guerras santas”; quer dizer a “grande” e a “pequena” “Guerra Santa”. Essa distinção se funde em umas palavras do profeta que afirmam a volta de uma incursão guerreira, “temos regressado da pequena guerra à grande guerra santa”. Neste contexto, a grande guerra santa pertence a níveis espirituais. A pequena guerra santa é pelo contrário a luta psíquica, material, a guerra conduzida no mundo exterior. A grande guerra santa é a luta do homem com seus próprios inimigos, os quais leva em si mesmo. Mais precisamente, é a luta do elemento sobrenatural do próprio homem contra tudo o que resulta instintivo, ligado à paixão, caótica, sujeito às forças da natureza.

Tal é a idéia, que, também, aparece recolhida no “Bhagavad-Gitâ”, esse antigo grande tratado da sabedoria guerreira ária: “Conhecendo aquele que está sobre o pensamento, afirma-te em sua força interior e golpeia guerreiro de largos braços, a esse temível inimigo que é o desejo”. Uma condição dispensável para a obra interior de liberação é que este inimigo deve ser aniquilado de forma deliberada. O quadro da tradição heróica, aquela pequena guerra santa – quer dizer, uma guerra como luta exterior-, serve somente de meio pelo qual se realiza justamente essa grande guerra santa.

E por essa razão, nos textos, “guerra santa” e “caminho de via a Deus” são, de forma aproximada, sinônimos. Assim lemos no Corão: “Combatem no Caminho de Deus” – quer dizer, na Guerra Santa – aqueles que sacrificam essa vida terrestre pela vida futura; pois a aquele combate e morre, sobre o caminho da Via de Deus; ou a aquele que consegue a vitória, lhe daremos uma grande recompensa” . E, mais adiante:” A aqueles que caem sobre o caminho da Via de Deus, Ele nunca deixará que se percam suas obras; guiar-lhes-á e dará muita paz a seus corações; e lhes fará entrar no Paraíso, que Ele lhes revelará”. Se faz alusão aqui à morte física na guerra, à “mors triunphalis” (morte vitoriosa); e que, se encontra em correspondência perfeita para todas as tradições clássicas. A mesma doutrina pode de todas as formas ser também interpretada em um sentido simbólico...Aquele que na “pequena guerra” vive uma “grande guerra santa” cria em si uma força que lhe prepara para superar a crise da morte. Mas, igualmente sem haver morte fisicamente, pode, mediante a ao acesso da Ação e da Luta, experimentar a morte; pode haver vencido interiormente e haver conseguido uma “ mais que vida”. Entendendo esotericamente, “Paraíso”, “Reino dos céus” e expressões análogas não são nada mais que uns símbolos e umas figurações forjadas pelo povo, de uns transcendentes estados de iluminação, já em um plano mais elevado que a vida ou a morte. [...].

E justo, essa mesma ilustração, elevada ao nível de expressão metafísica, reaparecerá em um texto indo-ário citado e conhecido, o “Bhagavad-Gitâ”. A compaixão e os sentimentos humanitários que impedem ao guerreiro ARJUNA mover-se em combate contra o inimigo, são julgados por deus “ distúrbios, indignos de um “ârya”(..), que não conduzem nem ao céu nem à honra”. A ordem lhe disse assim “Se morto, tu irás ao céus; se vencedor, governarás a terra. Levanta, filho de Kuntî, disposto a combater”. A disposição interior que pode transmutar a da forma seguinte: “... Trazendo-me toda ação, o espírito pregado sobre si mesmo, é livre de esperança e de visões interessadas, combata sem escrúpulos”. Em expressões tão claras se afirma a pureza da ação: deve ser desejada por si mesma, além de toda paixão e de todo impulso humano: “Considera que estão em jogo o sofrimento, a riqueza ou a miséria, a vitória ou a derrota. Prepara-te, por tanto, para o combate; e dessa forma evitarás o pecado”.

