segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nem Direita, nem Esquerda.

NOSSO GESTO

Por Onésimo Redondo. (Novembro de 1932)

“Direita, Esquerda. Estão aqui os pólos, ao redor dos quais gira a atividade eleitoral. E agora, mais que nunca, se evidencia a impressão e a vaga imprecisão desse absurdo enquadramento político. Até onde chega a direita? Até onde a esquerda? Onde termina uma e onde começa a outra?

Em frente a estes rígidos moldes de política “decimonónica” (do século XIX), a juventude nacional toma uma postura de franca e legitima rebeldia: nem direitas, nem esquerdas. Não queremos saber disto.

Se por direita se entende espiritualidade nós somos direita. E apresentamos um brilhante histórico de catolicismo autentico, pratico, não rotineiro, juvenil, enérgico e sentido, “não-topcista”. Se por direita se entende, tática diferença do capital ou burguês, reduto de ambições liberal conservadoras, baluarte de apetites pequeno-burgueses, nós somos esquerda, nós somos revolução. Se por esquerda, se entende, beocia demagógica, motim “populachero” (do povão, ralé), destruição e anarquia, nós somos direita, propondo uma nova ordem construtiva.

Se por direita se entende, conservadorismo beato, frescura sentimental, derrotismo legalista, nós somos esquerda.

Cai, pois, por sua base, a estrutura da atual política. Não nós esvaziamos nos seus velhos moldes. Isso explica, a atitude quiçá acida, porem nobremente rebelde, que adotamos ante a próxima batalha eleitoral.

Nós, não podemos seguir sendo “os quatro exaltados direitistas”, que pregam cartazes, escrevem letreiros em jornadas noturnas, e recebem as tortas que na rua se perdem, enquanto os “pacíficos” burgueses tomam o aperitivo no Cassino, ou fofocam em quaisquer encontros políticos. Eles terminaram o jogo.

Desde agora, marchamos sozinhos, poucos ou muitos, sem necessidade de andadores. Queremos emancipar-nos, porque temos fé na nossa idéia.”

Traduzido do Espanhol por Fernando Fidalgo.
Grifos do Tradutor.



Nenhum comentário:

Postar um comentário