sexta-feira, 24 de setembro de 2010

As Mentiras do Liberalismo

* Autor Desconhecido



"O liberalismo significa maior poder de escolha, e melhores preços para o consumidor."

FALSO. Segundo o próprio dogma liberal, o liberalismo só funciona se existe concorrência suficiente do lado da oferta. Ainda assim, em verdade, o capitalismo liberal tende à concentração e à formação de monopólios que eliminam toda concorrência, reduzindo o poder de escolha do consumidor e fazendo subir os preços (e baixar a qualidade).

Na área dos serviços públicos como por exemplo na distribuição da água, nos correios, ou no serviço ferroviário, sua privatização sempre se traduziu em um aumento dos custos para o usuário do serviço, uma redução do serviço, e uma redução nos investimentos na manutenção das infraestruturas.

No que concerne os sistemas de aposentadoria privada (fundos de pensão), consistem em privar os assalariados de toda segurança, entregando-os à incerteza da gestão de ditos fundos por organismos financeiros. Em caso de quebra destes últimos, os assalariados se encontram sem aposentadoria apesar de anos de cotização. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos em 2002 com a quebra da Enron.

"O liberalismo é o jogo do livre-mercado".

FALSO. Sempre segundo o dogma liberal, o livre-mercado requer a transparência do próprio mercado e das informações.

Em realidade, por causa de práticas opacas e da iniquidade no acesso às informações, o consumidor nunca pode fazer escolhas com conhecimento de causa.

"O crescimento econômico cria empregos".

FALSO. O crescimento cria empregos em um primeiro momento, porém serve sobretudo para financiar as "reestruturações" e as relocalizações. Afinal de contas, destrói mais postos de trabalho do que cria.

"Só o mercado é apto para determinar o preço justo das matérias primas, das divisas ou das empresas".

FALSO. Os mercados são essencialmente guiados pela especulação e pela busca do maior lucro no menor prazo possível. As flutuações e variações do mercado são às vezes irracionais, excessivas e submetidas à manipulação. Essas oscilações excessivas no mercado (bolsas) são destrutivas, provocam ruína e quebras na economia real. Porém, ao mesmo tempo, essas variações são geradoras de lucros para os especuladores. Novamente o princípio dos vasos comunicantes...!

"A empresa cria riquezas. É a fonte de prosperidade dos países e de seus habitantes".

FALSO. Em geral, as empresas não criam riquezas, porque o valor criado é inferior ao custo real dos recursos utilizados ou destruídos, se tomamos em conta o custo ambiental e humano, assim como o custo real das matérias-primas renováveis.

O "lucro" das grandes empresas é conseguido, em realidade, em detrimento da natureza, pilhada pela exploração, a urbanização e a contaminação, ou "vampirizado" sobre outros fatores econômicos:

- sobre os assalariados, os quais terão sido despedidos para cortar custos ou "aumentar a produtividade", ou os quais terão reduzidas sua remuneração ou sua proteção social.

- sobre os consumidores que deverão pagar mais, por uma qualidade ou quantidade menores.

- sobre os provedores (em particular sobre os produtores de matérias-primas de minerais ou agrícolas)

- sobre outras empresas as quais se terá provocado a quebra mediante práticas desleais de concorrência, ou que são compradas para serem posteriormente desmanteladas, vendidas por partes, e cujos assalariados serão transformados em desempregados.

- sobre as populações do Terceiro Mundo que serão espoliadas de suas terras e de seus recursos, e que terão sido reduzidas à escravidão, obrigadas a trabalhar nas minas ou em oficinas de trabalho escravo de empresas transnacionais, ou pior ainda, obrigadas a servir como porquinhos da índia para a indústria farmacêutica, ou a vender seus órgãos (em geral os rins ou um olho) que serão transplantados a enfermos afortunados (o preço pago por um rim chega a 20.000 dólares na Turquia, ou a apenas 800 dólares na Índia).

"A globalização beneficia a todos".

FALSO. Entre 1992 e 2002, a renda por habitante caiu em 81 países. No Terceiro Mundo, o número de pessoas "extremamente pobres" aumentou em mais de 100 milhões.

A diferença entre salários aumentou de forma impressionante. Tomemos o exemplo de uma operária de uma empresa sub-contratada asiática da Disney que fabrica roupas com o logotipo do Mickey para consumidores ocidentais. Essa operária trabalha em uma fábrica, 14 horas por dia, 7 dias da semana, sem nenhuma proteção social, sem direito a folga, tudo por um salário de 0,28 dólares por hora. Ao mesmo tempo, o salário honorário de um Gerente da Disney (PDG) é de 2.800 dólares, quer dizer 10.000 vezes mais.

As 225 pessoas mais ricas do mundo acumulam um patrimônio global de 1.000 bilhões de dólares, equivalente à renda anual dos 3 bilhões de pessoas mais pobres do planeta, quer dizer 47% da população mundial. A fortuna somada das 84 pessoas mais ricas ultrapassa o PIB da China, com seus 1,2 bilhões de habitantes.

Em 2002, 20% da população mundial monopoliza 80% das riquezas, possui mais de 80% dos carros em circulação e consome 60% da energia, enquanto o 1 bilhão dos habitantes mais pobres compartilham de 1% da renda mundial.


Tradução por Raphael Machado

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