Como fundamento metafísico suplementar, o deus aclara a diferença entre aquele que é espiritualidade absoluta – e, como tal, será indestrutível – e o que somente tem como elemento o corporal e humano, em uma existência ilusória. De um lado, o caráter de irrealidade metafísica daquele que se pode perder como corpo e vida mortais que passam, ou bem é revelada nos que a perca pode ser um condicionante. De outro, Arjûna é conduzido, naquela experiência de uma força de manifestação do divino, a uma potência de irresistível transcendência. Assim frente à grandeza dessa força, toda forma condicionada de existência aparecia como uma negação. Ali onde esta negação é ativamente negada, quer dizer, ali onde, em combate, toda forma condicionada de existência é invertida ou destruída, essa força chega a ter uma manifestação terrorífica. Só sobre esta base, exatamente, se pode captar energia adequada para produzir a transformação heróica do individuo. Na medida em que o guerreiro trabalha na pureza e no caráter do absoluto, aqui indicados, rompe as cadeias do humano, evoca o divino como uma força metafísica, atrai sobre si essa força ativa e encontra nela sua ilusão e sua liberação. A palavra crucial corresponde a outro texto – pertencente também a mesma tradição – disse: “A vida é como um arco; a alma é como uma flecha; e o espírito absoluto, como a flecha lançada que se fixa na alvorada”. Se soubermos ver aqui a mais alta forma de realização espiritual pela luta e heroísmo, é então verdadeiramente significativo que esse ensinamento seja apresentado, no “Bhagavad-Gitâ” como continuação de uma herança primordial ário-solar.

De feito, lhe foi dada pelo “Sol” ao primeiro legislador dos ários, Manú; e foi guardada seguidamente, por uma grande dinastia de reis consagrados. No cursar dos séculos, essa alusão se perdeu e, porém foi de novo revelada pela divindade, não a um devoto sacerdote, mas sim a um representante da nobreza guerreira: Arjûna. O que temos tratado até aqui permite compreender os significados mais interiores que se encontram na base de um conjunto de tradições clássicas e nórdicas. Assim, como ponto de referencia, haverá de descrever aqui que, nestas tradições antigas algumas imagens simbólicas precisas apareciam como uma freqüência singular: essas são, primeiro a imagem da alma do demônio, em dupla face e sábia; e em seguida a imagem das presenças dionisíacas e da deusa da morte e a imagem da deusa da vitória; que aparecia diminutivamente baixo a forma de uma deusa da batalha. Para a exata compreensão de todas essas relações será muito oportuno classificar a significação que tem a alma; que é aqui entendida como demônio, índole ou parelha. O homem antigo simboliza no demônio a própria parelha de uma força jazida nas profundidades, que é, por dizer assim, “a vida de vida”, na medida em que ela dirige em geral todos os sucessos, tanto corporais como espirituais, aos que a consciência normal não tem acesso; mas que condicionam, não obstante e inegavelmente a existência contingente e o destino do individuo. Entre essas entidades e forças místicas da Raça e do Sangue existe uma, boa, estreita ligação. Assim por exemplo, o Demônio aparece e baixo numerosos aspectos, parecidos aos Deuses Lares, as entidades místicas de uma linhagem, ou uma geração; dos quais Macróbio, por exemplo, nos afirma: “São deuses que nos mantiveram vivos. Eles alimentam nosso corpo e guiam nossa alma”. Assim, se pode dizer que entre o demônio e a consciência existe uma relação do mesmo tipo que entre o principio individuante e o principio individuado. O primeiro, é segundo as alusões dos antigos como uma força supra-individual e, portanto, superior ao nascimento e à morte. A segunda, quer dizer, o principio individuado, consciência condicionada pelo corpo e o mundo exterior, destinada normalmente à dissolução ou essa resistência muito efêmera própria do mundo das sombras.

