quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Burrice Humana

por Carlo Cipolla

Sempre e inevitavelmente todos subestimam o número de pessoas burras em circulação.

Pessoas que considerávamos racionais e inteligentes no passado resultam ser inequivocamente burras.

Dia após dia, com uma monotonia incessante, vemos como entorpecem e obstaculizam nossa atividade indivíduos obstinadamente estúpidos, que aparecem de improviso e inesperadamente nos lugares e nos momentos menos oportunos.

Nem todos os humanos são iguais já que uns são mais burros do que outros.

Uma pessoa burra é aquela que causa perdas a outra pessoa ou grupo de pessoas sem obter nenhum lucro para si mesmo e inclusive incorrendo em perdas.

Os burros são perigosos e funestos porque para as pessoas razoáveis resulta difícil imaginar e entender um comportamento burro.

Não existe modo racional de prever se, quando, como e por que, uma criatura burra levara a cabo seu ataque. Frente a um indivíduo burro, se está completamente desarmado.

Geralmente o ataque do burro nos pega de surpresa.

Inclusive quando se tem conhecimento do ataque, não é possível organizar uma defesa racional porque o ataque, em si mesmo, carece de qualquer tipo de estrutura racional.

O burro não sabe que é burro e isso contribui em grande medida a dar maior força, incidência e eficácia a seu poder devastador.

Os não burros, em especial, esquecem constantemente que em qualquer momento, lugar e circunstância, tratar e/ou associar-se com indivíduos burros se manifesta infalivelmente como um erro extremamente custoso.

Um dos erros mais comuns é chegar a crer que uma pessoa burra só causa dano a si mesma, porém isso não é mais do que confundir a burrice com a candura dos desgraçados.

A pessoa burra é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.


Tradução por Raphael Machado

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