quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tomislav Sunic - Identidade Branca na Pós-Modernidade

por Tomislav Sunic



Nós começamos a refletir sobre nossa identidade no momento em que estamos para perdê-la. Nossos avós jamais fizeram perguntas sobre o sentido da identidade; eles jamais se preocuparam com quem eles eram. Eles tomavam como um dado sua afiliação a sua religião, sua tribo, e sua raça. É com a maré crescente de multiculturalismo, seguida pela decadência do Estado-Nação tradicional que a identidade se torna um problema.

O termo "identidade" entrou na moda porque pode significar tudo e nada ao mesmo tempo. Não é acidente que está bem em voga hoje porque, como notado em uma recente publicação do Institut für Staatspolitik, "possui uma ressonância mais científica do que 'consciência nacional' ou 'alma nacional.'"

Após a experiência trágica que os europeus tiveram com seus nacionalismos durante a Segunda Guerra Mundial e sua extensão menor durante a recente Guerra da Iugoslávia, a classe política europeia prefere usar termos neutros tais como "identidade nacional." A velha expressão "consciência nacional", que em língua alemã tem uma ressonância particularmente forte (Volksbewusstsein) ou na língua francesa "conscience nationale", cheira a vocabulário fascista e deve ser prudentemente evitada.

Por contraste, a expressão "identidade nacional" soa neutra. Pode ser usada por todos - até por aqueles que rejeitam sua identidade nacional ou que descartam a noção de orgulho racial. Até os ícones da esquerda costumam "afagar" a idéia de orgulho nacional posando com símbolos patrióticos.

É verdade que quando um europeu branco ou um americano branco fala da "consciência nacional" de seu grupo, a mídia popular automaticamente apontará para o espectro ressurgente do racismo. No mundo pós-moderno, o estéril termo "identidade" garante um certificado de consciência cívica decente, excluindo qualquer suspeita de xenofobia ou rejeição do Outro.

A maioria dos europeus e americanos brancos recorrem a identidades "funcionais" sem qualquer ligação a sua identidade racial ou cultural. Pesquisas psicológicas mostram que brancos possuem identidades relativamente fortes a nível inconsciente - o quê Kevin MacDonald nomeia "brancura implícita." Mas no nível explícito e consciente, eles se identificam como americanos, ou cristãos, ou fãs de música clássica.

De fato, para muitos brancos no mundo pós-moderno, sua identidade é expressa pela escolha de diferentes estilos de vida e pela adesão a costumes exóticos. Essas novas identidades modistas pós-modernas substituem as velhas identidades derivadas de nossa herança racial e cultural.

Por exemplo, um número cada vez maior de brancos, enquanto alegremente expressam suas raízes francesas, americanas, inglesas ou alemãs, exaltam bizarras identidades supranacionais e transnacionais. Eles alegremente abraçam exóticos escapismos africanos ou asiáticos, ou a música rap da América urbana. Eles detectam sua nova identidade não nas antigas vizinhanças brancas de sua cidade, mas nos locais mais distantes possíveis de suas vidas atuais.

Alain de Benoist observa que na sociedade pós-moderna, indivíduos geralmente buscam por identidades alternativas pela auto-identificação com logomarcas ou estéticas exóticas. Se uma nova moda dita que a nova identidade deve ser buscada na Cabala Judaica ou então na imitação do estilo de vida de uma tribo negra de Timbuktu, elas serão alegremente abraçadas.

Muito possivelmente os euro-americanos modernos, ou europeus em geral não podem se tornar racialmente conscientes sem primeiro encararem ameaça física séria vinda da identidade muito bem definida de um Outro. Tenha-se em mente a desintegração da Iugoslávia, quando muitos croatas descobriram uma forma intensa de identidade nacional graças ao avançar dos tanques comunistas iugoslavos.

Vitimologia: Uma Identidade Negativa

Em uma sociedade multiétnica e multicultural, a identidade de diferentes grupos étnicos é incompatível com o individualismo liberal. Por um lado o liberalismo prega o livre-mercado com alegres consumidores como sendo a identidade ideal para todos; porém por outro lado, a própria dinâmica do liberalismo não pode prescindir das identidades raciais e étnicas de seu próprio corpo político multicultural.