Na tradição nórdica, a imagem das “Wakyrias” tem mais ou menos o mesmo significado que o demônio. A imagem de uma “Walkyria” se confunde em muitos textos, com aquela de uma “Fylgja”; quer dizer, com uma entidade espiritual ativa no homem e cuja força seu destino está submetido. Como “Kynfylgja”, uma “Walkyria” é – de igual forma que são os deuses lares romanos – a força mística do sangue. E o mesmo ocorre com as “Fravashi” da tradição ário-iraniana. A “Fravashi – explica um grande conhecido orientalista – é a força intima de cada ser humano, é a que lhe sustenta desde o momento que nasce e subsiste”. Aos mesmo modos que os deuses lares romanos, as “Fravashi”, estão em contato, simultaneamente, com as forças primordiais de uma raça e são – como as “Walkyrias” - ,deusas preponderantes da guerra, que dão a fortuna e a vitória.Tal é a primeira relação que devemos desvendar e descobrir: Que essa força tão misteriosa, que representa a alma profunda da raça e o transcendental no interior do homem, pode ter em comum com a deusa da guerra? Para compreender bem esse ponto temos que recordar que os antigos indo-germânicos tinham uma concepção da própria imortalidade, por assim dizer, aristocrática, diferenciada. Nem todos escapariam à dissolução, a essa resistência lemúrica da que “Hades” e “Niflheim” eram antigas imagens simbólicas... A imortalidade foi um privilegio de bem poucos; e, segundo a concepção ária, um privilégio heróico principalmente. O feito de sobreviver – não como sombra, mas como semideus -, está reservado somente à aqueles aos que ações espirituais elevaram de uma a outra natureza. Aqui, não posso por desgraça, propiciar as provas para justificar o que dou como afirmação: tecnicamente, essas ações espirituais conseguem transformar o eu individual, no eu da consciência humana normal, em uma força profunda, supra-individual, a força individuante, que está além do nascimento e da morte e a qual, como se diz, corresponde o conceito de “demônio”. Mas , não obstante, o demônio está muito além de todas as formas finitas em que se manifesta, e isso não somente já porque representa a força primordial de toda uma raça, acaso que também baixo o aspecto da intensidade. O passo brusco da consciência ordinária a essa força, simboliza pelo demônio, causava, por conseguinte, uma crise destrutiva; parecida a um relâmpago como fruto de uma tensão de potencial demasiado alto para o circuito humano. Suponhamos por ele, que em condições excepcionais, o demônio pode igualmente aparecer no individuo e fazer-lo experimentar o tipo de uma transcendência destrutiva; e assim, nesse caso, se produziria uma espécime de experiência ativa da morte, e a segunda relação aparecia por tanto muito claramente, quer dizer, porque a imagem dupla do demônio nos mitos da antiguidade pode ter confundido com a divindade da morte. Na velha tradição nórdica, o guerreiro vê sua própria Walkyria no mesmo instante da morte ou do perigo mortal. Vamos mais longe. Na Ascensão religiosa, mortificação, renuncia ao EU, tensão no desamparo de Deus, são os meios preferidos; através dos que se busca, precisamente, provocar a crise mencionada e superar-la positivamente. Expressões como “morte mística” ou “noite escura da alma”, etc., etc., que indicam essa condição, são de todos conhecidas. De forma oposta, no quadro de uma tradição heróica, o caminho para o mesmo fim está representado pela tensão ativa, pela liberação dionisíaca do elemento Ação. Observamos por exemplo, ao nível mais baixo da fenomenologia corresponde, a dança empregada como técnica sacra para evocar e suscitar através do êxtase da alma, forças subjacentes nas profundidades. Na vida do individuo liberado pelo ritmo dionisíaco se inserta outra vida quase como o florescimento de sua raiz basal. As Erinias, Furiosas, “Horda selvagem”, e outras várias entidades espirituais análogas representam essa força em términos simbólicos. Todas correspondem, por conseguinte a uma manifestação do demônio em sua transcendência aterrorizadora e ativa. A um nível mais elevado se situam já os sacros jogos guerreiros e desportivos e ainda, todavia, mais alto se encontra a mesma guerra. Assim retornamos de novo a concepção ária primordial e a ascecis guerreira.

No ápice do perigo do combate heróico, se reconhece a possibilidade dessa experiência supranormal. Assim a expressão latina “ludere”, usar ou desempenhar um papel, combater, parece conter a idéia de resolução. Essa é uma das numerosas alusões à propriedade compreendida no combate, de desatar-se das limitações individuais; de fazer emergir forças livres escondidas na profundidade. Daqui deriva o fundamento da terceira assimilação: os Demônios, os Deuses Lares, como o Eu individuante, são idênticas não somente às “Hordas furiosas”, Erinias e as outras naturezas dionisíacas desencadeadas, que, por sua parte, possuem muitas características comuns como o desejo de morte; possuem também a significação, por sua relação com as virgens que conduzem os heróis ao avanço na batalha, às “Walkyrias” e as “Fravashi”. Assim, as “Fravashi” são descritas nos textos sagrados, por exemplo, como “as aterradores, as todo poderosas”, “aquelas que escutam e dão vitória ao que as invoca”; ou, para dizer já mais claramente, a aquele que as invoca no interior de si mesmo. Daí a ultima com a normal consciência ordinária. Assim é como elas, “Horas furiosas” e Erinias, nos refletem uma manifestação especial de desencadeamento e de invasão demoníaca – e as Deusas da Morte, “Walkyrias”, “Fravashi”, etc..., se relacionam com as mesmas situações; na medida em que são possíveis através de um combate heróico – de igual forma da Deusa da Vitória é a expressão do triunfo do eu sobre esse poder. Indica a tensão vitoriosa a respeito de uma condição situada além do perigo, inserto no êxtase e nas formas de destruição sub-pessoais, um perigo sempre emboscado de trás do momento frenético da grande ação dionisíaca, e também, da ação heróica.


O impulso em direção a um estado espiritual realmente supra-pessoal, que nos faz livres, imortais, interiormente indestrutíveis, ilustra a frase “Converter dois em um” (os dois elementos da essência humana) que se sintetiza, pois, nessa representação da consciência mítica. Passemos agora ao significado dominante dessas tradições heróicas primordiais, quer dizer, a essa concepção mística da vitória. Aqui a premissa fundamental é que uma correspondência eficaz entre a física e a metafísica, entre visível e invisível foi conhecida então onde os atos do espírito na vitória efetiva. Então todos os aspectos materiais da vitória militar se convertem em expressão de uma ação espiritual que suscitou a vitória, no ponto em que exterior e interior se tocam. A vitória apareceria como signo tangível para uma consagração a um renascimento místico acometido no mesmo domínio. As “Hordas furiosas” e a Morte, que o guerreiro havia enfrentado materialmente no campo de batalha, se lhe opõe também, interiormente, mais no plano espiritual, baixo a forma de uma erupção ameaçante das forças primordiais do seu ser. Na medida em que triunfa sobre elas, a vitória é sua. Nesse contexto se explica também a razão pela que cada vitória toma especial significado sacro no mundo ligado à tradição. E dessa forma o chefe do exercito, aclamado nos campos de batalha, oferecia a experiência e a presença dessa força mística que lhe transformava. O sentido profundo do caráter supra-terreste emergente da glória e da “heróica divindade” do vencedor se faz assim mais compreensível; e daí, o feito de que a antiga tradição romana do triunfo tivesse traços mais sacros do que militares. O simbolismo recorrente nessas tradições árias primordiais de Vitórias, “Walkyrias” e outras entidades análogas que guiam ao “céu” a alma do guerreiro...; assim como o mito do herói, como o Hercules dório que obtém de Niké,“ a Deusa da Vitória”, a coroa que lhe faz participante da imortalidade olímpica. Esse símbolo se manifesta agora baixo uma luz muito diferente e no adiante resulta claramente que é totalmente falso e superficial esse modo ignorante de ver, que não queria distinguir em tudo isso nada mais que simples “poesia” retórica e fabula. A teologia mística atual ensina que na Glória se cumpre a transfiguração espiritual santificante, e toda a iconografia cristã envolve a cabeça dos santos e mártires da auréola da glória. Tudo nos indica que se trata de uma herança ainda muito debilitada de nossas tradições heróicas mais elevadas. A tradição Ário-Iraniana, já conhecida, realmente, o fogo celeste entendido como glória – “Hvareno”-, que descende sobre os reis e verdadeiros chefes, os faz imortais e lhes permite levar assim o testemunho da vitória... A antiga coroa real de raios simbolizava, exatamente, a glória como fogo solar e celeste. Luz, esplendor solar, glória, vitória, realeza divina, são essas imagens que se encontravam no sonho do mundo ário, na mais estreita relação; não como abstrações ou invenções do homem, mas também com o claro significado de forças e domínios absolutamente reais. E nesse contexto, a Doutrina Mística da Luta e da Vitória representa para nós um vértice luminoso de nossa comum concepção da ação no sentido tradicional.