De fato, tão irônico quanto isso possa soar, o multiculturalismo (que é o eufemismo fraudulento para o multirracialismo), apresenta a maior ameaça ao sistema liberal. Isso é assim porque provoca os sentimentos de vitimologia entre seus distintos constituintes étnicos e raciais. A sociedade multicultural moderna, como a antiga Iugoslávia já provou e os EUA modernos provam diariamente, é um frágil sistema pleno de tensões étnicas e raciais. Pierre André Taguieff um escritor esquerdista francês e dissidente do politicamente correto, nota, que "particularmente as rivalidades interétnicas podem ser radicalizadas pela menor das fagulhas (um pequeno evento) e se desdobrar em um conflito similar a uma guerra civil."

Desde o fim da Guerra Fria, a classe política reafirma sua identidade pela constante ressurreição do espantalho fascista e dos antissemitas constantemente à espreita. Mesmo que esse bicho-papão antissemita não esteja por perto ele deve ser reinventado de modo a garantir credibilidade ao sistema liberal. De novo e de novo.

No início do terceiro milênio, pode-se ouvir em todas as frequências infinitas histórias de horror sobre o maligno Hitler - um homem que certamente está destinado a viver para sempre na infâmia. Parece que a democracia liberal não é capaz de funcionar de modo algum sem usar um Outro negativo.

O holocausto judaico se tornou um componente crítico de identidade para o mundo ocidental necessitado de um novo simbolismo semi-religioso - a cultura do holocausto. Em 2005, o presidente da Republica Federal Alemã, Horst Köhler, declarou lacrimejante no Knesset israelense que a responsabilidade pela Shoah [holocausto] é parte da identidade alemã." ("Die Verantwortung für die Schoa ist Teil der deutschen Identität.") Similarmente, o ex-chanceler da Alemanha Gerhard Schröder declarou que "a lembrança da Shoah pertence a nossa Identidade."

Pense nisso. Se considerado literalmente, isso significaria que não poderia ser possível ao alemão, pensar em si mesmo como alemão sem também pensar no papel dos alemães no holocausto. Ser um alemão é ter a Marca de Caim na própria testa.

Essa cultura do holocausto é fanaticamente mantida pelo sistema jurídico na Europa. A percepção de qualquer identidade antissemita quer real ou surreal desencadeira fúria judicial. Qualquer acadêmico que questione a narrativa judaica moderna pode facilmente cair nas garras do Código Criminal - a temida StGB, Seção 130, da Alemanha, ou a "Loi Fabius-Gayssot" francesa.

Obviamente há dois pesos e duas medidas aqui. É amplamente permissível exercitar a própria identidade pela realização de piadas sobre "alemães gordos" ou "franceses fedorentos" ou "protestantes anglossaxões hipócritas". Pode-se até mesmo ir tão longe quanto fazer uma leve piada sobre árabes. Mas uma minúscula piada sobre judeus é impensável na mídia e nos círculos políticos da América e da Europa. Pode-se criticar o Outro pela invocação da liberdade de expressão, desde que esse Outro não seja um judeu.

Identidades Ersatz (Substitutas)

Em sua busca desesperada por uma identidade não-racial, europeus brancos recorrem a identidades ersatz. Por exepmplo, eles assumem a identidade palestina ou tibetana ou a identidade de alguma tribo distante do Terceiro Mundo como se fosse a sua própria. Eles vão procurar por alguma tribo índigena perdida na Floresta Amazônica e então, com toda paixão, vão lutar para protegê-la e preservá-la.

Mas quando chega o momento de definir e preservar sua própria identidade racial - quanto mais preservar sua raça, eles permanecem em silêncio. Dizer em voz alta "eu tenho orgulho de ser um branco europeu" soa como racismo.

Tais substitutos ou identidades ersatz de inspiração estrangeira são particularmente fortes quando estão amparadas na narrativa da vitimologia. Europeus são ávidos por erguer monumentos a tribos exóticas das quais eles nunca ouviram falar até o dia antes de ontem - principalmente àquelas que possam ter sido vitimizadas por europeus. Dias de penitência continuam se acumulando no calendário. Cada europeu branco ou político americano é obrigado a prestar tributos morais e financeiros a povos cuja identidade não tem nada em comum com a sua própria.

Enquanto a mídia ocidental e os fazedores de opiniões nos garantem que a história se aproxima do seu fim, nós estamos testemunhando uma assustadora demanda pelo ressurgimento de micro-identidades não-europeias, geralmente amparadas em uma vitimização auto-centrada. E cada uma dessas vitimizações não-europeias requer um número cada vez maior de mortos domésticos e culpados estrangeiros. Os culpados são sempre os brancos europeus, que são forçados a praticar o ritual do remorso.