Essa concepção tradicional nos fala hoje; de forma ainda compreensível para nós – a condição naturalmente, de que nos desviemos de suas manifestações exteriores e condicionadas pelo tempo -. Então, semelhante que no presente, se quer assim superar essa espiritualidade cansada, anêmica ou baseada em simples especulações abstratas ou mortíferos sentimentos piedosos, e à vez que se transpõe também à degeneração materialista da ação. Pode-se encontrar para essa tarefa melhores pontos de referencia que os ideais mencionados do ário primordial? Mas há muito mais. As tensões materiais e espirituais são comprimidas até tal ponto no Ocidente de estes últimos anos que não podem ser já resultados mais que através do combate. Com a guerra atual, uma época anda dominadas e transformadas na dinâmica de uma nova civilização tão só por umas idéias abstratas, umas premissas universalistas ou por méio de mitos já conhecidos irracionalmente. Agora, uma ação muito mais profunda e essencial se impõe, para que muito mais além das ruínas de um mundo subvertido e condenado, uma nova época comece para a Europa. Entretanto, nesta perspectiva muito dependerá de como o individuo possa dar forma à experiência do combate; quer dizer, se estará à altura de assumir heroísmo e sacrifício como própria catarsis, como um meio de libertação do despertar interior. Não somente para a saída definitiva, e vitoriosa dos sucessos desse período tempestuoso, porém ainda também para dar uma forma e um sentido invisível, apartado de gestos e grandes palavras, terá um caráter decisivo. Nessa batalha, mesmo onde é necessário despertar e moderar essa força que, além da tormenta do sangue e das privações favorecerá como um novo esplendor e uma paz toda poderosa, a nova criação. Por isso, se deveria aprender hoje sobre o campo de batalha, a ação pura, uma ação não somente no sentido de ascesis viril, porém também de grande purificação e de caminho em direção à formas superiores de vida, válidas em si mesma e por elas mesmas; isso que não obstante, tem em certa forma, o sentido de uma voltada a tradição primordial ário-ocidental. Desde os tempos antigos ecoam ainda até nós as palavras: “a vida, como um arco; a alma, como uma flecha; e o espírito absoluto, como um sinal a transpassar”. Já quer aquele que, todavia hoje, vive a batalha no sentido dessa identificação, este persistirá em pé aonde todos os outros caíram; terá uma força invencível. Esse homem novo vencerá em si, todo o drama e toda a obscuridade, todo o caos e representará a chegada dos novos tempos, o começo de um novo desenvolvimento... Este heroísmo dos melhores, segundo a tradição ária primordial, pode realmente, assumir uma função sugestiva, ou seja, a função de restabelecer de novo o contato, adormecido há muitos séculos atrás, entre o mundo e o supra-mundo. Então o combate não se converterá em uma horrível carnificina, não terá o sentido de um destino desesperado, condicionado unicamente pelo único desejo de ganhar poder, mas será a prova do direito e da missão de um grande povo. Então a paz não significará um aperto na obscuridade burguesa cotidiana, nem a separação da tensão espiritual da luta em batalha, porém que terá todo o contrário, o sentido de um cumprimento dela. É também, e justa é por ela, que queremos fazer nossa, de novo, a profissão de fé dos antigos; tal como se expressa e muito bem, nas seguintes palavras: “O sangue dos heróis é mais sagrado que a tinta dos sábios e as pregações dos devotos”. Que isso se encontra justamente na base profunda da concepção tradicional, e segundo ao qual, na “guerra santa” operam muito mais fortes que os indivíduos as místicas forças primordiais da raça. Essas forças das origens criam os impérios.

*Tradução por O Austral

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