O velho senso do trágico, que até recentemente era o pilar fundamental da velha memória histórica greco-romana na Europa, cede seu lugar a lamentações levantinas pelas vitimizações de tribos asiáticas e africanas. Lentamente, mas indubitavelmente, o senso europeu do trágico é suplementado por uma fixação em identidades não-europeias.

Que escândalo se um estadista europeu ou americano branco esquece de demonstrar remorso pelo sofrimento passado de algum povo não-europeu! O que conta é a enumeração infinita de vítimas não-europeias do passado europeu.

Nessa "batalha de memórias" pós-moderna, as vitimizações não podem ser iguais. Algumas devem ter precedência sobre outras, e é bem óbvio que o holocausto judeu é o ápice da vitimização no Ocidente pós-moderno.

Mas há um grave perigo para todos. Dada a atmosfera vitimológica que prevalece hoje no Ocidente multirracial, cada tribo, raça ou comunidade não-europeia é levada a crer que sua vitimologia é única. Isso é um fenômeno perigoso porque cada vitimologia compete com outras vitimologias por orgulho de posição.

A história do século XX é que os maiores homicídios em massa na história - os homicídios em massa do comunismo - foram tornados possíveis pela ideologia marxista da vitimização e eles foram racionalizados em nome da tolerância e dos assim chamados "direitos humanos". A ideologia comunista da vitimização resultou na desumanização de intelectuais dissidentes e oponentes políticos, e mesmo de grupos inteiros de pessoas - com consequências monstruosas.

O espírito da vitimização deve buscar por sua identidade negativa pela negação e abolição do Outro, que é a partir de então não mais percebido como humano, mas representado como um monstro. O espírito da vitimologia não serve para prevenir conflitos. Ele torna os conflitos inevitáveis.

As identidades diversas no Ocidente multicultural são um problema severo. Por um lado, as sociedades ocidentais liberais modernas requerem que cada grupo étnico não-europeu receba uma identidade apropriada e seu direito à lamentação histórica; porém, por outro lado, as sociedades liberais são incapazes de funcionar bem em um ambiente acossado pela balcanização étnica.

Em particular, a dispura de diversas vitimologias torna o funcionamento do sistema liberal extremamente precário. Em essência, cada espírito vitimológico em uma sociedade multirracial é confrontacional e discriminatório. Cria um clima que promove a divisividade na sociedade. O único jeito em que tais sociedades podem funcionar é com elevadíssimos níveis de controle social. Esse prospecto é indubitavelmente visto muito positivamente por intelectuais pós-modernos. Mas isso levará à alienação e apatia da grande maioria - especialmente para Brancos que não possam reclamar uma vitimização e que são forçados a testemunhar a desintegração de suas comunidades outrora homogêneas.

As sociedades americanas e europeias estão encarando uma situação esquizóide. Por um lado, estão sendo sobrepujadas pela retórica das identidades negativas derivadas dos sentimentos de culpa - as várias vitimologias anticoloniais e as infinitas ladainhas sobre os crimes fascistas do passado europeu. Porém, por outro lado, mal se houve qualquer palavra sobre os gigantescos crimes cometidos pelos comunistas e seus aliados liberais durante e após a Segunda Guerra Mundial - crimes cometidos para vingar a vitimologia marxista da luta de classes.

Os brancos na Europa e na América tem que superar o senso de enraizamento territorial e conflitos interétnicos. A Identidade racial e cultural europeia se estende da Argentina à Suécia e à Rússia e a muitos outros lugares no globo.

Ainda mais importante, as pessoas brancas devem explicitamente aceitar uma identidade branca. Essa identidade branca explícita não implica que brancos sejam superiores a outros povos ou que outros povos não sejam também únicos e tenham o direito de preservar a sua singularidade. Ela apenas significa que nós somos um povo único com uma cultura única, e que tanto nosso povo quanto nossa Cultura são dignos de serem preservados.

A identidade branca pode ser melhor preservada na esfera transcendental de sua própria singularidade. Mas a singularidade branca não precisa e não deve vir às custas da singularidade de outros povos e outras raças.


Um comentário:

  1. ''Se considerado literalmente, isso significaria que não poderia ser possível ao alemão, pensar em si mesmo como alemão sem também pensar no papel dos alemães no holocausto. Ser um alemão é ter a Marca de Caim na própria testa.''

    Veio-me em mente, quando li isso, as galhofas sobre holocausto que um colega meu recebe quando diz que é filho de dois alemães.

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